Os Últimos De Nós

5 Capítulo 5 - Doce Sacrifício


Notas iniciais
Escrito por Aleph Adkins. Boa leitura! Espero que gostem do capítulo e mandem reviews para nossa alegria! =)

Nova York , 2023 4h47AM

Taylor passou pela sala tentando disfarçar o choro, mas todos perceberam.

– Taylor! Tudo bem? O que aconteceu? — perguntou Santana levantando-se do sofá e indo em direção à Taylor.

– Nada que te interesse Santana! Desde que você chegou tudo é uma merda! — gritou Taylor descontrolada subindo as escadas e indo para o quarto.

Todos ficaram paralisados diante da situação, mas Blair pediu para que Megan subisse com ela para ajudar Taylor. Megan obedeceu, as duas subiram e entraram no quarto onde Kevin encontrava-se dormindo e Taylor estava debruçada sobre uma janela que ainda não fora tapada com pedaços de madeira. Blair chegou perto de Taylor acariciando seu ombro esquerdo e disse:

– Taylor, minha filha, o que aconteceu?

Megan permanecia em silêncio apenas vendo Taylor lutar contra as lágrimas e tentar explicar para Blair o que havia acontecido.

– Eu cansei! Ele parece que faz de propósito. Eu quero matar ele. — respondeu Taylor com ódio limpando suas lágrimas que insistiam em cair.

– Me explica direito o que aconteceu, querida? — perguntou Blair mexendo nos longos cabelos loiros de Taylor.

– O Nathan, Blair! Ele é o culpado! Ele fica dando em cima da Santana! Eles dois me irritam.

– Querida, o Nathan está tentando apenas ser gentil com a Santana pois ela acabou de perder a namorada. Isso não é fácil pra ninguém. Ele está tentando fazê-la se sentir segura. — explicou Blair secando as lágrimas do rosto de Taylor.

– Taylor, acorda menina! Chorar por garotos é a coisa mais ridícula que existe, estando em um apocalipse zumbi ou não. — disse Megan na tentativa com sucesso de fazer Taylor sorrir.

– Obrigado, Megan. Só você mesmo pra me fazer rir. — falou Taylor sorrindo olhando para as estrelas.

– Agora vamos! Seca essas lágrimas e vamos descer. Você precisa pedir desculpas pra Santana, ela não tem nada haver com isso. — disse Blair com um grande sorriso no rosto.

– Eu não quero descer lá. Se eu ver a Santana de novo na minha frente sou capaz de bater nela. — respondeu Taylor olhando pra escada com um olhar ainda raivoso.

– Mas você precisa, querida. Vamos eu vou preparar um café.

Lá em baixo, Nathan entra na casa e Santana levanta-se do sofá e vai ao seu encontro:

– O que aconteceu com Taylor? — perguntou ela demonstrando uma face magoada.

– Não sei, acho que toda essa merda que esse mundo virou mexeu com a cabeça dessa menina fresca e mimada. — respondeu Nathan irritado.

– Eu acho que ela pensa que nós temos alguma coisa... — disse Santana com ligeira timidez.

– Você acabou de perder sua namorada! Ela acha que você já iria ter outra pessoa... Ela é louca! — respondeu Nathan mais irritado do que estava.

Taylor estava descendo as escadas e pôde escutar Nathan dizendo tudo aquilo sobre ela. O lado obscuro de Taylor aflorou novamente, mas agora ao invés de ficar apenas na sua mente, ele a dominou por inteiro. Taylor com ódio pegou sua mochila e saiu. Sem falar nada, sem olhar para nada. Apenas foi. Foi para escuridão das estradas ensanguentadas e malcheirosas, sendo guiada pela luz das estrelas. Megan sem pensar duas vezes correu atrás de Taylor. Não fora impedida por ninguém, todos estavam estagnados diante de tal situação, ninguém movia um músculo.

– Taylor! Taylor! Espera! — gritava Megan já alcançando Taylor que caminhava em passos rápidos com a cabeça baixa.

– Ninguém vai me obrigar a voltar pra lá! — respondeu Taylor.

– Eu vou junto com você. — disse Megan.

– Megan, se ficarmos aqui, vamos morrer. Antes eu do que você. Por favor, volta. — pediu Taylor com um ar mandão.

– Até parece! E é melhor você parar de me tratar como criança, ok? Já aguentei bastante coisa e eu continuo sorrindo. — respondeu Megan um pouco indignada.

