Our Intense Love..
6 A volta de viagem
Notas iniciais
Mais um dia de trabalho, e para completar, atrasada. Eu não sei o que havia para estar tanto transito naquele dia, entro ás 8 horas da manhã e eu fui chegar lá as 8:30, e já pude ver o olhar de algumas corretoras que eu não gosto me acompanhando, e sinto meu chefe se aproximando de mim, e logo pensei que ele ia falar um monte pra mim, mas por incrível que pareça, ele não falou, mas começou com aquela frase assustadora e tensa, que deixa todo mundo pensar em tudo que já fez de errado, apesar de não ser o meu caso.
– Bom dia, Sra. Mahone, vamos até a minha mesa, precisamos conversar.
Deixei minhas coisas no lugar e o acompanhei até a mesa, um tanto com medo, eu me sentei na cadeira a frente da sua mesa e ele se senta em sua cadeira.
– Bem, tenho acompanhado bastante o seu trabalho, além de se dedicar 100%, faz um trabalho excelente.
– Obrigada Sr Delson.
– Não precisa agradecer, sei que não vai muito com a minha cara, mas você sabe que meu trabalho é muito rígido. E quero também recompensar pelo trabalho que tem feito, começando com hoje. Mesmo que tenha chegado meia hora atrasada, quero que hoje trabalhe até ás 11 horas e tire 2 dias de folga, tem trabalhado muito, merece um pouco de descanso.
Eu não entendi na hora, ele nunca havia me dado folga ou coisa do tipo, mas tudo bem, agradeci e fui trabalhar. Eu estava precisando mesmo de uma folga, estava tudo muito cansativo. Lá estava eu fazendo meu trabalho e cantarolando, feliz pela folga. Finalmente deu 11 horas, arrumei todas as minhas coisas e sai. Claro que não iria perder a oportunidade de comer algo gostoso, entrei no carro e fui a uma loja de chocolates, comprei alguns bombons e trufas, para mim e para Liana, e aproveitei para passar em um mercado, comprar uma coca-cola para tomar durante o almoço. Era uma pena que não iria ver o Chris, pelo menos não na hora do almoço. Me perguntava se algum dia, sei lá, teria alguma chance dele ser afim de mim ou coisa do tipo, as vezes pensava se ele só quer minha amizade, ou se também está apaixonado por mim, e claro que havia uma esperança, nunca esqueço o brilho naqueles olhos azuis ao olhar nos meus. E aí que as dúvidas rodeavam minha cabeça, e se eu não fizesse o estilo dele? Ah meu deus, parecia uma adolescente de 15 anos que se apaixonou pela primeira vez. Finalmente cheguei em casa, guardei meu carro na garagem, e vejo a porta da sala aberta. Meu coração acelera, eu tranquei tudo, como abriu aquela porta? Pego uma pedra e enfio dentro da minha bolsa, qualquer coisa se for um ladrão, é só dar jogar a bolsa na cara dele (minha mãe que me ensinava isso, caso eu fosse assaltada), ando bem devagar, olho pelas janelas e vejo que está tudo arrumado, nenhum sinal de arrombamento ou roubo. Eu então entro devagar em casa, e vejo uma mala aberta em cima do sofá,e claro, eu conhecia aquela mala. Um homem, cujo muito charmoso, descia as escadas, enquanto descia, eu o olhava e sorria, estava feliz por vê-lo novamente. Ele também me vê e sorrio também, seus olhos brilharam ao me ver. Era meu pai, voltando de viagem, ficamos um ano sem nos ver.
– Ai meu deus, eu não acredito. – Eu disse, com lágrimas de emoção.
– Eu voltei! – Disse ele.
E então corri e o abracei muito forte, e ele corresponde o abraço da mesma maneira que o meu. Anos se passavam e a minha amizade com meu pai se tornava cada vez mais forte. Desde que minha mãe morreu, só éramos nós dois, ele não teve nenhum relacionamento, nem se quer uma “ficada”. Por muitas dificuldades passou, quanta tristeza sentiu, e a única pessoa que ele tinha, era eu, e claro, sempre serei eu.
