Ossos de cristal

3 Capitulo III - Ossos de cristal


Notas iniciais
Olá pessoal, aqui vai mais um capítulo da fanfic Espero que gostem e que estejam acompanhando *-* :D

— Papai? — A voz doce da menina despertou Sakura de seus pensamentos confusos. Virou-se no mesmo instante, largando a prancheta e indo em direção a cama.

— Olá Sarada. – Sakura se aproximou para entrar no campo de visão da menina e abriu um sorriso gentil quando esta fixou seu olhar nela. – Como se sente agora, querida?

— Dra. Sakura. – A menina afirmou sorrindo um pouco, ainda sonolenta. – Bem melhor. Meu pé não dóis mais! — Dito isto, abriu um sorriso enorme. – Eba! Meu pé não dói mais!— Ela riu e olhou encantada para a médica de cabelos rosados, que ela, particularmente, achou que parecia com algodão doce. E gostava muito de algodão doce. – Você quem consertou? — A menina perguntou, achando aquilo incrível.

— Bem, sim, fui eu que consertei — Sakura riu. Consertar não era bem a palavra para um tornozelo quebrado, seria melhor para um objeto, mas serviria. – Seu pé vai ficar novo em folha em algum tempo querida.

— E meu pai? Ele veio me ver?— A menina perguntou hesitante. Como se não esperasse que ele de fato tivesse vindo. Sakura franziu o cenho de leve. Aquilo era estranho.

— Oh sim, ele veio! Tive de expulsar ele do seu quarto e obrigá-lo a descer para comer alguma coisa. – Disse, enquanto seus olhos verdes esquadrinhavam cada mudança na expressão da menina.

Os olhinhos negros brilharam quando ela ouviu o que a Dra. havia dito. Seu pai viera vê-la e ficou tanto tempo com ela? Isso era o máximo! Geralmente ele não tinha muito tempo para ficar com ela. Só o via de manhã e a noite. Às vezes saíam nos finais de semana. Ela sabia que ele era um homem muito ocupado e precisava trabalhar muito por que era dono de uma empresa muito, muito grande. Mas ainda assim sentia falta de passar mais tempo com ele. Ainda mais depois da morte de sua mãe.

— Por que a surpresa quando eu disse que ele veio Sarada?— A Haruno perguntou, tentando obter o máximo possível de informações antes de fazer qualquer acusação contra o Uchiha. Ele era um homem rico. Ela não era nem louca de acusá-lo por agressão infantil sem provas ou bons argumentos.

— Papai é ocupado.— A menina respondeu, seus olhos escuros e grandes recaíram sobre suas mãozinhas unidas sobre o lençol branco.

— Papai te trata bem, querida? – Perguntou como quem não queria nada, mas precisava mesmo se certificar. Sarada era uma criança adorável, faria o possível para descobrir se alguém realmente era capaz de levantar a mão para um anjinho como ela.

— Sim, ele sempre é gentil comigo. – Ela disse com um sorriso meigo – Ele sempre faz carinho nos meus cabelos antes de dormir. – A garotinha afirmou, levando a própria mão aos fios negros que caiam sobre a testa.

— Entendi. Tem alguém que te machuca meu amor?— A Dra. tentou mais uma vez.

— Não.— Olhou confusa para a “Dra. Algodão doce”.

— Tem certeza querida? Pode me dizer a verdade, eu não vou deixar que nada de ruim aconteça a você. – Sakura abaixou-se para ficar na altura dos olhos da pequena Uchiha.

Foi quando Sarada a olhou nos olhos que a Haruno notou algo estranho. “Esclera azul?” Sakura perguntou a si mesma em pensamento. “Nada bom, nada bom mesmo!” ela pensava.

— Sarada querida, pode chegar mais perto para eu poder examinar seus olhos?— Sakura pediu suavemente, mantendo o sorriso simpático no rosto alvo para não assustar a menina.

— Tem algo errado com meus olhos tia Sakura?— Sarada perguntou, arregalando levemente os olhinhos negros e brilhantes.

Sakura negou com a cabeça, e com os dedos, tocou de leve as pálpebras da pequena Uchiha, abrindo-as para ver a esclera do olho com mais clareza. Azul. Estava de fato azul. Gritou por Ino, que veio até o quarto a passos rápidos e perguntou desesperada o que diabos estava acontecendo.

— Veja isto. – Mostrou o olho bem aberto da criança. Ino arregalou os olhos e encarou Sakura, fazendo sinal para que ela a acompanhasse até o corredor.

— Sarada-chan, eu e Ino vamos conversar um pouquinho ali fora e já voltamos tudo bem?— A Haruno perguntou e viu a menina acenar que sim com a cabeça. Ambas as médicas saíram do quarto 5 e Ino arrastou Sakura até a primeira sala vazia que encontraram.

— Esclera azul não é bom Sakura. – Despejou séria, encarando a amiga. Viu os olhos verdes tremeluzirem.

— Eu sei, vou pedir uma série de exames. – Afirmou, levou o polegar aos lábios e suspirou. Era uma mania que tinha quando pensava demais. – Ino, pode não ser agressão.

A Yamanaka concordou com a cabeça e permaneceu encarando a amiga.

— Pode ser algo mais preocupante. – Sakura afirmou, desejando com todas as forças que estivesse errada.

Oooooooooo

Sakura pediu que fizessem uma bateria completa de exames em Sarada Uchiha. As enfermeiras não entenderam o motivo, mas não questionaram.