– Tá, mas precisamos cuidar uma da outra, certo? — falou Taylor preocupada.

– Pode deixar.

Na pequena casa amarela, todos ainda estavam estagnados, não sabiam o que dizer ou o que fazer. Cada um olhava para o rosto do outro esperando alguém dizer alguma coisa, era possível sentir um enorme sinal de interrogação na face de Joseph e dos demais.

– Vocês podem me explicar o que está acontecendo? — pediu Joseph confuso.

– Glenn, tem uma janela lá em cima que precisa ser tapada, você faz isso pra mim, por favor? — desconversou Blair.

Glenn chamou Dianna e subiram. Joseph tornou a perguntar mas ninguém o respondeu.

– Eu vou atrás delas! — gritou Nathan.

– Taylor não voltaria... principalmente se você for. Eu conheço ela... — disse Blair.

– Mas nós não precisamos ficar aqui e deixá-las para morrer lá fora. — respondeu Nathan.

– A única coisa que podemos fazer é esperar. Não podemos colocar a vida de mais alguém em risco. Espero que não aconteça nada com elas. — falou Santana.

– Blair, estou preocupado com o Kevin, ele não está bem. — falou Glenn descendo as escadas.

– Eu sei, estou tão preocupada, ele está tão pálido, não comeu quase nada. — lamentou Blair.

– Eu era enfermeiro, se precisar de alguma coisa é só me pedir, ok? — avisou Glenn.

– Pode deixar, Glenn, obrigada pela preocupação. — depois de uma pausa, Blair foi até a cozinha e voltou a falar — Ó Deus proteja aquelas duas!

– Glenn, precisamos fazer turnos de vigia aqui, agora temos duas preocupações, os walkers e as meninas, precisamos ficar atentos. — pediu Joseph.

– Tá certo, Joseph. As janelas já estão todas tapadas, agora precisamos fechar a porta dos fundos e a porta da frente. Eu sempre deixo uma brecha entre as madeiras na janela da sala para poder espiar lá fora. — contou Glenn.

– Eu quero ajudar nos turnos! — pediu Nathan ajudando Blair na cozinha.

– Certo, quanto mais pessoas nos ajudarem nos turnos, melhor. — falou Joseph.

– Desculpa eu não poder ajudar... eu odeio armas. — disse Blair.

Dianna desceu e ajudou-os a tapar as janelas e portas do térreo. Joseph pediu para que Blair apagasse as luzes do andar de cima. Blair o fez e colocou uma vela ao lado do colchão onde Kevin dormia.

– Boa noite, meu anjo. — disse Blair colocando um beijo na testa de Kevin.

– Mãe... fica aqui...? — pediu Kevin com os olhos fechados.

– Claro, filho. — respondeu Blair acariciando os cabelos castanho claro de Kevin.

Kevin voltou a dormir e Blair teve uma longa conversa consigo mesma, discutindo mentalmente suas preocupações, medos e inseguranças, ficou pensando no que poderia acontecer com Taylor e Megan no meio daquele inferno e o que poderia acontecer com Kevin, não foi possível segurar as lágrimas. Lá em baixo, Santana estava sentada numa poltrona de couro antigo rasgado relembrando tudo o que tinha acontecido com Brittany e seus problemas com Taylor. Claire estava deitada no sofá próxima à Santana, agarrada à sua pelúcia olhando para o teto mofado pedindo a Deus que nada acontecesse com Taylor e Megan. Nathan estava sentado numa das cadeiras de madeira envelhecida com os pés sob a mesa de jantar. Joseph estava segurando um rifle olhando através da brecha das madeiras da janela da sala. Glenn estava debruçado sob o balcão da cozinha tomando uma xícara de café. Em meio à tantas preocupações ninguém percebeu que Dianna havia se trancado no banheiro de visitas e vomitava incessantemente. Todos estavam em silêncio, além da respiração ofegante de cada um, os grunhidos dos walkers eram a única coisa que se podia ouvir.

– Venham ver isso aqui! — sussurrou Joseph aproximando-se das tábuas.

– O quê? — perguntou Santana assustada levantando-se rapidamente.

Glenn e Nathan se aproximaram e Joseph explicou:

– Os walkers estão muito alienados, estão seguindo só para um lado, estão vendo? — apontando para direção onde os walkers estavam indo Joseph prosseguiu — Taylor e Megan não devem estar muito longe, temos que ir lá!

