Os órfãos de Nevinny
99 Desvendando o mapa
⌚️ 07:09 a.m. em algum lugar da escola...
— [...] É claro que isso não sai da minha cabeça, S/N. Nós encontramos a prova que a gente precisava de que tem alguma coisa acontecendo debaixo da cidade.
— De que alguma coisa 'tava acontecendo debaixo da cidade, certamente. Ninguém constrói um trilho de trem embaixo de uma cidade à toa. Mas, acontece que a gente descobriu só baseado em imagens que nós vimos em um caderno preto. Nós não sabemos de nada se for parar pra pensar. O idioma do caderno 'tava numa língua que eu nunca vi na vida. A gente não faz a mínima ideia do que tá escrito lá — você fala.
— Corrigindo: você não faz ideia do que tá escrito lá. Eu passei a noite toda pesquisando — Allison diz tirando um pequeno e verde neon caderno de anotações do bolso e colocando sobre a mesa — O idioma que eu consegui encontrar pelo tradutor na internet refere-se ao idioma esperanto. Olha, por exemplo, eu peguei uma parte escrita no documento original e traduzindo eu acabei encontrando o significado que diz "Tubos sob viadutos. Destino: linha infinita". Isso deve se referir à trilha de trem.
— Okay, mas onde é essa linha infinita? No caderno fala por onde ela passa? — você pergunta.
— Não exatamente, os detalhes da descrição da imagem falam mais sobre o tipo de produtos e materiais que devem ser usados, textura, densidade de líquidos, mas acho que a gente tem uma pista. Lembra das áreas marcadas em verde que a gente viu no mapa?
— É claro! Os bairros que o senhor Benson disse que mais receberam visitas nos últimos meses.
— E que seu pai disse que futuramente vão ter mais reconhecimento econômico — Allison fala.
— Também. Mas... ainda não entendi. Como que você conseguiu decorar tudo o que você leu no caderno e no mapa? Você não levou o caderno com a gente, eu vi você deixando lá.
— Eu usei um botão com câmera.
— O quê?! — você pergunta, desentendidx.
— Antes de eu entrar na Ala de Confidências. Na verdade eu já vim com ele desde casa, acontece que ele 'tava caindo toda hora, acho que não apertei muito bem. Consegui pegar "emprestado" das coisas do meu pai.
— Emprestado? Você pegou escondidx.
— Acontece que eu já devolvi. Está no mesmo lugar agora. Confesso que fiquei com muito medo dele cair na hora que a gente 'tava na sala. Com certeza iam desconfiar de tudo.
— Mas por sorte não caiu, né? — você fala, surpresx — Olha, eu não esperava isso de você, sabia? Não esperava mesmo. Então... quer dizer que você gravou tudo? As imagens do mapa, da sala e do caderno?
— Sim. Gostaria de ter gravado mais, tudo com mais detalhes. Mas acho que gravei o bastante, não sei.
— Isso já é muito — você fala — Pelo menos o senhor Benson falaram a verdade quando disseram que estavam construindo algo promissor em alguns bairros. Só não disseram o que é.
— Ah, que bom que você tocou nesse assunto. Eu tirei um print na imagem do mapa no vídeo pra ficar evidente o que chamou nossa atenção: as áreas marcadas em verde. S/N, olhando essa imagem eu pude perceber uma coisa intrigante em relação aos bairros que o senhor Benson disse que foram promissores em relação a visitas nos últimos meses.
— Notou? Realmente, quando eu olhei os bairros marcados me veio à mente alguma coisa que na hora eu não sabia o que era, não me veio à mente. Mas agora eu não lembro de mais nada porque eu já esqueci todos os bairros que estavam marcados — você diz não muito contente.
— Você 'tava meio surprsx demais na hora que estava olhando a sala, nao é? É, eu percebi. Mas, que bom que você tem a mim. Olha, pode me agradecer de novo — Allison diz dando um sorrisinho.
— Sei. Conta o que você descobriu.
— Na verdade nada demais. É só uma questão de lógica. Presta atenção.
No mesmo momento uma notificação chega em seu celular tratando-se de uma mensagem de Allison. Ao abri-la você se depara com a imagem do mapa que vira ontem à noite na Ala de Confidências da Biblioteca Central.
— A imagem do mapa — você fala.
