Our Word

1 Outros mundos podem existir?


- O-O quê? O-Onde estou? Olho em minha volta. Vejo prédios e casas, mas, nenhuma árvore ou figura da natureza. As construções são meramente altas, e com muita tecnologia exposta. Honestamente, acharia que eu estou no futuro, mas não me recordo de ter dormido por tanto tempo — Mas que lugar é esse? — Indago para mim mesmo, me pondo de pé e sentindo minha cabeça latejar ao tentar lembrar do que aconteceu. Olho para todos os lados e finalmente para frente, onde encontro uma garota de cabelos loiros curtos presos em duas pequenas Maria-Chiquinha dos dois lados – que fofa – ela me olha com as costas inclinadas e um sorriso até que rapidamente o desfaz e levanta-se rapidamente e dá um passo para trás, dando uma visão perfeita de uma pequena garotinha de cabelos brancos compridos que olha para todos os lados, sem se importar comigo. Fico as analisando, elas parecem estar no ensino médio; Pude perceber pelas suas roupas pretas com detalhes azul escuro. Logo o silêncio foi interrompido, a Garota de cabelos loiros olha para a outra e diz:

- Ele acordou! Miu é com você!

- O.k.

Não entendo nada até a garotinha pegar um livro de dentro de sua mochila preta e me acertar com ele, apaguei na hora. Acordei, estava em uma cama simples as duas garotas estavam sentadas na minha frente, quando levantei para me sentar com a mão no rosto tentando me lembrar do que aconteceu, e paro para olhar em volta, o quarto em que estou é bem tecnológico. Para falar a verdade fiquei com um pouco de inveja. Tinha uma pequena mesa com um enorme notebook e de cada lado um computador – penso se a garota é gamer – continuo a olhar, mesmo o quarto sendo bem pequeno cada espaço foi bem utilizado, um enorme guarda roupa, a cama está coberta de bichinhos de pelúcia super macios, continuo olhando até que a garotinha de cabelos brancos olhou em meus olhos sem soltar nenhum sorriso voltou o rosto para frente, cutucou a outra garota que estava em seu lado que rapidamente se virou com um sorriso estampado no rosto ela pergunta:

- Você está bem?

- Se com “bem” você quer dizer ser acertado por um livro na cabeça e desmaiar para acordar na casa de uma estranha, sim, estou ótimo

- Nossa, só tentei ser educada – a garota diz fazendo uma careta com os olhos virados para o lado

-Si-sinto muito, só estou confuso e... quem são vocês?

- Eu sou Lay – a garota de cabelos loiros diz com a mão em seu peito – e a outra aqui é a Miu – Lay diz não muito animada apontando para a amiga com o polegar

- Oi – Miu diz sem mostrar entusiasmo abanando a mão olhando em meus olhos

- Então...será que alguém pode me explicar oque eu estou fazendo aqui? E por que?

- Bem...não sei de onde você “brotou”, estamos em 2035, e a gente viu você lá largado e...

- 2035 ?!? Da última vez que eu olhei meu calendário estava em 2014!

- Existiu 2014? – Lay pergunta com a sobrancelha arqueada olhando para Miu, que acena com a cabeça que sim. — Bem... se eu contar, você não irá rir? – Afirmo em resposta que não – Er...você lembra meu irmão mais velho...

- Nossa, você realmente gosta dele?

- Sim, mas ele foi para a faculdade nos Estados Unidos e não vai mais voltar...

- É uma pena – comento, vendo a mesma abaixar o olhar

- Você deve estar com fome, não? Irei preparar alguns lanches para nós – Diz a loira, se levantando e indo em direção a cozinha.

Acabei que por ficar sozinho com Miu, a garota dos cabelos longos. Nunca havia reparado até agora, mas, seus olhos possuem uma cor diferente. Uma das duas íris é roxa, e a outra verde. Vistos com clareza, são lindos ,mesmo com seu olhar triste e seu rosto sem reação.

- O que está olhando? – Pergunta, me tirando de meus devaneios

– N-Nada – Respondo com receio. Vejo-a semicerrar os olhos, como um simples não acredito – Quer dizer...Seus olhos...E-eles...

- O quê há com meus olhos?

– S-São...Muito b-bonitos

- Ah. Isso. Sim, obrigada – Disse, de modo simples e calmo.

- Os lanches estão prontos! – Lay adentra o quarto, cantarolando levemente, com uma bandeja cheia de lanches e três copos de suco, aparentemente, de laranja. Sentou em sua cama, perto de mim ,me oferecendo.

