Our Hidden Secrets

10 Capítulo 09 - Uma manhã normal


Joguei minha mochila ao lado da minha cadeira no fundo da sala, eu não havia conseguido dormi direito e estava até agora pensando no que LP havia falado, segredos? O que isso significa? E pensando melhor – também depois de decorar todo o teto do meu quarto em um mapa mental – a Liz estava certa, ele queria que o Dean falasse algo, mas o que?

— Clari — ouvi me chamarem e abrir os olhos que eu nem sabia que havia fechado.

— Hey Liz — saudei — Galerinha.

— Você está melhor? — Mark perguntou.

— Estou — respondi.

— Você ficou acordada a noite toda? — Angel me perguntou a encarei.

— Talvez…

— Você ficou — Ceci afirmou — Você está com um olho maior que o outro.

— Parece até uma das meninas superpoderosas — Lud falou rindo logo em seguida.

— Vocês acordaram muito animadas está manhã — afirmei sorrindo.

— Hoje temos aula do professor novo — Liz avisou se sentando — Elas estão muito animadas.

— Claro — Ceci falou se sentando ao meu lado — Disseram que ele é um gato.

— Vocês são taradas — Liz afirmou nos fazendo rir.

— Ah só quero ver você dizer isso depois que vê-lo — Lud afirmou baixo para somente a gente ouvi.

— Pode apostar — Ceci sorriu marotamente.

A nossa antiga professora de sociologia, Srta. Beck, havia pedido demissão a alguns meses depois que alguns alunos do terceiro ano pregaram uma pegadinha nela, por causa disso ficamos sem aula de sociologia por uns bons meses, eu nem me importei, odeio sociologia.

A porta se abriu e as meninas foram para os seus lugares, balancei a cabeça negativamente para a loucura delas, um cara de aparentemente vinte anos – ou menos – passou pela porta, seus cabelos eram preto e seus olhos castanhos, tinha que assumir que desta vez as garotas não exageraram, ele era lindo.

Percebi que a Ceci ao meu lado se retraiu na cadeira enquanto prendia a respiração, mesmo curiosa, ignorei tal fato, afinal, não devia ser nada de mais.

— Bom dia classe — ele desejou enquanto retirava seu palito — Sou o novo professor de vocês, espero que a gente se entenda pois não estou muito a fim de sair chorando e pedir demissão — ele sorriu fazendo toda a sala ri.

Uma garota, algumas cadeiras a minha frente levantou a mão, Tess Roses, a vadia do Portland High.

— Sim senhorita — ele falou apontando para a Tess sorrindo fazendo suas covinhas aparecerem.

— Você é solteiro? — ela perguntou mordendo os lábios.

— Sim — ele respondeu sorrindo — Porem, tenho uma filha de sua idade.

— Quantos anos o senhor tem? — Liz perguntou e pelo seu tom ela estava bastante curiosa.

— Srta. Castle estou certo? — ele perguntou sorrindo e a mesma acenou positivamente — Você se parece tanto com a sua mãe, mas respondendo sua pergunta, tenho 40.

O espanto foi geral fazendo o professor rir divertido.

— Eu jurava que você tinha vinte ou menos — falei.

— Agradeço pelo elogio Srta. Bermanelly — ele riu — Mas parando as brincadeiras vamos a aula, a Srta. Beck me disse que vocês entrariam agora na área criminal, como age a mente de um psicopata, alguém sabe? Ninguém? Ok.

O professor se sentou na mesa e nos encarou analisando cada um dos alunos ali presente.

— A mente de uma pessoa com essa doença é um tanto complexa — ele começou — Ele muitas vezes matam sem motivo aparente, mais no fim de tudo quando o caso e desvendado você descobre que havia uma história por trás dessa, o que o levou a cometer o crime? Por que? São várias perguntas que muitas vezes não temos nenhuma resposta.

— Professor — Ceci o chamou.

— Sim? — ele apontou para ela.

— E se no caso fosse uma pessoa que ataca mascarado? — ela perguntou.

Isso foi como um soco da realidade em mim, eu estava tão entretida com o jeito que ele falava que havia me esquecido de que estava se passando por fora da escola, na minha vida real.

— Uma boa pergunta — ele sorriu se levantando da mesa em que estava sentado — Pessoas criam máscaras, status, vidas, mas e quando essa pessoa se perde? Ela cria tantos rostos, tantas vidas, mas no fim de tudo quem é ela verdadeiramente? Ninguém sabe, nem ele mesmo.

— Teria uma história por trás de um assassino mascarado também? — uma garota desconhecida perguntou.

— Todos temos uma história — ele respondeu e começou a analisar a sala — Você.

Ele apontou para uma garota gordinha no fundo da sala, seus cabelos eram negros e seus olhos azuis, Helena Gandear.

— Gandear — ela falou.

— Srta. Gandear o que você fez hoje pela manhã?

— Depois de acorda no horário de sempre…

— Que seria? — ele a interrompeu.

— As 6hrs — ela respondeu e ele fez sinal para ela continuar — tomei banho, me arrumei e desci para tomar café com a minha mãe, depois vim para a escola.

— Reparem na história — ele falou chamando nossa atenção — Ela tem uma, ela acorda sempre no mesmo horário, faz exatamente as mesmas coisas, como uma mania. Um assassino tem suas manias, seus jeitos, jeitos que dizem quem ele é mesmo se ele estiver mascarado.

— Está dizendo que sabem quem é o assassino pela mania? — Charlie perguntou.

— Não — ele respondeu — Não pela mania, mais sim pelo jeito que a mania e aplicada, como explicar melhor… Bem, minha filha tem uma mania perfeccionista, ela sabe exatamente se aquele objeto foi mexido mesmo se ele estiver na mesma posição que estava antes, um assassino com essa mania dificilmente deixa rastros…

O sinal bateu fazendo a sala salta exclamações tristes.

— Na próxima aula tragam ideias sobre esse assunto para discutimos, estão liberados.

Peguei minha mochila no chão ao meu lado e me levantei saindo da sala enquanto ajeitava a mochila sobre meu ombro.

— O que achou da aula? — Liz perguntou.

— Um tanto curiosa — respondi.

— Não é a única.