– Meu deus, que saudade! – Eu disse.
– Também senti sua falta, minha princesa. – Ele disse, me dando um beijo na testa.
Eu o soltei e peguei em suas mãos, era a melhor coisa que havia acontecido comigo naquele dia.
– Vem cá, me conta como foi de viagem. – Eu disse o puxando para o sofá.
Então nos sentamos e ele começou a contar da viagem. Ele realmente estava precisando dessa viagem, conhecer lugares novos, distrair a cabeça. Sentia ele empolgado, feliz, até o jeito dele falar era mais alegre, parecia até uma criança que ganhou o presente que mais queria de aniversário. Ele então vai em direção a sua mala, abre e tira alguma coisa embrulhada, e logo imaginei que eram presentes.
– Trouxe presentes para você e Liana. – Diz ele, se sentando no sofá novamente. – Se não fosse pela sua tia, eu estaria perdido (Risos).
– Oh, não precisava, pai.
Eu então abri o presente, como sempre com cuidado, nunca fui de rasgar tudo. Abri o presente, era uma bolsa preta com alguns detalhes metálicos.
– Ai meu deus, que linda! Obrigada pai. – Dei um abraço nele.
– Não precisa agradecer.
Ele então pega outro presente, dessa vez parecia uma caixa. Mais uma vez desembrulho com cuidado. Era um salto alto, também preto, mas com alguns contornos cor-de-rosa. Minha tia sempre tinha bom gosto para as coisas, ela fazia isso também quando meu pai ia comprar presentes para minha mãe, sempre ia junto para ajudar a escolher. Conversamos mais um pouco, as horas foram passando e a fome foi aumentando, e então resolvemos fazer o almoço, eu já estava com saudades da comida dele. Fomos para a cozinha e então ajudei ele, e apesar dele ter um gosto completamente diferente do meu, coloquei uma música para ouvirmos enquanto cozinhávamos , e por incrível que pareça, estávamos ouvindo ‘’Bye Bye Bye’’ do ‘ N sync e ainda fazendo uma dancinha. Era engraçado, um cara que na sua adolescência curtia Nirvana cantando a música de uma Boyband. Finalmente o almoço estava pronto, e nos sentamos para comer.
– E então filha, não me contou nada do que vem acontecendo com você.
Nem preciso dizer que a primeira coisa que veio minha mente era o moço loiro dos olhos azuis.
– Bem, eu conheci alguns amigos novos, há um mês e pouco.
Ele me observava curioso, querendo saber como estava minha vida durante esse tempo que ficou longe.
– E como os conheceu? – Perguntou ele.
– Bem, primeiramente conheci um rapaz que se chama Christopher, depois eu e Liana conhecemos um amigo dele que se chama Jeremy. – Levo o garfo até a boca e mastigo a comida. – Aí então, não paramos de nos falar, criamos um vinculo grande.
Esqueci que meu pai me conhecia muito mais do que qualquer pessoa. Na hora não contei que estava apaixonada, mas parece que ele tem um detector de sentimentos.
– Tem certeza que são só amigos? Seus olhos até brilharam ao falar desse cara.
Mesmo que eu quisesse esconder, não dava, era meu pai e não há mais nada que eu possa falar sobre isso.
– Somos amigos, por enquanto a paixão só é da minha parte.
– Ele deve gostar de você também.
– Não da mesma forma que gosto dele.
– E porque ele não gostaria? Você é uma pessoa maravilhosa.
– Eu não sei, tudo pode acontecer nessa vida.
E foi aí, que lembrei de algo, mas não sabia se devia contar, meu pai estava super bem depois da viagem, se eu contasse iria estragar a felicidade dele. Mas o peso na consciência me perturbava, eu achava importante contar aquilo a ele.
– Pai, posso estragar um pouco do momento?
– Como assim, “estragar o momento”?
– (Breve silêncio) Eu encontrei o Alexander.
