Our Family | NamJin
6 VI - Jungkook: O acaso mais perfeito.
Notas iniciais
2016
Existia um consentimento mudo entre Namjoon e Jin que os gêmeos seriam seus últimos filhos. O primeiro ano dos bebês coincidiu com o ano em que o mundo descobriu Kim Seokjin, o pintor, e agora todas as galerias queriam uma exposição com a assinatura de Jin.
Isso fazia Jin ficar acordado até tarde, escondido no ateliê, rodeado de tintas e pincéis e telas e frustração. Por uma semana, ele não conseguia pintar nada, não conseguia nenhuma inspiração, não via nenhuma cena que gostaria de retratar, não conseguia criar nada.
Essa era uma daquelas noites, onde ele estava tão afundado em uma concentração triste que não percebeu o esposo entrando em seu ateliê. Namjoon desviou-se delicadamente de tudo que pudesse estragar e se colocou ao lado do marido, vendo o rosto bonito de Jin franzido, os olhos fechados, as mãos em punho.
—Amor – o mais alto chamou delicadamente – vem dormir.
—Não posso Joonie – respondeu com uma voz manhosa. Dormir nos braços do marido era o que ele mais queria, mas o prazo final para entregar aquela peça o impedia. – Eu tenho que terminar esse...
—Termina amanhã – o mais velho negou, e com isso Namjoon o pegou no colo em estilo noiva, levando Jin para o quarto deles.
—Namjoon! – Jin gritou antes de começar a rir. Foi colocado no chão e ficou encarando o marido – Você é ridículo!
—Você me ama do mesmo jeito – o rapper cruzou os braços – agora, por favor, coloca o pijama e vem deitar.
—Aigoo, chato! – o pintor se rendeu, indo até o armário que dividiam e roubando uma das várias camisetas pretas de Namjoon. O rapper não reclamava, e se reclamasse Jin não ligaria. A camiseta era do seu marido, ele tinha o direito de roubá-la. Trocou-se rapidamente e finalmente se permitiu deitar.
—E nem pense em acordar mais cedo amanhã, hyung – o mais alto avisou, abraçando seu esposo. Jin se ajeitou nos braços do outro, suspirando pesado.
—Nós temos que resolver a papelada do Hobi, não é como se eu fosse acordar tarde de qualquer maneira.
—Eu tinha esquecido esse detalhe. Mais um argumento por meu caso.
—Esquecido... – Jin riu – Você esquece tudo, Joonie.
—Menos o quanto eu te amo.
Com isso, o sono os envolveu.
~~*~~
O orfanato ainda estava pintado de amarelo, mas já não era quieto. Gritos animados eram ouvidos a quadras de distância, e quando o carro dos Kim estacionou na frente do prédio, Hoseok foi o primeiro a saltar do carro.
—Hobi! Espere seus irmãos! – Jin exclamou também saindo do carro e indo buscar os gêmeos no banco de trás. Bom, pelo menos Taehyung, já que Jimin já tinha sido libertado e andava lentamente de mãos dadas com Yoongi. Namjoon pegou a bolsa dos garotos (que com o passar do tempo se transformou uma só) e trancou o carro, sendo o último do grupo. Eles até tentaram vir em um dia em que as crianças estivessem na escola, mas foi impossível.
A família Kim era reconhecível em toda parte, seja pelo rosto de Rap Monster e Agust D estarem espalhados pelo país, ou pelo barulho e bagunça características deles, o grupo nunca passava despercebido. E dessa vez não seria diferente, principalmente que agora eram seis. Eles passaram pelo hall e se encontraram na recepção, onde Taehyung acordou confuso. Tinha caído no sono durante o caminho, e agora estava em um lugar desconhecido. O garotinho pediu colo para Namjoon, e quase automaticamente o mais alto recebeu o menino no colo.
—Appa – Taehyung chamou antes de deitar no peito do homem. Namjoon e Jin riram, e o mais velho rapidamente pegou a bolsa do outro.
—Hyungie – esse era Jimin, apontando para o parquinho. Yoongi o segurava perto de si, sabendo que o menor era rápido.
—Nós vamos lá depois, Jiminie – explicou, trazendo o menino ainda mais perto de si.
—Hyungie! – o bebê fez biquinho, tentando convencer o mais velho, o que não aconteceu.
Enquanto isso, Hoseok cumprimentava todos que passavam por eles, reconhecendo vários funcionários antigos. Três anos se passaram muito rápido, na opinião dele. Porém a alegria maior veio quando a responsável pelo orfanato apareceu. Uma senhora já de idade e com cabelos brancos, Eun Jung nunca deixou de amar nenhuma das crianças das quais já cuidou, e quando viu Hoseok, o abraçou imediatamente, logo o soltando e cumprimentando todos os Kim.
—É tão bom ver eles de novo – disse para Namjoon e Jin. Há essa altura, Taehyung já estava no chão, se distraindo com o irmão gêmeo.
