Notas iniciais
Bem gente demorei mas postei, e cara como essa fic deu trabalho.Passei dias escrevendo e estudando.Queria dizer que eu estudei sobre a surdez, e fiz um apanhato nessa fic.Nem todas as falas são em linguagem de sinais porque não sou especialista.Obrigada Myti por corrigir e me ajudar, e meus amigos que lê e me dão força pra escrever !!!Amo vocês!!Espero que vocês gostem, de coração.E um ramo difícil e eu me esforcei.Músicas da fic:http://www.vagalume.com.br/extreme/more-than-words-traducao.html & http://www.vagalume.com.br/moby/the-perfect-life.htmlBeijos e boa leitura!!!

Já é noite,o movimento na lanchonete diminuiu consideravelmente,e o cansaço já cobra seu preço.Observo o movimento do lado de fora da janela,a correria das pessoas que querem chegar logo em suas casas e sentar-se a mesa para comer com a família.

Infelizmente não posso me dar a esse luxo;depois que me mudei da pequena cidadezinha no interior do Texas,só posso contar com alguns poucos amigos.

Se sustentar em uma cidade como Nova York,não é nada fácil.O custo de vida é alto,o salário com garçonete não é muito e por isso tenho que pegar vários e vários turnos extras.

Não é uma vida tão difícil,eu gosto de trabalhar,ser independente.Mas a grande questão é:Não estou vivendo meu sonho.Decidi vir para Nova York, afim de correr atrás do meu grande sonho de ser cantora,porém o destino gosta de brincar comigo,e no final as coisas não deram muito certo e acabei tendo que arrumar esse emprego.

Admito que grande parte desse problema com o destino é minha culpa.Eu sonho sim em ser cantora, mas sempre sou tomada por uma vergonha e um medo incabível.Sei que seu um dia quiser seguir essa profissão terei que me distanciar dos meus medos.

Sinto repulsa de ser rejeitada,de ser criticada;Sei que esse tipo de coisa não é bom,mas é errando que se aprende.Mas algo no meu subconsciente me faz querer agradar a todos,e tenho medo de não conseguir e acabar me sentir fracassada.

Algumas pessoas ainda comem na lanchonete,eu me concentro em secar alguns copos e arruma-los do lado da pia,nos porta copos. Logo o movimento aumenta e terei que trabalhar arduamente.

Sem conseguir me controlar,começo a cantarolar uma música qualquer;Enquanto passo um pano úmido pelo balcão principal.

"Oh

Nós fechamos nossos olhos

A vida perfeita

é tudo que precisamos"

A letra sai de mim,em uma voz baixa e calma.Verifico se meu trabalho foi bem feito,e sorrio ao conseguir ver meu reflexo refletido no balcão.

"Você abre quando você me teve em suas mãos,

Escorregando para longe com o mundo ao seu comando

Você canta para eu dormir e então você me bateu acordado

É uma vida perfeita, uma vida perfeita"

–Katniss?-Escuto uma voz atrás de mim.Me assusto e acabo me virando com tudo,apenas para encontrar o meu Chefe e melhor amigo Gale Hawthorne.-O que você está fazendo?-Pergunta e eu coro.Fui pega cantando.

–Eu...Eu estava limpando o balcão-Digo sem graça.

–Não Catnip você estava cantando,não sabia que você cantava.-Fala,e eu coro ainda mais.

–Eu só estava cantarolando,não cantando exatamente.-Respondo encarando meus pés.

–Canta mais-Incentiva e eu sorrio sem graça.

"Oh

Nós fechamos nossos olhos

A vida perfeita

é tudo que precisamos"

Cantarolei,e ele sorrio para mim.Gale além de meu chefe é meu melhor amigo;Assim que cheguei aqui em Nova York,foi ele que me ajudou quando eu mais precisei,e eu nunca vou me esquecer disso.

–Catnip-Disse pronunciando meu apelido criado por ele mesmo-Você canta muito bem.-Elogiou, e eu sorri sem graça.

–Magina,estava só cantarolando.-Sussurro,torcendo o pano em minha mão.

–Tive uma ideia!-Exclamou puxando minha mão para o meio da lanchonete.

Eu acompanhei o seu andar sem entender muito bem aonde ele queria chegar;Nunca contei nem a Gale, nem a ninguém sobre meu sonho.

Todos os presentes na lanchonete,estavam entretidos comendo ou conversando.No fundo do local eu vi Madge,minha amiga e também garçonete anotando o pedido de um jovem loiro de olhos azuis,que por algum motivo apenas apontava no cardápio o que queria,sem pronunciar uma única palavra.

Quando finalmente paramos,me encontro bem no centro da lanchonete.Gale ainda segura minha mão e eu fico sem saber o que fazer,e o que falar,ele apenas me encara e sorri encorajando-me.

–Senhoras e senhores,gostaria da atenção de todos-Exclama Gale e todos presentes no restaurante o olham.-Essa é Katniss Everdeen, minha amiga e minha funcionaria;Ela tem um incrível talento,e hoje vai nos beneficiar com esse talento.Vamos Catnip,cante-Incentivou e eu congelei.

Todos param e olham-me.Menos aquele homem que Mad estava atendendo;Ele se mantem concentrado no livro que lê.Olho para ele,e depois para Gale, que está parado a alguns metros de mim olha-me esperançoso.

Solto um pigarro limpando minha garganta,e passo os olhos pelo local;minhas mãos soam ao constatar que todos estão concentrados em mim,e com isso meu nervosismo aumenta,e sei que devo estar vermelha.Olho novamente para o homem loiro,que continua concentrado em seu livro.Foco minha atenção nele e permito que as palavras cantadas saiam de mim.

'Oh

Nós fechamos nossos olhos

A vida perfeita,

É tudo que precisamos

Você abre quando você me teve em suas mãos

Escorregando para longe com o mundo ao seu comando

Você canta para eu dormir e então você me bateu acordado

É uma vida perfeita, uma vida perfeita'

Começo a cantar a música que antes cantarolava,minha voz sai limpa e melodiosa,e todos encaram-me hipnotizados.

'Oh

Nós fechamos nossos olhos

A vida perfeita, vida

É tudo que precisamos

Pequeno Mike, ele pisa por todos os lugares

Facas nos bolsos e balas no cabelo

Ele não tem nada para viver, nada mais a dizer

Ele está trancando todas as portas para manter os lobos mais velhos na baía'

Canto mais forte,e meu coração se aquece ao ver todos me olhando;algumas pessoas com sorrisos incentivadores,e outras com os olhos brilhando.Não sei ao certo o porque,mas me sinto bem.A única pessoa que sequer me olha é o loiro,em nenhum momento sua atenção é voltada para mim.

