O teto parecia ter sido arrancado, sentia a chuva batendo em meu corpo, não tinha coragem de abrir os meus olhos e ver se era chuva que estava caindo ou outra coisa, sentia apenas as gotas refrescando o meu rosto, resolvi então abrir os meus olhos, não era o que eu pensava, apenas os olhos das minhas duas irmãs chorando diante do meu possível "cadaver". E algumas gostas com o vento batiam na minha cara, logo elas viam que eu parecia retornar a vida, vagarosamente, meu braço agora muito mole seco o meu rosto e me levanto. Tiro um pouco de poeira das minhas vestes e agora eu olho firme para elas, como eram muito baixinhas, era como se eu tivesse num altar diante do meu reino logo abaixo, agora sim o real poder parecia haver chegado.

"Bom...Parece que agora estou responsavel por vocês duas por alguns anos..."- Falava isso num tom imperial, querendo passar a idéia de que elas eram as subordinadas,"-Mano, a mamãe não vai mas voltar?-" Disse a minha irmã do meio, já que parece que a outra emudeceu-se."Ai,ai, bom, infelizmente não podemos fazer nada, como agora eu estou no comando" Disse eu mais uma vez."Hum...Então tá bom." Disse a do meio.

Acho que é nessa parte que devo me apresentar, prazer, sou Orpheu, tenho 15 anos e sou o irmão mais velho dos tres filhos de Kelleby e Oraiso, dois musicos que agora compõem suas canções no céu, ou no inferno talvez, por que meu pai tinha a fama de roubar dos pobres e tomar para si mesmo, enquanto minha mãe traia meu pai diversas vezes levando alguem pra cama e fazendo coisas que a mamãe gritava e ficava vermelha, os dois ficavam sem roupa e não deixavam ninguem dormir, apenas eu tinha coragem de ver o que faziam, mas nem reparavam que eu existia, pois se beixavam e pareciam gostar daquilo, era nojento. Mamãe ficou gravida e nisso nasceu Symponia, minha irmã do meio de 13 anos, chorona pra caramba, parecendo ainda um bebê e já moça.Mas ela não parecia um pouco com meus pais ou comigo, e mesmo assim a consideravam como a princesinha da casa, até o dia que nasceu Mellody, a mais nova com 12 anos, quieta pra burro, não falava um ah, só falava quando chorava igual a outra ou quando sentia dor. Essa ao contrário de Symphonia parecia muito meu pai e as vezes até eu sentia ódio de estar próximo dela.

Quando papai morreu, mamãe ficou perplexa, palida como eu havia ficado a alguns instantes, chorava no corpo todo ferido da queda que ele levou, mas por que ela chorava? Tinha tantos homens com quem ela ficava mais feliz que com meu pai, oras, adultos!Apenas via as duas agoras como minhas sulditas, leais ao seu rei, que era eu, agora que o cargo foi posto a mim, cabia a mim decidir as ações das duas, se elas quisessem algo, teriam que falar comigo antes, era eu a voz mais alta agora.

Mas qual seria a primeira ordem que iria dar as duas?O que elas iriam fazer para mim?O ruim de estar no poder é que de tantas ordens que queira dar, era dificil escolher a primeira, foi ai que quando decidi o que queria, fui atrapalhado por Symphonia,"Mano, estou com fome!" Aquele rostinho palido me enojava, mas fazer o que, dizem que quando se tem o poder, você assume certas responsabilidades, e essa era uma delas, ter que por comida na mesa,e mais uma vez fui atrapalhado,"Eu não quero comer a mamãe..".Agora havia dificultado as coisas, nem eu, nem elas queriam comer a carne de nossa falecida mãe, pareciamos ja haver enjoado disso, mas o que poderia ser servido de comida?As plantações eram pobres, não havia nada que pudesse ser cultivado na terra pobre que nossa casa estava fixada e nem preciso dizer se tinhamos animas, tendo que comer qualquer coisa, era meio que óbvio a nossa situação, olhava para fora e apenas via da janela o céu negro ficando mais negro ainda, buscar algo la fora seria perigoso.

Enfim, mas o que então? Ficar ouvindo as duas chorando de fome ou enfrentar um temporal tenebroso atrás de comida? Acho que não tinha muitas opções boas...