– É loucura, Joseph! — alertou Nathan — Se você for até lá, nos condenará a morte.

– Mas se ficarmos aqui condenaremos elas a morte! — retrucou Joseph.

– Vamos pensar pelo lado positivo, talvez eles estejam seguindo o som de algum alarme de carro. Afinal, Taylor e Megan não estavam machucadas e nem sangrando. — falou Glenn tentando acalmar Joseph.

– Espera aí... Taylor estava com as mãos sujas de sangue por causa dos pulsos do Kevin. E não era pouco sangue. — disse Santana arregalando os olhos.

– Não vão conseguir com essa quantidade de walkers atrás delas! — sussurrou Joseph mostrando indignação no seu olhar e continuou — Elas não têm armas e nem sabem lidar com armas!

– E o que você quer fazer?! Sair por essa porta se achando o Rambo e matando todos?! — gritou Nathan irritado.

Já era por volta de 5h30 da manhã e enquanto Nathan e Joseph discutiam o que iriam fazer, Taylor e Megan caminhavam pelo quarteirão.

As duas já estavam na área comercial do bairro, como não podia ser diferente, tudo por lá estava dizimado, vitrines quebradas, manequins no meio da rua, papéis e sacolas sendo arrastados pela fúria do vento gelado, fungos e folhas brotavam do chão. Ninguém sabia como tudo aquilo havia começado, mas sabiam que, de qualquer forma, teriam que sobreviver. O medo e a saudade dos bons e até, maus tempos, eram tão grandes que não davam espaço para a mente questionadora do ser humano, questionar novamente: Quem começou isso? Como terminar? Já estamos mortos? É uma provação de Deus? Uma vingança da mãe natureza? As respostas pra todas essas perguntas continuavam cobertas pelo lençol do instinto de sobrevivência. Megan começou a notar os carros abandonados nas estradas, pôde imaginar em sua mente o desespero das famílias que tentavam fugir o mais rápido para salvar os que amavam, pôde imaginar que recém-nascidos e idosos não ficaram impunes, pôde notar também que sobreviveu... Em meio à todas aquelas pessoas mortas, ela sobreviveu, por algum motivo ela está ali. Megan lembrou de sua família, sua mãe que sempre a ajudara nas tarefas escolares que ela achava um saco, mas daria tudo para tê-las de volta. Seu pai que sempre que chegava do trabalho, cansado, tinha tempo para jogar videogame com Megan. Sorriu por perceber que seu "nível" de maturidade havia crescido igual aos jogos de RPG, que particularmente, eram seus favoritos. Taylor não falava nada, estava afogada no mar escuro dos seus pensamentos vazios, sentia ódio, tristeza e ciúme. Alguma coisa fez com que Taylor pensasse em Megan, que ela estava ali ao seu lado, lhe acompanhando e que tudo o que aconteceu não foi culpa dela, ela não poderia colocar a vida de Megan em risco por causa de uma crise de ciúme bobo, uma luz de responsabilidade pairou sob sua cabeça, aquela mesma responsabilidade que sentira quando salvara Claire e Nathan naquela avenida destruída.

– TayTay, estou com frio. — reclamou Megan agarrando-se às roupas de Taylor.

– Eu também estou. Nós vamos encontrar algum lugar pra ficar, eu prometo. — respondeu Taylor passando a mão pelo rosto de Megan que respondeu com um pequeno sorriso de cansaço.

Quanto mais o vento cortante soprava, mais forte Megan agarrava-se às roupas de Taylor.

– Megan... espera... preciso descansar... — pediu Taylor ofegante sentando-se na beira da calçada em frente a vitrine de uma loja de roupas.

– Você está bem? — perguntou Megan preocupada.

– Estou... eu só preciso de um pouco de ar... pra colocar as ideias nos lugares... — explicou Taylor cansada.

– TayTay, precisamos encontrar algum lugar pra ficar rápido. — olhando para o céu e percebendo uma possível formação de chuva Megan continuou — Vai começar a chover logo, já estamos congelando por causa do vento, se chover, morreremos de frio.

– Eu gosto quando me chama de TayTay... — contou Taylor sorrindo.

– Você ouviu o que eu disse? — perguntou Megan que agora estava assustada.

– Não. — respondeu Taylor abaixando a cabeça.

