A flecha ainda apontada para o meu rosto, ia para trás vagarosamente, se fosse qualquer outra coisa estaria aliviado, mas sabia que ela soltando aquela arma ponti-aguda, poderia ter certeza que essa história acabaria por aqui. Ouvia a musica tocada naquele instrumento estranho sendo acompanhada pelos pequenos comentários sendo sussurrados por Ópera e sua amiga, minha audição estava bem aguçada, conseguia até diferenciar os sons sendo reproduzidos naquela melodia, queria poder saber o autor de tal som lindo, que era um bem agudo, idêntico ao que minha mãe tocava, acho que o nome era violino, era lindo o som e ao mesmo tempo triste, triste como a situação que me encontrava. Symphonia nunca pegou em uma arma, e se pegasse iria matar alguém acidentalmente ou mesmo se suicidar, aquela menina era tão burra, aposto que foi ela quem disse a Mellody para virem me procurar, nesse momento eu poderia confirmar minha hipótese, uma porta era mais inteligente que minhas irmãs. Voltando a dolorosa "cena de teatro", a flecha ainda estava arriada para a minha direção, as cordas pelas quais os movimentos do meu corpo eram controlados pareciam dar sinal de querer dispara-la, suava e muito, foi no momento sublime que ouvimos grito, cortando a cena,"Um dos corpos sumiu!!!!" o braço de Symphonia amoleceu e a flecha caiu, nossas espectadores ficaram pálidas, Ópera quase quis subir a escadaria da onde a voz surgiu e matar o dono dela, ela levantou-se bruscamente de onde estava sentada, com a mão fechada como se estivesse esmagando algo, "Marrie! Pare com o espetáculo, fique de olho nas marionetes enquanto vejo isso que aconteceu!", e foi subindo as escadas. Eu ficava aliviado, as cordas eram puxadas e minha irmã e eu íamos juntos, pensava que poderia acabar de uma forma nostálgica, sim, não errei o termo, a maneira como a morte brincava com nossos corpos antes de levar nossas almas. Essa merda toda já estava me enojando, sentia que uma hora mais cedo ou mais tarde teria que ou sumir daquela mundiça, mas como eu ainda teria que pensar como..Talvez sim, talvez não, mas provável que certeza iria sair algo errado. Aquelas mãos grotescas nos abraçavam novamente, e com passos grossos amassando os coitados dos degraus em direção aquele corredor, eramos dirigidos até aquela sala escura, ficava preocupado em saber qual marionete tinha sumido, e se era mesmo que haveriam outras como nós, vivas, mas elas nem ligavam para o que éramos, e sim para nossa aparência. Tinha percebido no braço daquela bruxa que nos levava vários arranhões, nenhum deles parecia ser de animais ou qualquer coisa assim, eram feitas com lâminas, como a da minha espada. Parecia que mais daquelas marionetes eram pessoas que foram dessa para melhor, a afeição por cadáveres de Ópera era tensa, será que ela fazia aquelas coisas com cadáveres que minha mãe fazia com outros homens pelados numa cama? Até doía mais que as cordas fincadas nos membros do meu corpo pensar nisso, tudo parecia tão insano, minha vida era como um sonho de uma pessoa normal, se é que existisse nesse bendito mundo. Quando chegamos a sala, fomos postos novamente nos ganchos, eu ficava indagando o que poderia ter ocorrido, e se era sorte ou apenas brincadeira da morte que aquela marionete fugiu. Alias, por falar na marionete, perceberam que Ópera mandou aquela bruxa nos vigiar? Por que nos trouxe aqui novamente? O que ela estava tramando? Por que ela fechou a porta sem mais nem menos? Onde ela pode estar indo? Seria ajudar a procurar a marionete? Por que faço tantas perguntas? POR QUE TANTOS PORQUES? Melhor me acalmar, é a única coisa a fazer, esperar não é uma de minhas qualidades, a paciência nunca foi com a minha cara, ela preferia me mandar tomar naquele lugar do que me ajudar a não sentir um ódio imenso por quem ou o que me fazia esperar tanto. Para me controlar eu até chorava, mas isso era demais para um cara da minha idade. Ou por via das duvidas descontava isso nas minhas irmãs, e sempre me fodia por isso. Agora queria saber tanto o que aquela megera foi fazer..Foi quando ouvi um som de estouro, alto pra caramba, meu corpo gelou naquele momento, o que tinha sido aquilo?
Fale com o autor