'Oh

Nós fechamos nossos olhos

A vida perfeita, vida

É tudo que precisamos

Oh

Vai toda a noite

A vida perfeita, vida

É tudo que precisamos'

Solto o refrão alcançando notas mais altas,liberando a emoção dentro de mim.A vergonha se foi quase que totalmente,a música tomou conta de mim com vontade,liberando-me dos medos que sempre guardei.Nunca em toda minha vida cantei para tantas pessoas.

'Oh

Nós fechamos nossas mentes

A vida perfeita, vida

É tudo que precisamos

A vida perfeita, a vida perfeita, a vida perfeita, a vida perfeita, a vida perfeita

Tudo o que precisamos'

Diminuo quase que totalmente o tom da minha voz,encerando lentamente a música;Quase que totalmente tomada pela emoção,observo as palmas explodirem ao meu redor.

Algumas das pessoas que me ouviam,aplaudem de pé;Assobios vindos de todos os lados enchem-me de emoção,e eu sorrio com vergonha."Eles gostaram você se saiu bem!"Grita meu subconsciente,e sou obrigada a ouvi-lo.

Gale e Madge se aproximam de mim, seus corpos tampam minha visão do publico,mas eu ainda o vejo:o loiro que nem sequer me olha.Enquanto todos me aplaudem e me parabenizam,ele simplesmente finge que não existo;Isso de certa forma mexe comigo,e sinto-me um pouco triste,por ser ignorada.

–Oh meu deus Kat, você canta tão bem!-Exclama, Madge próxima a mim.E lentamente os aplausos vão sessando,mas as pessoas continuam sorrindo calorosamente para mim.

–Obrigada Mad!

–Ela tem razão Catinip,você deveria cantar aqui todos os dias.Eu prometo arrumar um microfone e tudo que você precisar, só me garanta que vai cantar.-Diz Gale me encarando esperançoso.Eu realmente não sei,mas me senti muito bem hoje.

Mas ainda tem parte de mim que sucumbi ao medo,e instantaneamente minha mente vaga para a figura a minha frente,o loiro;Ele deve ter me achado muito ruim mesmo, pra nem sequer me olhar.

Descido então cantar,não por mim, mas por ele.Vou provar a esse estranho que mereço sua atenção:Que mereço ser ouvida.

–Tudo bem,eu canto.-Anuncio.

Madge salta e da pulinhos e gritinhos de felicidade,e eu sorrio sem graça.Ainda de longe observando o loiro,contenho minha imensa vontade de perguntar a Mad,quem ele é;talvez ela saiba,talvez ele tenha dito para ela.

–Mad,quem é esse homem loiro que você atendeu?-Pergunto, apontando discretamente o loiro com o dedo.Ela segue minha mão com o olhar e sorri maliciosamente.

–Não sei,ele e bonito né?Pena que é meio caladão.

–O que ele pediu?-Questiono não conseguindo esconder minha curiosidade.

–Pediu um chocolate quente e um pão de queijo,e o mais estranho é que ele não disse o que queria apenas apontou para o cardápio e sorrio-Fala Madge,e eu tento pensar em uma explicação.Talvez ele seja tímido demais,assim como eu.

Obrigo-me a parar de pensar nele,é só um estranho.Mas se ele vier aqui amanhã,eu cantarei para ele.Tenho que faze-lo me olhar.

~~***~~

Os dias correm por meus olhos rapidamente;Desde aquela noite eu canto todos os dias na lanchonete.Gale arrumou um microfone e uma caixinha de som para mim.E a cada dia perco um pouquinho do meu medo, porque é muito bom ver as pessoas me aplaudindo.É como um sopro de esperança para meus sonhos adormecidos, e encobertos pelo medo.

Eu estava certa,o loiro veio todos os dias bem na hora da minha apresentação.Sempre pedia apontando para o cardápio,e se entretinha com o livro em sua mão.Quando minha apresentação começava,não conseguia deixar de olhá-lo;e lá estava ele,ignorando-me livremente.

–Finn,um x-burguer grande com extra de bacon para a mesa dez-Grito para Finnick,o cozinheiro e chapeiro da lanchonete.Eu e ele somos amigos.Eu converso muito com sua namorada, a pequena Annie.Por trás da pinta de galã de novela que Finnick tem, existe uma pessoa doce e amigável.

–Beleza Katniss,acabou de sair o pedido da mesa seis-Grita de volta, e eu corro para a portinhola que divide a cozinha do balcão, da pequena janelinha;vejo ele trabalhando na chapa com os hamburgueres,o cheiro embrulha levemente meu estomago.Já comi tanto humburguer que hoje, o cheiro me enjoa.

Pego e coloco na bandeja:a porção de batatinhas e o grande x-tudo.Corro para a mesa seis,onde uma jovem espera por sua refeição,ela sorri quando eu entrego seu pedido e murmura um obrigada qualquer.

Verifico, que todos os clientes já foram atendidos.Madge, anota o que um cliente que acaba de chegar deseja e eu sento-me na banquetinha próxima ao balcão,que é para aqueles clientes que não querem sentar-se a mesa.

Ultimamente tenho me sentido muito mais cansada,os dias tem passado como um borrão e tudo que consigo registrar em minha mente é a face daquele loiro.Seus olhos azuis são os quais eu fico tentando enxergar,mesmo ao longe quando canto.

Não sei o que acontece comigo,essa minha vontade de vê-lo,de falar como ele;de fazer com que ele me ouça e goste de mim.Eu sei que nesse mundo é impossível agradar a todos,mas é da minha natureza fazer e querer que todos a minha volta gostem de mim.

E sei que não estou pedindo demais,só quero que ele ao menos me olhe.Verifico o grande relógio central na parede,e vejo que são sete e dez,falta vinte minuto para ele chegar.O estranho pode ser tudo,menos atrasado.Todos os dias desde que notei sua presença,ele chega sempre as sete e meia,o horaria da minha apresentação.

Madge se aproxima de mim,arrumando o avental do seu uniforme.Ela é muito bonita,e como uma boba não percebe que Gale a ama.Eu sei que o sentimento é recíproco,mas nem um dos dois toma a iniciativa.Só tenho uma palavra para descreve-los:bobos.

