“Kishinda omoi o hakidashita ino wa

sonzai no shoumei ga hokani nai kara”. As palavras em língua estrangeira ecoavam pelo lugar aberto.

— Agora vem a melhor parte! — um menino um tanto peculiar, de cabelos rosas, falou.

“Keshite rewrite shite!”, gritava o vocalista, com uma pronúncia que, apesar de não perfeita, não deixava a desejar perto do original.

“Kishikasei rewrite shite”. Sua voz também não era igual a do cantor da tal banda, Asian Kung-fu Generation, mas ainda assim agradou, e levava a multidão aos gritos. Os fãs, que conheciam de cor a letra da música, proferiam as palavras junto com o vocalista. E 3 dessas pessoas faziam parte de um pequeno grupo de amigos.

— Best opening ever! — dizia Edward quando a música acabou.

— Com certeza, é uma das melhores. Desse anime, pelo menos. Mas ainda prefiro Again, do Brotherhood — respondeu Paul, coçando seus lindos cabelos coloridos.

— E aí, qual será a próxima? — J se perguntava enquanto esperava na dúvida de o que a banda iria tocar.

— Acabei decepcionado… Pensei que iam tocar opening de algum anime melhor — dizia Joseph desapontado.

“Você não pode julgar a opening por seu anime”, pensou Paul, mas antes de poder falar, duas meninas se aproximaram, uma de cabelos loiros com mechas azuis e a outra, mais alta, de longos cabelos pretos.

— Vocês, também, hem… Só ficam aí no show dessa bandinha cover. Vamos andar por aí. — dizia a mais velha, Katherine.

— Calma aí, eu não acredito que você disse isso! Eles são os Blue Afro Racoons, a melhor banda cover de anime da região — J defendia a banda, levantando-se de seu assento. Fez então a pose-símbolo da banda, colocando as mãos sobre a cabeça imitando uma orelha da guaxinim.

As garotas riram.

— O azar de morar neste país é que o máximo que você consegue é uma banda cover — disse Paul, com seu jeito pessimista.

— Na metrópole não é assim. Elas trazem algumas bandas lá do Japão para os eventos! — disse Edward.

— Eu queria tanto ir num evento desses… — dizia Yuuka, a garota mais nova.

Se levantaram então e tomaram rumo para os estandes de comida. Mas algo chamou a atenção de Paul e parou sua visão. Uma garota. Longos cabelos rosas, com duas pequenas tranças. Um vestido curto preto. E um machado ensanguentado na mão.

— Y-Yuno… — dizia ele.

— O quê? — perguntou a garota mais velha.

— Gasai Yuno! — desembuchou, apontando para a garota.

Katherine olhou.

— Oh, mas que cosplay lindo!

— Tia Katherine! Consiga o telefone dela pra mim! — disse Paul.

— Você se apaixonou assim tão fácil?! — falou, ignorando por pouco que ele a chamou de tia.

— Por favor?

— É claro que não! Você nem a conhece! Vai assustar a coitada desse jeito. Garotas não gostam de garotos desesperados.

— Mas ela é linda! E gosta de Mirai Nikki. Como eu não me apaixonaria?

— Esquece.

— Por favor? — disse, com os olhos do Gato de Botas, tática usual sua.

— Esqueça!

Numa conversa paralela, Yuuka comentava com Joseph.

— Mas ela é linda mesmo… Até eu me apaixonei um pouco.

— E o melhor de tudo é que isso foi baseado numa história real — disse Edward.

— O que está falando? — questionou Joseph.

— Apenas quebrando a quarta parede.

— O quê?

— Imagine, se, de fato, nossas vidas fossem apenas alguma história que alguém está escrevendo para um livro. Eu estou falando com os leitores.

— Seu nerd… Bem, eu preferia que fosse um mangá.

Katherine se distraia com a conversa dos dois, e quando se deu por si, havia perdido de vista Paul. Olhou 360 graus em volta de si e o encontrou, junto com a menina de cosplay. “Droga! Não se pode tirar o olho dele por um segundo… Ele vai assustar a coitada.” Viu-o tirando uma foto com a câmera frontal do celular, trocando algumas palavras, e então voltando.

— Você parece triste — disse a ele — Não valeu a pena tirar a foto com ela?

— Ela chama Laura. Ela aceitou tirar uma foto mas não quis me passar o celular dela.

— Bem feito! Como pode ser tão indiscreto? Você nem sabe se ela tem namorado!

— Otakus não namoram — explicou Joseph.

— Então ela não foi com a sua cara mesmo — concluiu Katherine.

— Mas poxa, tia Kat, você tinha que ser minha wingman. Se você tivesse pedido, duvido que ela não passaria. E ainda fez eu me envergonhar atoa.

— Não conte comigo.