Others of us
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Vamos começar...
— Mamãe, você vai me deixar?_ a menina perguntou com inocência, vendo os olhos marejados de sua mãe.
— F-filha._ gaguejou ao tentar buscar palavras para dizer à criança tão pequenina, que estava partindo. Mesmo tentando esconder a profunda tristeza, estava aos prantos, fracassando na tentativa de se manter firme.- Eu e o seu pai, teremos que partir para bem longe._ soluçou.- Mas, vocês ficarão nas mãos do Tio Ben, e até lá obedeça seu irmão, ok?_ perguntou ao limpar as lágrimas freneticamente com as costas da mão.- Me prometa que vai obdece-lo, Alisson.
— Tá..._ ela disse sem nada entender. Após a resposta, sua mãe apenas lhe abraçou, sentindo seu corpinho tão pequeno e frágil em suas mãos, envolvendo-a em seus braços pela última vez, seu aroma doce, a pele suave e quente.
— Eu amo você e seu irmão, amo-os demais._ sussurrou roucamente.- Saiba sempre disto, sempre.
— Jenna, temos que ir._ disse o pai da garotinha ao surgir do topo da escadaria, trazendo consigo um menino um pouco mais velho que Alisson.
— Mark... _ Jenna se levantou, limpando as lágrimas novamente, pegou o bracinho dela e levou até o menino, quando o mesmo já estava próximo.
Mark também estava muito abalado, quando observou os dois filhos juntos, sentiu um grande aperto no peito e um enorme arrependimento das escolhas feitas no passado que haviam lhe levado até aquele momento, onde teria que abandoná-los para protegê-los. Então, mesmo sendo difícil, levou seus filhos para o porão, muito bem escondido e antes que os fechassem lá, olhou para Ian.
— Cuide de sua irmã.
— Mas...
— Apenas faça isso._ pausou.- Quando não nos sentir mais aqui, saia o mais rápido possível e vá para a casa de Ben._ Ian concordou, mas com choro nos olhos.
— Eu não quero te deixar, pai._ ele disse relutante, fazendo Mark se sentir mais triste ainda.
— Eu sei, Ian._ o abraçou e sussurrou.- Seja forte, ok? Você não está nos perdendo..._ se afastou e pôs sua mão sobre o peito do garoto.- pois sempre estaremos aqui.
Quando Alisson avistou seus pais os deixando naquele lugar escuro, sentiu tanto medo e angústia que se agarrou ao irmão mais velho, o segurando fortemente para não deixá-lo partir também.
— Ali, acalme-se._ ele pediu com a voz embargada, lágrimas insistiam em cair dos olhos deles.- Alisson...
Gritos familiares e tiros, surgiram ao longe, provocando inquietação em ambos, fazendo a garotinha se prender mais a ele, e o mesmo, controlando-se para não gritar de tanta dor contida no peito.
Abri meus olhos rapidamente, me sentando na cama em um pulo, sentindo a adrenalina percorrer cada centímetro do meu corpo, fazendo minha respiração ficar entrecortada com cada batida rápida do meu coração e a visão assustada sobre tudo que se repetia em minha mente. Quando percebi que estava em meu quarto novamente, entendi que era só um pesadelo, daqueles que me desnorteava a cada instante que eu insistia me recordar de meus pais.
— Eu ouvi você gritar._ meu irmão disse encostado no batente da porta, surpreendendo-me por não vê-lo antes. O mesmo veio até mim com um ar pesado e cansado, entendendo o que estava havendo comigo, e ao sentar na beirada da cama, passou as mãos no cabelo claro, indicando que já estava exausto de tudo, assim como eu.
— Não precisa se preocupar._ puxei o cobertor até os meus ombros.- Estou "crescidinha".
— E daí?_ sorriu ao se jogar do meu lado na cama e logo depois se apoiando na cabeceira.- Alisson, eu não sei o que dizer. Eu também tenho esses pesadelos, e quando os tenho, são minutos horríveis até ocupar-me com outra coisa._ bocejou pesadamente.
— É._ ele estava terrível, talvez não dormisse à dias.- Ian, acho melhor você descansar. Pode ficar aqui mesmo._ ao olha-lo melhor, pude vê-lo já dormindo.
Tudo aquilo havia me despertado, eu sabia que qualquer hora que pudéssemos dormir sem fugir era uma dádiva, mas infelizmente o sono havia partido. E ao me levantar, caminhei até a gaveta, abrindo-a e pegando a foto que havia ali. Nela tinha minha mãe, uma mulher de pele morena, cabelos ondulados e os olhos castanhos escuros, e meu pai ao lado direito, que era branco, tinha os olhos e os cabelos claros, deixando evidente que meu irmão era igual à ele, enquanto a mim mais parecida com minha mãe.
Mas, quando escutei passos rápidos até meu quarto, fui tirada de meus pensamentos, avistando na porta meu Tio chegar, com a respiração ofegante. O vendo melhor, naquele momento, pude ver que em meio ao ar de superioridade, havia medo em seus olhos, dos quais me passaram receio, já temendo o inevítavel.
— Alisson...
— O que foi?_ perguntei sentindo meu estômago se contorcer.
— Não temos mais tempo._ eu engoli seco.- Eles estão aqui.
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