CENA 1. BAR NOVAIORQUINO. NOITE

Mark bebendo um copo de vinho
quando Anthony entra como uma furação, atordoado, vai até o balcão e tira do
bolso um bolo de dinheiro. Muito ritmo.

Anthony – Duas garrafas de
vinho, já!

Mark – Ual, o chifre foi
grande.

Anthony – A dor da minha bifa
também.

Mark – Calma, cara, estamos no
mesmo barco. Preparei uma festa de aniversario pra ele e o safado chega lá aos
beijos com uma vadia.

Anthony – A minha noiva deu o
rabo pro meu irmão no dia do nosso casamento e encima da nossa futura cama.

Mark – Que idiota. Eu não
trairia um deus grego desses nem com o Willian Levy!

Anthony – Mais uma coisa que
nós temos em comum: a beleza.

Mark – Nós dois aqui, depois de
ter a maior decepção das nossas vidas, tomando um porre, na maior fossa, noite
começando... Se eu fosse mulher, sei muito bem onde essa conversa terminaria.

Anthony – (sarcástico) Pra se
casar com uma mulher, um homem não precisa gostar dela, nem de todas as outras.

CENA 2. QUARTO DE HOTEL. NOITE

Mark e Anthony, semi-nus, aos
beijos, indo vorazmente em direção a cama. Sexo selvagem, sem nudez. Ritmo.

CENA 3. CASA DE MARK (NY).
INT. QUARTO. DIA

Letreiro na tela:DOZE HORAS
ANTES.

Ouve-se o barulho do despertador.
Mark, (que não aparece) procura o despertador e o derruba. Do PV de Mark,
Ralph, com uma bandeja de café da manhã.

Ralph – E aí, preparado para o
grande dia?

Mark – Que dia é hoje?

Ralph – Um casal de NY comprou
uma casa em Stanford e tá de mudança pra lá.

Mark (levantando-se afobado)
Meu Deus do céu, a mudança, como eu fui me esquecer? E o pior que eu ainda
tenho, agora de manhã, uma reunião com os executivos da revista. (correndo pelo
quarto) Cê viu a roupa que eu separei pra hoje? Já sumiu!

Ralph – (mostrando-lhe a roupa)
Estão aqui. Calças, camiseta e jaqueta.

Mark – (pega a roupa das mãos
de Ralph e trocando-se) Ai, não vai dar tempo nem de tomar café. Ô dia, ainda
por cima vou ter que agüentar a Tiffany de barriga vazia!

Ralph – E você acha que eu ia
deixar o meu gladiador ir pra arena sem comer nada?

Mark — (apaixonado) O que seria
da minha vida sem você?

Ralph e Mark fazem menção de se
beijar, clima de romance, que cai quando se ouve o toque de um celular.

Corte descontínuo para a
sala
. Apressado, Mark procura o celular em meio à
sala bagunçada. Quando Mark disser: “... sair voando é que não saiu”, Ralph vai
aparecer atrás dele com o celular. Ritmo.

Mark – Peraí, to chegando,
calma, eu vou te encontrar, você tem que estar no mesmo lugar que eu te
coloquei ontem, sair voando é que você não saiu. (cel.) Eu sei que eu tô
atrasado, mais alivia, hoje é o meu último dia... Eu sei que o senhor não me
paga pra me aliviar, mas é que... Desligou, é sinal de que o hoje o dia vai ser
fogo.

Ralph – Que Ele te proteja.

Mark – (beijando-lhe a face)
Ele já me protegeu de todo o mal me mandando você.

CENA 4. GOSSIP KING
(REDAÇÃO). DIA

Do PV de Mark, vamos pela sala
de redação, cheia, em pleno funcionamento e ritmo. Durante o caminho, três
figurantes abordam Mark, apresentando-lhes projetos e propostas. Ritmo.

Figurante 1 – (segura dois
tecidos) Rosa ou vermelho?

Mark – Misture as duas cores e
alterne com estampas.

Figurante 2 – A assessoria de
imprensa da Victória quer uma resposta. Sim ou não.

Mark – Sim, mediante a algumas
condições, manda vir falar diretamente comigo.

Figurante 3 – O Big King quer
uma parecer imediato sobre o desfile em Manhattan.

Mark – Sim, quero dez modelos
para cada tipo de corpo.

CENA 5. SALA DE TIFFANY. DIA

Do PV de Whitney, Mark entra na
sala de reuniões. Enquanto fala, Whitney aplica uma dose de botox em Tiffany.

Whitney – Dando ordens feito o
Big King. Mandando e desmandando. Merece um sortilégio.

Tiffany – Deixe estar, meu fiel
escudeiro, à hora dessa gazelinha barbada está chegando.

CENA 6. SALA DE REUNIÕES.
DIA

Tempinho depois do final da
cena anterior. Reunião já começada. Joseph e mais três figurantes ouvem
atentamente a tese de Mark. Tiffany e Whitney vão entrar.

Mark – Por isso, eu resolvi que
o nosso leitor vai ter um dia de celebridade, sentindo na pele o que o sentem
os bambambans de Hollywood no seu dia a dia.../

Tiffany – (cortando Mark)
Começou a reunião sem mim mais uma vez. Poderia ao menos ter esperado.

Mark – A reunião estava marcada
para começar as oito em ponto e não depois da sua sessão de tortura. Alias,
faltou aplicar um pouco perto do queixo, tá dando pra perceber.

Joseph – Já atrás, aplicaram
até demais!(t) Quero dizer você não perdeu nada, o Mark só estava revisando a
próxima edição. Mas, você chegou tarde demais, já acabamos.

Tiffany – Mas como ficam as
suas férias na Grécia?

Mark – Em pé. Eu vou, mas antes,
resolvi deixar tudo organizado, só falta editar e publicar.

Sem interromper o dialogo acima,
Joseph e os demais saem. Em seguida, sai Mark.

Whitney – Ele insiste em ser
incrível, louca, surpreendente e maravilhosamente perfeito. E o marido dele tem
a bunda que as minhas mãos sempre sonharam apalpar. Ai, se inveja matasse, eu
já estaria morta, cremada e jogada ao vento!

Tiffany estende a mão e
Whitney, rapidamente lhe dá um celular.



Tiffany –Aqui habla Tiffany Rockfield.
Quiro hoy mismo
Mark Crowford en la cárcel y su matrimônio en la basura.

CENA 7. SALAS DE NADINE (NY).
DIA

Nadine chegando atordoada, Andy
e Liam correndo pela casa, Crystal ma cozinha cozinhando. Bagunça generalizada.
Mark vai entrar.

Nadine – Parem de correr os
três. Isso não é uma praça e nem a casa de vocês.

Crystal – (intervindo) Pega
leve, mãe, a gente só tá passando por uma crise.

Nadine – Crise que já dura mais
de dez anos. Pra mim, isso tem outro nome: preguiça!

Mark — Ai, família, se vocês
não discutem não está bom.

Nadine – Filho, que bom que
você está aqui, pelo menos vai servir de espelho pra dois vagabundos que só o
que sabem fazer é ficar o dia inteiro encima de uma cama.

Andy – Eu ganho a vida com o
meu bumbum, se não fosse por ele, a sua filha estaria passando fome.

Liam – Eu vivo da minha beleza,
não posso cansá-la no sol.

Mark – È bom os dois se
cuidarem porque um dia, o bumbum cai e a beleza vai embora. Aí sim que os três
vão morrer de fome!

Nadine – E a casa nova, vai
mesmo mudar pra lá?

Mark – É sobre isso que eu vim
falar.

Andy — Ai, a minha hérnia, hoje ela tá atacada.

Liam – Hum, o meu calo resolveu
sair em turnê e não quer parar de cantar.

Mark – Eu tenho o remédio
perfeito pra isso: trabalho. E eu tenho o suficiente pra nós cinco. Afinal,
sozinho eu não vou conseguir fazer a mudança e preparar a festa de aniversário
do Ralph.

Crystal – Mas o aniversário
dele é hoje.

Mark – E nós vamos pra lá
agora.

Nadine – Tem que dizer as
palavras mágicas.

Mark – Tá bom, eu pago.

CENA 8. CASA DE FEDRA.
QUARTO DE ANTHONY. DIA

Debaixo das cobertas, Anthony e
Alexandra terminam de fazer amor. Satisfeitos, realizados, se descobrem. Fedra,
Richard e Luciana vão entrar, em fila indiana.

Alexandra – Você esteve
simplesmente incrível!

Anthony – Eu sou só um homem
apaixonado.

Fedra – Tão cedo fazendo coisa
errada. No meu tempo, o seu pai esperou até a noite de núpcias.

Luciana – Já eu não tive essa
frescura, concebi a sua mãe em umménage
a diez.

Fedra – Mamãe, ela não precisa
saber que a senhora costumava participar de orgias na juventude.

Richard – Esse não nega o
sangue, fazia “coisa errada” até na barriga da mãe.

Anthony – (envergonhado) Não dá
pra esperar até eu voltar da lua de mel pra vocês mostrarem para ela que não
são normais?

Alexandra – Que isso amor, eles
estão sendo gentis conosco. E depois, eles têm razão, apesar daquilo, você é um
homem maravilhoso!

Anthony – (levantando-se) Vocês
já foram gentis demais por hoje. Agora dá licença, eu preciso me trocar e tem
gente demais aqui.

Fedra – Meu inocente Anthony!
Não se esqueça que fui eu quem fez isso daí.

Luciana – Mas justo na parte
que era pra caprichar, fizeram mal feito.

Richard – A senhora tem razão,
minha sogra, (apontando para a região escrotal de Anthony) Aquilo é quase
imperceptível.

Alexandra – (discreta, embaraçada)
Isso explica a lupa que eu ganhei no meu aniversário.

CENA 9. RUAS DE STANFORD.
DIA

Mark, Nadine, Andy, Liam e
Crystal andando de carro pelas ruas cenográficas. Alternar com PV de Mark,
figurantes passando pela rua, curiosos, desdenhosos e envergonhados. Música:
Suspenso.

Mark — Eu to me sentindo um
mariachi num show de rock.

Andy – Ou um padre em uma
sinagoga judaica.

Nadine – Liga não, meu filho,
se eles mexerem com você, chama a gente.

Crystal – Esse lugar até parece
um filme de ficção científica.

Liam – Eu assisti um uma vez
onde os maridos faziam lavagens cerebrais nas mulheres e a as transformavam em
robôs.

Nadine – Tem gente lá em casa
que está precisando de uma lavagem dessas, será que dá pra transformar dois
vagabundos em trabalhadores?

Andy – Tenta dona Nadine, daí,
a senhora aproveita e faz uma mudança de rosto, coloca um mais bonito.

Mark – (para o carro) Chegamos.

Corta para a fachada da
mansão de MArk.
Todos descem do carro e vão para dentro, sem
perceberemque ao fundo, estão sendo observados por Maria e uma figurante.

Andy – Ual, que casão! Até
parece uma mansão que serviu de locação para um dos meus filmes: “GosT-Sona”.

Crystal – Seria um sonho morar
numa casa dessas.

Nadine – E não é um sonho tão
distante. É só arranjar um marido que trabalha e você consegue.

