Our Imagines

5 Snow and burning ember


Notas iniciais
Eu sei que faz realmente muito tempo que não posto aqui, mas a vida tem sido uma loucura... Porém sempre encontro meu caminho de volta até a magia das palavras e, cá estou eu, compartilhando um dos meus contos mais recentes com vocês. Tive um período de bloqueio criativo mas continuei me esforçando e espero que gostem desse que decidi compartilhar. PS. Esse conto é totalmente original. Não me baseei em nenhum fandom. Adelyn é ruiva de cabelos ondulados e olhos castanhos e o Jacob é moreno de olhos verdes.

Olhei a maçaneta da porta a qual envolvo os meus dedos enregelados com muita gratidão. Gratidão porque a porta estava aberta entre nós. Porque o universo foi engraçado em pregar uma peça em nós dois mais uma vez. Pela ironia da situação. E por poder olhar para ele tão de perto.

Era um dia de inverno. A neve caia apressada e gelada sobre meus ombros. Eu senti o ar quente e aconchegante saindo da porta entreaberta a minha frente.

Jacob estava rígido no portal. Vestia um suéter quentinho azul com detalhes de flocos de neve, apesar de que aquela neve fosse quente como fogo em brasa ardente. Senti o impulso de envolver meus braços ao seu redor, porém me contive.

Fazia cinco meses que eu não via Jacob. Ele havia sido o meu segundo namorado. Não sei se a palavra correta seria amor, porque eu nunca acreditei no amor, quem dirá na possibilidade de ter mais de um na vida.

—Feliz natal, Adelyn — A sua voz encontrou meus ouvidos. Rouca e familiar. Era quase um sussurro — O que faz aqui?

Queria dizer que eu viera apenas para vê-lo. Mas a verdade era a de que eu lutara profundamente para não ter de vir até aqui. Principalmente, na noite de natal. Não pelo fato de eu ter um peru assado enorme me esperando em uma cozinha cheia de familiares e canções de natal. Na verdade, eu nunca comemorava essa data. Eu não tinha família. Era órfã desde os três anos e depois de morar um tempo com minha única vó, ela viera a falecer e me deixou sozinha e passei a viver em lares temporários desde os seis anos, mas aos dezoito me libertei. Aventurei pelo mundo, tentei me agarrar a algumas pessoas, mas continuei sozinha. Sempre foi só eu e Deus.

A verdade que me fizera vir até a casa de Jacob nessa noite foi a enorme possibilidade de perdê-lo. Não pelo fato de ele estar com outra mulher ou de terminar comigo porque já estávamos separados há meses, contudo pelo medo de não poder nunca mais ouvir sua voz, ver seu sorriso ou sentir o calor que emanava dele. Mesmo que ele estivesse com outra mulher.

A verdade é que eu sempre perdera as pessoas que se aproximavam de mim e isso me fez ter dúvidas muito grandes de que algum dia alguém ficaria para sempre. Acho que eu mesma impedia que isso acontecesse, todavia Jacob nunca fora como as outras pessoas. Ele via uma parte em mim que eu tentava esconder. Ele era gentil, carinhoso, protetor e companheiro. Ele sempre via o melhor lado da vida e tentava estar presente e me incentivar. Isso me assustou e acabei por estragar tudo.

O meu primeiro relacionamento foi diferente. Eu era muito jovem. Tinha completado meus dezesseis anos e acreditei que a minha vida ia mudar completamente quando conheci ele, como em um conto de fadas. Mas não é assim que as coisas acontecem. E ele m magoou. Ele me enganou e partiu meu coração. Tive medo, tristeza e raiva. Me culpei e o culpei. Mas hoje, vejo que não importa. Aquilo me serviu de experiência e me vez evoluir... Embora também tivesse me feito me fechar ainda mais das pessoas.

Quando conheci Jacob, não imaginava que iríamos viver um romance. Que ele seria tão importante para mim. Que ele me faria ver a vida de outra maneira. E me preencheria de tal forma que eu quisesse fugir e me esconder, mas ao mesmo tempo ficar e mergulhar de cabeça.

Eu tinha vinte anos e um coração remendado. Jacob sorriu e ele bateu com força. Tão rápido que minha respiração se perdeu. E eu soube, que meu coração havia cicatrizado.

—E-eu soube do acidente... — Seus olhos verdes encontraram os meus e senti um nó no estômago. Desviei para meus pés e continuei: — Queria ter certeza de que estava tudo bem. De que você estava vivo.

Seus olhos percorreram todo meu corpo. Ele me olhou desde minhas botas de neve pretas até meu gorro verde sobre meus fios ondulados e ruivos. Minhas bochechas já estavam vermelhas por conta do frio mas naquele momento até minhas sardas coraram.

Jacob devia estar se lembrando de tudo que vivemos. Assim como eu. Se recordando de todas as vezes que maratonamos filmes embaixo do edredom e comendo pipoca, de todas as vezes que fomos ao parque passear com os cachorros dele, das competições de vídeo game, da vez que vimos o nasceu do sol do telhado, ou daquela vez que fomos a praia só nós dois e fizemos tatuagem de rena juntos. Ele soltou um leve suspiro. Pensou, provavelmente, que eu não me daria conta.

