Our Love
3 Cold Wind
Notas iniciais
Ela se sentia assim, fria e vazia.
Ainda mais agora depois de passear por sua casa nova, constatou o que já sabia, estava sozinha.
Tomava um chocolate quente, afinal alguns hábitos nunca mudavam.
O vento gelado entrava pelas janelas, mesmo elas estando fechadas. E, parecia uma mensagem, ela nunca poderia se sentir quente de novo.
Não que ela fosse uma pessoa fria ou que não possuísse sentimentos alguns, ela se sentia fria e vazia de qualquer sentimento.
Enquanto encarava seu chocolate já na metade, perguntava a si mesma, realmente merecia isso? Por que com ela, afinal?
Essa sensação que sentia... Era o preço de todo seu poder?
Já fazia um ano desde que sua vida havia acabado. Doze meses sem conseguir se sentir feliz ou querida. E não contava os milhares de marmanjos que a ficavam cobiçando por aí.
Alexia nunca fora assim, sozinha e vazia. Todos os dias até seus 16 anos, ela fora amada incondicionalmente por seus pais, ela tinha amigos e uma vida normal.
Bom, normal...
A garota ia pra escola e voltava para sua casa, esta era sua rotina. Seus amigos, assim como ela, eram como qualquer adolescente que haviam acabado de dar seu primeiro beijo de língua.
Alexia, como qualquer adolescente, tinha uma queda pelo garoto mais lindo do terceiro ano, todos os finais de semana ela saia com as amigas e eventualmente, conhecia algum carinha e eles trocavam uns beijos... Como qualquer adolescente, ela deixava de fazer algumas tarefas para poder ficar assistindo suas séries até mais tarde, brigava com seus pais por birra... Assim, como qualquer garota de sua idade.
Ela tinha 14 anos, quando sua vida deu os primeiros indícios de mudança.
Estava sentada na poltrona de sua antiga casa, ela lia algum livro para a prova daquela semana. Havia acabado de brigar com seu namoradinho, folheava as páginas com raiva, nem lia direito, apenas ficava pensando o quanto queria gritar.
Olhou fixamente para a televisão desligada e ficou pensando no motivo da briga.
O garoto havia mentido pra ela, disse que iria sair com sua família no dia em que ela pedira pra irem ao cinema, quando na verdade, ele estava na casa de um amigo qualquer.
Alexia até ria friamente quando lembrava quão boba ela era.
Naquele dia, ela pensava tão furiosamente em seu namorado, que nem havia percebido, ou sentido, as páginas de seu livro, uma por uma, sendo tomadas pelo fogo.
Ela só saiu do transe quando sentiu o cheiro de queimado, e a mãe gritar seu nome.
Depois daquele incidente, os pais foram obrigados a lhe contar os segredos que seu sobrenome levava durante séculos.
Seu nome na certidão era Alexia Valenti Holmes. Valenti, conhecidos como a única família de feiticeiros que já viveu neste mundo, nunca haviam comprovado de fato a fama que o sobrenome carregava, e nem iriam, a família Valenti sempre foi muito conservadora com seus poderes, quase toda sua linhagem tivera apenas um filho.
Valenti era o sobrenome da mãe, enquanto Holmes era do pai.
Alguns meses depois, ela já era capaz de não incendiar algo quando ficava brava ou quebrar as coisas quando chorava alto. Terminou com seu namorado, e se concentrou em ser uma boa feiticeira, ela já não era mais uma garota tão ingênua.
Durante dois anos, ela foi treinada arduamente pelos pais. Enquanto a mãe a mostrava como controlar seus poderes, o pai, como era um agente federal, a ensinava defesa pessoal.
Nunca reclamou de nenhum treinamento, sempre odiou se sentir indefesa quando descia no meio da noite pra pegar água ou quando voltava a pé para sua casa, gostava da sensação de se sentir poderosa.
E agora, estava mais do que nunca.
Alexia sempre fora uma menina bonita, carinhosa, era rodeada de amigos e tinha um relacionamento perfeito com os pais, mas ele tirou isso dela.
Suas mãos se fecharam em punho ao se lembrar daquele dia. O dia em que sua alma morreu.
“Alexia estava de férias. Finalmente.
Uma parte dela não conseguia deixar de se sentir feliz por finalmente não precisar mais levantar às seis da manhã para ir à escola e ficar o dia inteiro ouvindo seus professores falando de exames finais.
Não que ela fosse burra, na verdade, ela sempre fora muito inteligente. Nunca tirava notas baixas, mesmo assim, não poderia deixar de ser uma garota normal que não via a hora de ficar o dia inteiro em seu sofá vendo suas séries.
E já seria o último ano.
Ela nem poderia imaginar como seria não ir mais pra escola e ver suas amigas pela manhã.