–Vejo que está cansada Katniss.-Diz ela se sentando ao meu lado.

–Estou sim, muito cansada-Murmuro em resposta, pois realmente estou.Gale me dá duas folgas por semana, mas eu as vendo pois preciso do dinheiro,ou seja, trabalho sete dias por semana e as veze fico até mais tarde, para arrumar e limpar a lanchonete.

–Se você quiser posso fechar hoje,não estou tão cansada e Gale pode me ajudar.-Se oferece e me olha,sei que ela quer passar um tempo com Gale,e também quer me ajudar.Em qualquer outro dia eu recusaria sua ajuda mas hoje não.Hoje eu tenho que descansar ou vou acabar ficando doente.

Um ser humano não tem noção da diferença que poucas horas de sono a mais podem fazer.Acontece que todas essas horas e dias de trabalho,somadas ao estresse e a pressão que sinto ao cantar, tem cobrado eu preço.

–Obrigada.Serio mesmo,não sei o que seria de mim sem você-Agradeço,e ela me olha com um sorriso no olhar.

–Magina Kat, você sabe que sempre pode contar comigo para tudo.

–Sei,e digo o mesmo.Para tudo mesmo-Digo, esperando que ela entenda que se quiser uma ajuda com Gale,eu a darei.

Por um momento o silêncio se faz presente.Ela desvia os olhos para o salão,nervosa e constrangida.Eu sei o porque,medo.Todos que conhecem os dois sabem que o sentimento ali é mutuo,os únicos que não veem,são eles mesmo.Dessa forma, Madge tem medo de ser rejeitada.

–Obrigada Kat,mas creio que não preciso de ajuda para levar um não-Sussurra,e eu fecho a cara.Menina boba.Gale nunca diria não para ela.

–Hei Madge, me olha-Cobro sua atenção,e seus olhos se voltam para mim.Vejo amor ali, assim como medo-Você é linda,e digo isso do fundo do meu coração;Gale é meu amigo e contamos tudo um para o outro,e meu amor:Ele te ama de verdade, só é um retardado e tem medo de te contar,medo da mesma coisa que você.Rejeição.Agora por favor corre atrás do seu homem,mostre que gosta dele de verdade.Ele é um pateta medroso, mas é louco por você.

O sorriso de Mad,se alarga ao ouvir as palavras 'Ele é louco por você'.E Gale realmente é.Vejo os suspiros que ele solta por ela, e vice versa.Está mais do que na hora deles se acertarem, nem que para isso eu tenha que trancar os dois em um quarto e tirá-los de lá somente quando tiverem se acertado, casado e com treze filhos.

–Eu te prometo que vou tentar,hoje pedirei a ajuda dele para fechar a loja e você vai ver amanhã estaremos acertados-Exclama com convicção,e eu bato palmas animada.Essa é minha amiga.-Agora katniss,você fica ai metendo o nariz onde não é chamada;tipo minha vida amorosa, mas não da um jeito na sua.-Provoca, arrancando assim uma careta de mim.

–Eu não estou apaixonada por ninguém-Garanto,defendendo-me.Ela ri e eu fecho ainda mais a cara.

–Não?hora Katniss,eu vejo nos seus olhos que a alguns dias surgiu um brilho que antes não havia ai,um brilho que só mostra o quanto você está apaixonada.Diga-me, por quem é?-Questiona.

Eu fico em choque.Um brilho nos olhos?Eu nunca tive isso.Será que estou apaixonada?Minha mente vaga até a figura do loiro.Penso em quando eu canto para tentar agradá-lo.Pensava que toda essa minha obsessão por querer que ele me note,fosse por eu ser uma pessoa que gosta da atenção das outras.

É ridículo estar apaixonada por alguém que você nem ao menos conhece direito,que só vê uma vez por dia,e que nunca trocou uma palavra.Não posso ser ridícula a esse ponto.

–Me polpe Mad, isso é besteira!Você que está apaixonadinha pelo Gale e fica falando que eu também estou;Vai por mim, não estou inclusa nesse mundinho cor de rosa do amor-Retruco, Mad ri.

–Okay senhorita,depois não diga que eu não avisei.

Continuamos conversando até que alguns clientes chegam,inclusive ele.Mas desta vez ele não vem sozinho,um homem não muito mais velho o acompanha,também é loiro, mas com madeixas um pouco mais escuras.Quase dou um tapa em Madge quando ela vai atender eles.Ela ri e entende o que eu quero,sorrindo maliciosamente.

Chego a mesa, arrumando meu cabelo da forma mais rápida que eu consigo;o outro homem me olha e sorri.Já o se amigo,pelo qual me mostro interessada,me ignora novamente fitando o cardápio.

–Bom noite, bem vindos.O que gostariam de pedir?-Pergunto fazendo a voz mais cordial que consigo.Me sinto incomodada,pois quero ao menos que meu loiro me olhe.Espera...Eu disse meu loiro?Oh meu deus,estou ficando louca.Preciso de foco.

–Queremos,duas porções grandes de batatas fritas,dois x-burguers e duas coca-colas bem grande-Pede o segundo loiro com simpatia.Noto que ele tem olhos azuis também,mas diferentes do outro, pois seus olhos são mais escuros.

Estendo a mão para pegar os cardápios,e só então o meu loiro me olha.E sorri entendendo-me.Meu mundo quase para,é a primeira vez que o vejo sorrir para mim.Saio da mesa também sorrindo,mas feito uma boba.

Vou até a cozinha,e entrego o pedido para Finnick que se poem a trabalhar.Sirvo a coca-cola em dois copos grandes e estou prestes a levá-los quando sou barrada por Madge.

–Nana-nina-não pode deixar que eu sirvo!É hora da sua apresentação-Repreende-me e eu gero uma carranca em minha face.

–Mas...-Começo e ela me empurra para o centro da lanchonete,como no primeiro dia que me apresentei;e em seguida leva os copos de refrigerante para eles.

Meio contrariada, pego no microfone que me foi arranjado.Ligo o amplificador de som e testo meu instrumento.Eu poderia tocar meu violão,mas prefiro cantar a capela.

Não consigo me conter e olho novamente para a mesa do meu loiro e vejo que ele não está enfurnado com a cara no livro,e sim conversando com seu colega.Mas é um tipo de conversa estranha,pois eles não falam,apenas fazem gestos.

