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2 Capítulo 02 – Impulsividade curável só que não


Depois de uma manhã quase agradável, passei alguns minutos no quarto da Chase, “organizando” do jeito dela. Acredite bagunçar algumas vezes é tão complicado quanto arrumar. Aquele lugar cheirava diferente do resto da casa, tinha cheiro de orégano, menta e também um terceiro aroma mais vibrante que os outros dois, que eu já tinha sentido, mas não lembrava onde.

– Provavelmente é só álcool... – Murmurei para mim. O quarto em si era formado por paredes com varias árvores azuis, violetas e roxas num fundo cinzento. O chão branco e uma parede ocupada inteiramente por uma vidraça. De móveis só havia uma escrivaninha, o armário e é claro, a cama. Senti meu telefone vibrar no bolso do moletom e atendi, já sabendo quem era.

– Oi, Lex.

– Oi, Jake, estou te esperando na frente da sua aula de historia da arte há meia hora, onde você está? – A voz dela soava levemente irritada e contrariada.

– Não tenho aula no primeiro período hoje, estou em casa. – A ouvi bufar com a minha resposta. Lexa odiava quando eu me referia ao apartamento como “casa”. Segundo ela, eu só morava naquele lugar há um mês, para ela minha única casa era a casa dos meus pais.

– Pensei que você tivesse um trabalho para entregar aqui hoje.

– Lex, eu te disse que tinha sido adiado. – Eu disse não disse? Tenho quase certeza que sim.

– Disse? Que droga Jake, queria te fazer uma surpresa. Se estiver sozinho, posso passar aí... – A voz dela se tornou insinuante.

– Lexa, você conhece as regras, não pode vir aqui.

– Mas se “ela” não está aí, por que não posso ir?

– Porque isso não seria justo, regras são regras, seria o mesmo se ela trouxesse alguém aqui só por eu não estar por perto.

– Essa regra é tão errada, quero te ver. É injusto não poder entrar no apartamento do meu namorado. – Ela bufou novamente.

Algumas vezes, quase acabo contando para a Lexa que essa regra foi criada por causa dela. Só para ver que reação ela teria. Foi na segunda semana, quando resolvi apresentar ela e a Chase.

Acredite, até hoje não entendo bem o que saiu errado. Ela levou a melhor amiga e pedimos uma pizza, conversamos bem pouco, e quando ficamos sozinhos ela se virou para mim e disse:

– Sei que pode parecer estranho, mas, por favor, não a traga para cá. – Aquela foi a única vez que vi preocupação naqueles olhos azuis delineados. Não perguntei o porquê, apenas concordei. E naquela noite surgiram as cinco regras do apartamento.

Elas são:

Permitido apenas amigos e parentes, relacionamentos amorosos fora de cogitação.

Respeito completo ás coisas alheias. (ok, talvez eu tenha desobedecido a essa.)

Números de emergência e contatos principais na geladeira.

Compartilhar decisões referentes ao apartamento.

Tentar ao máximo conviver bem.

Pode parecer injusto, mas a primeira regra me trouxe certo alívio. Eu não gostava muito da idéia de ter que acordar de manhã e tomar café com o Luke, ou o Tyler, ou o Ethan, ou aquele que eu não lembro o nome, mas sempre deixa mensagens na secretária eletrônica.

Minha breve convivência com Halley Chase pode ser dividida em três períodos.

A primeira semana: Olhares desconfiados constantes e praticamente nenhum dialogo. A frase dessa semana foi “Será que ela/ele é um serial killer?”. A primeira semana foi encerrada no Domingo à tarde, quando nós nos sentamos juntos e por coincidência acabamos assistindo “Titanic”. Aos poucos fomos fazendo piadinhas e apostando quando o outro ia chorar, ainda lembro quando ela imitou a mãe da Rose dizendo:

– Rose, você precisa casar, se não eu vou ter que virar costureira! Sabe o quê as costureiras fazem?! Elas costuram! Com as mãos, Rose! Para outras pessoas! – Aí ela começou a se abanar e fingir um choro como uma patricinha de filme da Disney. Eu gargalhei, e no final nenhum de nós chorou, mas chegamos perto disso. Nesse dia a frase foi “Talvez ela/ele não seja um/uma serial killer tão ruim assim”.