– Você está bem, TayTay? — perguntou Megan colocando o cabelo de Taylor atrás da orelha.

– Não! Eu te arrastei até aqui! E agora eu não sei o que fazer! — gritou Taylor em meio as lágrimas.

– Taylor... você não me arrastou até aqui... eu vim porque quis. Vai! Levanta essa bunda daí! Vamos encontrar algum lugar pra ficar. — disse Megan tentando não culpá-la.

– Megan... — Taylor levantou a cabeça, limpou as lágrimas, sorriu para Megan e continuou — ...Só você mesmo pra me fazer sorrir...

– É... eu faço todo mundo sorrir... mas quem é que vai me fazer sorrir? — perguntou Megan demonstrando tristeza no olhar.

Taylor não pôde responder Megan pois viu que uma horda de walkers estavam cruzando a rua e vindo na sua direção.

– Megan! Vamos! Corre! — gritou Taylor puxando-a pelo pulso que só percebeu o que estava acontecendo segundos depois.

As duas corriam e procuravam algum lugar para se esconder, surgiam walkers de todos os lados, Megan percebeu que sua mão estava escorregadia e então se soltou de Taylor e viu que a sua e a mão de Taylor estavam sujas de sangue, Megan decidiu não dizer nada para não assustá-la e continuou correndo. Viram um beco próximo a uma loja de eletrônicos e seguiram até lá, ao chegarem perto, um homem surgiu num rompante derrubando-as brutalmente, vendo o que tinha feito, o homem que estava assustado, ajudou-as a levantar e mandou-as entrar numa porta que estava aberta no final do beco, os walkers estavam a poucos passos de distância deles, o homem empurrou-as e eles correram. Alcançando a porta, Megan entrou, seguida por Taylor e o homem, que fecharam a porta rapidamente, os walkers batiam incessantemente na porta, Megan pegou um pedaço de ferro enferrujado que encontrara ali no chão e colocou contra a porta. Estavam seguros. Por ora. Taylor soltou um longo suspiro e abaixou-se colocando as mãos nos joelhos, demonstrando extremo cansaço devido a longa corrida. O homem de cabelos longos e pretos, com uma cicatriz no rosto que não havia se apresentado se aproximou de Megan.

– Megan. — apresentou-se estendendo sua mão.

O homem sem dizer uma palavra, pegou a mão de Megan e a prendeu com uma algema num cano enferrujado ali perto, Megan gritou por Taylor que ainda recuperava o fôlego. Depois de prender Megan, o homem se aproximou de Taylor que ainda não tinha ingerido a situação, ele a derrubou e começou a passar a mão nas suas costas e descer para tocá-la. Megan tentava com ódio se soltar do cano que estava se desprendendo da parede. Taylor se contorcia e gritava desesperada, Megan ainda não conseguiu se soltar e cada segundo era importante, o homem começou a tocar as partes íntimas de Taylor que começou a chorar. Megan que gritava de ódio finalmente desprendeu o cano da parede e bateu com ele na cabeça do homem, que virou para impedi-la, Taylor começou a chutá-lo, o homem segurou a mão de Megan com toda força, ela gritava de dor, ele lhe deu um soco que a fez cair desmaiada no chão. O homem virou e segurou as pernas de Taylor que tentava se desprender dele, de repente, a silhueta de uma mulher surge no pequeno lugar, segurando uma barra de ferro a mulher derrubou o homem batendo repetitivamente na sua cabeça. O homem agora estava morto. Taylor não viu quem a salvou, estava preocupada com Megan, se arrastou até ela e chacoalhou-a tentando acordá-la. Megan estava com um grande borrão roxo acima do olho devido ao violento soco que tomara. Ainda estavam atordoadas com a rapidez dos acontecimentos.

– Por favor! Por favor! Eu preciso da ajuda de vocês! — gritava a mulher desesperadamente.

– Você não vai nos machucar vai? — perguntou Megan assustada.

– Não! Eu preciso da ajuda de vocês! Por favor! — gritou a mulher que estava escondendo seu rosto na sombra.

– Saia da sombra, moça. — pediu Taylor com medo.

A mulher saiu da sombra e mostrou seu rosto, a mulher chorava sangue.

– O seu rosto... — gaguejou Taylor arregalando os olhos.

– Eu sei... eu sei... eu fui arranhada! Minha bebê, por favor! Cuidem da minha bebê! — implorou a mulher que não parava de chorar sangue.

