Otello - Sonho de Uma Nova Melodia
5 Capitulo 4 - A colecionadora de corpos
Havia um cadaver no meu caminho...No meu caminho havia um cadaver...Mas o que to dizendo? O cadaver era eu! Lá em baixo, estentido, perfurado, todo manchado por sangue, era questão de tempo até que os abutres me rodiassem ou os vermes decompossem todo o meu corpo.E o mais intrigante, como eu to contando essa história?Fui tentar abrir os olhos, suavemente ouvia o barulho do vento forte e ofuscadamente alguem parecia dizer: "encontrei mais um corpo..". Acho que se referiam à mim, não sentia meus braços, não sentia meu corpo, não sentia nada, apenas o vento susurrando no meu ouvido, querendo arrancar a minha orelha, chegava a conseguir pensar que estava sem alguma parte do corpo, ou totalmente desmembrado, depois disso voltei para a escuridão.
Não ouvia mais o vento, ele tinha parado, parecia estranho, mas estava vivo ainda.Movia os olhos atordoadamente, mas não conseguia abri-los, e ao meu lado, ouvia o balançar de uma cadeira, por mais que tentasse, meus olhos não abriam, estavam muito pesados, tentei falar algo, mas parecia que minha garganta havia sido arrancada:"O-Onde estou", saiu apertado, mas consegui dizer algo."Hum...Esta vivo ainda..."; disse alguem, pelo tom da voz, uma mulher;"Mesmo todo perfurado do seu pequeno acidente nas rochas, ainda vive."; Ficava com muito medo das palavras da estranha voz, era como se alguem estivesse rindo do meu estado, por que eu não morri logo?O que ainda me matem vivo? Meu corpo todo destruido, meu coração parecia nem pulsar mais, o que eu ainda estava fazendo aqui?"Quem,é voce?"-Arfei novamente, a voz parece ter dado um sorriso, meigo e gentil."Para um zumbi,até que você parece legal.Meu nome é Opera, sua nova dona";isso doeu os meus ouvidos, depois de esperar tanto pelo poder, voltei a ser um mero subordinado, só que agora sem utilidade, talvez apenas para alimentação de outros, ou então ja estaria numa bandeja para ser desgutado."Não sei por que, você é tão bonitinho para eu comer...Da até dó de te ver nesse estado...Vou deixa-lo aqui guardado na minha coleção"; isso soou como um trovão, eu havia me tornado uma mera peça de uma coleção, e o que parecia, não uma coleçao qualquer, uma coleção de corpos, corpos que como o meu, ja deveriam estar despedaçados, faltando partes, decompostos, meu unico desejo agora era logo partir dessa para melhor, mas não havia jeito, por mais que desejasse, isso não acontecia.Não sentia o meu corpo inteiro, mas meus ouvidos ainda funcionavam, conseguia ouvir cada passo que dava a dona daquela voz ao se dirigir pelo que parece a uma porta, e depois uma batida, parecendo uma porta se fechando, após isso tudo se calou. Passou-se horas, e nessas horas eu ainda perguntava a mim mesmo: O que me matinha vivo?O que me mantinha preso aquele corpo?Por que eu praticamente não morria ainda? Foi quando meus pensamentos se interromperam com outro rangido de porta, e o som de passos prosseguia com o rodilho do que parecia 2 mesas móveis, que param próximas de onde eu me encontrava, seguido de um passo e a voz doce com quem eu conversava;"Estão vivas tambem?"; agora uma voz grossa respondia:" Sim, mas não sobreviverão por muito tempo, pobres crianças frageis, sairem numa tormenta como essa, o que será que estavam procurando?". Estava em duvida, até que parece que alguem queria falar algo, foi quando saiu a voz e fiquei espantado: "M-Mano"; a voz se assemelhava a de Symphonia, queria não acreditar que minhas irmãs foram me procurar.
Fale com o autor