Maria – Então quer dizer que
esse é o tipo de família que vai habitar o nosso paraíso? As beatas da cidade
vão amar saber disso!

CENA 10. JARDINS DOS
WHITFIELD. DIA

Cerca de quarenta figurantes
espalhados pelo jardim, envolvidos nos preparativos da festa de casamento de
Anthony, movimento, ritmo. Fedra e Alexandra, em meio a esse cenário,
conversam, numa conversa já iniciada. James vai chegar. Quando Fedra sair,
James abraça Alexandra e lhe apalpa a bunda.

Fedra — Muito cuidado, rapaz,
esse bolo custou dez anos do seu salário... Arruma essa mesa, menina, isso é
uma festa de casamento e não um churrasco em uma república de jovens... /

Alexandra – Se acalme dona Fedra,
tudo vai sair bem.

Fedra – Com essas coisas não se
brincam, e depois, eu sonhei com essa data por trinta anos. E vai aprendendo,
porque logo você vai estar aqui no meu lugar como dona e senhora dessa casa.

James – Calma dona Fedra, com a
senhora no comando nenhum ice berg será capaz de afundar esse Titanic!

Alexandra – James, eu devo lhe
agradecer, se não fosse me apresentar ao seu irmão, essa data não chegaria.

James – Uma mulher perfeita
para um homem perfeito.

Fedra – Falando em homem
perfeito, onde está o seu irmão? Eu não quero que ele apareça na igreja com o
terno amassado ou o cabelo despenteado. (sai)

James – (falando ao ouvido de
Alexandra) Em duas horas no lugar de sempre. Vai preparada, porque antes desse
corpinho ser do meu irmão, vai ser meu!

CENA 12. RUAS DE STANFORD.
DIA

Mark e Peter conversando em
nossa rua cenográfica, perto da casa de Fedra. Anthony e Richard vão aparecer. Depois
do encontro entre Richard e Peter, Mark e Anthony trocam um intenso olhar que
dura toda a cena.

Peter – Tem certeza de que vai
fazer isso mesmo? Meu filho, as eleições estão chegando, isso pode me
prejudicar de novo.

Mark – Eu realizando o meu
sonho e o senhor aí pensando na sua campanha política. Que grande pai!

Peter – Eu não falo só por mim,
não, falo por você também. Esse xicaninho safado não presta, te dá essa vida de
rei roubando e enganando os outros. Escuta o que eu to te falando, filho, essa
homem ainda vai te dar muita dor de cabeça!

Mark – Vai ter uma festa e
tanto aí na casa ao lado. O filho daquele seu oponente político, o tal do Whitfield,
vai se casar com a filha do prefeito.

Peter – Farra com o dinheiro
público, isso sim.

Richard – Veio visitar a
filhinha?

Peter – Não, vim ver como você
está aplicando o dinheiro público.

Richard – Pelo menos o meu
filho vai se casar com uma mulher e não com um contrabandista de bebidas e
ainda por cima, mexicano.

Peter – O meu filho se casou
por amor, não foi vendido ao que pagou mais.

Richard – Já o meu filho nunca
envergonhou a minha família, e nem me fez perder vergonhosamente uma eleição.

Peter – (nervoso) Agora você
mexeu com o meu filho, ah, eu to muito nervoso e vou te bater com a mão do
anel!

Peter dá uma bofetada em
Richard, que revida com o mesmo golpe. Ambos medem forças, vão para frente e
para trás até que se soltam.

Richard – Eu não vejo a hora de
ver os meus netos chegarem, quando eles crescerem, não terão que lutar contra a
raçinha dos Crowford.



Peter – Você não vai viver de novo pra falar mal da minha família, vou te
mandar de volta pro inferno, sua injúria.

Num movimento mútuo, Peter e
Richard avançam sobre a garganta do outro e medindo forças, vão chegando até o
chão.

Nadine (dá janela da casa de
Mark) Mark, venha vestir o seu traje de luto, pois daqui a pouco, você vai
ficar órfão de pai.

Mark e Anthony, como se
estivessem acordado de um encantamento, separam os seus pais. Quando explode a
discussão entre Anthony e Mark, os dois falam juntos e vão pra cima do um do
outro, pestanejando ao chegarem perto da boca. James e Andy vão intervir.

Anthony – Eu já te disse pro
senhor não dar corda pra esse selvagem do Crowford.

Mark – Tá tudo bem com o senhor
meu pai?

Peter – Vai ficar perfeito o
dia que certo Whitfield estiver queimando nas profundas dos infernos.

James – O que está havendo
Anthony, que gritaria é essa?

Anthony – O selvagem do
Crowford que tá causando. Esse velho já encheu o saco, da próxima vez eu colo a
mão na cara dele.

Mark – Experimenta relar a mão
no pai, que faço você usar dentadura antes do tempo.

Anthony – Ai se eu te pego
garotinha, eu te bato até você virar homem.

Mark – Não vou nem sair de casa
de tanto medo.

Anthony – Pelo visto não te
ensinaram boas maneiras. Fica tranqüilo que eu vou te ensinar.

Andy (segurando os braços de
Anthony e Mark) Pra bater nele, vai ter que passar por cima dos meus quarenta
centímetros de braço.

James – (intervindo, segurando
os braços de Anthony) Você não vai querer chegar á igreja no dia do seu
casamento com um hematoma bem no meio da cara.

Atenção: interessa-nos a ação cênica
de Mark e Anthony se entreolhando.

CENA 13. SALAS DE MARK. DIA

Mark e Andy chegam da rua,
Crystal e Liam trabalhando na cozinha. Peter e Nadine, sentados, conversa já
iniciada, ritmo.

MArk – Ai que ódio desse cara.
Ai se o Andy não chegasse, eu ia dar uma bifa nele!

Cristal – O que houve?

Andy – Nada, foi o Mark que
quase beijou a mão do filho do Whitfield.

Nadine – Tinha que ser o Peter,
de novo. Mas será que você e o Richard não vão crescer nunca? Viu qual seria a
conseqüência desta sua briguinha? A nossa filha que nasceu num corpo de homem
quase leva uma tonelada na cara de um troglodita.

Mark – Mamãe, eu ainda estou
aqui, lembre-se que só falamos mal de uma pessoa quando ela não está por perto.

Sem interromper o diálogo acima,
ouve-se o barulho da campanha e Liam vai atender.Corta para hall de
entrada.Charlotte, Soraia, Madalena e os mesmos figurantes da cena 10.

Charlotte – Mark Crowford?

Madalena – Não, esse é o Liam
Romeo, o garoto do bumbum dourado.

Charlotte – O Mark está?

Liam – Tá, eu vou chamar.
(berrando) Ô Mark.

Close nas beatas, extasiadas
vendo Liam sem camisa. Mark já chegou.

Mark – O que foi?

Close em Liam, que com o olhar,
aponta para as beatas. Close na expressão de surpresa de Mark.

CENA 14. QUARTO DE MOTEL. DIA

James e Alexandra no auge do
ato amoroso se amam vorazmente, respiração ofegante, closes românticos, corpos
são mostrados pouco a pouco, música vai caindo lentamente até o orgasmo. James
cai para o lado, realizado, faz um carinho nela. Alexandra com sensação de
realização, tira um cigarro da bolsa, acende-o e começa a fumar. Atenção:só
agora, Alexandra mostra o tipo de pessoa que é.

James – (tomando coragem) Casa
comigo no estrangeiro?

Alexandra – Não é hora de
pensar nisso agora, deixa essas coisas pra depois da lua de mel. O objetivo
agora é a grana daquele babaca do seu irmão.

James –Eu ganho bem, a
gente não vai precisar desse dinheiro. Eu tenho um tanto... /

Alexandra – (corta, dura) Eu
não vou viver dos restos que você ganha na imobiliária do seu pai.Eu quero
tudo!

James – Tudo ou o meu irmão?

Alexandra – Você acha que eu
senti alguma coisa por aquele idiota? Você sabe que o meu coração é só seu, do
Anthony, eu só quero a conta bancária. Vou unir o útil que é o dinheiro dele e
o agradável, que é você.

James – Você ainda não
respondeu a minha pergunta.

Alexandra – Ô James, eu to
cheia de coisa pra fazer, tenho que me casar, agüentar a mala da sua mãe,
fingir que tudo que ela faz é perfeito, maravilhoso, e depois, passar um mês ao
lado do chato do seu irmão fingindo que to louca de amores por ele. Lotação
esgotada!

Alexandra se levanta e entra no
BANHEIRO, celular de James toca.

James – Já disse pra não me
ligar quando eu estiver em
Stanford... Fica tranqüilo, ele não gosta dela, tá fazendo
isso por medo, pra manter as aparências... Tem um cara aqui na cidade, e eu
percebi que o Anthony olhou pra ele de jeito diferente,como quando você
estava aqui... Se esse seu plano de vingança vai dar certo eu não sei, mas
de uma coisa você pode ter certeza: hétero, o Anthony não é.

CENA 15. SALAS DE MARK. DIA

Mesmos da cena 13. Abrir em
Mark, nervoso, aflito, impaciente, tentando passar aos demais personagens,
calma, tranqüilidade e paciência. Muito ritmo.

Charlotte – Que bela decoração.
Até parece que foi feita por um daqueles estrangeiros cheio de frescura. Muito
chique.

Nadine – Chique é muito pouco
para o meu filho. Ele é de fina estampa.

Peter – Esse é o meu Mark.
Manda bem em tudo o que faz. Ele é muito melhor do que essas madames
embalsamadas que têm por aí.

Crystal – E quando o papai diz
que ele manda bem, ele está certo, o Mark arrebenta na cama.

Andy – Arrebenta mesmo.
(recordando, sarcásticamente nostálgico) Quantas camas ele quebrou quando
estávamos na faculdade?

Mark – (encabulado, tenta mudar
de assunto) Eu fico muito feliz que as
senhoras tenham vindo me visitar. Não precisava tanta gentileza.

Charlotte – Que isso, meu
filho. Viemos para que saiba que a nossa comunidade é unida,e provavelmente,
você fará parte do nosso grupo, deve saber que
cabe a nós, as mulheres de Stanford, representar a família, zelar pelo
seu bem estar, e não deixar que nenhum mal ouimoralidadese abata sobre
as nossas cabeças.

Liam – Ele não vai ser qualquer
membrinho não, afinal, o marido dele é um dos homens mais ricos dos Estados
Unidos.

Charlotte – Você está certo,
meu rapaz, (para Mark) creio que quando precisarmos de sua ajuda para as nossas
obras de caridade, não vamos levar uma porta na cara.

Mark – Eu ficarei muito feliz
em ajuda-las no que for preciso, afinal, dinheiro não deve ser guardado, Deus
já nos deu duas mãos para consegui-lo.

Soraia – (discreta, para si
mesma) Se fosse pagar por todos os pecados, ficaria pobre.

Charlotte – Ah, Deus, o que
mais me impressiona em Sua criação foi o fato Dele ter criadoEva para Adão,
e a ter feito a sua semelhança.

Mark – Já a mim, o que mais
impressiona é o fato dele ter dado uma vida para cada um cuidar da sua e uma
língua, para falarmos menos.

Madalena – Minha tia quer dizer
queDeus fez o homem para a mulher.