– Bebê? Que bebê? — perguntou Megan confusa.

– Ele está ali! Eu a escondi embaixo da mesa! — explicou a mulher.

– Moça, nós não podemos ficar com sua filha! — disse Taylor.

– Claro que podem! Por favor, cuidem dela! Eu preciso que vocês prometam pra mim que vão cuidar dela! Por favor!

Enquanto isso, mais afastada da cidade, Blair despertava de um cochilo no andar de cima. Abriu os olhos e notou que Kevin não estava mais lá, então imaginou que ele estivesse lá embaixo. Ela desceu e perguntou para os outros que ainda estavam decidindo o que fazer:

– Ei, pessoal... Vocês viram o Kevin?

– Não... — responderam todos juntos um olhando para o outro.

– Ele não está lá em cima... Glenn, me ajuda a procurá-lo? — pediu Blair começando a ficar preocupada.

– Claro, Blair! Vou procurar em todos os cômodos lá em cima e você procura aqui embaixo, certo? — sugeriu Glenn.

Blair concordou sinalizando com a cabeça, Glenn subiu as escadas e Blair foi até o banheiro de visitas, onde Dianna estava.

– Kevin? Você está aí? — perguntou Blair batendo na porta.

– Não, é a Dianna. — respondeu ela.

– Você está bem, querida? — perguntou Blair.

– Não...

– O que aconteceu? Deixa eu entrar.

Dianna abriu a porta e Blair pôde sentir o cheiro de vômito vindo do vaso sanitário.

– Acho que aqueles macarrões instantâneos não te fizeram bem, não é querida? — disse Blair acalmando Dianna.

– Não foram os macarrões. Estou grávida... — anunciou Dianna.

– O quê?! Quem é o pai? — perguntou Blair surpresa.

– Meu ex-namorado, Tom, eu descobri um pouco antes dessa merda toda começar e ele soube e foi embora. — contou Dianna escovando os dentes.

Blair não conseguiu respondê-la pois foi interrompida por um grito ensurdecedor que vinha do andar de cima. Todos subiram rapidamente, Blair encontrou Glenn dentro do banheiro segurando o corpo de Kevin, seus curativos estavam desfeitos, seus pulsos sangravam incessantemente e... Ele não respirava. Morto.

Blair ficou extremamente pálida, seus joelhos não aguentaram e ela acabou caindo ao chão. Chorava sem parar, soluçava e gritava de dor. Nathan segurou Claire no colo para que ela não visse seu amigo morto.

– Blair... Eu já vi casos assim... Kevin provavelmente estava com começo de leucemia, mas só teríamos certeza com exames de sangue bem elaborados... — tentava Glenn explicar em meio às lágrimas.

Santana não aguentou ver tanta desgraça e seguiu em direção à escada, lá encontrou uma horda de walkers que invadiram a casa chamados pelos gritos de Blair e o sangue de Kevin. Santana pegou seu facão e cortou a cabeça de um walker, Joseph percebeu a movimentação e foi ajudar Santana, matou dois walkers com sua pistola, os barulhos chamaram a atenção dos outros walkers na rua que começaram a ir na direção da casa.

– Blair! Os walkers estão aqui! Precisamos ir! — gritou Nathan.

– Eu não vou deixar meu filho aqui! — gritou Blair em resposta.

– Blair, eu posso levá-lo até o ônibus, não vamos deixá-lo aqui. Precisamos enterrá-lo. — falou Glenn.

Dianna ajudou Blair a se movimentar. Glenn pegou o corpo de Kevin e todos desceram. Joseph, Nathan e Santana abriam o caminho em meio aos walkers. Demorou cerca de dez minutos para conseguirem chegar ao ônibus, as balas haviam acabado e todos entraram correndo. Joseph tirou-os dali o mais rápido que pôde.

– Tá bom... Nós vamos cuidar da sua bebê... — falou Taylor de dentro daquele prédio.

A mulher virou-se, pegou o cesto de baixo da mesa onde tinha colocado sua filha e entregou para Taylor, a bebê estava dormindo enrolada num pano rosa.

– Vão! Eu distraio eles. — pediu a mulher.

– Qual seu nome? — perguntou Taylor indo em direção à porta da frente.

– Mary. Mary Hawkins. — respondeu a mulher sorrindo e se virando.

Taylor e Megan se olharam, correram até a porta da frente e saíram.

Notas finais
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