Our Demise
12 Capítulo 10
Notas iniciais
Eles eram demasiados.
A respiração de Silver estava descompassada, mas voltaria ao normal em breve. As suas roupas estavam ensanguentadas, embora nenhum desse sangue fosse dela.
Quantos mataram?
Uma pergunta melhor seria: quantos haviam lá fora?
O grupo estivera, aos poucos, a ficar rodeado de pessoas que estavam mais mortas que vivas e que procuravam fincar os dentes em alguma carne. Movimentar-se era difícil, mas quando conseguiram libertar algum espaço matando alguns zombies, foi o suficiente para se afastar mais da horda.
Não conseguiram regressar para dentro do hospital, pelo que tiveram que correr numa direcção aleatória para os despistar.
Quase tudo o que lhes aparecesse à frente era morto por eles, mas o barulho das armas de Edward e James não estava a ajudar em nada, pois só atraía mais zombies para aquela rua.
Entretanto, dentro da loja, os soluços de Sarah estavam a ficar cada vez mais altos e a sua irmã mais nova não estava num melhor estado.
Julian foi morto.
Embora eles tivessem conseguido abrir caminho por entre os zombies, bastou que um dos mortos se agarrasse ao rapaz moreno para que, numa questão de segundos, este fosse arrastado para junto daqueles corpos apodrecidos e comido vivo.
Ele havia gritado e esperneado e Sarah tentara correr para o salvar, mas James segurara a rapariga antes que ela fosse comida também.
O grupo correu, mesmo que não soubessem para onde ir. Acabaram por se barricar num edifício de dois andares que se revelou uma loja de brinquedos.
As paredes eram cor-de-laranja e havia vários desenhos pregados a um enorme quadro de cortiça, com recortes de fotografias aqui e ali. Foram tiradas dentro daquela loja, notou Silver, quando reparou que todas as fotos tinham sido tiradas junto à estátua de um urso que se encontrava ao pé da porta de entrada.
Ela olhou para as caras, perguntando-se – mesmo sem querer realmente saber a resposta — onde estariam as pessoas que se mostravam tão felizes naquelas fotos.
Entretanto, pôs-se a vaguear por entre as prateleiras com Samantha, descobrindo que não havia quase nada em falta; o que não era surpresa nenhuma.
Afinal, no meio de uma crise como esta, ninguém iria achar que um brinquedo seria útil.
Isso levou-a a lembrar-se de que nem ela nem nenhum dos seus colegas de classe haviam tido tempo de contactar quem quer fosse – familiares, amigos, ninguém – já que os telemóveis não lhes eram de qualquer uso sem a rede. Por tudo o quanto sabiam, toda a gente da sua turma podia já não ter qualquer família.
– Tu devias ter-me deixado ir! – uma voz feminina gritou, arrancando-a dos seus pensamentos. Virou-se, olhando para Sarah e reparando que Samantha e Amber tinham-se juntado ao pé do outro grupo.
A ruiva tinha a cara quase tão vermelha como o seu cabelo e o banco onde estava sentada. O seu corpo estava a tremer.
Amy encontrava-se sentada ao lado dela, num banco redondo e azul, calada. A loira tinha levado menos tempo para se acalmar, mas ainda soluçava de vez em quando.
– Não podias fazer nada para o ajudar, Sarah! – exclamou James. Ele aproximou-se mais dela, acocorando-se para ficar ao seu nível. – Eles foram rápidos demais. Nenhum de nós podia ter feito alguma coisa.
– E-Ele não merecia m-morrer assim! – a mulher gaguejou, soluçou e tapou a cara com as mãos.
Edward interveio, pousando uma mão sobre o ombro dela e apertando levemente:
– Ninguém merece morrer daquela maneira. Mas o James tem razão.
A mulher de cabelos ruivos voltou a soltar um choramingo e lágrimas começaram a escorrer-lhe pela cara pálida de novo.
Por detrás dela, Tisha arquejou com dor e escorregou pela parede até ficar sentada no chão.
Teddy estava a andar para um lado e para o outro no outro lado da loja, respirando fundo e murmurando coisas para si próprio. A rapariga de óculos achou que deveria ir tem com ele, já que não lhe parecia correcto intervir com os assuntos do outro grupo.
– Tu estás bem? – questionou. O moreno parou de andar e olhou para ela.
– Silver – falou baixinho – o que é que nós fazemos agora?
Ela franziu as sobrancelhas:
– Como assim?