Peguei dois e um dos copos, logo abocanhando um dos lanches. Era delicioso! Não consegui decifrar totalmente o sabor, mas parecia algo com queijo derretido e mais alguns ingredientes que no momento não importavam para mim. Tratei de terminá-lo logo, pegando o outro e fazendo o mesmo processo de antes. Bebi todo o líquido do copo, não deixando restar uma gota sequer. Sede e fome eram palavras que, neste momento, não existiam mais em meu vocabulário.

- Estavam muito gostosos! Incrível! Você tem que fazer mais desses algum dia! – Elogiei, pedindo na maior cara de pau sem perceber o que havia dito. A conhecia em menos de 24 horas e já estava com a liberdade de pedir lanchinhos. Me senti envergonhado – O-Oh, desculpe...Acho que me empolguei um pouco com os lanches

- Sem problemas – Comentou, rindo

Continuamos conversando, Lay ria o tempo todo de algumas palhaçadas que eu fazia, enquanto Miu apenas observava, quieta, com sua revista em mãos, sem ao menos pronunciar uma palavra.

- Ela é sempre quieta assim? — Sussurrei para a menina das maria-chiquinhas

- Sim, normalmente ela não fala muito. Porque?

- Bem, é que até agora ela não disse nadinha, ou ao menos riu das minhas piadas. Quer dizer, ela já riu ou sorriu alguma vez? — Apenas uma única vez. Pode ter acontecido outras vezes, mas fora de meu alcance.

Raramente acontece ,e como Miu é uma garota quieta ,não é de se surpreender. Dei um meio sorriso e encarei a dona dos cabelos brancos. Porque não me conformo com o jeito que ela age? Ela é estranha, amedrontadora, mas ao mesmo tempo um pequeno brotinho de cereja que dá vontade de abraçar e não largar mais. É estranho querer cuidar de uma pessoa que nunca viu na vida, um estranho, que acabou de conhecer? Não posso dizer que sinto atração, mas sim como uma...ligação talvez? Como "Os opostos se atraem"? Não mesmo. E é tudo muito estranho e confuso o que sinto em relação a essa garota. Retiro minha atenção pela menina e observo a fechadura da porta, que por acaso, a fofa loira havia fechado. Tenho alguns problemas de visão, poucos e que geralmente não em atrapalham, mas com certeza, eu estava vendo um olho na fechadura. Sim ,um olho. Assusto por um momento, e tento chamar a atenção das garotas para que o olho não perceba que eu o encontrei. Miu olha de relance ,junto com Lay, que também estranha o pequeno objeto.

O olho pisca, e ouço murmúrios por trás da porta. De repente, um grande estrondo é ouvido e a porta é exposta ao chão. Atrás dela, aparece uma boneca, com os cabelos rosas presos em duas maria-chiquinhas grandes, indo até o pé da mesma. O brinquedo, se é que pode ser chamado assim, tem vida própria, andando em nossa direção. Miu e Lay se entreolham, enquanto minha face transborda desentendimento e choque. A boneca resolve se pronunciar:

- Hu,hu,hu. O que temos por aqui? As duas menininhas e seu novo cãozinho. Surpreendente. Até poderíamos conversar, mas tenho matar vocês. Uma pena. Minha mestra está me esperando e não tenho tempo a perder, por isso, vamos começar com a diversão logo!

Dito isso, o pequeno objeto pega uma arma grande, diria até ser um fúsil. Como aquela coisa pequenina consegue segurar uma arma quase que do tamanho de um canhão? Rapidamente ,atira, acertando a parede e fazendo um enorme buraco. Saímos correndo para o jardim, em busca de defesa do brinquedo maluco.Miu pega aparentemente uma katana, enquanto Lay saca uma arma qualquer de seu bolso

- Lay, me dê cobertura! — Grita a heterocrômica, logo indo em direção de ataque. A loira, sem perder tempo, atira na boneca, que recebe uma bala certeira em seu braço.

Se tratando de um objeto de material de espuma, não surtiu efeito, apenas fez a mesma cair com o baque forte da bala. Miu avança, chegando bem perto do brinquedo e aproveitando a oportunidade da pequena estar tonta, crava sua espada, rasgando o objeto no meio. Mesmo não participando da luta, sorri vitorioso. A noite estava a cair, e como todos nós estávamos cansados, decidimos que me contariam sobre isso no dia de amanhã. Lay arrumou um quarto de hóspedes para mim, e ao chegar cai na cama. Não demorei nem 5 minutos para cair no sono. Deveria descansar, afinal, amanhã seria um grande dia.

Notas finais
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