— Exato. Agora preste atenção em uma coisa, S/N: olhe as áreas com as marcas verdes. Diga pra mim todos os bairros que estão com a marca verde.
— Eu vejo Miríade, o bairro de Kodak, Dolahrey e... Falaccia.
— Excelente. E olhando os nomes desses bairros, alguma coisa vem em sua mente? Preste bem atenção.
— Deixa eu ver...
Olhando minusciosamente para a imagem do mapa e as áreas com as bolas em verde, você começa a pensar em alguma pista sobre a insinuação que Allison quer que você entenda. Pensando por alguns segundos nada vem em sua mente, porém um pequeno despertar vai surgindo no momento que percebe que já visitara esses lugares antes.
E então, o que sucederia a sua percepção?
— É claro! Nós já estivemos nesses lugares antes! Miríade é onde você mora, Kodak é o bairro onde eu moro. Falaccia é onde fica o Super 8, não é? Mas... Dolahrey eu estive lá sozinhx. Então, o que é que você tá querendo falar? — você pergunta franzindo a testa sem entender.
— Vamos, S/N. Eu sei que você é mais espertx que isso. Você consegue, por favor não me decepcione.
Sendo assim, você decide pensar, mas não por muito até ligar os pontos. Isso porque sua mente é esperta e bastante inteligente. O bastante pra dar um estalo repentino lhe fazendo despertar. Então diz...
— É claro! Eu acabei de lembrar! Todos esses bairros que já tivemos, tanto Miríade ou Kodak, são lugares que tem as trilhas de trem por baixo da cidade! — você exclama com empolgação, feliz com a descoberta.
— Exato.
— Então quer dizer que em Dolahrey também tem o trilho por baixo do Palácio Dakota — você afirma.
— Essa é a teoria, na qual eu tô desconfiadx há algum tempo. Pense: é um lugar afastado, reservado e não é todo mundo que tem acesso ao lugar.
— Caramba, então nós temos que visitar Dolahrey pra confirmar isso. Se estivermos certxs nós já sabemos os lugares por onde a trilha vai.
— Dolahrey é o lugar mais longe da cidade antes de Miríade. Percorrendo algum caminho entre a floresta de lá você sai da cidade. É perfeita a ligação que tem entre esses dois bairros, porque só precisa pegar uma via. Agora a pergunta é: pra onde essa trilha pode ir depois de lá?
— Calma, Allison. Isso você está apenas deduzindo. Faz sentido, mas pode não ser também — você fala ao olhar para uma direção na qual Lavínia se aproxima com um sorriso.
— Oi, trio. Bom dia — ela fala.
— Olha, a nossa parceira extraviada está de volta — Allison fala.
— Haha, muito engraçado. Eu ia perguntar o que vocês estão fazendo, mas pelo que eu conheço vocês devem estar naquele assunto ainda. Então, descobriram mais alguma coisa?
— Allison gravou a seção restrita da Biblioteca Central com um botão espião — você dispara.
— O quê?!
— E também descobriu por onde passam todas as trilhas de trem. Pelo menos é o que a gente acha.
— Sério? Como vocês fizeram isso? Ninguém pode entrar na área restrita da biblioteca sem ter autorização, a não ser que você faça parte do governo, seja rico, faça parte de uma seita ou...
— Meu pai ajudou a gente — você fala — Parece que ele tem muita coisa a ver com a cidade que eu nem imaginava, na verdade até sim, então foi por causa dele que a gente conseguiu entrar.
— Nós vimos uma caderno na ala restrita com uma espécie de planta com desenhos de algum projeto da cidade. Eu consegui coletar informações e descrições e também alguns detalhes de como tudo está sendo feito. Pelo menos uma parte. O mapa que a gente viu também diz muita coisa. Existem quatro lugares que são ligados e estão em destaque no mapa que a gente encontrou: Miríade, o bairro de Kodak que onde S/N mora, Falaccia e Dolahrey. Analisando com as imagens do trilho e também coisas que a gente sabe muito bem que vimos temos: a trilha de trem em Miríade, outra que S/N diz ter visto em baixo do prédio que mora...
— Eu vi, na verdade. Isso é fato — você afirma.
— Porém ainda tem os bairros de Falaccia e Dolahrey.
— Quer dizer que as trilhas de trem passam por lá também? — Lavínia pergunta, curiosa.