CENA 16. BOATE DE JÚNIOR.
DIA

Festa rolando. Muita animação,
visual bonito, música eletrônica, agito, garotas semi nuas dançando.
Interessa-nos James, Richard, Harold e Júnior, em uma mesa. Richard vai chamar
a garçonete, que sobe na mesa mostrando-lhe o cardápio que está na camiseta.

Richard – Ei, eu quero um
cardápio.

Garçonete – Pode escolher!

Anthony (a Jr.) Vocês não têm
um cardápio mais descente?

James – (sarcástico) Que isso,
Anthony, até parece que não gosta da fruta!

Harold – Eu queria ir a festas
assim todos os dias. A Laura tá tão rigorosa com a minha saúde, que bloqueou
até o canal de vendas de artigos fitness.

Richard – Eu quero caipirinha.

Sem interromper o dialogo
abaixo, Garçonete2 sobe na mesa, trazendo um copo no busto, Peter, fogoso, bebe
todo o conteúdo do copo, sobe no palco e começa a interagir com as dançarinas.
Anthony vai levantar e ir para local reservado.

Jr. – Você foi logo se casando.
Tem é que curtir a vida como eu e o James: solteiros sim, sozinhos nunca!

Anthony já se levantou. Corta
para Anthony e James.

James – Ei, cara, a festa é
sua, não vai curtir?

Anthony – Eu tô guardando
forças pra noite. E ainda por cima, eu acabo de descobrir que tenho um pai com
problemas mentais.

James – Ele está fazendo o que
você não tem feito desde o começo da festa: curtir.

Anthony – (saindo) Vou dar uma
espairecida, e você, por favor, segura esses loucos antes que eles cometam mais
loucuras, (consigo mesmo) Como se isso fosse possível! (sai)

CENA 17. CASA DE FEDRA
(QUARTO DE ANTHONY). DIA

Fedra, Luciana e Laura observam
costureira fazendo reparos em Alexandra vestida de noiva. Quando Alexandra
disser “Eu fiquei quase três meses sem sexo”, ela sai do vestido e senta-se
frente a frente com as demais personagens.

Fedra – O meu Anthony não
encontraria mulher melhor pra casar.

Laura – A minha filha vale
ouro.

Luciana – Adoro casamentos,
principalmente quando é em regime de comunhão de bens.

Alexandra – Eu não acredito que
o vestido tá ficando apertado! Eu fiquei quase três meses só comendo folhas e
sem fazer sexo pra poder entrar nele.

Fedra – O Albert vai dar um
jeitinho nisso, enquanto isso, nós damos inicio ao nosso chá de panela pra
noite de núpcias.

Albert – Eu não faço milagre
não em. Se comeu o que não devia, vai terá que entrar envolta em uma lona de
circo.

Fedra – Mais uma palavra, e eu
te coloco no tronco.

Albert – Perdão, sinhá, essa
humilde mucama se resignará a cumprir as suas obrigações calada, já estou
acostumada a ser tratada como um móvel nessa casa. Fazer o que? Vida de
escravete é assim!

Fedra – Conhecendo bem o meu
filho, eu sei que ele vai amar o presentinho que eu vou te dar.

Alexandra – (abrindo o embrulho)
Uma caixa de fantasias?

Fedra – Alexandra, apesar
daquele pequeno defeitinho de fábrica, o Anthony tem os seus atributos na cama.
Não é a toa que o chamam de tripé.

Laura – Minha filha, eu sempre
sonhei com essa data. O presente que você vai ganhar foi dado, há trinta anos
pela sua avó no dia do meu casamento. E olha, eu deixei o seu pai louco!

Luciana – E o qual foi o
presente? Uma máscara para disfarçar a sua feiúra?

Alexandra – Um banho de ervas?
Eu vou ter que fazer macumba pra me deitar com o meu marido?

Laura – Não, querida, é um
banho sensual que as mulheres usam no Sul para deixar a noite de núpcias maiscaliente.

Alexandra – E o que tem nesse
tal banho?

Luciana – Chama homem, pra
deixar ele caído a seus pés, flor de carrapato, pra fazer ele ficar grudadinho
em você, dedo de nega, pra deixar ele louco de amor quando te tocar e cheiro de
moça, pra quando ele sentir o seu cheiro, nunca mais se esquecer dessa noite e
toda vez que ele te vir de trajes íntimos, vai querer “relembrar” a noite de
núpcias. Foi assim que você e o Júnior nasceram.

Laura – Teve que ir com reza
brava, porque se fosse de outro jeito, o Harold iria correr sem olhar pra trás
até hoje.

Fedra – E a senhora, mamãe, o
que vai dar de presente para a Alexandra?

Laura – Vocês me conhecem e
sabem que sou uma mulher prevenida, que se preocupa com o futuro das pessoas.

Alexandra – (abrindo o
embrulho) Um livro? Qual é o assunto?

Albert – Deixe-me adivinhar:
ensina como os casais se comportam na hora do sexo? Que foi? Dessa velha pode
se esperar tudo!

Laura – Você errou purpurina.
Esse livro aconselha a mulher como agir na hora da divisão de bens, é mais
eficiente que um advogado. Nele, a mulher aprende como ficar com a maior parte,
quais são as propriedades que valem mais, pretextos para a separação e ainda,
no epílogo, mostra como aplicar a bolada que você vai levar do trouxa.

Alexandra – Esse livro só vai
me servir como um passa tempo, porque eu quero ficar pra sempre ao lado do
Anthony, só quero me separar dele depois da morte.

Albert – Hum, até eu que sou
meio tonta iria querer morrer ao lado dum homem desses: gato, bonito, rico,
educado, e ainda por cima, vai te dar casa, comida e roupa lavada e uma conta
bancária obesa. (debochado) Até o Stallone iria querer se casar com um homem
desses. Amor?! Ahãn, senta lá!

CENA 16. SALAS DE MARK. DIA

(desfecho da cena 13)

Continuação imediata. Leve
tensão. Andy derruba a xícara de café no colo de Mark, ambos trocam um olhar de
cumplicidade. (Atenção: Mark, ao atender ao telefone, o põe no viva-voz, para
todos ouvirem, closes alternados em Mark, Ralph e nos demais personagens)

Mark – Esse Andy, tão
desastrado! (para Andy) Por favor, querido, providencie um pano para que eu
possa limpar essa sujeira toda. (aos demais) Bem, do que falávamos? Ah sim, dos
desígnios de Deus. Sabem o que mais me impressiona Nele? O fato de Ele ter
dado, para cada um de nós, dois braços para trabalhar mais e uma língua para
falar menos.

Andy vai para a cozinha, volta
com telefone.

Andy – Ô Mark tem alguém
querendo falar com você.

Ralph – (tel.) Adivinhe quem é?
Uma dica, o homem da sua vida.

Mark – (tel.) Querido, como
vai?... Aqui vai tudo as mil maravilhas, todos vieram me fazer uma visita,
mamãe, Cristal, Andy, Liam, até o papai veio prestigiar a casa nova... Não,
Ralph, ele não falou mal de você, quer dizer, só disse que a casa que você
comprou é roubada e que o seu carro você mandou fazer a partir de um desmanche,
mas hoje vale a pena falar disso, hoje é o seu dia e eu quero você calmo e
inteiro,porque hoje á noite, eu vou te dar um presente que você nunca mais
vai se esquecer, eu vou te ensinar de onde é que vêm os bebês... Eu também,
e ainda que o mundo diga que isso é um erro, eu sou feliz errando e isso é o
que importa.

CENA 18. ESCRITÓRIO DE
RALPH. DIA

Alternar diálogos da cena
anterior com essa. Ralph, em seu escritório, dar a impressão de que está
trabalhando, atarefado.

Ralph – E aí?... Tava muito bom
pra ser verdade, justo no dia do meu aniversario, eu vou ter que agüentar o meu
amado e peçonhento sogro falando mal de mim... Hum, eu vou adorar essa aula. E
antes deu desligar, tem uma coisinha que eu gostaria de te dizer: eu te amo.

Ralph desliga o telefone, corta
para Catalina, na porta da sala de reuniões, sensual, vestida de “supernanny”,
trazendo nas mãos um chicote.

Catalina – Foi aqui que pediram
uma babá para um garoto mal?

Ralph – Quer matar papai?

Ralph avança sobre o corpo de
Catalina e lhe dá um ardente e frenético beijo.

CENA 19. ESCRITÓRIO DE MARK.
DIA

Tiffany sentada na cadeira, de
costas. Whitney vai entrar.

Tiffany – Eu vou ter que mudar
tudo! Pra começar, essa mesa e essas cadeiras, que coisa mais feia, e a cor
disso daqui? Até parece um filme do Pedro Almodóvar! Esse Mark tem mania de mau
gosto.

Whitney – Maquinando contra
alguém, soberana de Tebas?

Tiffany – Não, só estou
esquentando a cadeira para o Mark. (t) É claro que não! Eu sou mulher de agir e
não de pensar no que vou fazer. Coletou as informações que eu te pedi?

Whitney – Não há nada que não
se saiba naquele refeitório. E não se fala em outra coisa por lá: O Ralph,
aquele gostoso da bunda empinada, comprou uma casa avaliada em sete milhões
para o Mark na pequena cidade de Stanford, novecentos metros quadrados, jardim,
piscina, sala de cinema, oito quartos, todos com suíte, e se amarrote porque
você vai ficar passada: os detalhezinhos da casa, como o corrimão da escada e
os trincos das portas são de ouro. E isso não é tudo não, em, dizem que o Ralph
mandou fazer os móveis na Itália, todos eles vão vir com as iniciais dos dois,
ah, no fim de semana, quando eles se mudarem definitivamente para lá, o Senhor
e a Senhora Hart vão oferecer uma festa para quatrocentos convidados, e sabe
onde eles vão ser acomodados? No imenso jardim, que mais parece um campo de
futebol, já te falei que... /

Tiffany – (cortando,
impaciente) Já chega, não vê que eu estou ficando verde de inveja? A felicidade
do filho desaparecido do bambi me dá nos nervos. (t) Mas deixe estar, meu fiel
escudeiro, tudo isso, vai ficar nos sonhos dourados do Mark, que vai poder
sonhar com a sua fabulosa vida em Stanford dormindo em uma cela fria, depois de
ter o seu traseiro perfeito e tonificado, servido num banquete para homens gordos,
carecas e tatuados.

Whitney – Ai Tiffany, você é
pior que Cruela e Whilemina juntas! (t) Mas como você tem tanta certeza de que
o Mark vai parar atrás das grades?

Tiffany – O gorila branco vai
descobrir que a sua gazelinha domesticada aplicou-lhe um desfalque milionário e
que está usando a revista como fachada para um esquema de lavagem de dinheiro,
tudo isso, com a ajuda do mexicano.

Whitney – Seria mais fácil um
elefante entrar num manequim trinta e oito do que fazer alguém acreditar que o
Mark é ladrão.

Tiffany – Já sabia de tal coisa
desde o inicio. Por isso, cada passo desse plano foi uma vitória, uma
verdadeira epopéia nos lugares mais hostis, selvagens e obscuros, com as
pessoas mais estranhas e bizarras que poderiam estrelar um filme de ficção
cientifica.

Whitney – Você foi ao Brooklin?

