Our Demise

6 Capítulo 4 - parte 2


Notas iniciais
E assim concluímos o quarto capítulo~! Queríamos agradecer a quem favoritou a história, e esperemos que deixem reviews Espero que gostem da leitura ~dash

– 7-Eleven, huh? – Silver parou em frente da placa com letras em néon (que estavam obviamente apagadas). Encolheu os ombros. – Nunca ouvi falar.

O edifício não parecia estar em más condições. Para além da tinta branca lascada e de uma das letras do sinal estar pendurada por apenas um ou dois parafusos, o hipermercado parecia um bom local para procurar mantimentos.

Olhou de relance para trás e depois voltou a virar a cabeça para a frente, deixando a cabeça do machado rasar o chão:

– Precisamos de pensar num plano.

– Como assim? – ela viu os ténis de John aproximarem-se e levantou o machado subitamente, fazendo o rapaz recuar.

Silver virou-se para o grupo:

– Não estás realmente à espera que entremos ali sem planear isto primeiro, ou estás? Não parece haver pessoas na cidade, mas não podemos dizer o mesmo de zombies. Pelo menos não por agora – fez uma pequena pausa. – Além disso, só temos três pessoas armadas neste grupo.

– Estás a insinuar que os outros são inúteis? – perguntou o rapaz, levantando uma sobrancelha.

– Não foi isso que ela disse – interveio Tisha, cruzando os braços sobre o peito.

O rapaz de cabelo escuro e encaracolado depressa se virou para trás, disparando um olhar carrancudo na direcção da colega de classe:

– Olha, importas-te de calar a boca, preta dum raio? Eu não falei contigo.

Silver suspirou profunda e exageradamente, dando um passo atrás para abanar a cabeça e repreender o moreno mentalmente. John era uma pessoa agressiva nas palavras e ele não pensava antes de chamar nomes a alguém, pelo que a rapariga de rabo-de-cavalo quase que previra uma situação destas a acontecer.

Obviamente que aquilo foi lenha suficiente para aquecer uma discussão, e dentro em breve os dois estavam a gritar na cara um do outro, ameaçando começar a distribuir socos.

Ela é que lhes devia distribuir um soco a cada um por serem tão idiotas.

– JÁ CHEGA – gritou, fulminando ambos com o olhar e caminhando para junto deles. Colocou o braço esquerdo no meio e separou-os, dando um passo atrás para puder olhar para ambos. – Eu não estou para aturar estas merdas, pessoal. Se quiserem insultar-se, discutir ou andar à porrada, não o vão fazer nem aqui nem agora.

Kevin tossiu, aclarando a voz e tentando romper o silêncio que se instalou assim que a rapariga acabou de falar:

– Okay, e se nós os três, que temos modos de nos defender, entrássemos e matássemos os zombies que encontrássemos? Depois voltamos cá para fora e todos nós vamos à procura de comida e água.

– E se forem demasiados? – Annie foi quem falou desta vez. – Vocês podem precisar de ajuda.

– Mas deixar pessoas indefesas entrar quando pode haver zombies é arriscado, não? –perguntou o rapaz de cabelos negros, Matthew, sem realmente esperar uma resposta. – Nós podíamos tentar atrair os zombies todos para o mesmo sítio. Seriam mais fáceis de matar e não nos poderiam apanhar de surpresa.

– Barulho! – Crystal estalou os dedos. – Silver, tu atraíste a Molly com barulho. Podemos abrir as portas e fazer barulho. Vocês podem matá-los à medida que vão saindo, e quando acharmos que não há mais, podemos entrar.

A ideia não era má. A rapariga assentiu com a cabeça e virou-se para a entrada. As portas eram automáticas, pelo que teriam de partir o vidro se queriam entrar.

– Alguém me dê uma pedra – pediu. Os seus colegas olharam-na estranhamente, pelo que ela simplesmente explicou: — Vamos partir o vidro da porta.

Os adolescentes começaram a remexer-se, olhando para o chão e acocorando-se para apanharem pedras.

– Devíamos partir apenas um – Kevin avisou. – Assim terão de sair menos de cada vez.

Silver assentiu e atirou uma pedra de calcário que apanhara ao calhas contra a superfície de vidro. Uma enorme racha imediatamente apareceu, mas não foi suficiente.

A rapariga pegou na pedra de novo, enquanto os seus colegas atiravam mais.

Acabaram por fazer um grande estrago no vidro e quando finalmente se viram satisfeitos com o tamanho do buraco na porta, os colegas entreolharam-se e simplesmente começaram a cantarolar ou a gritar coisas ao calhas.