– Nós… — o rapaz respirou fundo e voltou a olhá-la nos olhos – Nós estamos encurralados. Chegámos a esta loja com sorte e mesmo assim alguém morreu. Como é que… — ele fez uma outra pausa. – Como é que vamos voltar para junto dos outros?
Verdade seja dita, ela não poderia responder àquela pergunta. O hospital não era muito longe da “Gun Rack” mas graças aos malditos zombies, eles encontravam-se ainda mais afastados do que deviam. Ela nem tinha a certeza de que se lembrava do trajecto que haviam seguido até aqui.
– No hospital, nós esperamos, certo? – ela perguntou, retoricamente. – Só temos de fazer o mesmo aqui.
– E quanto tempo é que vai demorar? – Teddy ergueu a voz. – Já perdemos tempo suficiente dentro daquele sítio e daqui a umas horas vai anoitecer! Se não formos embora antes, temos de esperar até amanhã—
– Então esperamos – ela disse de um modo franco.
– E se os outros se forem embora, Silver? – perguntou o moreno receosamente. – Podem pensar que fomos mortos e sair da cidade.
Silver empurrou os óculos mais para cima, suspirando antes de responder:
– Eu não te posso dizer o que vai acontecer. Não sou vidente, sabes? Mas em ambos os casos, o que nos acontecerá é simples. Se, quando voltarmos, eles tiverem decidido esperar por nós, óptimo. Arranjamos maneira de sair da cidade, juntos – os seus ombros encolheram-se ligeiramente. – Se eles tiverem partido, óptimo. Nós havemos de nos desvencilhar sozinhos.
Ela despenteou-lhe o cabelo.
– Okay… — ele acenou com a cabeça com incerteza e olhou para o outro lado do edifício. – Devíamos dizer-lhes, não? Que vamos ficar.
A rapariga seguiu-o e os dois falaram com o seu grupo, explicando-lhes que até que as ruas se encontrassem mais vazias eles ficariam ali.
– Sarah – Silver chamou a mulher – eu não quero ser desrespeitosa, mas seria melhor para todos nós se mantivéssemos o barulho a um mínimo.
– Estás a falar a serio?! – a irmã de Sarah levantou-se e a sua voz também subiu no volume. – O namorado dela acabou de—
– Amy – interrompeu. – Eu lamento que isto tenha acontecido à tua irmã, mas se ela continuar a chorar desta maneira, ela vai atrair mais zombies para cima de nós.
– T-Tudo bem. É verdade, Amy… Eu tenho d-de me acalmar – a ruiva acenou com a cabeça.
A loira sentou-se de volta no banco para crianças, cruzando os braços indignadamente e Amber – que até ali estivera quieta — lançou-lhe um olhar estranho.
Por uns momentos, nada se ouvia para além do constante gemer dos mortos-vivos que vagueavam lá fora. Havia cortinas amareladas e espessas sobre a montra de vidro e a porta, mas as silhuetas dos zombies eram visíveis e haviam três junto à janela, embora não parecessem ter intenções de a partir.
Talvez nenhum deles tenha notado os humanos que entraram dentro da loja.
Depois de verificar se Tisha não estava com dores, Silver começou de novo a vaguear pela loja, desta vez com um certo rapaz moreno a seu lado, passando por debaixo de um arco de pedra com balões meio vazios pendurados.
A outra sala encontrava-se vazia de zombies mas repleta de bonecas de porcelana, com os seus vestidos elegantes, sorrisinhos e olhares vazios.
– Okay, não.
Silver virou as costas aos brinquedos e pôs-se a andar para fora da sala, quando Teddy lhe segurou a camisola.
– A sério? – embora nervoso, ele sorriu. A rapariga sempre tivera um certo medo destas pálidas bonecas. – Sabes, elas não são piores que zombies.
Ela encolheu os ombros, retorquindo:
– Continuo a não querer estar numa sala cheio delas.
– Tudo bem – ele suspirou e largou-a, cruzando os braços sob o peito. – Eu vou ver se há algo de útil por aqui.
A rapariga assentiu com a cabeça e quase esbarrou contra James quando se virou para sair. Ele havia-se aproximado para lhe falar, mas sentia-se incerto quanto ao que havia de dizer, por isso começou a segui-la pela loja enquanto a rapariga, uma vez mais, deambulava.
– Queres dizer-me alguma coisa? – Silver olhou-o brevemente e parou de andar quando ele fez o mesmo.