—Eu imagino – Jin sorriu de volta. Eles rapidamente ajeitaram a papelada necessária. Finalmente Hoseok era 100% deles, mesmo que de coração ele fora desde o primeiro segundo. Era como mágica.
—Então é isso – Eun Jung sorriu depois de conferir os papéis, e ela falaria algo para os adultos, mas foi interrompida por um garotinho, que veio correndo do lado de fora, diretamente para os braços dela. – Oh, o que houve Jungkook?
Ele não respondeu, mas estendeu um papel dobrado para ela, que abriu delicadamente, vendo um desenho lindo na parte de dentro, mas o que surpreendeu os dois foi Jin que se aproximara.
—Você pintou com aquarela? – perguntou ao garotinho, e Jungkook assentiu. – É muito bonito.
—Obrigado – o menino respondeu baixinho, a timidez o impedindo de olhar para Jin por muito tempo. Aquele era Kim Seokjin, seu herói! – Você também pinta bem...
Jin sorriu com isso, se agachando para ficar na altura de Jungkook – Sabe, Jungkookie, ultimamente eu não consigo pintar mais nada... O que houve? – perguntou ao ver a cara chocada da criança.
—Você me chamou de Jungkookie – explicou – Ninguém me chama de Jungkookie.
—Oh, perdão. Posso te chamar de Jungkookie? – ele pediu calmamente e Jungkook assentiu, mas foram interrompidos por um Jimin que vinha correndo para o colo do pai. – Jiminie!
—Hyungie! – o bebê apontou choroso para Yoongi, que agora brincava com Taehyung e Hoseok, e Namjoon observava os três, de vez em quando lançando olhares para o marido.
—Jiminie, você tem que dividir seu hyung! – Jin repreendeu – Yoongi é hyung do Tae também, bebê.
—Yoongi hyung meu! – Jimin respondeu ainda choroso. – Hobi hyung meu!
—Oh, isso é sobre Hobi também... Jiminie, eles são hyungs do seu irmão também. – o mais velho explicou calmamente, recebendo o menino no colo. Ele sabia que a manha era porque o garotinho estava com sono. – Desculpe Jungkookie, o que você iria dizer?
—Eu posso levar ele no parquinho, se Jin hyung quiser – se ofereceu, esquecendo o que iria dizer antes. – Assim ele pode melhorar.
—Ouviu Jimin? Jungkookie hyung quer levar você pra brincar – o adulto sussurrou para o filho – Vou ver o que Namjoon-ssi acha, pode ser?
Mas não houve muita conversa. Logo Jungkook, Hoseok, Taehyung e Jimin estavam brincando juntos no grande jardim, enquanto Namjoon, Jin e Yoongi os observavam, logo sendo acompanhados por Eun Jung.
—Nunca vi Jungkook tão animado desde que ele chegou – a mulher disse sorrindo.
—Jimin e Tae tem o poder de fazer qualquer um sorrir. Pergunte pra Yoongi – Namjoon disse brincando, e o adolescente fez uma careta como resposta.
—Yah, duas crianças – Jin disse rindo – Mas é verdade, só Jimin pra te deixar de bom humor de manhã – ele disse para o adolescente, que apenas riu. Era verdade.
—Como ele chegou aqui? – Namjoon perguntou fazendo a senhora suspirar.
—O tio o trouxe. Pelo que sabemos, a mãe o abandonou quando era um bebê, ele ficou com a avó e o tio, e quando a avó faleceu...
—Quem é que tem coragem de fazer isso? – o mais alto perguntou para si mesmo, abraçando Jin.
—Ele tem muito potencial como pintor – Jin disse baixinho, mas todos escutaram – A rosa que ele pintou, principalmente com aquarela, nessa idade, é muito difícil.
—É um rapazinho brilhante, realmente – Eun Jung concordou. Ela reconhecia aquele olhar nos adultos, e Yoongi o compartilhava. Eles estavam analisando a situação como um todo. Seriam sete se aceitassem o chamado em suas mentes e corações.
—Amor... – Namjoon começou, e Jin assentiu.
—Eu sei – ele disse simplesmente, olhando para o filho mais velho – Yoongi?
—No nosso quarto cabe mais uma cama – o adolescente disse, olhando para os pais. – Só precisamos falar com Hoseok.
—Certo. – Namjoon se desvencilhou do marido e caminhou até os filhos mais novos – Hobi venha cá por um instante?
—O que foi pai? – o garotinho parou na frente do adulto, ofegante por estar correndo atrás dos gêmeos com Jungkook.
—O que você acha de outro irmão? – o mais velho pediu delicado e o filho imediatamente olhou para Jungkook, que o esperava para voltar a brincar.
—Jungkookie? – perguntou, voltando a encarar o pai, que assentiu – Com uma condição!
—O que?
—Ele tem que dormir no meu quarto.
Isso fez Namjoon gargalhar. – Claro que ele vai dormir no seu quarto, se ele quiser ser parte da nossa família.
—Ele quer, appa, deixa eu te mostrar – Hoseok respondeu, correndo até Jungkook com Namjoon em seu encalço – Kookie!