— É uma teoria. Mas ao que tudo indica, pode ser que sim. No Super 8, em Falaccia, S/N comentou ter escutado ruídos vindo debaixo do chão e também uma espécie de tremor também.
— Foi. Eu ainda me lembro muito bem daquela noite. Claro, não só pela confusão com a polícia, mas eu ainda me lembro da hora que eu fui no banheiro e escutei os barulhos — você afirma lembrando da noite do ocorrido.
— E Dolahrey? Vocês não foram lá pra descobrir. S/N e eu já fomos lá na noite do lançamento do táxi voador e eu não vi nada de anormal, nem barulhos vindo debaixo do chão — Lavínia assegura.
— Eu estive lá duas vezes e também não vi nada — você diz.
— Ainda estou pensando em como vamos descobrir isso — Allison fala pensando ao longe.
— Assim como a biblioteca, o palácio de Dakota é "privado", só pessoas de alto nível frequentam lá mais vezes. A não ser que a gente vá em um evento aberto a todo público, assim seria mais fácil. Mas a gente teria que esperar um próximo evento — você diz.
— Certo, e por que vocês estão me dizendo tudo isso? Já esqueceram que eu abandonei o time? — Lavínia pergunta sentando-se na mesa.
— Ainda não sabemos o motivo de você ter feito isso, mas achei que seria prudente te falar das atualizações considerando o tempo que passou investigando com a gente — Allison fala.
— Foi divertido. Mas decidi focar em outra coisa agora.
— Por que você abandonou a gente?
— Bem, vocês queriam me obrigar a ler um monte de livros enormes sobre a história da cidade pra encontrar pistas — ela diz.
— Mas era pra gente encontrar as respostas pro enigma da parede, Lavínia. Ou então qualquer coisa pra nos ajudar.
— Bom, vocês leram todos aqueles livros e ainda foram na Biblioteca Central da cidade. Vocês encontraram a resposta pro enigma?
— Er... não — você diz um pouco desanimadx.
— Não ainda. Eu sei que já encontramos alguma coisa e ainda vamos encontrar mais — Allison afirma.
— Vocês precisam voltar pra nós, pro nosso grupo de antes. Vocês ultimamente estão cada vez mais distantes, só ficam aí pelos corredores de segredinhos. Até a Cynthia já percebeu isso.
— Eu não sei como. Parece que além da rádio, a Cynthia tem acesso às câmeras da escola. Como que ela sabe onde a gente 'tava exatamente naquele outro dia? — você questiona.
— Ela deve prestar atenção assim como os outros. As pessoas prestam atenção e vêem que vocês não andam mais com a gente. Não tem segredo. Vocês precisam relaxar um pouco e voltarem a ser normais. O pessoal já sente falta de vocês. Parece que nosso grupo todo tá se desfazendo.
— Pode ser. Acho que você tem um pouco de razão.
— Certo, mas não podemos perder o foco, S/N. Algo me diz que a gente pode estar perto, eu acho.
— É, mas isso fica pra depois. Por isso que eu decidi chamar duas pessoas pra sentarem com a gente. Eu chamei Cris e Max. É bom que vocês se distraem, e você, Allison, aproveita e conversa um pouquinho com Max. Eu sei que depois daquela manhã que a Cynthia chamou vocês pelo microfone vocês começaram a se estranhar só por causa dessa conversa de investigação.
— Você e Max estão brigando? — você pergunta, surpresx.
— São só algumas pontuações, nada de mais — Allison responde.
— Vocês vão se resolver. Não deixe a Cynthia ou qualquer outra coisa atrapalhar a relação de vocês. Assim como não podemos nada deixar atrapalhar o foco com o que a gente tá procurando, Allison. Assim como as provas finais, esse baile de inverno e todas as outras coisas por fora. Me canso só de pensar — você fala.
— Nem me fale — Allison comenta.
— Mas eu sei que estamos perto da verdade. Ainda mais agora. Minha cabeça tá tão doida com esses pensamentos. Eu só precisava de uma boa noite de sono tranquila e relaxante.
— Certo, agora deixem isso pra depois e pensem no que eu falei. Agora mudem de assunto, pois Cris já tá chegando — Lavínia fala saindo de cima da mesa e sentando-se formalmente na cadeira.
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