Tiffany – Também, mas isso foi
só o começo, passei de salão de beleza em salão de beleza, de cama em cama,
como uma louca em busca de uma luz, e hoje, estou a um passo concluir o meu
plano contra Mark Crowford.

Whitney – E ainda tem mais?

Tiffany – Tudo tem que sair
perfeito, afinal, quando se derruba um inimigo, tem que fazer com que ele nunca
mais levante que se arraste como uma lacraia.

Whitney – E o que falta fazer,
deusa das terras férteis? Diga, qual será o golpe final que fará o vilão cair
por terra.

Tiffany – O mais fácil, comprar
testemunhas. Trata-se de um sócio do Ralph, um rato de caixa eletrônico, e
adivinhe quem vai ganhar a coleção completa dos cd´s da Lady Gaga se for ao
encontro desse homem?

Whitney – Onde e quando?

Tiffany – Num restaurante no
centro da ilha. Ele vai estar vestido da mesma maneira que o ator de filme
pornô mexicano, e para não levantar suspeitas, você deverá se vestir e agir
como homem, seja discreto e só lhe entregue a maleta preta que eu vou te dar.

CENA 19. RESTAURANTE. DIA

No inicio da última fala da
cena anterior, em OFF, imagens muito rápidas, Whitney, indiscreta, olha para
todos os lados, mede as pessoas de cima a baixo, até esbarrar com OTÁVIO e
apalpar discretamente a sua bunda, os dois flertam, Otávio olha a maleta nas
mãos de Whitney, e lhe faz um sinal de positivo, Whitney lhe entrega a maleta,
ao mesmo tempo que Otávio lhe entrega uma pasta. Muito ritmo.

CENA 20. REDAÇÃO GOSSIP
KING. DIA

Tempinho depois do final da
cena 18. Whitney e Tiffany saindo do elevador, numa conversa já iniciada.

Whitney – Pronto, divindade
maior, a testemunha foi comprada, só demorei porque nós fomos obrigados a fazer
um pit stop, ele quis trocar o óleo.

Tiffany – Deixe os seus delitos
fétidos para depois, agora, temos que nos concentrar na queda de Mark.

Whitney – O que falta pôr o
plano em prática?

Tiffany – Dê tempo ao tempo,
meu fiel escudeiro. Quando a testemunha chegar, eu darei um show que vai deixar
as atuações de Merly Streep no chinelo!

Whitney – Vênus de Millo, só
pra saber, o que acontecerá, caso a testemunha não vier?

Tiffany – Todo o plano irá por
água a baixo, e a sua cabeça também.

Whitney – (tentando mudar de
assunto) Eu não gostaria de estar na pele do Mark.

Tiffany – Nem eu, meu fiel
escudeiro, esse Crowford vai saber que quem tem Tiffany Lartillex como inimiga,
não precisa ir até o inferno para conhecer o demônio. (t) Tudo vai ser meu, em
breve, eu serei a rainha dessa revista, e quando esse dia chegar, o Mark vai
estar lavando o chão da cadeia.

Tiffany solta uma risada
sarcástica, Whitney, falso, faz o mesmo. Depois de um tempinho aqui, corta
para:

CENA 21. RUA DE STANFORD.
DIA

Mark, Andy e Nadine indo à
direção ao carro.

Nadine – O que tem de tão
importante nesse cofre, Mark?

Mark – A vida inteira de
trabalho do Ralph.

Andy – Ou seja, nada.

Mark – Nem precisa procurar
mais essa chave, isso não é tão importante agora, temos que manter o foco na
festa. Eu vou rodar por aí pra ver se eu acho um mercadinho e comprar o que
falta.

Mark vai andando e olha para
frente. Corta para a fachada da casa de Fedra, onde estão Anthony, Alexandra,
James e Fedra conversando fora de áudio. Interessa-nos Anthony, sem camisa,
sorrindo, alegre, extrovertido. Voltamos para Mark, extasiada, paralisado,
boquiaberto. Closes alternados em Mark e Anthony,slow motion, música: Party. Cai musica, corta para Andy e Nadine,
observando Mark, que anda devagar.

Andy – Por que ele caminha tão
devagar?

Nadine – Viu um homem bonito.
Esse não nega o sangue, é sem vergonha como o pai. Sabe qual o próximo passo?
Fazer alguma gracinha pra se mostrar pro bonitão.

Corta para Alexandra e Fedra.

Fedra – Olha lá, Alexandra, esse
é o tal do Mark Crowford, o pervertido que vai morar na casa aí da frente. Toma
muito cuidado, dizem por aí que quando ele estava na escola, o apelido dele era
vendaval, levava todos os que viam pela frente. E ó, ele já tá de olho no
Anthony.

Alexandra – Eu confio no Anthony,
ele seria incapaz de me trair.

Corta para Mark, que derruba a
chave no chão e sensualmente, abaixa-se sensualmente para pega-la, a modo que
os demais vejam a sua bunda. Deste PV,vemos que Anthony fica boquiaberto
com o que vê e James, ao perceber a química entre os dois, sorri
sarcásticamente.Ao mesmo tempo, close em Alexandra, que olha ao redor e
fica extasiada, ao ver, de seu PV, Ralph, maroto, sexy, caminhar até Mark.
Closes alternados em Alexandra e Ralph,slow
motion
, música Rabiosa. Cai música, Ralph por trás de Mark e lhe dá um tapa
na bunda.

Ralph – Não fica mostrando essa
mercadoria por aí, ela já tem dono.

Mark – (surpreso, levanta-se)
Meu amor, que surpresa, eu não sabia que você vinha. Por que não me avisou? Eu
prepararia um almoço especial.



Ralph – Não, tenho trauma daqueles seus dois cunhados. O Andy até parece ser
filho da Bertha e do Charlie.

Mark – Você fica tão bonito
quando faz alguma brincadeira. Eu te amo demais, Ralph.

Ralph – (fazendo menção de beijar
Mark) Então me prova.



Mark – Eu acho melhor não, essa gente tá nos olhando de um jeito estranho, to
começando a ficar com medo.

Ralph – Ah é? Quero ver se eles
vão fazer alguma coisa.

Ralph dá um ardente beijo em
Mark, close na multidão, alguns ficam indignados, outros ficam como se
estivessem diante de um filme pornográfico. Corta rápido para Andy e Nadine.
Ritmo.

Andy – Eu acho melhor nós
fazermos alguma coisa, antes que essa gente adiante o ciclo da vida do Mark.

Andy já chegou onde Mark e Ralph
estão se beijando.

Andy – E aí, gente, nunca viram
isso ou vão dizer que beijar na boca é pecado?

Andy – Deixa que eu os espanto.

Ralph levanta a camisa, todos
permanecem ficam ainda mais boquiabertos. Algumas mães tapam os olhos dos seus
filhos.

Nadine – É assim que se faz.
(t)(assustando-os) Buuuuuuuuu.



Todos saem correndo, amedrontados.

Corta para Anthony, está do
mesmo jeito que há pouco, fascinado, boquiaberto, com o olhar fixo em Mark. Ao seu lado, James
percebe tudo, sorri sarcasticamente e faz um sinal de negativo com a cabeça.

CENA 21. RIO. DIA

Tempinho depois do final da
cena anterior. Anthony, distante, olha o rio, pensativo, quando James chega ao
seu lado. Ao desenrolar da cena, discussão acalorada, ambos se alteram.

James – Tá quase na hora, vai
se atrasar.

Anthony – Eu tava aqui pensando
se eu to tomando a decisão certa.

James – Não acha que é tarde
demais pra se arrepender?

Anthony – Eu to confuso com
tudo isso, James, é muita gente, muita informação preu processar.

James – Eu te conheço, Anthony,
eu vi você nascer, crescer e se tornar um homem. Eu sei que não é isso que tá
te fazendo “pensar”. Confessa, vai, é o Crowford, não é?

Anthony – O que ele teria a ver
com isso?

James – Eu vi o jeito que você
olhou pra ele hoje. Alias, não foi só uma vez, você enlouqueceu quando viu o
traseiro dele.Isso te trás lembranças?

Anthony – Eu não sei do que
você tá falando.

James – Sabe sim, e sabe também
o que eu acho disso tudo? Que você não está agindo como um homem. Se eu fosse
você... /

Anthony – Tá falando do que,
James? Que eu saiba, você conquistou essa sua vidinha de rei explorando e
enganado os outros.

James – Pelo menos eu assumo o
que eu sou. Eu não me importo com o que os outros vão pensar a respeito de mim.
E você? No alto da sua fraqueza, vai se casar só pra agradar a mamãe e ajudar a
aumentar a fortuna da família.

Anthony – É a minha vida.

James – Não, essa não é a sua
vida. Você a enterrou junto com o Frank e fez nascer uma mentira.

Anthony – Eu tenho o direito de
esquecer tudo isso, não tenho?

James – Só que em quinze anos
você não foi capaz de esquecer, e a prova disso, é que agora, o Crowford tá
tomando conta dos seus pensamentos.

Anthony – Disse certo, James,meus
pensamentos, você não tem nada a ver com isso. (sai)

James – (frio) Eu te dei uma
chance, maninho, mas, se é isso que você quer, eu não posso fazer nada.

CENA 22. ELEVADOR. DIA

Whihtney e Tiffany, eufóricos,
impacientes, andando de um lado para o outro.(Atenção produção: quando
Joseph gritar, mostrar takes da cidade de Nova York, para explicar que o grito
ecoou por toda a cidade).

Tiffany – É agora, Whitney! A
testemunha já chegou, em instantes o gorila branco vai dar um grito, o Mark vai
cair e eu vou me tornar a dona de tudo isso.

Whitney – (ritmo) Contagem
regressiva. Cinco, quatro, três, dois, um.

Joseph, em off, dá um grito estérico,
que ecoa por toda a cidade de Nova York.

CENA 23. ESCRITÓRIO DE
JOSEPH. DIA

Tempinho depois do final da
cena anterior. Joseph, em estado de choque sendo acudido por dois para médicos
e secretária figurante. Tiffany e Whitney entram. Ritmo.

Tiffany – Querido, vim assim
que soube.

Joseph – Diga que eu dormi
enquanto eu analisava os livros, e que isso é um pesadelo.

Tiffany – Infelizmente, essa é
a mais pura verdade. O Mark, com a ajuda de Ralph, vem aplicando desfalques na
revista.

Joseph – Não, o Mark não. Seria
mais fácil fazer um elefante entrar num manequim trina e oito do que acreditar
que o Mark é um ladrão.

Tiffany – Até eu fiquei
surpresa com tal e ingrata informação, mas, por mais dura e amarga que ela
seja, é a verdade.

Joseph – São acusações muito
graves, você tem como prová-las?

Close na expressão de mistério
de Tiffany. Corta para:

CENA 24. SALA DE JAMES. DIA

Apressado, James assinando
alguns papéis, ao mesmo tempo, CAM focaliza, a frente de James, um telão que
projeta várias assinaturas de Anthony.

James – Ai, Anthony, eu to com
tanta pena de você. Vai perder pro seu irmão duas coisas de extrema importância
pra você: o dinheiro e a namorada.

James guarda os documentos que
assinara numa pasta, e enquanto o faz, pega o telefone e disca.