Nem preciso dizer que estraguei tudo, pelo menos meu pai teve uma reação no qual eu não podia esperar, demonstrou raiva, mas se fosse como antes ele nem deixaria falar e já ia atrás do cara.
– Quando? . – Disse ele, ainda demonstrando raiva.
– Em uma festa de aniversário, de um amigo do Chris. Ele estava por lá, e no mesmo dia ele me ligou, mas na hora não soube reconhecer a voz dele.
– Ele falou com você?
– Sim, infelizmente. Dei uma bofetada na cara dele na frente de todos.
– E ele te procurou depois disso?
– Não, graças a deus.
Sinto um pouco de calma atingindo meu pai, mas ele ainda estava com raiva. Mesmo depois de minha mãe morrer ele continuou infernizando a vida do meu pai. Terminamos de almoçar e tiramos a mesa. Enquanto lavava os pratos, sentia a tensão tomar conta do meu pai, me senti idiota por ter contado e ter estragado a felicidade dele.
– Pai, que tal darmos uma volta?.- Sugeri.
– Para onde?
– Não sei, para qualquer lugar.
– Por mim tudo bem.
Pegamos algumas coisas e fomos dar uma volta. O Fiz aguentar minhas manias de entrar nas lojas para ver os produtos, seja o que for, roupas, sapatos, entre outras coisas. Eu sempre gostava de sair com meu pai, desde quando eu era criança. Eu realmente cansei meu pai naquele dia, procurei sempre puxar assunto, contei tudo em relação ao Chris. A hora foi passando e a tarde já estava chegando ao fim, já tinha perturbado bastante meu pai e resolvemos parar para ver alguns filmes em uma locadora, e eu nunca vi uma pessoa pra gostar tanto de filme como meu pai. Como ele voltava de viagem, pegamos mais ou menos uns 4 filmes, e claro, nem preciso dizer o que venho em mente quando meu pai sugeriu ir em uma locadora. Pegamos alguns filmes, pagamos e saímos, fomos em direção ao carro quando nos deparamos com uma cena que parecia ser de um casal discutindo, falando assim parecia normal, mas o cara estava gritando com ela no meio da rua e mal conseguia ouvir a voz dela, ela gesticulava para ele vai baixo, mas nada adianta e o rapaz continuava a gritar com ela. Aquilo foi chamando a atenção do meu pai, ele ficou atentamente observando a confusão, até o cara empurra-la com força, fazendo com que ela caísse no chão. Todos a volta da confusão se chocaram na hora, mas a única pessoa que tomou alguma iniciativa foi eu e meu pai. Fomos até ao casal, meu pai ajudava ela a se levantar.
– Você é louco, cara? Onde já se viu tratar uma mulher assim?- Gritei com ele.
– Não se intrometa, ela é minha cunhada e eu sei o que devo fazer com ela. – Ele respondeu gritando também.
Ele ia pra cima dela mais uma vez, mas entrei na frente.
– Se tiver que bater nela, vai ter que bater em mim primeiro.
Na mesma hora, vi o seu sangue subir e o olhar desafiador se por em seu rosto. Mas eu não estava com medo, já enfrentei homens como Alexander Campbell, um louco que agride mulher por diversão não faria a menor diferença. Assim que o desafiei todos em volta já chegaram mais perto e ligaram as câmeras dos celulares.
– Ninguém vai bater em ninguém. – Meu pai disse interrompendo. –Já chega de briga, acabou por aqui.
Ele se vira, com seu braço esquerdo cruzado com o da moça.
– Espere, a sua namoradinha quer briga, porque não podemos dar isso a ela? E onde você pensa que você vai com ela? Me dê ela e vá embora sem confusão. – Disse o rapaz.
Meu pai se vira, e foi aí que ia dar problema.
– Primeiro: Ela é minha filha, e eu não vou dar ninguém, principalmente a você, que bate em mulher.
– Bom, então acho que teremos que decidir isso... Você sabe como, não é meu amigo?