E então me dou conta,agora sei o porque dele nunca me olhar e nunca me aplaudi quando canto,pois ele não pode ouvir,pois é surdo;e pelo jeito é mudo,pois não fala com seu amigo, apenas usa a linguagem de sinais.

Sinto-me péssima por ter acreditado que ele era um ignorante,é que não gostava de mim;mas ele só não podia me ouvir.Quem sabe ele realmente quisesse saber o que canto,mas sua deficiência o impede.

Durante toda a minha apresentação as letras das músicas saíram de mim com grande esforço,não conseguia parar de pensar nele,e tentava me focar:nas outras pessoas,nas cadeiras do ambiente,nas luzes sobre as mesas.Mas uma corrente puxava meu olhar para a mesa dele,e eu via-me presa com ele em meus pensamentos.

É estranho pensar tanto assim em alguém,mas essa é minha realidade no momento:Pensar em um completo estranho que é surdo.Me sinto mal por ele e por pensar que ele era um idiota.Sinto-me culpada.Como se eu fosse a culpada da sua própria deficiência.

Deficiência,tenho que parar de repetir essa palavra,ele é uma pessoa comum e normal.Eu só tenho que me acostumar com a ideia de que ele não pode me ouvir e nem falar comigo,não de maneira normal.Sei que surdos e mudos tem sua própria linguagem,eu o vi conversando com seu amigo -Ou seja lá o que ele é dele-

Quando acabo de cantar e as palmas explodem ao meu redor,sinto-me pesada;Diferente do que me sinto quando canto.Hoje nem mesmos os aplausos e sorrisos calorosos são capazes de me confortar,em algum momento no qual me perdi em pensamentos, eles foram embora.Deixando-me aqui:lenta e pesada.

Madge e Gale aparecem no meu campo de visão e sorrio amarelo para eles.Que me olham preocupados.

–O que foi Catnip?-Pergunta Gale, parecendo preocupado.

–Nada Gale, só estou cansada demais.-Respondo, tentando esconder realmente o que me incomoda.Bem nem eu mesmo sei direito o que me incomoda,pois é tudo muito complicado na minha mente.

–Eu já falei com Gale,ele me ajuda a fechar pode ir descansar.A gente se resolve aqui.-Diz Madge dando ênfase na ultima frase.Sei que ela espera se acertar com ele essa noite,e torço para que eles realmente se acertem.

–Obrigada,juro que amanhã eu fico até mais tarde-Prometo,e Mad mostra a língua.

–Não,você vai descansar o resto dessa semana,vai sair no horário normal não é Galezinho?-Diz Madge, apelando para Gale.

–Sim, você a muito tempo fica até mais tarde,deixa que essa semana eu e Madge ficamos-Confirma ele.E não consigo deixar de sorrir.Em qualquer outro dia eu recusaria,mas hoje não.Hoje eu preciso ir para casa, preciso descansar e botar meus pensamentos em ordem.

Caminho até os fundos da lanchonete e aceno para Finnick que também recolhe suas coisas.Pego minha mochila e saio pelos fundos.A noite está gelada,o que me faz colocar um agasalho que encontro dentro de minha bolsa.

Pesco a chave da minha velha moto e ligo-a,contornando a lanchonete,e pegando a rua para minha casa.A todo o momento os pensamentos que reinam em minha cabeça, deixa-me confusa.É claro que eu me importo com o loiro.Mas por que?

Eu preciso que ele me ouça.Sei que é difícil, mas pelo jeito ele deve saber a linguagem de sinais.Isso é obvio, ele estava conversando com seu companheiro.E se essa for a única forma dele me ouvir?Terei que aprender pelo menos um pouco dessa linguagem.

Antes mesmo que eu perceba,dou a volta com minha moto, entrando em uma rua que vai até o centro;Onde eu sei que deve ter uma livraria aberta.Eu tenho que encontrar alguma coisa que deva me ajudar.Logo entro em uma avenida e eu uma placa indicando livraria 24 horas, não sei a finalidade de deixar uma livraria abeta 24 horas,mas estamos em Nova York.E eu mesmo estou necessitada.

Estaciono na frente da loja encarando a faixada.Livraria Panem aberta 24 horas.Entro e a encontro bastante vazia,e bem no fundo um homem,na verdade um senhor de idade;lendo um livro atrás do balcão.Ao seu redor varias prateleiras de livros.Ao notar minha presença o senhor me olha e sorri,fechando seu livro e o despondo em cima da mesa.

–Boa noite, posso ajudar em alguma coisa?-Pergunta formal, eu me aproximo do balcão o encarando meio nervosa.

–Eu...Eu gostaria de saber se você tem alguma coisa que possa me dar uma noção da linguagem de sinais.-Digo e ele sorri.

–Temos sim-Diz se levantando e se encaminhando para atrás de uma prateleira,logo em seguida,ele volta trazendo dois livros na mão.

–Aqui está,são dois livros do mesmo autor.Neles você tem as primeiras lições básicas de como falar com pessoas surdas e no outro, como reconhecer os graus de surdez.

–Obrigada-Agradeço pegando os livros de sua mão e ele sorri cordial.-Quanto custa?-Questiono,enfiando a mão dentro de minha bolsa, afim de pegar a carteira.

–Não precisa, é por conta da casa.

–Não,não posso aceitar-Respondo, corada.Não entendo, porque ele quer me dar os livros.

–Veja, minha senhorita.Os livros tem função de abrir nossa mente e transmitir conhecimento para nossas vidas,e um livro como esse,é uma oportunidade única.Eu seria um mercenário se cobra-se por algo que sei que você precisa.A única coisa que peço,é que não desista;no começo vai parecer difícil,mas não desista.No final você ver que valerá a pena.-Fala o homem e sorri incentivando-me.

–Obrigada,senhor?

–Cinna.Me chame de Cinna!-Responde.

–Katniss-Apresento-me.

–Vá Katniss,não perca tempo.

–Obrigada-Agradeço novamente,dando-lhe as costas e me encaminhando para fora da loja.Coloco os livros dentro da minha bolsa.

Cubro minha cabeça com o capacete e subo em minha moto.Minha mente viaja novamente durante o percurso até minha casa.Será que está tão obvio assim que eu estou interessada no loiro?Será que Madge está certa e que realmente surgiu um brilho em meu olhar?

