Não aguentava mais essa tensão toda, parecia que estavam rindo da minha cara nesse momento, isso tudo era uma encenação atordoante, que pairava na minha mente como um peso sob uma bola de papel,isso tudo é absurdo demais para mim...

Foi quando a porta rangeu e uma sombra tomou posse da claridade, por trás dela via-se sangue escorrendo até o rodapé. Symphonia estava por trás de mim e nem imaginava o que se passava, enquanto eu privilegiadamente presenciava o que poderia ser nosso assassino. Não conseguia ver seu rosto direito, vagarosamente se aproximava, não dizia um “A” em sua trajetória até nós, para em um certo ponto, ainda irreconhecível e saca algo da cintura, apontando em nossa direção e levemente direcionando o que parecia ser um revólver até o gancho que nos mantinham pendurados. Foi num disparo que o sustento do gancho se quebrou, e fez Symphonia e eu cairmos de lá. Eu conseguia agora me mexer, e antes mesmo de pensar no próximo passo o meliante fica um passo da onde minha irmã e eu estávamos.

Nunca disse isso e talvez nunca voltarei a dizer tão cedo, mas pela primeira vez sorri ao ver a face de Mellody. Ela estava semi-nua com diversos ferimentos graves, os quais cobria com diversos trapos brancos banhados no tom vermelho-sangue. Eu ficava enojado com aquilo e ao mesmo tempo aflito, mesmo naquele estado, estava viva, eu estive vivo, Symphonia também! Mas qual a razão disso tudo? Era apenas uma brincadeira da morte?

Ela respingava sangue por onde passava,o cheiro era tão bom, tão suave...Queria poder dizer o mesmo da aparência dela, me fitava como se quisesse me devorar. Ela cada vez se aproximava, até ser interrompida pelo choro de Symphonia, sim, a danada deu sinal de vida e num momento propicio. De uma hora pra outra a afeição de Mellody mudou, para aquela carinha de bunda dela de sempre, se ajoelha e começa a chorar, junto com as lagrimas, sangue saia de seus olhos, cobrindo os olhos com as duas mãos. Aquela cena passou para algo insuportável, de longe conseguia ouvir alguém subindo a escadaria, seguindo os comentários: “Marrie está tardando, vamos ver o que houve..” Naquele momento eu pensei comigo mesmo, se não tomasse uma atitude logo, fodeu.

Vendo atrás de Mellody, via que o que escorria sangue era a bruxa mais pálida do que já é. Com um tiro na cabeça bem próximo a nuca. Pelo visto ou ela acertou o tiro ou errou e teve sorte de acerta-la. Isso não importava agora, teríamos que esconder aquele corpo em algum lugar, mas onde?

Symphonia sussurrava próximo ao meu ouvido, “Não quero olhar para onde está olhando, tenho medo de ficar horrorizada, mas conte comigo no que puder ajudar”. Eu não tinha mutias palavras para dar uma resposta a nível, ou eu teria que trabalhar sozinho com ajuda do que restara de Mellody, ou teria que confiar na minha boa sorte que estava escassa.

Os passos aumentavam a cada segundo, elas já poderia estar próximas ao corredor, me levantei e com o saque da minha espada arrebentei as cordas que me mantinham presos e poderiam me atrapalhar la. Mellody mesmo fraca ainda conseguiria me ajudar de alguma maneira, e Symphonia ficava cabisbaixa com medo de ver algo que era costumeiro nosso.

Levamos o corpo até dentro do recinto, em um local que ela não ficasse fácil de ser notada, foi difícil por conta do peso da megera em relação a nossa força agora, parecia que meu corpo estava oco. A cobrimos com um manto para exalar o odor do cadáver que agora ficava mais forte a cada hora. Ele estava bastante empoeirado, e talvez nos ajudasse a esconder as evidências, agora só faltava escapar dali, a pergunta era...como?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.