– (Silêncio, e andando até o rapaz) É briga que você quer?
– Velhinho inteligente (Risos).
E então o rapaz conseguiu o que queria. Todos em volta gritavam pela palavra “briga”, até pareciam estudantes do ensino fundamental. Eu fiquei ao lado da moça, enquanto meu pai dá dois socos na cara do rapaz, um no lado esquerdo e outro no direito, logo em seguida chuta o estomago do cara, fazendo com que ele se desequilibrasse e caísse no chão. O rapaz se levanta e tenta empurrar meu pai, mas caiu novamente com outro soco que meu pai deu nele.
– Você não queria briga? Cadê o valentão agora? . – Disse meu pai.
O rapaz com raiva, se levantou com tudo e conseguiu atingir meu pai com dois socos e jogou ele em um carro. O rapaz se vira em minha direção, com olhar de raiva, e claro, não fiquei nem um pouco com medo.
– Sua vez!
Ele então veio correndo em minha direção, até meu pai puxar ele pelos ombros fazendo com que, novamente, ele caísse no chão. Cheguei perto dele, dando uma risadinha.
– Realmente, minha vez. – Disse a ele.
Dei um chute em suas costas, e na hora o cara gritou de dor. Meu pai deu mais uns chutes fazendo com que o rapaz gritasse mais ainda. Logo saímos do local e meu pai fez questão de levar a moça junto com a gente. Chegamos em casa, demos um copo d’água para ela. Ela demonstrava medo e ao mesmo tempo alivio. Meu pai não saia ao lado dela, e percebi que ele não parava de observa-la atentamente.
– Quero agradecer por hoje, aos dois. – Disse a moça.
– Não precisa agradecer, só fizemos o que achamos certo, e não deixaríamos aquele idiota bater em você. – Respondi.
Notamos algumas cicatrizes no canto de seu rosto, meu pai via aquilo e ficava indignado. A moça tentava segurar as lagrimas, mas não conseguia, e então começou a chorar.
– Não, por favor, não chore. – Disse meu pai, enxugando as lagrimas dela. – Você está bem agora, e se não tiver, faremos o possível para que fique.
– Obrigada.
Ambos começaram a se encarar, e claro, na hora percebi que havia rolado um clima entre os dois desde que estávamos voltando para casa. Ele realmente ficou encantado com ela, e era realmente bonita. Branca, cabelos castanhos e cacheados, e os olhos bem azuis. Ela também o encarava encantada, eu estava feliz por ver aquela cena, e pensei: “Será que finalmente meu pai vai encontrar alguém que o ame?”.
– E então, qual o seu nome?. – Perguntei a moça.
– Bem, meu nome é Emilie, e o de vocês?
– Meu nome é Katie, e o de meu pai é Robert.
– Moram só vocês dois aqui?
– Sim.
E então uma conversa de três pessoas se inicia. Ela era muito legal e super divertida, e aproveitamos que ela estava lá, a convidamos para dormir em nossa casa, ela ficou um pouco com receio no inicio, mas acabou aceitando. As horas se passaram e a noite foi chegando, já estava pronta para dormir, mesmo que não teria que trabalhar no dia seguinte, como sou acostumada a dormir cedo, então não tinha como eu ficar acordada até tarde. Meu pai e Emilie estavam assistindo ‘’Os Vingadores’’, um dos filmes que meu pai pegou na locadora.
– Bom gente, preciso ir dormir, estou morrendo de sono.
– Tudo bem querida, vai lá. – Respondeu meu pai.
Dei boa noite aos dois e fui em direção á escada e resolvi olhar para trás. Lá estavam eles, com um balde de pipoca no colo, meu pai estava bobo ao lado dela, e eu via a felicidade no olhar dele. Sorri, subi para meu quarto e me deitei logo em seguida. Fui dormir feliz aquele dia, além de sair mais cedo do serviço e ganhar 2 dias de folga, meu pai chega de viagem, e encontra uma moça que, aposto qualquer coisa, que vai fazer diferença na vida dele.
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