Logo estou na entrada do meu prédio.Um lugar simples mas bem arrumadinho,não é em uma área nobre de Nova York,mas é o que posso pagar.Estaciono minha pequena moto na garagem e subo correndo as escadas até o quinto andar.É um longo caminho,mas no momento não me importo,e esperar o elevador não está nos meus planos dado a minha ansiedade de chegar logo em meu lar.

Abro a porta do apartamento o mais rápido que posso;estou cansada, muito cansada,mas quero fazer algo para chamar a atenção do loiro,quero saber o nome dele e tudo sobre ele.

Jogo minha bolsa no pequeno sofá da minha sala e me jogo lá também,fechando os olhos e massageando as têmporas.Preciso ficar acordada,não vou deixar o sono me sucumbir.

Pego os dois livros e descido ler o que ensina sinais básicos de linguagem de sinais.Por todo o livro encontro algumas palavras,e um desenho em cima,mostrando como devo elaborar o sinal.

Sei que nunca aprenderei tudo em uma noite,mas o básico terei que aprender;Começo com algo simples como um:Oi tudo bem?Fecho meus dedos em um copinho e movimento minha mão direita para cima,levantando o dedinho quando a mão está para cima.Esse é o sinal de oi.

–Vamos Katniss você consegue!-Digo a mim mesmo,como forma de incentivo.

Depois de repetir esse mesmo movimento várias vezes,eu já o tenho memorizado e passo para o próximo.Posiciono minha mão direita na frente da minha boca meio aberta,e a movimento para baixo.Esse sinal de acordo com o livro, é uma pergunta que significa: Tudo bem?Fico atenta para me lembrar que quando eu quiser fazer uma pergunta devo realizar esse sinal.Mas se eu quiser responder,devo fechar minha boca.

Agradeço mentalmente ao autor do livro por deixar tudo bem claro,pois são muitos o sinais e sei que não conseguiria entender se fosse apresentados de forma mais complexa.As horas escorrer por meus olhos,arrastando-me madrugada adentro e a cada novo sinal que aprendo,parabenizo-me mentalmente por meu progresso;Só espero não travar quando chegar a hora de usá-los.

Enquanto aprendo,sei o que devo fazer:Encaixar esses sinais em uma música para que ele possa me 'ouvir' cantando.É uma ideia boba romântica demais,porém aos meus olhos ela é brilhante.

Quando penso no loiro,logo uma música me vêm a cabeça."Mais do que palavras." Logo ponho-me a procurar os sinais para descrever cada uma das palavras da música.

É difícil,alguns sinais são ruins de se memorizar,mas eu preciso memoriza-lós.Quando acabo de aprender toda a música,já é manhã.Meu Deus passei a noite em claro! O que me faz pensar o quanto considero esse estranho importante.

Talvez eu seja carente demais,e só esteja atrás de afeição vinda de um lugar que sei ser difícil de alcançar.Desde de que eu o vi na minha primeira noite cantando na lanchonete,o loiro não sai da minha cabeça.É tão clichê essa coisa de primeiro olhar.Nunca acreditei em amor a primeira vista,e talvez ele nem exista;Mas que outra explicação posso encontrar para descrever todo esse meu interesse e dedicação?

Meus olhos pesam,e sei que se não tomar um banho gelado irei sucumbir ao sono.Coloco o livro em cima da mesa de centro e sigo até me quarto.Minhas costas doem pelo grande número de horas que passei em claro estudando.

Pego em minhas gavetas uma blusinha regata e uma calça jeans,assim como peças intimas.Sigo até o banheiro e de maneira mecânica me dispo.Quando entro o boxe e a água gelada cai sobre meu corpo,sinto um choque.A água tem poder de me despertar,e permito que ela escora por longos minutos pelo meu corpo.

Minutos esses que uso para repassar cada um dos sinais em minha mente,e até mesmo fazer alguns.Quando termino meu logo banho sinto-me um pouco mais desperta,visto-me rapidamente e sigo até a cozinha.

Preparo um café bem forte para ajudar ainda mais a me tirar dessa onda de sono,preciso estar desperta pois ainda tenho mais um longo dia de trabalho pela frente.

~~***~~

–Sua cara está horrível Katniss,pensei que você tinha descansado-Aponta Madge próxima a mim.Já faz bem umas 5 horas que estou na lanchonete.Minha carga horaria é de oito horas por dia,mas as vezes enfrento doze ou treze horas;Preciso de dinheiro e as contas não se pagam sozinhas.

–Eu não dormi Madge-Respondo,pegando o café da maquina e colocando em um copo para servir um dos clientes.

–E posso sabe o porque senhorita Katniss?-Pergunta fazendo cara de reprovação.Sei que ela está preocupada.

–Porque eu estive estudando-Respondo apenas, contornando o balcão e levando o copo até o senhor que espera por sua bebida,ele sorri quando lhe entrego.

–Estudando?O que?-Questiona Madge, rolo os olhos pela sua curiosidade.

–Linguagem de sinais.

–Como assim?

–Simples,percebi que estava interessada naquele loiro que veem aqui todo dia e que nunca me olha e nem me aplaude quando me apresento.Estava muito brava por ser ignorada,mas descobri que ele é surdo e mudo,e que meu interesse por ele é maior do que eu pensava.Por isso ontem passei em uma livraria e peguei dois livros sobre o assunto,e decidi que vou cantar para ele;e para que o loiro me note enquanto eu cantar farei gestos para que ele me entenda-Falo rapidamente,enquanto organizo os condimentos no balcão.Madge para de boca aberta e me encara atordoada.

–Eu sabia!-Grita batendo palmas.A olho escandalizada,assim como um punhado de pessoas.-Eu sabia que esse brilho nos seus olhos, era por algum.Oh meu deus Katniss,você está apaixonada!

–Não estou,isso é ridículo,eu nem ao menos o conheço-Me defendo e ela sorri.

–Ah KatKat,é o amor!Ele não precisa de muito para acontecer e que outro motivo você teria, para passar a noite acordada estudando algo completamente novo para você se não fosse por amor?

–Inclusão...!?-Soa mais como uma pergunta do que como uma resposta e isso acaba me denunciando.

–Sei...Mas saiba que te dou todo o apoio,e te dou uma bela maquiada na cara,porque minha amiga, você não vai impressionar ninguém com essa cara de zumbi.-Provoca,fazendo-me rir e rolar os olhos.Sei que Mad me ajudará em tudo.