Silver segurou firmemente no cabo do machado – que até agora ela tinha pousado no chão, a seus pés – e olhou para os seus amigos.

Kevin e Matthew ambos haviam tirado as facas para fora, e colocaram-se de cada lado da porta.

Ao início, nada aconteceu.

Para além do chinfrim insuportável dos seus colegas, tudo se manteve pávido e sereno.

Mas depois os zombies finalmente morderam o “isco” e começaram a querer sair. O primeiro a aparecer fora uma mulher. Ela usara um top cor-de-rosa e metade do seu maxilar parecia ter sido arrancado.

A faca de Matthew foi rápida, e o corpo foi despojado no chão.

Os dois próximos a sair tropeçaram um no outro. Kevin matou o primeiro, e Silver encarregou-se de cortar fora a cabeça do outro, com um jorro de sangue a manchar o betão.

Os seus colegas pararam de fazer barulho por um segundo, e a maioria começou a recuar.

– Precisam que continuemos? – Amber perguntou. Silver quase que podia apostar que tinha sido ela a pessoa que tinha estado a gritar a música “Like a Virgin” da Maddona este tempo todo.

– Sim – a rapariga pediu.

E eles continuaram.

E os zombies também continuaram a vir.

Foi quando o sétimo corpo caiu morto – desta vez definitivamente – no chão que o barulho morreu e que os mortos-vivos pararam de vir.

– Acham que já estão todos? – Matthew questionou, espreitando para dentro da loja. Não viu nada.

– Provavelmente – Kevin respirou fundo. – Agora temos de entrar e encher as nossas mochilas.

– Tragam o que puderem. Foquem-se na água e em comida que não se estrague com facilidade, como enlatados e conservas – Silver explicou. – Devíamos dividir-nos em três, para os outros não andarem completamente desprotegidos.

– Concordo – o rapaz de cabelo claro acenou com a cabeça. – Posso ficar com o Peter, a Tisha e Tori.

– Okay. Eu fico com a Crystal e a Annie.

– Isso deixa-me com a Amber, o Doug e… — Matthew suspirou – yay, o John.

O moreno empurrou os óculos para cima com um dedo, bufando e semicerrando os olhos:

– Eu também não estou feliz por ter de ficar contigo, por isso aguenta-te.

– Muito bem – Silver tentou ignorar. – Vamos entrar?

– Senhoras primeiro – Matthew fez uma pequena vénia e afastou-se da porta, deixando as três raparigas entrar primeiro.

Crystal agarrou a bainha da camisola de Silver, olhando nervosamente para todos os lados. Embora houvessem zombies, não parecia haver pessoas. Nem ali, nem em qualquer lado da cidade.

No entanto, algumas prateleiras tinham sido obviamente vasculhadas. A maioria dos vegetais e carnes já tinha sido levado, mas não era isso que eles queriam agora.

Viraram num dos últimos corredores, e encontraram várias paletes de garrafas de água.

– Água… — Annie murmurou, engolindo em seco. Afinal, eles haviam passado dois dias num autocarro sem qualquer comida ou bebida.

– Fiquem à vontade. Bebam. Vamos trazer o resto – Silver assinalou, pegando numa garrafa de meio litro e emborcando o líquido transparente com rapidez.

Depois de as três terem saciado a sede, juntaram três paletes de garrafas de um litro ao fim do corredor. As lancheiras das suas mochilas davam para cerca de duas ou três garrafas de meio litro, pelo que também as puserem lá.

Visto que já havia pessoas do grupo no corredor dos enlatados a tratar de encher as mochilas, as raparigas foram revistando os corredores vazios para trazer o que quer que fosse útil.

– Acham que vale a pena trazer fruta? – Crystal perguntou. Havia muitas maçãs e laranjas, algumas pêras e as bananas quase nem tinham sido tocadas. Talvez se estragassem, mas era comida à mesma e eles poderiam aproveitar.

A rapariga de óculos azuis escuros acenou com a cabeça e as três encheram alguns sacos com fruta e guardaram nas mochilas.

– O que é que podemos pôr aqui? – Annie perguntou. – Ainda temos muito espaço.

– Vamos ter com os outros, pode ser que eles não tenham conseguido esvaziar as prateleiras e nós podemos carregar o que sobrou – sugeriu Silver, começando a andar em direcção do grupo de Kevin. Chamou pelo rapaz de cabelos claros: — Hey, Kevin?

– Hey! – ele exclamou. – Vocês têm espaço na-

– Sim – interrompeu Crystal e começou a pôr várias latas de feijão, salsichas e atum dentro da mala.