James – Por favor, duas
passagens de primeira classe para o Brasil, em nome de Alexandra Rockfeller
Whitfield.

CENA 25. SALA DE JOSEPH. DIA

Na ANTE-SALA, cerca de
cinqüenta figurantes aglomerando-se na porta multidão agitada, eufórica,
falando ao mesmo tempo. Interessa-nos Whitney passando pela multidão com Otávio.
Multidão fica ainda mais atiçada, querendo agarrá-los. Ritmo.

Otávio – Que diabos esse povo
faz aqui?

Whitney – Fofoca, meu filho,
eles estão matando por qualquer informação sobre o Mark.

Corta para SALA DE JOSEPH,
mesmos da cena 23, mais Otávio. CAM foca telão na tela, foto de Mark e Otávio
conversando em um restaurante. Obs: a foto deve ser uma montagem.

Otávio – A proposta foi
tentadora, tava sem dinheiro, aquele safado do Ralph prometeu que ia pagar, mas
aquele lá é pior que político, no dia do pagamento, sumiu, daí apareceu o Mark,
me fez uma proposta, deu um adiantamento gordo, e o senhor sabe, né, eu tenho
mulher, filhos e uma mansão em
Beverly Hills, não posso ficar sem dinheiro.

Joseph – Bichinha safada, quis
roubar o meu dinheiro, quis lavar o meu dinheiro, quis levar uma vida de rei
com o meu dinheiro, e ainda por cima, ao lado daquele xicaninho safado.

Tiffany – É muito dinheiro pra
uma bicha só. Por isso ele comprou aquela casa em Stanford, novecentos metros
quadrados, onze quartos, quadra de tênis, piscina, moveis exclusivos e detalhes
em ouro.

Whitney – E tudo isso, com oseu
dinheiro!

Joseph – Falso, mentiroso e
ainda por cima ladrão. (a Tiffany) Ele é mal e me fez chorar. (levanta-se,
decidido) Mas mexeu com a coisa mais importante da minha vida, omeu
dinheiro, e agora, eu to muito nervoso, e só vou ficar calmo quando aquela
dupla de vigaristas cor de rosa estiverem atrás das grades.

CENA 26. CASA DE FEDRA.
(QUARTO DE ANTHONY). DIA

Cerca de cinco figurantes entre
maquiadores e cabeleireiros preparam Alexandra, que está impaciente,
desesperada, anciosa.

Alexandra – Dá pra ir mais
rápido com isso? O casamento é no começo da noite e não no dia de ação de
graças... Cuidado menina, quer que eu chegue à igreja parecendo a noiva
cadáver?... Ai, ai, o meu cabelo, eu gostaria de chegar à lua de mel com ele na
cabeça... O meu vestido, onde será que aquela imitação barata do Crô foi parar
com o meu vestido? Ai, se ele não chegar a tempo ele vira purpurina!

Albert – (desdenhoso) Tá aqui o
seu vestido, sinhá, fiz o melhor que eu pude, agora, se a senhora achar que não
ficou bom, tem um pano de chão ali no banheiro que vai cair como uma luva pro
seu corpinho naturalmente fabricado na mesa de cirurgia.

Alexandra – Me respeita, ô do
time colorido, ou eu te boto pra correr daqui.

Albert – Porque, tá pensando
que vai se tornar a dona e senhora dessa casa? Isso não vai acontecer nem
depois que a Fedra for pro andar de baixo, aquela lá é fogo, não deixaria de te
atormentar nem se você e o Anthony fossem morar em Marte. (sai)

Alexandra – Deixe estar, meu
caro Albert, eu não me importo com os seus insultos e nem com a chata da Fedra,
afinal, depois que eu por as mãos no dinheiro do Anthony, vocês não vão me
encontrar nem no inferno.

CENA 27. CLIP

Programa de televisão estilo E!
News. O cenário deve ser itinerante, variando de acordo com o assunto falado.
Closes frenéticos. Ritmo.

Apresentador – Bomba, bomba,
bomba, escândalo na imprensa rosa. Mark Crowford, o queridinho de Hollywood foi
acusado de ter dado um desfalque milionário na Gossip King, corre a boca miúda
que ele foi ajudado por seu marido, o mexicano Ralph Santoro, aquele gostoso
que tem uma bunda que mais parece nariz de madame. Tentamos falar com o
acusado, mas ele não se encontra em lugar nenhum. Já deram uma olhadinha no
novo barraco dele? Aquele que tem novecentos metros quadrados, quadra de tênis,
sauna, piscina, onze quartos, moveis exclusivos com as suas iniciais e detalhes
em ouro. Tanto
dinheiro assim não cai do céu. Honestidade? Senta lá, meu amor!

Atenção: Alternar imagens desta
cena com outros takes: bar cheio de pessoas em NY, salão de beleza, loja de
televisores, e um tablet.

CENA 28. BOLSA DE VALORES.
DIA

Clima típico da Bolsa de
Valores. Interessa-nos Ralph, investidor ferrenho, vibrando com a alta da
bolsa, sem perceber que atrás deles, burburinho com cerca de cem figurantes,
que se aglomeram, vendo qualquer coisa. Ralph vira-se para os demais
investidores, e percebe que há algo errado no ar.

Ralph – Mira que rico, estamos
faturando alto hoje. As suas mulheres e o meu marido vão fazer a festa nos
shopping.

Investidor – Elas vão ter que
comprar roupa de luto.



Ralph – Alguém morreu?

Investidor – Não, mas parece
que um investidor mexicano de trinta e poucos anos tentou dar um golpe na gente
e vai ser linchado em cinco, quatro, três, dois, um.

Todos correm para a direção de
Ralph, que, astuto e rápido, corre até a escada, e tenta escala-la, mas é
puxado pelos investidores, Ralph reluta, os investidores, tentando puxa-lo para
baixo, rasgam as suas roupas, Ralph aproveita e foge, correndo desesperado.
Ritmo.

CENA 30. RUA NOVAIORQUINA. DIA

Ralph, escondendo a sua nudez
com a maleta corre desesperado, chamando a atenção das pessoas na rua. Corta
para BECO. Ralph, escondido, puxa um transeunte, tempo, ouve-se barulhos de
pancadas, tempo, transeunte sai, semi- nu, dois segundos depois, Ralph, já
vestido, amarrado, chega com dificuldade ao carro.

CENA 31. CASA DE HAROLD.
(QUARTO DE ALEXANDRA). DIA

Alexandra, pronta para ir à
igreja, na frente do espelho. James vai entrar trazendo consigo uma maleta
cheia de dólares. (Atenção: quando James segurar os braços de Alexandra, frisar
as alianças caindo de seu bolso).

Alexandra – Agora, é só fingir
que está tudo muito bem, que eu estou feliz e caindo de amores por aquele
otário. Mas acalme-se, Alexandra, todo esse sacrifício vai ser compensado
quando aquela bolada for minha e aquele gostoso do James estiver encima de mim.

James – (segurando os braços de
Alexandra)Larga tudo e foge comigo agora.

Alexandra – Eu já falei sobre
isso, depois da lua de mel o seu irmão... /

James – (corta) Eu já passei
tudo pro seu nome, propriedades, iate, o diabo a quatro, eu tenho nessa maleta
um milhão de dólares pra gente gastar durante a viagem, e mais uma bolada na
sua conta bancária. EU já dei o golpe pela gente, você não vai precisar se
casar com aquele bosta do meu irmão. Vem comigo?

CENA 32. FACHADE DE PRÉDIO
DE LUXO (NY). DIA

Tempo depois do fim da cena 30.
Ralph, usando um disfarce para não ser reconhecido, apressado, coloca as suas
malas no porta-malas do carro. Ao ir em direção ao carro, tira do bolso uma
foto de Mark. Close na foto. Atenção:

Ralph – Me perdoa meu amor, eu
to fazendo isso por nós dois.

Ralph já entrou no carro.
Reação de Ralph, surpresa.

Ralph – (surpreso) Você?!

Corta para Catalina, no banco
do passageiro, completamente nua.

Catalina – Me embrulha pra
viagem?

Catalina pula no colo
de Ralph e começa a beijar-lhe vorazmente. Ralph reluta, mas, aos poucos, vai
se rendendo, respondendo-lhe o beijo com fervor. Cortar para o plano geral do
carro estacionado na porta do hotel, chacoalhando, passando ao telespectador
que eles estão transando.

CENA 33. PORTA DA IGREJA.
DIA

Tempinho depois do final da
cena 30. Cerca de cem figurantes espalhados por todo o cenário, alguns
conversam, outros estão entrando na igreja. Visual bonito. Interessa-nos
Anthony, Fedra, Luciana e Richard, na entrada da igreja. Junior, Laura e Harold
vão chegar.

Richard – Que frescura, se
fosse por mim, a cerimônia seria só no cartório.

Luciana – Claro, isso teria
saído mais barato.

Fedra – Agora não é hora de se
pensar em dinheiro, e sim na felicidade do nosso Anthony. Ai, daqui a pouco
quem vai estar entrando nessa igreja como um príncipe, é o James.

Luciana – Aquele lá, do jeito
que é, é capaz de se casar num centro de detenção.

Anthony – Queridos, do jeito
que eu estou nervoso, eu garanto que não vou agüentar por muito tempo vocês
adubando o mundo com seus gentis e doces comentários. Se não calarem a boca, a
data de hoje poderá dar origem a um filme de terror, My Blood Wedding.

Jr. – Não levem em conta as
palavra que saem da boca do meu cunhadinho, afinal, ele está a caminho do
abatedouro.

Laura – Eu acho melhor irmos
entrando a Alexandra já está pra chegar.

Anthony – O senhor não deveria
vir com ela?

Harold – Ela me pediu para esperá-la
aqui, me disse que tinha algo importante a fazer.

Fedra – Jr, meu querido, avise
ao padre que está tudo pronto para a entrada do noivo.

Anthony – (batendo a mão nos
bolsos) Espere as alianças, estão com você?

Laura – Não, eu as entreguei
ontem à noite para a Alexandra. Vou ver se estão com ela.

Jr. – Ela já saiu de casa,
pediu pra avisar que já está a caminho.

Fedra – Então peça para ela
voltar e traze-las.

Anthony – É melhor não, ela
teria um colapso nervoso se percebesse que esqueceu as alianças. Eu vou
buscá-las, e se ela chegar antes de mim, despite-a.

Harold – Mas se você vê? Dizem
que isso traz azar.

Richard – Acredite, meu caro
amigo, o azar começa quando o padre diz “eu os declaro marido e mulher”.

CENA 34. CASA DE RALPH.
SALA. DIA

Nadine, Peter, Andy, Liam e
Cristal na sala de estar, vendo, no inicio da cena,um vídeo que contém o
mesmo conteúdo da cena 27, em um tablet. Muito ritmo. Atenção: quando
Cristal disser “Veja como o meu irmão está feliz...”, mostrar ao fundo, Mark
recebendo alguns figurantes.

Nadine — E agora, o que vamos
fazer?

Cristal – Coitado, tá tão feliz
com tudo que está acontecendo, vai ser um balde de água fria.

Liam – Vamos contar a verdade,
uma hora ou outra ele vai ficar sabendo mesmo, e tem mais: a mentira é uma
trama baseada em uma base de areia.