Olho-me no espelho do pequeno banheiro.Madge passou uns bons belos minutos me arrumando,me emprestou até uma blusinha mais bonita.Graças a ela:minhas orelhas sumiram,meus olhos cinza ganharam um pouco mais de destaque com a leve maquiagem que ela passou,e meus lábios uma fina camada de batom rosinha e meus cabelos ficaram soltos.

Como uma garçonete isso é proibido,mas agora irei apenas cantar para o meu loiro,o que não me impede de deixar as madeixas soltas.Meus dedos correm pelo mármore da pia e batucam sem parar.Estou nervosa como nunca estive antes.

Olho bem no fundo dos meus olhos,que estão sendo refletidos no espelho e procuro nos meus olhos esse tal brilho que Mad tanto fala;prendo a respiração ao constar que ele está lá,adornando minhas orbes cinzas e fazendo-as brilhar como nunca.

Alguém bate a porta,e logo Madge entra.Ela sorri ao me ver.Nos seus olhos,eu encontro o mesmo brilho presente no meu,ela está apaixonada por Gale.Esse brilho significa o amor que agora supostamente está dentro de mim.

–Você está linda Katniss!-Elogia e eu sorrio envergonhada, não estou acostumada com elogios.

–Obrigada.

–Vamos está na hora-Anuncia,e meus olhos brilham em expectativa.Sei que devo ter estampando essa pergunta no olhar

"Ele está aqui?' Porque ela sorri sapeca e responde-Sim ele está,chego a alguns minutos e já pediu alguns pães de queijo,e se infurnou naquele livro.

–Mad,se ele nem ao menos me olha,como ele verá os sinais que farei?-Questiono nervosa.

–Pode deixar,eu dou meu jeitinho-Diz, piscando.

Saímos do banheiro dos fundos e vejo Clove uma das garçonetes que esteve de folga,mas que evidentemente foi convocada para trabalhar devido a minha 'ausência'.Ela corre entre as mesas anotando os pedidos e me sinto culpada por ela.Estou aqui pensando em meu beneficio próprio enquanto a coitada rala de trabalhar.

Eu o vejo,sentado em sua costumeira mesa.Com a cara enfiada no seu livro,uma expressão serena em sua face;ele deve ser uma boa pessoa.

–Está pronta?-Pergunta Mad e eu não digo nada, apenas faço que sim com a cabeça.

Vejo Gale no caixa e ele sorri para mim,assim como Clove que agora já anotou todos os pedidos e espera que Finnick os prepare.Hoje seu namorado Cato, veio ajudar Finn na cozinha.

Me direciono até o centro da lanchonete assim como faço todas as noites.Quando vejo,Madge já está no outro canto da sala apagando todas as luzes.Os clientes parecem surpresos,somente a lampada acima de mim e da mesa do loiro permanecem acessas.Ele parece perceber e finalmente me olha.Suas orbes brilham em dúvida,e eu sorrio e forço minha mente para lembrar do sinal que preciso.

Gesticulo com as mãos perguntando se ele está me vendo,ele sorri e gesticula que sim.Então dou inicio a música.

'Dizer eu te amo

Não são as palavras que eu quero ouvir de você,

Não é que eu não queira

Que você diga, mas se ao menos você soubesse

Como poderia ser fácil me mostrar o que você sente

Mais do que palavras é tudo que você tem que fazer para tornar real

Então, você não precisaria dizer que me ama

Pois eu já saberia'

Canto a primeira parte da música fazendo os gestos que preciso,durante todas as palavra minhas mãos trabalham em traduzir o que ele não pode ouvir.Rezo para que ele me entenda,e para que esteja acertando todos os sinais.

'O que você faria se meu coração fosse partido em dois?

Mais do que palavras para mostrar o que você sente

Que seu amor por mim é real

O que você diria se eu jogasse essas palavras fora?

Depois você não poderia tornar as coisas novas

Só dizendo eu te amo

La di da, la di da

Mais do que palavras

La di da, la di da'

Continuo cantando e gesticulando,as palavras saem de mim para os outros.Mas a letra é só nossa:minha e do loiro.Os gestos mostram isso,e ele sorri para mim;seus lábios trasbordam um sorriso sincero que faz com que eu tenha forças para continuar.

'Agora que tentei conversar com você e te fazer entender,

Tudo o que você tem que fazer é fechar os olhos e estender as mãos

Para me tocar,me abraçar,não me deixar partir jamais

Mais do que palavras é tudo que você tem que fazer para tornar real

Então,você não precisaria dizer que me ama

Pois eu já saberia

O que você faria se meu coração fosse partido em dois?

Mais do que palavras para mostrar o que você sente

Que seu amor por mim é real

O que você diria se eu jogasse essas palavras fora?

Depois você não poderia tornar as coisas novas

Só dizendo eu te amo'

Termino a canção fazendo o ultimo sinal,O 'Eu te amo' da canção,que espero um dia poder dizer com toda certeza para ele.As palmas explodem ao meu redor e ele sorri ainda mais para mim,eu retribuo o sorriso meio sem graça.

O loiro aponta para si mesmo,depois para mim e para a cadeira.Esse é um claro convite para que eu me sente com ele.Eu concordo com a cabeça e me sento na cadeira a sua frente.

As pessoas ainda estão batendo palma,enquanto eu o encaro não sabendo ao certo o que dizer.

Ele abaixa sua mão em forma de copinho e depois levanta,deixando de pé o dedinho.'Oi' Eu faço o mesmo que ele e nos dois sorrimos.

A luz do lugar volta ao normal,assim como as pessoas retornam a suas conversas.

Sei que não conseguirei acompanhar todos os sinais então pesco em meu bolso,meu bloquinho e minha caneta.Deixando em cima da mesa.Escrevo rapidamente um "Como você se chama?"E lhe entrego.

Ele sorri e pega a caneta em minha mão,no breve momento em que elas se tocam sinto um arrepio,é um sensação boa que de certa forma me aquece por dentro.

"Me chamo Peeta, e você?"Pergunta de volta.Recolho o bloco virando a folha,escrevo meu nome e lhe entrego.Ele parece notar meu nervosismo,pois devolve o caderno depois de escrever algo.Eu pego e vejo sua mensagem.

"Prazer Katniss,não se preocupe;eu posso te ouvir,mas levemente.Porém sei ler lábios e se você se sentir mais confortável pode falar comigo,só peço que fale lentamente."

Eu rio aliviada e ele me acompanha.Nosso olhos se encontram e eu me sinto preza em suas orbes.São tão magicamente atraentes,tão límpidas e puras.