Afinal, aqueles anos todos no colégio, foram praticamente uma vida.
Durante essas suas primeiras semanas de férias, ela dobrou seus horários de treino.
Alexia e seu pai estavam treinavam alguns golpes, ele era habilidoso em diversos tipos de luta, e ensinava tudo o que podia para a filha.
Depois de horas treinando, ela sempre sentia uma forte dor muscular, mas não ligava. Adorava passar esse tempo com o pai.
Só pararam depois de ouvir a mãe dizendo para eles que o jantar estava pronto, ainda desconfiavam que a mulher jogava algum feitiço na comida, pois era sempre uma delícia.
A garota sempre gostava de passar esses momentos com os pais, sempre foram muito unidos. Ela quase não havia parentes, então sempre contavam uns com os outros.
Seu relacionamento com seus pais era muito transparente. Nunca havia escondido nenhum namoradinho que fosse, sempre que se sentia triste se abria com eles, até mesmo sobre sua primeira vez, ela havia contado pra mãe.
O final de semana havia sido tranquilo, eles pediram uma pizza naquelas duas noites e ficaram o dia inteiro assistindo filmes, e quando não faziam isso, ficavam treinando.
Alexia havia conseguido derrubar o pai, pela primeira vez.
Ela sorriu convencida.
O pai e a mãe estavam orgulhosos da filha, que havia se esforçado para aprender a se defender sozinha.
– Tá se achando. – a mãe riu.
– Dois anos, mãe! Dois anos tentando derrubar esse palhaço! – ela gesticulou para o pai, que apenas riu.
– Meus parabéns, querida. – os dois disseram. O pai a beijou na testa.
– Eca, suada. – ele soltou um grunhido.
Alexia revirou os olhos.
– Eu acho que você está perfeita. – a mãe disse, mas viu o olhar que a filha lhe mandou, a garota estava pingando de suor e com os cabelos todos bagunçados, mesmo com o coque. – Eu estou falando do treinamento.
– Ah, obrigada! – ela falou sarcástica, mas logo riu.
– É, eu também acho. – o pai disse.
– Sabe se controlar né?
– Sei, mãe! Já ouvi isso muitas vezes. – ela falou com a voz arrastada.
A mãe sempre lhe passava sermões de como ela devia ser responsável com seus poderes.
Como uma feiticeira, ela conseguia controlar os elementos da natureza, ver e controlar mentes, ela também podia curar alguém. A mãe dizia que ainda a ensinaria mais coisas ao decorrer da vida, Alexia não tinha pressa.
Depois de tomar um banho para se livrar do mau cheiro do suor, a garota caiu desmaiada na cama de tanto cansaço.
Acordou com um estrondo vindo lá embaixo.
Seu coração acelerou.
Não sabia se chamava os pais ou se ia lá por si mesma.
Resolveu levantar.
Caminhava com passos lentos, admitia para si que tinha medo.
Os pais não estavam na cama quando ela entrou no quarto, então decidiu descer para a cozinha.
Deu dois passos pra trás quando sua boca foi tampada, ela lutou por alguns segundos antes de perceber que era seu pai.
Ela suspirou em alívio.
– Shhh... – ele a mandou fazer silêncio.
Eles se esconderam no closet do quarto.
Estava escuro ali, ela não conseguia ver nitidamente pela fresta que havia na porta do closet, mas sabia que não estava tendo alucinações quando uma fumaça negra e densa entrava por baixo da porta do quarto, e não demoraria para chegar até eles.
‘O que era isso?’, ela queria perguntar, mas os pais pareciam tão assustados ou surpresos quanto ela.
Ficaram algum tempo assim, encolhidos, e em silêncio. Apenas esperando.
– Eu vou lá. – a mulher falou convicta.
– Você não pode! – o pai falou exasperado.
– Não posso ficar aqui esperando morrer.
– Mãe... – a garota falou em um fio de voz.
– Filha... – a mulher abraçou a filha que voltara a ser menina naquele tempo, percebia que ela se controlava para não chorar. – Eu te amo, meu amor. Não se esqueça, eu sempre estarei aqui. – ela apontou para o lado do peito esquerdo, onde ficava o coração, e elas se abraçaram.
A mulher tocou naquele local com a mão espalmada, Alexia parecia ganhar uma energia estranha, dentro dela, havia um poder que ela nunca havia sentido antes.
E a garota sabia, a mãe lhe havia passado seus poderes.
Na medida em que vão envelhecendo, os Valenti mais velhos passam seus poderes para seus filhos, pois eles vão enfraquecendo. Mas, sua mãe ainda estava nova para entregar os poderes para a filha, ela sabia que ia morrer.
Ela estava se sentindo fraca. Quando os poderes são passados, você dorme. Dorme profundamente. E ela já estava caindo no sono.