—Vocês têm que ir, Hoseok hyung? – o garotinho perguntou desanimado.
—Daqui a pouco, mas não é isso que eu quero dizer. Appa, pergunta pra ele – o menino de sete anos comandou.
—Jungkookie, você quer ser parte da nossa família? – Namjoon perguntou, tentando ser o mais calmo possível.
—Quer ser meu irmão? – Hoseok perguntou animado.
—Eu? Irmão do Hoseok hyung? – o garotinho olhou espantado para o adulto, e também para Jin e Yoongi, que se aproximavam lentamente ao lado de Eun Jung.
—E irmão do Jiminie e do Tae também – Namjoon acrescentou, mantendo os gêmeos perto de si – E o Yoongi.
—Eu... – ele olhou para Jin, que agora estava ao lado de Namjoon, pegando Jimin no colo novamente. – Eu vou ser um Kim?
—Se você quiser Jungkookie – Jin respondeu delicadamente, o que fez o garotinho abrir um sorriso de coelhinho e se jogar em cima de Jin, que se desequilibrou e caiu, com Jimin e Jungkook no colo.
—Acho que isso é um sim – Namjoon disse rindo para Eun Jung e Yoongi, que riram também.
~~*~~
Por volta das oito da noite, Namjoon terminou de instalar a cama de Jungkook no quarto dos “garotos grandes”, como Hobi tinha apelidado. Yoongi e Hoseok ficaram umas boas horas discutindo para ver quem ficaria com a cama de cima do beliche, e o mais velho ganhou, exatamente por ser mais velho. Agora ele desfrutava a vista nova que tinha ao lado de música e dos gêmeos, que tinham descoberto uma paixão por alturas inexplicável. Hobi, por sua vez, estava arrumando sua escrivaninha, e Jin e Jungkook estavam trancados no ateliê do mais velho desde que chegaram das compras feitas para o mais novo membro da família Kim.
—O que vocês acham de pedirmos alguma coisa pro jantar, garotos? – Namjoon pediu e ouviu quatro exclamações positivas, o que o fez rir.
—Pode ser pizza, pai? – Hobi perguntou e Yoongi concordou.
—Pizza? Okay. Vão pensando nos sabores – o mais velho pediu, saindo do quarto — E Hobi, você tem que fazer seu dever de casa ainda, pode ir se ajeitando.
Ele escutou uma reclamação e riu de novo. Desceu as escadas e se dirigiu ao ateliê do marido, abrindo a porta para encontrar Jin e Jungkook lado a lado, pintando outra rosa na tela.
—Não quero interromper – Namjoon chamou baixinho, fazendo os dois virarem para ele – Mas nós vamos pedir pizza para a janta, achei que vocês gostariam de saber.
—Nós já vamos, Namjoon-ssi. – Jin sorriu, limpando o pincel que usava. Jungkook pulou do banquinho que usava e avisou que iria para o banho. O mais alto se aproximou do esposo, o abraçando.
—Então você conseguiu inspiração. – comentou acenando para a tela.
—Eu sempre tive, só precisava de um empurrãozinho. E nossa família sempre será esse empurrãozinho.
Os dois trocaram um beijo apaixonado antes de serem interrompidos por Yoongi e Hoseok, que vinham reclamar da demora dos dois. Eles riram.
Cinco crianças em casa, nada de privacidade.
Um ano depois
—Kim Seokjin! – O MC o cumprimentou animado e ele sorriu, olhando para a câmera logo em seguida. – Como é ser considerado o artista revelação não só esse ano, mas ano passado também?
—É uma honra! Eu nunca pensei que ia alcançar renome internacional, na verdade.
—Deve estar sempre rodeado nas festas, não é mesmo? – o MC insinuou com tom malicioso, e Jin suspirou. Muitos pareciam ignorar a aliança simples que levava no anelar esquerdo, e a corrente que tinha no pescoço com as iniciais dos filhos e do marido, além das diversas fotos de família que ambos compartilhavam.
—Na verdade eu não vou a muitas festas. É meio impossível com cinco filhos e o Deus da Destruição como marido – ele disse em tom de piada, e o assunto foi esquecido.
Naquela noite, quando chegou em casa, foi recebido por seu esposo e Jungkook, que tinha insistido em ficar acordado para assistir a entrevista e receber o pai com um abraço. A exposição que levara Jin a ser reconhecido internacionalmente levava também a assinatura de Jungkook, com as aquarelas características do rapaz.
Mesmo com todo o stress que Jin já tinha passado no mundo da arte, aquele abraço de Jungkook fazia tudo valer a pena.
—Eu te amo appa.
“Nada é como esperamos, mas eles continuam nos perguntando para onde vamos. Tudo o que estamos perseguindo é o pôr do sol, eu tenho você em minha mente. Não importa onde estamos se existir um momento perfeito, nós vamos esculpir nossos nomes enquanto o sol se põe”.
Sun Goes Down – Robin Schulz feat. Jasmine Thompson
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