Andy – A vida das pessoas
normais não é um palco de um grande musical gay como a sua, o Mark tem
sentimentos, temos que prapará-lo para que ele possa receber tal noticia.

Peter – Ora o que vamos fazer?
Primeiro, erradicar da face da Terra aquele mexicaninho safado, ele não só
envolveu o meu filho em uma mentira, mas também sujou a honra e a moral da
nossa família. Faremos como fazia o meu avô na Itália em seus áureos tempos,
primeiro, devemos capá-lo, depois, deita-lo nu em uma cama de espinhos e lá,
chicoteá-lo até que nossos os nossos braços se cansarem, e por último,
entalhar, em cada parte do seu corpo, o nosso sobrenome.

Nadine – Cala a boca, Peter,
estamos falando sobre o nosso filho e não da execução de um escravo na arena de
Cápua.

Peter – Me desculpe, é que ás
vezes, tenho a impressão de que sou possuído pelo espírito de um cruel senhor de escravos da Grécia antiga.

Cristal – Veja como o meu está
feliz, parece que ele está em uma nuvem e faze-lo cair dela vai ser uma
crueldade. Vamos esperar o Ralph chegar, e aí, todos nós sentamos e contamos
com jeito o que está acontecendo.

Peter – Eu disse que esse
xicaninho safado ainda ia trazer muita dor de cabeça pro Mark.

CENA 35. SALAS DE HAROLD.
DIA

Continuação imediata.

Alexandra – Não ter que aturar
a chata da sua mãe falando no meu ouvido, não fingir que amo o babaca do seu
irmão, ter uma bolada de dez milhões de dólares na minha conta bancária e ainda
por cima, curtir um paraíso tropical com você encima de mim? O dia que eu
disser não a esse seu membro, me coloque numa camisa de força que eu vou estar
louca!

James – Vamos então fazer um
test drive do que vai essa viagem.

Alexandra – Aqui não, é muito
arriscado, eu tenho um lugar que nem a CIA vai nos encontrar.

Corta para SALA DE ESTAR,
Anthony, apressado, abre a porta, entra se certifica que não há ninguém na casa
e sobe para o andar de cima. Corta para QUARTO DE ALEXANDRA, Anthony procurando
as alianças apressado, até que as encontra e as coloca no bolso. Corta para a
SALA, aonde Anthony, apressado, vai saindo ao abrir à porta, para, ouve um
barulho qualquer, preocupado, vai caminhando em direção a dispensa, chega, abre
a porta, PV de Anthony, Alexandra e James, seminus, no auge do ato amoroso. Atenção:
alternar com: Alexandra e James na DISPENSA, no ato amoroso, respiração
ofegante, voracidade. Anthony paralisado. Surpresa de Alexandra e James.

James – Mano, eu posso explicar
tudo. O Frank...

Anthony interrompe James com um
forte soco. James, desesperado, sai correndo, Alexandra tenta fazer o mesmo,
mas Anthony a segura pelos cabelos e lhe quatro fortes bofetadas no rosto.



Anthony – Vagabunda, agora eu vou te mostrar como um homem lava a sua honra.

Alexandra – (dissimulada) Não
me mata.

Anthony – Eu não sujaria as
minhas mãos com tão pouco. Eu vou fazer pior que isso.

CENA 36. CASA DE FEDRA.DIA

James, apressado, desesperado,
revirando as gavetas da mesa do escritório, encontra uma chave e abre, sem
muita cautela, um compartimento secreto, que dá para um cofre. James abre o
cofre, tira os pertences de dentro dele e os coloca em uma bolsa. Muito ritmo.
Ao terminar tudo, James deixa dentro do cofre um envelope, fecha o cofre, o quadro
e sai apressado.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

James – (cel) Deu tudo errado,
ele descobriu tudo... Tá bom, eu vou indo praí.

CENA 37. PORTA DE IGREJA.
DIA

Mesmos da cena 33, menos
Anthony. Fedra, preocupadíssima, anda de um lado para o outro.

Fedra – Eles já deviam ter
chegado. O que será que deve ter acontecido?

Albert – Vale lembrar que o
senhor James também não chegou.

Richard – Acalme-se, Fedra, não
é você que vive dizendo que atrasar um pouco é até elegante?

Laura – Mas a cerimônia já
deveria ter começado há duas horas atrás. Vou ligar lá pra casa e ver o que tá
acontecendo.

Harold – Não vai ser preciso,
olha lá o carro da Alexandra.

Anthony sai do carro, abre a
porta do passageiro e tira Alexandra daí pelos cabelos. Multidão se aglomera ao
redor de Anthony, surpresa de Fedra, Harold, Richard e Laura.

Anthony – Taí, dona Fedra, a
bela vagabunda que você arrumou para nora.

Fedra – Mas o que houve meu
filho?

Anthony – Quer contar a minha
mãe a cena com a qual eu me deparei quando abri a porta da dispensa ou conto
eu?

Albert – Deixa eu adivinhar,
ela tava com outro. Essa daí não me engana não, tem cara de vagabunda.

Harold – Não ofenda a minha
filha, ela moça de família.

Anthony – É aí que o senhor se engana
seu Harold, essa que o senhor chama de filha, não passa de uma piranha, uma
vagabunda que me enganou esse tempo todo, posando de noiva apaixonada e boa
nora, e sabem o que ela fazia enquanto todos nós acreditávamos na sua carinha
de santa?

Richard – Não me diga que ela...
/



Anthony – Ela sentava na pica do James e ria da minha cara, como agora a pouco,
quando eu flagrei esse par de sem vergonhas no maior bem e bom na dispensa.

Fedra – Como pode Alexandra,
depois de tudo que nós fizemos por você?

Anthony – A culpa é sua, Fedra,
se não tivesse se metido na minha vida, eu pelo menos poderia ter arranjado uma
noiva que presta ou, ter sido feliz ao lado do Frank. Mas você tá sempre atrás
de mim ou do irmão pra se certificar que nós estamos fazendo a sua vontade,
porque se alguém desobedece a toda poderosa, sai de baixo, o Frank que o diga.

Fedra – Anthony Augustus
Whitfield.

Sem dar ouvidos a Fedra,
Anthony joga Alexandra no chão, entra no carro e arranca a toda velocidade.

Fedra – Albert, diga que estou
num pesadelo e que isso não aconteceu?

Albert – Porque que eu vou
dizer que é não se é sim?

CENA 39. SALAS DE RALPH.
NOITE

Mesmos da cena 34 mais Whitney.
Na sala de estar, bela e moderna decoração de festa de aniversario adulta.
Cerca de trinta figurantes sendo acomodados por Mark. Interessa-nos Nadine,
Peter, Cristal, Andy e Liam.

Peter – E aquele xicaninho que
não chega, daqui a pouco eu vou mandar os vingadores atrás dele.

Nadine – Não é pra tanto Peter,
para de fazer tempestade em copo d´água, desse jeito, o Mark vai perceber que
você tá preocupado e aí tu vai ter que rebolar pra achar uma boa desculpa pra
ele.

Andy – Ele vem vindo aí.

Mark – (ao telefone) Não, eu já
voltei pra Nova York, acabei de chegar, to indo deixar a mamãe em casa, dentro
de uma hora eu to no ap. (pausa) Tá bom, thau. (desliga) Era o Ralph, o
despistei, tá vindo pra cá pegar uns papéis de uma transferência
econômica.

Liam – Senhor Crowford, o
senhor devia ter convidado os seus amigos lá da receita fedreal.

Peter – Ai, se eu soubesse que
o Ralph viria atrás de suas maracutaias.

Mark – É o carro dele, vamos
nos posicionar.

Mark apaga as luzes. CORTA PARA
FACHADA DA CASA, carro de Ralph vem chegando, para na porta.

Ralph – A barra tá limpa,
gostosa, a gazelinha foi levar a mãe e o resto da cambada pro zoológico, a casa
é nossa.

Catalina e Ralph saltam do
carro aos beijos e assim entram na casa.

CENA 40. SALAS DE RALPH.
NOITE

Cenário escuro, através do
áudio percebemos que Ralph e Catalina entraram na mansão aos beijos derrubando
os móveis que encontram pela frente. Eles já chegaram a sala de estar, ouve-se
a risada de Ralph, acendem-se as luzes.

Todos – Surpresa.

Sem interromper a fala, Ralph e
Catalina, seminus, no chão, fazendo menção de iniciar o ato sexual. Reação de
surpresa de Mark, paralisado, sem acreditar na cena em que está presenciando.

Nadine – O Ralph, nós estamos
esperando uma explicação.

Ralph – (levantando-se) Eu
posso explicar Mark, é que... /

Mark dá um forte soco no rosto
de Ralph, tão forte que o faz cair desacordado no chão. Desesperado, chorando,
sem chão e sem rumo, Mark pega do bolso da calça de Ralph as chaves do carro e
sai, sem interromper o diálogo abaixo.

Peter – (eufórico) Isso, meu
filho, não deixa ele te dar a volta não, mostra pra esse xicaninho safado o
homem que há dentro de você.

Nadine – Peter, você é o pai
dele, e não o amigo do colégio. Aja como tal e vá atrás dele.

Andy – Não vai dar tempo, não,
o Mark já queimou afasto.

Euforia, confusão, todos
falando ao mesmo tempo.

CENA 41. FACHADA DA CASA DE
FEDRA. NOITE

Cerca de cem figurantes se
aglomerando na porta da casa de Fedra, sendo contidos por Albert. Fedra vai
aparecer.

Albert – Cala a boca, cambada,
nem parece que foram convidados pra uma festa de luxo.

Figurante 1 – Nós viemos de
longe para essa festa, estamos com fome e não perder a viagem.

Albert – Ah, tá me achando com
cara de Tia Nastácia?

Figurante – Não viemos só pela
comida, mas também para dar forças a nossa querida Fedra, afinal, um escândalo
desses derruba o botóx que qualquer um.

Fedra – Obrigada, companheiros
e amigos pela colaboração de todos. Sei que muitos de vocês estão batendo palma
por dentro com o fato de a cerimônia ter dado errado e agora, só o que querem é
tripudiar sobre a minha dor. Mas acima de tudo isso, há uma mãe preocupada com
o bem estar de seu filho que saiu por aí sem rumo, e que pode estar à margem de
qualquer um, correndo o risco de nunca mais voltar pra casa. Peço
encarecidamente a colaboração de vocês para encontrá-lo.

Albert – De barriga vazia esse
povo não se mexe.

Richard – Sirva-os, dê a eles
toda a comida que puder. Paguei uma fortuna nessa festa e não quero desperdício.
Se sobrar alguma coisa, venda e me reverta todo o lucro.

CENA 42. CARRO DE MARK.
NOITE

Mark, triste, chorando, trêmulo
e desesperado, no carro. Alguns segundos depois, liga o rádio.

Locutor – E vamos agora com as
notícias das celebridades. A bomba do dia não para de explodir, Mark Crowford,
o queridinho da imprensa rosa, está sendo acusado de aplicar um desfalque
milionário nos cofres da revista em que trabalha tudo isso com a ajuda do seu
marido, o mexicano Ralph Santoro. Crowford anda levando algumas atitudes
suspeitas, tais qual a compra de uma casa avaliada em dez milhões, com onze
quartos, piscina, quadra de tênis e o diabo a quatro... /

À medida que o locutor vai
falando, Mark fica ainda mais surpreso e desesperado. Quando o locutor diz
“quadra de tênis e o diabo a quatro”, Mark desliga o rádio.