– Tu pareces, uhm, nervosa – explicou o rapaz, esfregando a nuca e tentando evitar o olhar pouco amigável que ela tinha.
Ela reparou então que desde que haviam entrado na loja não se sentara um pouco ou parara de andar entre aquelas quatro paredes, mas no entanto não se sentia nervosa.
– Impaciente – concluiu. – Estou cansada de esperar, mesmo não me parecendo que tenhamos grande escolha para além de ficar aqui.
James abanou a cabeça e cruzou os braços:
– O que é que o teu grupo estava a fazer no hospital?
– Poderia perguntar-te o mesmo – ela disse. – Mas a resposta é mais que óbvia, não? O que é que achas que estaríamos a fazer num hospital? – quando o rapaz de cabelos pintados não respondeu, ela revirou os olhos. – Medicamentos. Nunca se sabe quando vamos precisar deles.
– Ah, pois.
Ela arqueou uma sobrancelha, reparando na dúvida na voz dele:
– Vocês não estavam à procura de medicamentos, pois não?
– Estávamos! – exclamou James, talvez demasiado alto, porque no fundo da loja as cabeças dos seus companheiros viraram-se na sua direcção.
A rapariga de óculos acreditava que eles tinham outros motivos, mas decidiu não perguntar quais eram.
– E como é que chegaram a Bridgeport? – questionou o rapaz, encostando-se contra uma prateleira de brinquedos e sentando-se no chão.
– Em que é que estas perguntas te vão ser úteis? – quis saber ela.
O adolescente encolheu os ombros e reclinou a cabeça para trás, onde ficou por cima de um urso de peluche:
– Estou a passar o tempo, okay?
– Andámos – foi tudo o que a rapariga lhe disse, ajeitando os óculos que lhe haviam começado a escorregar de novo, sabendo que a resposta havia sido vaga.
– Nós viemos com um carro, mas ficámos sem gasolina – confessou o rapaz de cabelo rosa, embora ela nada lhe tivesse perguntado. – Queríamos atravessar a ponte com ele, mas parece que vamos ter de andar.
– O que há do outro lado da ponte? – Samantha interveio na conversa, virando a esquina entre duas prateleiras e aproximando-se da sua amiga.
– Honestamente? – ele respirou fundo – A única coisa que eu consigo ver são árvores. E mais árvores.
– Vocês estão a planear sobreviver na floresta? – Silver inquiriu, sabendo que esse devia ser um dos sítios onde achar abrigo ia ser mais difícil.
James fez que não com a cabeça e prosseguiu:
– O Edward ele… encontrou um mapa. Havia postos militares assinalados do outro lado e nós estávamos à espera que nos pudessem ajudar.
– E se eles já estiverem mortos? – Sam perguntou.
– P-Pois… — o rapaz gaguejou. – Eu não sei.
Silver mexeu a cabeça ligeiramente para o lado, questionando-se como seria possível existir uma base já montada para sobreviventes sendo que tudo isto começara há algumas semanas apenas.
As duas raparigas entreolharam-se em silêncio e ninguém falou durante uns sólidos minutos, até que James abriu a boca de novo:
– Nós podíamos juntar-nos a vocês e irmos todos para lá.
Samantha abriu a boca para lhe responder, mas a rapariga a seu lado interrompeu-a antes que uma palavra saísse:
– Nós já temos um grupo para onde voltar.
– Um grupo? Maior que este? – questionou, incerto, talvez repensando a oferta na sua cabeça. Silver assentiu com a cabeça. – Eu suponho que atravessar a cidade e a ponte com um grande número de pessoas não vai ser fácil. Mas podíamos tentar.
Silver não sabia o que havia de responder. Este grupo já os ajudara uma vez e estavam, agora, a oferecer-lhes um porto seguro para onde ir. Deviam haver segundas intenções algures no meio de toda esta ajuda, mas ela não sabia quais.
– Vamos falar com os outros primeiro – decidiu Samantha.
O pequeno grupo de adolescentes reuniu-se dentro da sala com várias bonecas – onde Teddy encontrara uma porta de saída que estava agora bloqueada por estantes – e começaram a falar.
– Eles querem juntar-se a nós – disse a rapariga de cabelos escuros, passado uma mão pelos mesmos.
– Não só isso, como também querem atravessar a ponte da cidade – acrescentou Silver, pousando o machado no chão ao sentar-se. – Supostamente haverá militares que nos podem ajudar.