–Me desculpe,eu queria muito falar com você,mas não tive como aprender tudo-Digo lentamente.Ele pega o papel e escreve algo.

"Não precisa se desculpar,já é muito legal você ter ensaiado essa música.A linguagem de sinais leva tempo pra ser aprendida"

–Eu sei,sinto muito mesmo.Mas se você pode me ouvir e pode ler lábios,Porque não fala?-questiono um pouco nervosa.

"Eu posso te ouvir bem no fundo,é uma voz distante;Eu posso ler lábios,mas prefiro usar a linguagem de sinais, e não falo porque não consigo,minha voz sai entrecortada e horrível."

Eu leio e assinto,deve ser difícil estar em sua situação.Mas ele parece acostumado,o que faz com que eu tenha a certeza de que talvez, mesmo ele sendo assim ele é feliz.

–Sinto muito.Mas você pode me ensinar a falar com você?-Pergunto,e ele sorri e faz que sim.

Suspiro aliviada.Peeta, é uma pessoa adorável e isso fica claro conforme os minutos de conversa vão se passando.Eu falo lentamente e gesticulo o que eu sei, ele responde por meio dos papeis.

Descobri que ele tem 22 anos assim como eu.Seus pais são adoráveis,e o homem que eu vi com ele ontem e seu irmão mais novo.Gloss.Peeta perdeu a audição quando tinha 10 anos,e depois de superar o que lhe aconteceu ele aprendeu a se comunicar pelos sinais.

Sua família também aprendeu;ele contou também que poucas pessoas se aproximam dele quando sabem de sua surdez,e que eu sou uma das únicas mulheres que tiveram iniciativa de começar uma conversa.

Sorri internamente ao saber disso.O monstro do ciumes,estava em paz dentro de mim.Eu podia me aproximar dele:aprender a falar com ele,amá-lo de forma correta,e fazer com que ele me ame.

Gale me deu uma semana de folga,e pelo que Madge me diz eles se acertaram,Fico feliz pelos dois.Assim eu e Peeta pudemos nos aproximar mais;ele trabalhava como escritor e estava com um livro em andamento,mas sempre deixava-o de lado.Nos encontrávamos todos os dias:no central parque,na lanchonete,e em um restaurante.E ele sempre tentava me mostrar novos sinais.

Eu passava a noite estudando um pouco,e de dia colocava em prática com Peeta.Um dia ele chegou ao parque em que combinamos de nos encontrar,como um caderno em mãos e a capa estava escrito:

'Caderno do Peeta e da Katniss'

E quando eu abri,vi colados todos os bilhetes que trocamos,eu sorri e Peeta me acompanhou.Naquele dia quase nos beijamos,estávamos presos nos olhos um do outro,mas faltou coragem para concretizar o ato.

–Sabe Peeta,é tão diferente encarar o mundo da sua maneira!-Digo deitada em seu colo.Mais uma vez estávamos no central park.era um fim de tarde e o clima estava agradável devido a estação.

Ele acariciava meus cabelos enquanto observava atento o que meus lábios o diziam.Nosso caderno jazia ao seu lado,assim como uma caneta,que ele pegou e escreveu.

" Sim Kat,é muito diferente, mas com o tempo você se acostuma.Pode parecer horrível mas não é,basta superar e ter forças para isso"

Eu li o papel que ele me entregou,e senti orgulho dele.Orgulho por ele não se deixar se abater,orgulho por ele sorrir e encarar a vida como ela é.Não é fácil falar com ele,tentar sempre entender os sinais que ele faz,ou sempre escrever, mas no fundo não é ruim.

A cada dia, me sinto mais apaixonada por ele;O brilho em meus olhos se fortalece sempre que eu o vejo,que eu falo com ele,mas ainda é muito cedo pra falar.

Peeta pegou novamente o papel,e escreveu algo que não consegui ver.Enquanto ele escrevia,eu observava o por do sol,enquanto as pessoas caminhavam pelo parque enquanto eu e Peeta ficamos deitados curtindo nosso mundo.Quando ele terminou de escrever,me entregou.

"Você já teve a sensação de que está sentindo algo mas tem vergonha de falar?Um sentimento novo difícil de explicar?Mas tão bom que te faz flutuar?Porém teme que seja tudo muito rápido,muito recente e precipitado?"

Suas palavras me atingiram,me levantei bruscamente e ele pareceu atordoado.Será que ele está falando de um possível sentimento por mim?

–Já,eu sinto isso a um certo tempo-Respondo.Peeta parece compreender bem o que estou falando.

'E você acha que é tudo muito novo?Muito apressado?'

Entrega-me o caderno,e eu assimilo suas palavras.Eu sinceramente não vejo a hora de poder dizer o que sinto a Peeta,não me importo dele ser surdo,das dificuldades que enfrentaremos.

–Não,se o sentimento for verdadeiro,nada é precipitado.-Digo,e Peeta sorri.

Peeta aponta o dedo indicador para seu peito,e depois poem a mão nesse local e em seguida aponta para mim"Eu gosto de você", é o significado desse sinal.

Meu coração dispara,e faço o impensável;Grudo meus lábios no seus.Peeta a principio parece surpreso,mas logo corresponde,sua língua contorna meus lábios e adentra minha boca com fervor.

Sua mão segura minha cintura e as minhas vão até seu pescoço,ele me beija tão maravilhosamente bem;Ele gosta de mim, gosta mesmo de mim.A sensação de seus lábios nos meus é tão boa, tão magica.

Quando nos separamos sinto a falta do contato dele comigo,mas apenas colo sua testa na minha e digo:

–Eu também gosto de você-Seus olhos focam-se nos meus lábios tentando compreender o que falo.As vezes esqueço que Peeta não pode me ouvir,então me distancio dele e pego nosso caderno,escrevendo a frase que antes havia falado.

Ele lê e sorri,tomando a caneta das minhas mãos e escreve 'Eu já tinha entendido Kat,sinto muito pela dificuldade que faço você passar para se comunicar comigo,mas quero que você saiba que esse tempo que passei com você foram os melhores da minha vida.'

Sinto milhões de fogos explodindo dentro de mim.Ele se declarou,pelo visto não sou a única tola capaz de se apaixonar em questão de dias.

–Eu sei que é novo, é recente,mas me faça sua-Peço lentamente,torcendo para que ele me entenda.Peeta apenas sorri e faz que sim com a cabeça;Pegando minha mão e a beijando e logo depois unindo-a a sua.