Na segunda semana começamos a nos conhecer e conversar direito. Contamos sobre nossas vidas, e nenhum de nós gostou muito do que ouviu. Guardamos nossos comentários e criticas para a próxima semana. Nessa semana a frase foi “Talvez outro serial killer fosse melhor”. Essa semana terminou na sexta á noite, quando ela chegou extremamente bêbada pela primeira vez. Essa foi nossa pior discussão. Nós dois gritamos, ela quase quebrou um prato na minha cabeça.

Passamos horas gritando, xingando, dizendo coisas que não tínhamos certeza e nossas piores certezas. Pelo resto do dia não nos olhamos ou falamos. Pelo resto do final de semana não nos olhamos ou falamos. A frase desse final de semana foi “Não ligo se você é ou não uma/um serial killer, até o final do mês você morre.”

– Jake! Pode por favor, prestar atenção em mim? Querido, vamos sair. – Ela choramingou. Sempre me dava arrepios ser chamado de “querido” pela Lexa. Meio que me lembrava que ela ia me chamar assim pelo resto da minha vida.

– Ok, Lex. O quê quer fazer?

– Que tal irmos assistir um filme?

– Claro, onde você está?

– Estou na frente do seu prédio. Você tem dez minutos. – Suspirei concordando e entrando no meu quarto. Abri meu armário peguei uma camiseta cinza e um jeans azul-marinho. Joguei na minha cama e fui tomar um banho.

Logo estava no elevador do meu prédio, suspirando em precipitação ao meu encontro. Lexa Butler, minha namorada desde meus quatorze anos. E ao que parece minha futura noiva.

Ela é parte da vida que meus pais planejaram para mim. E é a parte que os impede de cortar a minha cabeça por ter começado a cursar arte.

Não me leve a mal, gosto dela. Ficamos bem juntos e nos damos bem. Isso meio que basta. E acredite, ela é bonita, cabelos castanhos longos, pele bronzeada, alta e com olhos verdes lindos. Gosto da minha namorada.

Assim que saí do prédio avistei a BMW branca da Lexa. Ela saiu andando na minha direção, com uma camisa de mangas compridas listrada de preto e branco, uma saia alta rodada preta e botas vermelhas. Sem falar dos óculos escuros que ela sempre usava.

Deu-me um beijo estalado e um “oi, querido” animado para em seguida entrelaçar o braço no meu e me puxar para a calçada.

– Você tinha dito que íamos sair ontem, então entrei em pânico quando você não ligou. Alem disso mal nos falamos há quase dois dias, sinceramente Jake, estou começando a concordar com os seus pais, você têm estado mais disperso desde que começou a cursar arte. E para quê raios, você usa seu celular se nunca responde minhas malditas mensagens?! – Adoro ver a Lex falando, é como uma metralhadora que muda de direção várias vezes na mesma frase. Ela começa feliz, logo está com um ar preocupado e encerra brava. Eu praticamente não participo das conversas.

Eu acabei esquecendo-me de responder, o que provocou mais reclamações sobre como eu não prestava atenção na minha namorada esforçada e como eu não a merecia.

Antes que eu percebesse estávamos na porta do cinema.

– O que quer assistir? – Perguntei, provavelmente exprimindo mais palavras que durante toda a conversa. Ela se apoiou no balcão e torceu o nariz de um lado para o outro pensando.

– Nada em particular, que tal aquele que está em alta, “Love, Rosie” eu acho..?

– Parece bom, vou comprar as entradas, ok? Espere-me aqui. – Ela ficou emburrada e entrou na fila da pipoca.

Acho que não preciso descrever o processo de entrar na fila, escolher os assentos, pegar o ingresso e agradecer a caixa, até porque nem prestei atenção nisso.

Enfim, depois de dez minutos de trailers o filme começou. Surpreendentemente eu estava me divertindo e realmente me envolvendo na história.

A Lexa estava com a cabeça apoiada no meu ombro e eu duvido muito que sequer prestando atenção no ótimo filme. Enquanto isso a Rosie estava trocando mensagens com o Alex e... Oh, meu deus! Com aquela vaca da Bethany, não!

Logo, acabei sendo interrompido pela mão insinuante acariciando minha coxa. E pelo olhar no rosto da minha namorada eu nunca saberia quem levou a Rosie ao baile.

Notas finais
People! Eu meio que fico ansiosa com essa história, então raramente vai rolar notas iniciais e finais
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.