– Vamos! – Amber exclamou, com um pequeno sorriso a formar-se. – Se realmente há um sítio seguro temos de lá chegar.
– Calma – pediu a adolescente de óculos – não é assim tão simples. Ninguém nos pode garantir de que eles estão a dizer a verdade.
Teddy, que também estava sentado, inclinou-se para a frente:
– Mas porque é que eles mentiriam sobre isto? Não têm nada a ganhar.
– Eu não sei – admitiu – mas eu simplesmente não consigo confiar neles. Sinto que há algo que eles não nos estão a contar, já para não falar de que acabámos de os conhecer e não sabemos que tipo de pessoas eles são.
– Mesmo assim, não acham que deveríamos arriscar? – Sam franziu a testa e sentou-se tal como os seus amigos. — Precisamos da comida. Da água. Porra, nós não temos nada.
Nenhum dos adolescentes falou durante algum tempo, cada um incerto do que queria fazer. Ficar nesta cidade não parecia a melhor opção para ninguém, mas para lá daquela ponte, daquele rio, poderia haver um sítio pior que este e ainda mais carregado de zombies.
– A Sam tem razão – Amber concordou, desviando os olhos de uma boneca de canudos loiros e olhando para os seus colegas. – Devíamos ir. E uns pares extra de mãos só podem dar jeito, certo?
– Nem sempre – murmurou Silver. – Quanto mais pessoas tivermos no grupo, mais difícil se tornará protege-las a todas.
O único rapaz naquela sala falou, concordando com ambas as primeiras raparigas a falar e virando-se para Silver e Tisha na esperança que também elas fossem a favor de atravessar a ponte de Bridgeport.
– Eu… não sei – a rapariga de pele negra encolheu os ombros e a sua expressão mudou para uma dolorosa.
– Digamos que, hipoteticamente, eu concordo com vocês – a rapariga de cabelos claros ergueu a cabeça para puder fitar as pessoas com quem falava. – Nós não somos as únicas pessoas deste grupo. Estamos a falar em levar toda uma turma para lá daquela ponte, por isso é com toda a turma que temos de debater isto.
– Então o que lhes dizemos? – inquiriu Samantha, sabendo que teriam de dar alguma resposta a James.
Silver pensou por uns segundos e depois encolheu os ombros:
– Eles vão ter de ir connosco de qualquer maneira, por isso simplesmente regressamos à loja esta tarde e decidimo-nos.
Ninguém levantou objecções, pelo que os que se haviam sentado no chão se levantaram e começaram a andar de volta para junto do grupo de estranhos.
– Vocês decidiram-se? – a conversa daquele grupo morreu assim que James os viu.
– Decidimos – o rapaz moreno acenou a cabeça – que vamos falar com o nosso grupo primeiro.
Teddy recebeu acenos de cabeça como resposta, mas apenas isso. A loja voltou a ficar num silêncio constrangedor.
Durante várias horas – pelo menos pareceram várias horas – os nove ficaram encarcerados dentro da loja de brinquedos, entretendo-se com conversa fiada ou simplesmente fechando os olhos e descansando num canto qualquer. Silver deitava um olho às janelas, reparando que os mortos haviam começado a dispersar ou a sair totalmente daquela zona já que não havia nada que lhes chamasse à atenção.
– Pessoal – chamou, alertando Amber que havia adormecido sentada junto dela. – Eu acho que podemos ir.
Eles aproximaram-se das janelas, espreitando ligeiramente pelos cantos das cortinas, cada um concordando que já haviam esperado o suficiente e podia fazer-se à estrada agora.
Sarah aproximou-se de Tisha, sussurrando algo para a rapariga que mais ninguém ouviu, e depois aproximou-se da porta como todos os outros.
– Ora bem, como é que vamos – Amber bocejou a meio da sua frase – fazer isto?
Samantha chegou-se mais à frente.
– Acho que devíamos voltar para o hospital e daí seguir para a loja – sugeriu a rapariga alta. – É que eu não sei quanto a vocês, mas eu não sei um caminho directo daqui até lá.
– Nem tu nem ninguém, Sam – concordou Silver, voltando a segurar no cabo do machado de incêndio com firmeza.
– Okay, vamos então – apressou Edward, abrindo a porta num segundo, quase acertando em Amy.
A loira olhou-o indignadamente mas o rapaz não se importou e saiu dali, respirando fundo e sorrindo.
– Finalmente – um suspirou exasperado veio de Amber, que penteou os cabelos castanhos para trás e também sorriu. – Vamos mas é voltar antes que apareçam mais zombies.