Tomou seus últimos resquícios de força e abraçou os pais.
Sem que ela pudesse ser forte, chorou. Chorou como na vez em que ralou o joelho, como naquele dia em que seus pais não lhe deram aquela boneca que queria, chorou como uma criança.
O pai lhe deu um beijo na testa, pra logo em seguida beijar os lábios da mãe.
– Eu amo você, minha filha. – a garota não conseguia dizer mais nada. – Sempre tive muito orgulho de você.
Ela já não sabia mais de chorar fazia jus ao sofrimento que aquilo estava lhe causando. Alexia não sabia o que fazer, ia perder os pais, ia perder a vida, e não poderia fazer nada pra reverter a situação.
A última coisa que viu antes de adormecer foi o par de olhos totalmente negros a olhando.”
Alexia sentiu sua bochecha molhada com suas lágrimas ao lembrar daquela noite, a noite que perdera os pais.
Ela, ao contrário dos pais, não havia morrido.
“Quando acordou, não estava em sua casa. E ao constatar que ela estava viva e que a noite passada não havia sido um pesadelo, ela soltou um grito de dor. Ela gritava enquanto chorava. O lustre do quarto já havia sido destruído, os vidros das janelas já estavam quebrados.
Foi acalmada por uma voz desconhecida, o cheiro era diferente.
Olhou para o dono da voz, era um homem maduro. Seus cabelos eram grisalhos e ele já tinha algumas rugas, mas não deixava de ser muito charmoso.
Ela se sentou na cama.
O que estava fazendo ali?
– Quem é você? – perguntou em um fio de voz, mas ainda sim, muito desconfiada.
– Um amigo. – ele desviou o olhar.
– De quem? – ela insistiu.
– Digamos... Que sou um antigo amigo da família.
– Poderia ser mais especifico? – ela pediu revirando os olhos.
O homem a ficou olhando por alguns instantes.
– Se você quer assim... Vou direto ao ponto.
– Finalmente. – ela falou sarcástica.
‘Seja lá o que for esse homem, ele já sabe que meus pais estão mortos.’, a garota pensou.
– Bem... Eu sou seu avô. Por parte de pai.
Ela o olhou estupefata. E soltou uma risada seca.
– Impossível. Meus avôs já morreram. – ela dizia enquanto se levantava para ir embora.
– Ele foi adotado. – a garota parou.
Não sabia se devia confiar naquele homem. Nunca havia visto ele em sua vida, seus pais acabaram de morrer e ele dizia ser seu avô?
– Não acredito em você.
– Não posso tirar sua razão. – o homem deu os ombros.
Algo, que ela não sabia o que, fez a garota ficar ali e ouvir a história.”
Alexia era uma Mager por parte de pai.
Os Mager eram uma poderosa família de vampiros. Ela, portanto, era uma vampira de sangue.
O seu avô disse naquele dia: “Por que acha que seu pai é tão ágil, forte? Por que acha que ele é um dos melhores agentes?”.
Quando fez 17 anos, ela estava mais rápida, mil vezes mais forte e com uma pele quase impenetrável. Além de ter ganhado uma beleza inquestionável. Ela não era imortal, ao menos, não ainda. Só quando morresse como uma humana, é que se tornaria imortal como vampira.
O avô lhe dissera que não tinha ideia do porque seu pai não havia se tornado imortal, assim como ele. A garota falou sobre como aquela fumaça havia quase roubado os poderes da mãe, antes de passar pra ela.
Durante um ano, ela viveu com o avô. Não que eles tivessem um vinculo familiar forte, mas ele a ensinou como lutar e usar suas habilidades de quase vampira. Por esse tempo que viveram juntos, eles acreditaram nessa teoria de que seja lá o que havia matado seus pais, havia sugado o que dava imortalidade ao seu pai.
Não havia dúvidas que seus pais estavam mortos. Quando os policiais encontraram seus corpos, não acreditaram no que viram. Era tão inacreditável que nem conseguiram colocar a filha como suspeita.
Seus olhos estavam completamente pretos e sua pele toda pálida.
Assim, como as mortes que aconteciam aqui em Beacon Hills.
Hoje, depois de passar cada dia de sua vida investigando sobre a criatura que havia matado seus pais, ela sabia que ele era um bruxo. Um bruxo negro, que utilizava aquela fumaça para sufocar suas vítimas e roubava-lhes o poder, sua força.
Seu inimigo era forte, mas ela conseguia ser mais.
O seu único empecilho era o pack de Scott McCall, que ela sabia que também estavam investigando aquelas mortes, portanto deveria agir com cautela.
Ela ia atrás daquela criatura, ia enfrenta-lo.
E dessa vez, não teria medo.
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