Durante sua formação, Sakura se especializou não só em pediatria, mas também estudou enfermidades raras. Sempre foi um assunto de seu interesse. Então, no exato instante que viu as escleras azuladas de Sarada, soube que ali havia algo a mais.

Correu até sua sala e buscou em seus livros, assim como artigos de doenças que tivessem como sintoma a esclera azul. Os resultados que encontrou não foram muito agradáveis. Não queria pensar que a menina adorável do quarto 5 pudesse ter alguma doença grave.

Tinha uma suspeita, mas decidiu esperar pelos exames para confirmar sua teoria. Uma das enfermeiras lhe avisou que os resultados estavam prontos e perguntou se a Dra. não iria almoçar. Sakura a encarou confusa. Só então percebeu que já passava das duas da tarde e ela estivera tão concentrada que se esquecera de comer.

Decidindo que teria tempo para isso mais tarde, resolveu avaliar os exames da pequena Uchiha primeiro. O exame de densitometria do esqueleto revelou que Sarada Uchiha tinha de fato, ossos frágeis e, assim como Sakura não queria, o exame de urina revelou excreção em excesso de cálcio e outros minerais importantes. Ela cruzou seus dados com mais alguns sintomas que a menina apresentava, como a esclera azul e chegou a uma terrível conclusão.

Sakura suspirou pesadamente e deixou a cabeça cair sobre a mesa. Não era justo. Isto poderia comprometer a vida da menina no futuro e de forma irreversível.

Saiu de sua sala e resolveu que precisava de um café forte antes de comunicar o Uchiha de sua mais recente descoberta. Além disso, devia desculpas a ele por tê-lo julgado precipitadamente.

Desceu até o primeiro andar e foi a passos lentos até a cantina do hospital. Tentou sorrir para Ten Ten, a moça simpática e extrovertida com coques no cabelo que cuidava da lanchonete do hospital, mas não teve sucesso.

— Sakura! Minha nossa, você anotou a placa?— A garota perguntou, sorrindo enquanto secava os copos que acabara de lavar. — Como é?— A Haruno levantou uma sobrancelha, sem entender a pergunta.

— A placa Dra. Haruno! A do caminhão que te atropelou.— Fez uma pausa e revirou os olhos, indignada com a lerdeza da médica de cabelos rosados, antes de continuar: — Garota, você está um bagaço!— Disse sem rodeios.

— Eu sei.— Sakura consentiu, escorando a cabeça com as mãos enquanto colocava ambos os cotovelos sobre a bancada de granito do balcão.

— O que houve? Sério Haruno, pode ir dizendo agora.— A morena pressionou. Desta vez, ao invés do olhar divertido, seu rosto demostrava preocupação. Sakura não era de se deixas abater.

— É que a vida é injusta Ten Ten, é isso!— Reclamou com a voz manhosa, como uma criança que não queria obedecer.

— Ô minha amiga, você descobriu isso só agora? – Olhou os cabelos rosados caídos sobre a face da amiga, escondendo seu rosto transtornado.

— Não, na verdade, eu já sabia. Mas é que continuo sem aceitar! – Levantou a cabeça e pousou o queixo sobre as mãos. – Me vê um café bem forte, por favor!— Ela disse, sorrindo de leve.

— Diz aí, o que aconteceu de ruim hoje?— A morena questionou enquanto pegava uma xícara e enchia na máquina de café. Expresso forte alá Mitsashi.

— Uma garotinha adorável tem uma doença sem cura e que pode lhe trazer sofrimento a vida toda. – Ela disse tudo rápido, a morena demorou um pouco a entender. Suspirou pesadamente. — É amiga, isso é ruim.— Disse a morena com os olhos perdidos encarando a parede branca do hospital.

— E o pior é que eu fui completamente injusta com o pai dela. E agora não sei como dizer isto tudo para ele. – A Haruno desabafou.

— Amiga, olha, todo mundo erra. Ás vezes a gente julga precipitadamente, esse cara vai entender, é só se desculpar.— Ten Ten aconselhou, sorrindo largamente e entregando o café para Sakura. – Agora sobe lá e resolva isso, sei que você vai encontrar uma solução.

— Obrigada!— Agradeceu. Ten Ten sempre era uma boa ouvinte. Mas ela tinha trabalho a fazer e não podia se dar ao luxo de ficar por aí se lamentando. Precisava dar um jeito de ajudar Sarada.

Seguiu para o elevador enquanto tomava seu café. A Mitsashi era perita em fazer um café sensacional. Aquilo a manteria alerta pelo resto do dia. Quando as portas se abriram no segundo andar, foi direto ao quarto 5. Abriu a porta e seus olhos encontraram os olhos ônix de Sasuke. Sentiu-se mal por um momento, então disse que ele lhe acompanhasse pois precisavam conversar em particular. O Uchiha hesitou e ignorou-a da primeira vez. Então ela salientou: — Sobre a Sarada.— No minuto seguinte ele estava atrás dela.

Sakura o levou para a sala de espera e fez ele parar em frente a uma cadeira, por precaução. Encarou-o nos olhos, sentiu novamente o arrepio na espinha. Balançou a cabeça de leve antes de dizer:

— Sr. Uchiha, sua filha tem uma doença rara. Sarada tem osteogênese imperfeita, também chamada de doença dos ossos de cristal.

Notas finais
O diagnostico foi dado, que será que vai rolar agora? Qual será a reação do frio Uchiha Sasuke? to aqui só fazendo um suspensezinho haha beijos e aguardo suas opiniões!