Other Hand

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Primeiro capitulo *_*

Surpresa

- E, os grupos serão divididos – O Sr Monster disse, terminando o assunto sobre literatura naquela manha -, deixaremos a discussão mais aprofundada sobre os livros na terça-feira.

Alice jogou o cabelo longo ruivo atrás de um ombro e fechou o livro com prazer.

- Antes de irem embora, vejam quem é a dupla de vocês! – Ele disse, em meio ao arrastar das cadeiras.

Todos estavam loucos para irem embora daquela sala, pularam para fora da carteira, como se um imã os atraísse para fora de sala.

Alice caminhou confiante até a lista que se encontrava colada na parede; conduziu uma das mãos para procurar o seu belo nome e se assustou ao olhar o de sua dupla.

Como assim? – Ela pensou sentindo um aperto no coração.

Ela virou a cabeça devagar e olhou relutante, para o final do corredor. Ele estava lá com um livro em mãos, os pulsos finos rodeados pelas faixas de couro pretas com hostis tachas prateadas.

Isso não podia estar acontecendo.

Alice esqueceu a fome e um desconforto tomou conta de seu estômago. Ela ficou imaginando se os rumores, sobre James Sanderson, eram verdadeiros. Ela teria que fazer um trabalho de literatura, com aquele garoto esquisito e misterioso, o garoto do fundão.

Ele sempre parecia estar anotando ou desenhando algo em um livro, embora ela não soubesse o que era. E talvez parte do que tornava tudo isso tão estranho era que Monster nunca chamou a atenção dele, nunca pediu que lesse em voz alta ou respondesse alguma pergunta. E isso era estranho também, porque ninguém nunca se livrou disso com Monster.

Pensativa, Alice saiu do local onde se encontrava a lista e caminhou em direção a James, com um olhar fixo.

- Escuta, eu não vou fazer esse trabalho sozinha – Ela disse, quebrando o gelo com aquela pequena indireta em que queria dizer: para seu governo...

Ele não se mexeu, mas falou.

- Eu disse isso?

Alice arqueou uma das sobrancelhas ao ouvir a voz dele. Era como se ela esperasse que ela fosse feita de cera. Sua voz era calma e baixa, não perturbadora e rude como ela imaginava. Ele nunca tinha falado antes na sala de aula. Não que ela se lembrasse.

- Não – ela disse rígida, tentando se livrar da situação.

Alice se sentiu uma idiota por conversar com aquele garoto, James Sanderson, o místico.

- Eu só queria lhe deixar ciente, você não fala nada – Alice sentiu o tom de voz esfriar

- É bom deixas as coisas bem claras – Ele disse, chamando sua atenção de volta para aquele pequeno espaço no canto do corredor. Era tão estranho ouvi-lo falar. – Eu também não vou fazer o trabalho sozinho.

Ele virou a cabeça e fixou os olhos nela. Ela congelou, paralisada, pela intensidade daquele olhar. Os olhos dele eram austeros e frios, de um verde jade pálido. Delineadores com um lápis preto borrado, fixados nela, sem piscar, entre as mechas de seu cabelo negro... Era como estar sendo observada através de uma gaiola por um gato complacente e calculista.

O desconforto tomou conta dela, espesso e negro como petróleo.

— Me ligue — Ele começou a anotar o telefone no braço dela.

Ela reprimiu um protesto quando ele segurou seu braço. Ficou olhando, sem acreditar, aqueles dedos longos e, sem piscar, observou a caneta preta que apareceu do nada e começou a se mover sobre a sua pele, a ponta tão fria e afiada quanto aqueles olhos.

O rosto dele permaneceu impassível enquanto ele desenhava pequenas linhas com cuidado. A impressão constante da caneta esferográfica provocava cócegas, formando nós em seu estômago.

Quando ele finalmente terminou, soltou seu braço e, encarando-a uma última vez com aquele olhar cortante, virou-se de costas, agarrou o livro preto e pendurou a mochila de couro em um ombro.

- Não me ligue tarde – ele disse e, enfiando a caneta atrás da orelha, foi embora.

O rosto de Alice ardia. Sua pele formigava onde ele havia tocado, sentindo uma energia quase imperceptível que ela não podia ter certeza que era apenas sua imaginação.

Alice olhou para seu braço.

Em tinta preta, ele tinha escrito “J-666-0890”