– É, eu concordo – Teddy acenou com a cabeça, dando passos largos até ficar no meio da estrada. – Mas não me parece que eles vão aparecer. Por agora.
Os dois grupos seguiram caminho. Embora nenhum tivesse prestado atenção por onde ia quando haviam tentado escapar à horda de mortos-vivos, o hospital era um edifício fácil de localizar graças à sua altura.
O céu estava pintado de laranja e roxo, mostrando que dentro em breve seria noite e eles teriam de se apressar a menos que quisessem passar uma noitada com um monte de cadáveres que poderiam estar escondidos em qualquer zona da muito mal iluminada cidade.
No entanto, estavam a meio caminho quando o sol se pôs por completo e alguém teve de segurar Amber e tapar-lhe a boca antes que ela fosse a correr para a Gun Rack e a chamar pelos outros.
– Não estragues tudo agora – Amy disse-lhe num tom pouco amigável. A loira não parecia querer dar-se com nenhuma pessoa do grupo oposto, mas não era como se eles quisessem ser amigos dela de qualquer forma.
A loja de caça parecia vazia, mas eles sabiam melhor que isso. Era suposto parecer estar desocupada, para que nenhum zombie – ou ser humano, já agora – os incomodasse.
Quando a porta foi aberta, toda a gente pareceu perder o ar que tinha nos pulmões e alguns pareciam que estavam a olhar para fantasmas e não para os seus colegas.
– Vocês… — a primeira a falar foi Elsa, soltando o ar novamente com alívio. – Vocês estão bem!
Um certo loiro deu largas passadas para a porta e beijou uma certa morena nos lábios e para surpresa – que não era realmente uma surpresa, vamos ser honestos – de todos, começaram de imediato a tocar-se, percorrendo o corpo um do outro com mãos inquietas.
Houve um choramingo antes que uma pequena e pálida rapariga empurrasse para o lado Amber e Doug e abraçasse Samantha com quanta força o seu corpo tinha, chorando para a camisa da rapariga.
A próxima pessoa a entrar pela porta fora Teddy, que imediatamente correu para junto de Tyler, que não pensou duas vezes antes de agarrar o rosto do rapaz mais pequeno e o beijar com força.
– Nunca mais desapareças assim, Teddy – disse-lhe, ao que o moreno não lhe respondeu, ainda tentando processar o facto de que tinha sido beijado.
– Uhm, wow – Silver estancou na porta, não esperando ver este tipo de recepções. Na verdade, ela nem sabia se a sua turma ainda ia estar nesta loja, quanto mais estar feliz por vê-los. Um certo rapaz de cabelos negros sorriu ao vê-la mas antes que ele pudesse dar um passo na sua direcção Crystal e Patricia atiraram-se contra a rapariga, esmagando-lhe os óculos contra a cara.
Ambas estavam a chorar e Silver nada mais conseguiu fazer do que dar-lhes pequenas tapinhas nas costas, nervosamente. A seu lado, Samantha conseguiu acalmar Taylor, que logo de seguida a bombardeou com perguntas, querendo saber o que acontecera para eles demorarem todo este tempo a regressar.
– Ainda bem que vocês estão bem – a professora de Inglês aproximou-se dela quando as suas colegas a largaram. – Ninguém se magoou?
– Por acaso, sim, e – a aluna gesticulou para a porta – trouxemos alguém.
Depois de serem feitas introduções e de o grupo ter feito um milhão de perguntas ao mesmo tempo — especialmente em relação ao braço de Tisha- Elsa pediu a todos que se acalmassem.
Ambos os grupos juntaram numa mesa todo o alimento que tinham e daí algum foi reservado enquanto o resto foi distribuído igualmente por todos os sobreviventes, que haviam estado mais que ansiosos por comer.
– Então o plano é atravessar a ponte? – perguntou a mulher adulta, só para confirmar, depois de terem explicado a todo o grupo o que estavam a planear.
– Sim. Do outro lado, militares têm uma base montada para ajudar a encontrar um sítio seguro para os sobreviventes – explicou James, com os braços cruzados.
– Vocês querem vir ou não? – Edward perguntou, levantando-se do lugar que tinha tomado numa cadeira qualquer.
John fez o mesmo, levantando a mão como se estivesse a pedir permissão para falar numa sala de aula:
– Vamos a votos.
E a votos foram, sendo que sair de Bridgeport foi a opção que, obviamente, ganhou.
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