Nos levantamos,e seguimos até seu carro.Peeta como um cavalheiro abre a porta pra mim,e se senta ao outro lado.Durante todo o caminho,meus pensamentos vagam sobre tudo que está acontecendo.

Desde de a primeira noite que o vi até agora.Penso em como me senti mal por ser ignorada quando cantava,como me senti perdida quando descobri que ele era surdo,como foi estranho quando Cinna me deu os livros.Tenho para mim que naquele dia meu olhar trasbordava meu sentimento,e ele se comoveu comigo.

Penso nos dias que estou passando ao lado de Peeta,em nossas conversas desajustada.O quanto me faz bem estar ao lado dele,em quanto nem sempre as palavras são necessárias pra fazer uma pessoa se apaixonar e conhecer o amor.

Palavras são apenas sentimentos expressos jogados ao vento,pois o amor verdadeiro não precisa de palavras para mostrar ao mundo todo seu esplendor.Quem ama não precisa gritar ao vento o que sente,pois as palavras um dia serão esquecidas,e o que reinará eternamente perante todo o infinito é o sentimento puro do amor,e só o amor completa e engrandece a vida.Esse sentimento forjado pelo melhor que o ser humano tem a oferecer.

Tolos aqueles que pensam que precisam gritar e usar milhões de palavras para descrever o seu amor;esse é um sentimento forte por si só,e com apenas alguns gestos já provamos a veracidade dos nossos sentimentos não só para os outros mas também para nós mesmos,o que é o mais importante.Aprender a amar e aceitar o amor, abraça-lo como a um bom companheiro.

Amar dói?Dói sim!Dói muito,mas quando o amor e correspondido e aceito,o bem se instala e tudo fica perfeito.As vezes é bom esquecer das simples e tola palavras e ouvir o sentimento apenas com o coração.

E é isso que eu e Peeta fazemos,deixamos o amor falar ao coração.Nessa estranha forma de nos comunicarmos,nos apaixonamos.Não sou o tipo de pessoa que acreditava em destino e amor a primeira vista,mas quando o sentimento é com você as coisas são diferentes, nos permitindo enxergar melhor.

Eu já fui uma vez na casa de Peeta,em uma das primeiras noites da minha semana de folga.Ficamos conversando e ele me fez um chocolate quente,essa foi uma das melhores noites da minha vida.

Avisto a fachada do seu prédio e sorri.Meus olhos focam-se nele quando o mesmo entra pela garagem.Em algum momento,que não sei bem quando se passou,chegamos ao seu apartamento.

Ele é relativamente maior que o meu,paredes brancas, sofá marrom e quadros pelas paredes adornam sua sala de estar,ele pega minha mão e leva-me para o quarto.É loucura eu sei,mas já o amo e isso é inegável.

Ele abre a porta do seu quarto e logo avisto sua cama;esse é um comodo que nunca estive,mas que de certa forma vou conhecer.Seus lábios cobrem os meus rapidamente e sinto seu gosto novamente,é bom.

Sou deitada lentamente na cama.Peeta se posiciona entre mim e beija minha boca com carinho.Não temos pressa,temos vontade de nos amar.Sua boca abandona a minha e migra para o meu pescoço,leves e deliciosos beijos passam por minha pele e solto um muxoxo de satisfação.

Quando ele para de me beijar,seus olhos se encontram com os meus e vejo o brilho em suas orbes.É esse brilho que me faz querer continuar,e ter forças para correr minhas mãos por suas costas até chegar a barra de sua blusa e puxa-la para cima,Peeta gruda seus lábios novamente nos meus e sorri durante o beijo.

Olho bem para seu físico,Peeta não é forte,sua pele é branca e vejo algumas pintinhas se espalhando e migrando para suas costas.Corro minha mão por sua pele nua, sentindo a textura de sua pele.

Ele sorri me encorajando então faço o que deve ser feito.Tiro minha blusa exibindo meu colo e sutien branco rendado.O loiro parece admirado com o que vê e estende os beijos até meus seios cobertos pelo fino tecido.

Logo estou sendo preenchida por deliciosos arrepios.Quando percebo meu soutien jaz em um canto qualquer do quarto,nos beijamos por um longo período de tempo,mas eu quero mais e então dou o primeiro movimento.

–Peeta, eu preciso de você agora!-Exclamo.Seus olhos observam meus lábios e ele entendo o que eu quero.É incrível essa capacidade de Peeta ler lábios.

Ele retira sua calça jeans e faz o mesmo com a minha;Junto de sua calça,sua cueca se vai exibindo seu membro.Mordo os lábios ao ter essa visão dele.O loiro beija minhas pernas,o interior de minhas coxas e minha intimidade por cima da calcinha e logo a retira.

Seus olhos passam por meu corpo,e reprimo a vontade de corar.Inutilmente pois ele ri e se posiciona entre minhas pernas.Sinto sua intimidade roçando na minha,e me arrepio mais com o toque dos dedos de Peeta correndo por meu braço.

Sinto então seu membro tomando passagem para dentro de mim,e sorrio ainda mais.Ergo minhas mãos,aponto a direita na direção de meu peito,depois a fecho,e junto com a outra em cima do mesmo,aponto para ele;dizendo a forma que ele entende o tão aguardado e lindo "Eu te amo".

Peeta sorri,e toca meus lábios com os seus.É possível amar,criar um amor de forma estranha,mas o que é esse sentimento sem surpresas,sem peças pregadas ao longo da vida?o amor é assim acontece assim,de repente.

–Eu...te...amo...-Diz Peeta com dificuldade,sua voz sai estranha e entrecortada como a voz de uma pessoa que já não pode mais ouvir,que não conhece muito mais o som das palavras.Mas que se esforça pra falar nem que seja ao menos mais uma vez.

Eu o beijo,selando nosso amor,sorrindo internamente por seus esforços e carinho.Peeta foi capaz de me ouvir com o coração,e eu sou capaz de ouvi-lo também.

Notas finais
Obrigada a todos que leram a fic.Se gostaram peço que entrem no grupo do face, lá você pode acompanhar meus trabalhos e tudo mais https://www.facebook.com/groups/1376456072613481/.Poor favor pessoal se leram até aqui não custa comentar, isso me ajuda muito.Bem é isso espero do fundo do meu coração que tenham gostado, me empenhei muito pra realizar esse trabalho.Beijocas na bunda, e plis comentem e se quiserem recomendem ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!