Também havia sopa enlatada, que Silver colocou na sua mala, bem como a mais umas latas de algo que não percebeu bem o que era.

– Parece que vou ter de aprender a gostar de feijão – Kevin esboçou um sorriso cansado.

– Também eu – a rapariga de óculos concordou com ele. Ela olhou para o resto do grupo do rapaz e depois de volta para ele. – Eles já têm as mochilas cheias?

– A Tori deixou a mala comigo, e eu tratei disso. A Tisha já me esteve a ajudar, bem como o Peter – explicou. – Neste corredor não há mais nada que seja útil. Devíamos ir ter com o Matthew.

– É, vamos.

Com malas pesadas nas costas e peso extra nas mãos, os adolescentes começaram a andar pelos corredores. Matthew estava no fundo, a recolher coisas de plástico como pratos, talheres, copos – esse tipo de coisa de que eles iriam precisar.

O grupo que estava com ele parecia já ter as malas cheias; Silver teria de se lembrar de perguntar o que haviam trazido.

Ao passarem pelo corredor da água, os que não carregavam paletes haviam agarrado numa para puderem trazer mais água no total.

Um grito súbito despertou a atenção de todos para uma certa loira, que seguia mais atrás do grupo a queixar-se do peso na mochila.

– Zombie! – exclamou Peter.

O corpo tinha apenas um tronco e uma cabeça, e havia marcas de sangue onde este se andara a arrastar no chão branco do hipermercado. Parecia um homem pelo cabelo curto e com caracóis castanhos e pelos braços grossos.

Tori estava prestes a ser mordida, mas o cabo do machado de Silver foi mais rápido e esmagou o crânio do morto em dois golpes. Era possível ver o cérebro desfeito a sair, pelo que Tori desviou o olhar antes de vomitar.

A rapariga que havia sido atacada abraçou Annie, chorando em cima da amiga.

– Pronto, pronto, está tudo bem – disse, fazendo festinhas nas costas de Tori. – Vamos sair daqui. Já temos tudo o que precisamos.

– Concordo – Crystal voltou a agarrar-se à camisa de Silver, que começou a andar para o lado oposto de onde se encontravam.

– Matthew! – chamou, porque era mais fácil do que ter de andar até ao fim do longo corredor. – Vocês têm tudo?

Ouviu-se um ténue “Sim” a ser gritado de volta, e a rapariga virou-se para o grupo de adolescentes:

– Então acho que já não há nada que nos prenda aqui. Temos bastante comida e água. Podemos regressar ao autocarro.

– Acham que vamos estar seguros na polícia? – questionou Tisha, olhando para os lados como se temesse que mais zombies aparecessem.

– Esperemos que sim – Silver suspirou. Voltou a virar-se para o outro lado e a levantar a voz: — Matthew!

– O que é?

A rapariga piscou duas vezes quando viu o amigo a meros metros dela. Como é que ele chegara ali tão depressa?

– Uh… — reparou que o resto do grupo dele se encontrava atrás dele. – Vamos embora. Isso.

– Okay – ele assentiu com a cabeça e olhou para o resto dos colegas de turma. – Todos estão bem? Ouvimos gritos.

– Foi um zombie filho da puta! – Tori berrou. O rapaz de cabelos negros encolheu-se e murmurou um “Okay…” antes de abrir a boca e falar de novo:

– Alguém precisa de ajuda a levar alguma coisa?

Ninguém disse nada, pelo que todos começaram a andar em direcção à saída, com cuidado para não tropeçar em nada.

Havia alguma comida derramada ou pisada no chão, e caixas que tinham sido atiradas e remexidas.

Ao sair, quase todos olharam para o céu. Não tinham demorado muito, mas o azul havia obviamente escurecido e começava a ficar tingido de tons alaranjados e púrpuras. As nuvens começaram a dissipar e começara a levantar-se uma brisa.

Com braços doridos e barrigas a roncar, os adolescentes foram caminhando de volta ao autocarro num passo calmo.

– HEY! PESSOAL! – alguém exclamou lá ao fundo, acenando.

Um certo rapaz veio ter com eles, bem como uma rapariga de cabelos escuros.

– Sam, Teddy – Silver esboçou um sorriso ao ver os dois. – Hey.

– Vocês estão salvos – Teddy suspirou. – Isso é bom.

– A estação da polícia está limpa – informou Samantha, virando-se na direcção do dito edifício. – Nós conseguimos.

Silver acenou a cabeça e virou-se para o resto da turma:

– Então vamos despachar-nos e levar tudo isto para lá.