CENA 43. DESCAMPADO. NOITE

Cerca de cinqüenta figurantes,
mais Richard, Harold e Jr., com lanternas, estão espalhados nas ruas de
Stanford,chamando o nome de Anthony.Interessa-nos Fedra, Alexandra,
Laura e Albert, logo atrás.

Fedra – Aparece, meu filho, a
mamãe preparou aquela sopinha que você gosta.

Alexandra – Ele saiu de carro,
numa hora dessas, deve estar longe, quem sabe em outro estado ou até em outro
país.

Laura – Não devemos nos
preocupar, o Anthony já é bem grandinho para saber se cuidar.

Fedra – O mundo lá fora é muito
cruel, podem nesse exato momento estar fazendo mal ao meu tesouro.

Albert – Do jeito que ele falou
do Frank, não me admiraria se ele estivesse agora nos braços de um bofe
escândalo descarregando as mágoas.

Fedra – Não repita tal coisa
nem de brincadeira, esse seria o pior dos castigos para os meus pecados.

CENA 44. BAR NOVAIORQUINO.
NOITE

CAM focaliza TV, mesma imagem
usada na cena 27. Corta para Mark, enigmático, no sentado no balcão, tomando
uma garrafa de cerveja.

Mark – Desliga isso ou eu enfio
essa garrafa na sua guela.

Atendente de bar desliga o
aparelho televisor, enquanto Anthony, como um furacão, entra, vai até o balcão
e tira do bolso um bolo de dinheiro.

Anthony – Duas garrafas de
vinho, já.

Mark – Ual, o chifre foi
grande.

Anthony – A dor da minha bifa
também.

Mark – Agora o meu cunhado não
vai te defender, e com a raiva que eu to, seu eu te pego, nem o doutor Rey pra
te salvar.

Anthony – Cala a boca, você não
sabe o quanto dói a dor de um chifre.

Mark – Calma, cara, estamos no
mesmo barco. Preparei uma festa de aniversario pra ele e o safado chega lá aos
beijos com uma vadia.

Anthony – A minha noiva deu o
rabo pro meu irmão no dia do nosso casamento.

Mark – Que idiota, eu não trairia
um Deus grego desses nem com o Willian Levy.

Anthony – Mais uma coisa que
nós temos em comum: a beleza.

Mark – Me acha tão bonito
assim?

Anthony – Com um traseiro
desses, entraria fácil, fácil na lista dos mais sexys da People.

Mark – Nós dois aqui, depois de
ter a maior decepção das nossas vidas, tomando um porre, na maior fossa, noite
começando... Se eu fosse mulher, sei muito bem onde essa conversa terminaria.

Anthony — (sarcástico) Pra se
casar com uma mulher, um homem não precisa gostar dela, nem de todas as outras.

Anthony avança sobre Mark e lhe
dá um ardente beijo, apalpando-lhe todo o corpo. CAM subjetiva, de longe, tira
um foto.

CENA 45. ELEVADDOR DE HOTEL.
NOITE

Mark – Até agora eu não to
entendendo porque eu vim com você no hotel onde você e a sua noiva iriam passar
a lua de mel.

Anthony – A culpa é do seu
traseiro, ele tá me deixando louco.

Anthony avança sobre Mark e lhe
dá um beijo voraz, arrancando-lhe a camiseta.

Mark – Que isso, tá ficando
louco?

Anthony – Quinze anos de
repressão sexual.

CENA 46. SUÍTE DE HOTEL DE
LUXO. NOITE

Vários takes de Mark e Anthony
aos beijos, vorazmente, um tira a roupa do outro e vão à disparada na direção
da cama, e seminus, dão inicio ao ato amoroso, sexo selvagem, voraz,
respirações ofegantes, closes fechados, vão abrindo conforme o ato se
intensifica, Anthony chega ao orgasmo, ambos caem pro lado, realizados, rindo,
achando graça da situação.

CENA 47. SALAS DE RALPH. DIA

Mesmos da cena 40.
Interessa-nos Andy, que está vendo qualquer coisa no celular. Enquanto vemos
Nadine, Peter Liam e Cristal, que vem de pontos diferentes, fazendo sala e
distraindo os convidados.

Peter – Oito horas depois e o
xicaninho tá dormindo com o peso da mão do meu filho.

Nadine – Oito horas depois e o
nosso filho não deu notícias.

Cristal – Ai, que será que deve
ter acontecido?

Liam – Aconteceu nada, notícia
ruim corre e até agora, nada.

Andy – Ih, ferrou!

Peter – Arrumou emprego?

Andy – Eu não, mas os meus
amigos paparazzi arrumaram.

Close no celular de Andy, foto
tirada pelo paparazzi da cena 46.

Nadine – Com um Whitfield!

Cristal – Mas esse cara numa
hora dessas deve estar a caminho da lua de mel.

Liam – O casamento subiu no
telhado, pegou no maior amasso com o irmão na dispensa da casa dela.

Andy – O pior de tudo é que
esse mesmo cara que tirou a foto seguiu os dois e viu quando eles entraram num
hotel de luxo e tão lá até agora.

Peter – Eu não posso acreditar
o meu filho, depois de ter se casado com um mexicano contrabandista de bebidas
vai curar o chifre justamente com um Whitfield.

Ralph – (atordoado) Cadê o
Mark?

Peter – E a culpa de tudo isso
é do desgraçado do Ralph, isso eu não vou te perdoar, eu tenho relevado as suas
travessuras já faz dez anos, mas não posso suportar um filho meu se juntando a
um Whitfield na cama. E tudo por sua culpa.
Ahora sí te lo mato, ¡perro desgraciado!

Peter agarra o pescoço de Ralph
e começa a enforcá-lo, todos tentam separa-los, falando ao mesmo tempo,
confusão.

CENA 48. SUÍTE DE HOTEL DE
LUXO. DIA

Mark está dormindo quando
Anthony, carinhoso, o acorda com carícias no rosto, Mark, ao acordar, lhe dá um
sorriso. Ambos tomam café da manhã em ritmo médio.

Anthony – Tá na hora de acordar.

Mark – Você já pagou a reserva?

Anthony – Não, a gente vai
ficar o tempo que você quiser.

Mark – Nossa assim eu me
apaixono.

Anthony – Então vamos ser dois.

Mark – (mudando de assunto) Ai
que fome, o que tem pra comer?

Anthony — (pegando a bandeja e
pondo-a encima da cama) Tudo o que você quiser.

Mark – Nossa você parece um
daqueles príncipes saídos dos contos de fadas.

Anthony – Hum, tá uma delícia
esse morango, já provou com leite condensado? Fica melhor assim, ó.

Anthony mergulha o morango no
leite condensado e o coloca na boca de Mark, muito ritmo.

Mark – Hum, bom mesmo. Como
essa Alexandra é idiota, perder um homem desses: bonito, educado e ainda por
cima, carinhoso.

Anthony – Deus escreve certo
por linhas tortas. Aquilo tava mais pra negócio do que pra casamento. Imagina
só, o noivo se casando com a noiva e não gostando dela.

Mark – Então porque iria se
casar com ela?

Anthony – Nem eu sei, talvez
pra esconder de mim mesmo a minha sexualidade. Eu cresci ouvindo as pessoas
dizerem que isso é pecado, que eu pagaria muito caro, só na hora que eu vi o
meu irmão encima da minha noiva eu me dei conta de que isso não passa de
hipocrisia. (pausa) Se eu tivesse feito o mesmo que você, hoje eu seria feliz
ao lado do homem que eu realmente amo.

Mark – E o que foi que eu fiz?

Anthony – Desafiou a todos, só
pensou no seu amor, na sua felicidade, eu sei que você até ficou sem falar com
o seu pai por causa disso.

Mark – E não valeu a pena, no
fundo eu só me casei com o Ralph num ato de rebeldia, pra desafiar o meu pai,
com o tempo eu fui me apaixonando por ele, sem saber que ele gostava mesmo é do
meu dinheiro. Afinal, ter uma herança avaliada em dez bilhões de dólares deixa
qualquer atraente.

Anthony – Esse Ralph é mesmo um
babaca. Com um homem e tanto parado na dele, vai pensar em dinheiro. Ah, se eu
pudesse ter o Frank aqui comigo, eu seria capaz de dar mais valor a ele do que
a mim.

Mark – Quem é esse famoso
Frank? Pelo visto, ele manda e desmanda no seu coração.

Anthony – Isso não importa
agora. Só o que importa somos nós dois, aqui, nesse momento perfeito, eu não
tenho o poder de parar o tempo, mas eu posso eternizá-lo na nossa memória.

Carinhosamente, Anthony dá um
beijo em Mark.

CENA 49. SALAS DE FEDRA/SALAS
DE RALPH. DIA

Mesmos da cena 43, cerca de
quinze figurantes espalhados pela sala de estar. Interessa-nos Fedra, Richard e
Albert numa conversa já iniciada.

Richard – Com um Crowford? Isso
é pior que castigo de vilã em final de novela.

Fedra – A que ponto chegamos?
Meus filhos são dois perdidos.

Albert – Também, com dois pais
desses, até a Madre Teresa sairia do caminho.

Corta para SALAS DE RALPH, onde
os mesmos da cena 47 estão numa conversa já iniciada. Atenção:Quando
Richard disser “Isso só pode ser coisa daquele pavão...”, alternar os diálogos
dos dois cenários.

Peter – Temos que dar um banho
no Mark quando ele chegar, eu não quero o meu filho impregnado com a nhaca dos
Whitfield.

Nadine – Não é hora de pensar
nisso agora, temos que encontrar o Mark antes da polícia. Mas, eu to me
perguntando, o que levou o Mark ir atrás justamente do Whitfield?

Richard – Isso só pode ser
coisa daquele pavão do Crowford pra me derrubar.

Peter – O que os meus eleitores
vão pensar quando souberem que o meu filho, além de se envolver com
contrabandistas, tá desvirtuando filhos de famílias modelo? Foi isso que o
Whitfield pensou quando mandou aquele filho dele atrás do meu Mark. Mais isso
não vai ficar assim.

Richard – Eu vou me vingar, o
Crowford foi longe demais mexendo com a minha família, ele me deixou muito
nervoso. Eu vou pegar o Crowford.

Peter – E vai ser agora.
Preparem-se para um espetáculo de sangue.

Empurrando os demais
figurantes, Peter vai indo em direção à porta.

Nadine – Qual loucura você vai
cometer dessa vez, Peter?

Peter – Eu vou fazer um favor
pro meio ambiente, erradicando, da face da Terra, aquele lixo que leva o nome
de Richard Whitfield!

Nadine, Cristal, Andy e Liam
vão atrás de Peter, os demais figurantes fazem o mesmo. Ritmo.

CENA 50. BEIRA DE RIO. DIA

Mark e Anthony numa conversa já
iniciada, ao fundo, belíssimo cenário rural. Muito ritmo.