Imaginei que ele deveria estar se lembrando, agora, de como tudo deu errado. Do modo como eu fiquei distante. De como ele tentava falar comigo ou entender a situação e eu não conseguia explicar as paranóias e dúvidas que me ocorriam. Não por ele estar me traindo ou sendo mentiroso, mas pela maneira como eu mesma não me sentia o suficiente e merecedora e tinha muito medo de que fosse sofrer de novo.

Claro que, não há em nenhuma circunstância que apenas uma pessoa erre em uma relação. Seja ela qual for, porém apesar disso, eu sei que o modo como agi foi o que contribuiu maioritariamente para o nosso término. Começamos a discutir. Normalmente ele falava e eu ouvia, mas ignorava e revirava os olhos. Eu não sou uma pessoa que discute de volta, na maioria das vezes, mas aquilo foi cansando Jacob e nos distanciando mais até o fim. Quando ele decidiu dar um tempo. Esperar para que eu fosse até ele quando me sentisse melhor. Que ele me daria espaço... E eu entendi isso como o ápice.

Meu orgulho foi maior. Eu deveria tê-lo procurado. Inúmeras vezes eu quis. Mas nunca tive coragem. Imaginei que ele precisava de alguém melhor. Uma merecedora e que fosse boa para ele, tanto quanto ele era. E nunca fui atrás. Simples assim. Até o dia anterior quando vi a notícia de um acidente de trânsito por causa da neve. Um ciclista escorregou e acabou se chocando contra um carro. O motorista, sua esposa e filha não tiveram nem um arranhão, porém o garoto foi socorrido por uma ambulância com ferimentos. Era Jacob.

Hoje, passei o dia lutando com a ideia de que o perderia se ele morresse. Depois de algumas horas tentando me acalmar, resolvi procurar pelo seu nome nos hospitais. Quando fiz a terceira ligação, recebi a notícia de que ele havia sido atendido lá mas recebera alta e estava em casa.

Me senti melhor em saber. Ele devia estar bem. Ele estava vivo, pelo menos. Isso era o mais importante. Continuei meu dia. Foquei no meu trabalho. Quando cheguei em casa, coloquei a roupa para lavar. Tomei um banho. Mas minha cabeça continuava sempre a se perguntar como Jacob realmente estaria. Fisicamente e emocionalmente. E eu queria muito poder olhar para ele.

Da mesma maneira que agora, repassei nosso breve relacionamento de onze meses em minha cabeça repetidas vezes até que, de alguma forma, entrei no carro e dirigi até aqui. Sai contra a neve fria que caia e dei passos lentos mas precisos em direção a entrada. Toquei a campainha antes que mudasse de idéia e, logo, ele apareceu. Destrancou a porta e, senti como se algo fosse impedir que ele a abrisse, então, eu mesma destravei a maçaneta com minhas mãos gélidas e rígidas como gelo.

—Estou vivo — Ele olhou para mim e sua expressão adquiriu uma leve ternura — E você também.

—Sim. Estou bem. Na verdade eu... — O nó na minha garganta aumentou e, não entendi porque era tão difícil para mim, conseguir expressar meus sentimentos, mas respirei fundo e engoli — Eu me desesperei em saber que poderia ter morrido... — Ele me olhou com expressão surpresa — Que poderia te perder... E-eu nunca, nunca deveria ter ido embora.

Seu semblante se colocou sereno e um meio sorriso nos lábios me fez tranquilizar. Ele ainda me acalmava tão rapidamente. Era estranho que tivesse tanto efeito sobre mim.

—Não tem problema — Ele sorriu de verdade quando relaxei. Não havia percebido que estava com o corpo tão tenso — Você está aqui agora. Bem aqui. Na minha frente.

—M-mas... E-eu... — As palavras queriam sair, mas eu não sabia como dizê-las. Jacob me interrompeu.

—Você voltou, Adelyn. Eu sabia que voltaria. E eu não podia ter um natal melhor — Ele estendeu a mão para mim.

Eu olhei para ela. Como sentia falta daquela eletricidade que senti quando toquei meus dedos nos seus. Imediatamente comecei a me aquecer, apesar de sentir tanto frio lá fora.

—Venha. Entre — Ele me puxou para dentro e fechou a porta — Venha se aquecer na lareira. Está muito frio lá fora. Aqui dentro podemos conversar melhor.

Finalmente, pude analisá-lo de verdade e percebi que ele estava com o pé enfaixado e em uma bota ortopédica. Tinha um curativo na sua cabeça, onde ele levara pontos, mas além disso estava tudo bem. Ele estava comigo. E eu com ele. Cedi ao impulso de abraça-lo e sentir seu perfume. Ele envolveu lá braços ao meu redor. Seus cachinhos escuros roçaram minha bochecha e fechei os olhos tentando fazer que o momento durasse para sempre.

A pequena fagulha de esperança que me encheu fez todo o medo ir embora. Estávamos ali. Era noite de natal. A magia e o clima estavam a nosso favor. Estavamos seguros. E era tudo o que importava.

Notas finais
Espero vê-los logo em breve XOXO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.