Anthony – Ah, a minha vida
nunca foi esse mar de rosas que a imprensa pinta, não, eu cresci em meio as
brigas dos meus pais e as loucuras da Cristal, aquela minha irmã que tem dois
maridos.

Anthony – Eu te invejo, você
tem uma família normal perto da minha: uma avó desbocada, uma mãe que vivia a
minha vida por mim e um pai obcecado por dinheiro. Tá bom ou quer mais?

Mark – Mais e o Frank, conta
mais sobre ele.

Anthony – É um namoradinho que
eu tive na juventude.

Mark – E porque você não foi
atrás dele? Se eu fosse você e tivesse vivendo uma situação dessas.

Anthony – Eu bem que poderia
ir, mas, ele tá morto.

Mark – Hum, falei demais, eu
podia ter desconfiado você não queria falar nele, eu perguntava e você ficava
reticente.

Anthony – Tudo o que sai da sua
boca, pelo menos pra mim soa como um poema ou uma doce canção.

Mark – Ah é, se as palavras são
doces, imagine só o mel que eu uso para adocicá-las?

Anthony – Eu posso provar?

Mark – (levantando-se) Só se
você me pegar.

Mark sai correndo e Anthony vai
atrás dele. Ambos correm pelo descampado, aproveitando o espaço. Ritmo médio.
Anthony alcança Mark e o derruba no chão, deitando-se ao lado dele. Ambos
trocam um longo olhar de ternura, e num gesto mútuo, se beijam. Música:
Perfect. CAM subjetiva, de longe, tira um foto.

CENA 51. VÁRIOS CENÁRIOS.
DIA

Atenção: não há corte entre o
final da cena anterior e o começo desta. A foto tirada no final da cena circula
por vários cenários: na tela de um computador, no televisor de um bar, em um
tablet de uma cliente de salão de beleza, no telão de uma sala de reuniões de
uma revista especializada em celebridades qualquer e num outdoor de uma avenida
movimentada. Corta para RUA DE STANFORD, cerca de quatro carros de reportagens
e três motos tomando conta das nossas ruas cenográficas, repórteres e
contra-regras se preparando para uma cobertura. Muito ritmo. Música: Tango.

CENA 52. CARRO DE
ANTHONY/RUA DE STANFORD.

Carro de Anthony trafega por rua
de pouco movimento, com o desenrolar da cena, o carro entra na rua principal de
Stanford. Abrir em CAM focalizando no tablet de Mark uma matéria que fala sobre
o envolvimento de Mark e Anthony.

Mark – Como será que os nossos
pais vão reagir aos fatos ocorridos?

Anthony – Eu sei que a minha
mãe vai surtar. O filhinho amado dela com outro homem e ainda por cima, com um
Crowford. O grito dela vai poder ser ouvido de Marte. Mas por que você tá me
perguntando isso?

Mark – É que o mundo inteiro já
sabe do que aconteceu?

Anthony – Como?

Mark – É, com as novas
tecnologias, redes sociais, as notícias voam, e o nosso envolvimento já tá
entre os assuntos mais comentados da internet.

Anthony – É, vem chumbo grosso
por aí.



Mark – Eu só queria saber por que é que a cidade tá cheia de carros de
reportagens.

Sem interromper o diálogo
acima, Mark e Anthony descem do carro, paparazzis apostos vão para cima dos
dois e os alvejam de flashs.

Anthony – Já ouviu falar em
sensacionalismo?

CENA 53. SALAS DE FEDRA. DIA

Mesmos da cena 43 espalhados
pelo cenário que contem cerca de quarenta figurantes. Interessa-nos Richard,
Alexandra, Albert aplicando uma dose de botóx no rosto de Fedra. Quando Fedra
disser “Ande logo com isso, Albert...”, Peter, Nadine, Ralph, Cristal, Andy e
Liam vão entrar.

Richard – Quando aquele moleque
aparecer por aqui, eu vou arrancar o coro dele.

Alexandra – Deixa um pouquinho
pra mim, querido sogro, afinal, eu tenho todo o direito de querer arrancar com
o dente o coro dele após ter sido trocada por outro homem.

Albert – E ainda tem o topete
de dizer que foi trocada por outro homem! Tá esquecendo que foi ele quem te
flagrou sendo enrabada pelo próprio cunhado?

Fedra – Ande logo com isso,
Albert, ou as pessoas vão acabar percebendo as minhas rugas de preocupação.

Peter – Eu vou entrar sim,
quero ver quem é que vai me impedir de arrebentar e matar esse porco do
Whitfield.

Richard – Albert, eu já não te
dei ordens de não deixar o lixo exposto pela casa?

Fedra – E ainda por cima trás a
tira colo o circo dos horrores, liderados por esse espantalho que se veste de
hippie.

Nadine – Aí Fedra, é bom ir
ficando na tua, senão eu vou deixar a sua cara pior que a do Chuck.

Cristal – Brigar agora não vai
adiantar de nada. Vamos tentar resolver essa situação como pessoas civilizadas.

Alexandra – Falou a que toda
noite é servida pra dois urubusões.

Cristal – Eu vou arrancar o
silicone dessa vadiazinha de luxo.

Cristal avança sobre Alexandra
e as duas puxam o cabelo uma da outra. Todos falam ao mesmo tempo, confusão.

Richard – (gritando) Parem, já
chega! (t) Mais que baderna é essa? Vocês estão pensando que estão onde? No
comitê eleitoral do Peter?

Peter – Pelo menos no meu
comitê não tem ladrões, já o seu tem mais bandidos que a penitenciaria de OZ.

Richard – Tá falando o que? Olhe
ao seu redor e verá que dentro de sua família, há um bandido da pior espécie: o
seu genro. E depois, não é o meu filho que está sendo procurado pela polícia.

Peter – Até hoje, nenhum dos
meus filhos enrabou a cunhada e depois fugiu do país levando todo o meu
dinheiro.

Andy – Parem de ficar
discutindo como duas teens liders, (para Peter) Diga logo a ele a que veio.

Richard – É mesmo, rapaz, (para
Peter) Vai, desembucha, veio fazer o que na minha casa?

Peter – Fazer justiça ao meu
filho. Você está usando ele para me atacar, mas, fazendo isso, você estava
assinando a sua sentença de morte.

Richard – Ah, Crowford, o rabo
do seu filho é mais rodado que nota de um dólar, é mais fácil dizer que o seu
filho tirou o meu filho do caminho, aquele seu moleque é um devasso, um sem
vergonha. Eu é que devo fazer justiça ao meu filho, que foi levado para o mau
caminho pelo seu.

Peter – Vai fazer o que comigo?
Vai me bater?

Richard – Eu não estou
acostumado a enfiar a mão na privada, mas pelos meus filhos, eu sou capaz de
tudo.

Peter – Ah, Whitfield, eu não
vejo a hora de te arrebentar.

Liam – Prontos? Vale tudo,
joelhada, golpe na cabeça, na genitália e xingar a mãe. Comecem!

Close em Peter e Richard,
tensão.

CENA 54. FACHADA DA CASA DE
FEDRA. DIA

(desfecho da cena 52)

Continuação imediata. Mark e
Anthony, cobertos por flashs, vão entrar na casa de Fedra, confusão,
empurra-empurra, três paparazzis os tietam.

Repórter 1 – É verdade que você
abandonou a sua noiva no altar por causa do Mark?

Anthony – (sarcástico) Por um
traseiro desses, eu deixaria até a JLO plantada no altar.

Repórter 2 – Como fica o seu
casamento com o Ralph Santoro? Você o trocaria pelo Anthony?

Mark – Se o seu homem te
metesse um par de chifres com uma vagaba de nome Catalina, o que você faria?

Repórter 3 – E quanto ao
desfalque? Alguma coisa a declarar?

Anthony – Ele vai se casar com
o homem mais rico dessa cidade, ele não precisa roubar.

Mark e Anthony já entraram na
casa de Fedra, ficamos um tempo na reação de surpresa dos paparazzi.

CENA 55. SALAS DE FEDRA. DIA

Continuação imediata. Tensão.
Peter e Richard trocam um olhar de ódio, “como dois gatos que estão brigando
por território”. Corta para Ralph, Cristal, Andy, Liam e Nadine.

Cristal – Mãe faça alguma
coisa.

Nadine – E eu lá tenho cara de
enfermeira pra ficar cuidando de velho?

Ralph – E o meu Mark perdido
por aí com aquele almofadinha.

Andy – Ou, sentado na almofada
dele.

Liam – Ou, cavalgando no membro
dele.

Fedra – Calem-se, par de
sem-vergonhas, isso daí só pode ser montagem, o meu filho éhomem, com H
maiúsculo, e além do mais ele tem pedigree, não se envolveria com esse tipo de
gente.

Nadine – Ah, convenhamos, são
dois vira-latas, a linhagem não nega. O Mark não é nenhum santo, mas o Anthony
também não presta.

Albert – O professor de
educação física que o diga!

Andy – Calem-se, eu quero
assistir ao UFC Stanford, essa é a minha categoria favorita: Peso Frauda
Geriátrica!

Corta para Peter e Richard, na
mesma posição do final da cena 53. Atenção: quando Fedra e Nadine (juntas),
disserem: “Meu filho”, Mark e Anthony aparecem na porta.

Peter – Cachorro, perigoso,
safado, eu vou acabar com você!

Richard – Você deve estar
enganado, meu caro, aqui o único que vai apanhar é você!

Fedra/Nadine (juntas) Meu
filho!

Corta para Mark e Anthony, na
porta, todas as atenções se voltam para eles. Fedra e Nadine correm até eles,
Peter e Richard ficam paralisados. Durante o diálogo, eles vão até Richard e
Anthony.

Fedra – Tá tudo bem com você,
meu filho, esse ser te fez alguma coisa?

Anthony – Se a senhora soubesse
o que ele me fez!

Nadine – Onde vocês estavam
Mark?

Mark – Fomos fazer o que as
pessoas fazem quando vão pro meio do mato durante a noite!

Ralph – Se isso for verdade, eu
vou por as minhas mãos encima do pescoço desse playboyzinho e vou sentar no
mesmo banco que sentou Jack!

Alexandra – Você tá querendo
dizer que sentou nomeu trono?

Anthony – Amor, não estraga a surpresa,
deixa que eu mesmo conto?

Fedra/Richard/Peter/Nadine/Ralph/Alexandra
(juntos) O que?

Anthony – Mãe, pai, eu quero
que vocês conheçam o meu namorado, o Mark.

Fedra dá um grito histérico e
desmaia, em seguida, Peter começa a passar mal, fica ofegante e desmaia.

Mark – (perdido, sem entender o
que passa) O que?

Albert – Eu não vou limpar
isso!

Confusão, alvoroço, todos
falando ao mesmo tempo. Corta para Tiffany, Joseph, Delegado e dois policiais figurantes,
na porta. Enquanto falam, vão até Richard, Fedra, Nadine e Anthony.

Tiffany – É ele!

Joseph – Prenda-o, senhor
delegado, quero esse vigarista cor de rosa atrás das grades.

Delegado – Markus Augustus
Crowford, o senhor está preso por falsificação de documentos, desvio e lavagem
de dinheiro.

Na expressão de surpresa de
Mark, corta.

FIM
DO CAPÍTULO 001

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.