Notas iniciais
Saiu mais um!

Zoey, Zoey, Zoey... Por que eles a chamavam de Zoey toda hora? "Bom, deve ser seu nome, não é mesmo?", pensou a loira consigo mesma. Não, seu nome não era Zoey Müler e ela sabia. Sabia pelo tom de deboche que os policiais usavam quando falavam dela. Sabia pelo "a que se diz" que diziam antes de chamar seu nome. Seu nome? "A que se diz Zoey Müler". Estava em uma sala pequena, sozinha, com apenas uma lâmpada no teto e uma sensação ruim no peito. A garota se encolheu na cadeira de metal fria em que se sentava.

— Quem sou eu? Quem sou eu? Quem sou eu...

A garota se perguntou isso algumas vezes em voz baixa até que as palavras perdessem o sentido quando saiam de sua boca. Os médicos disseram para os policiais que disseram para ela que era amnésia. Fazia sentido, fazia prefeito sentido. Mas não fazia.

O que eram aquelas cicatrizes no rosto da menina? A que se diz Zoey poderia apostar que tinha algo a ver com o fato de ela não se lembrar de nada. O policial do lado de fora tinha orientado que Zoey dormisse, mas ela não tinha sono, mesmo sendo quase 5:00 da manhã. Ela mexia demais as pernas e trocava de posição com frequência. Não tinha fome e sentia um enorme medo do que estava para acontecer. Tinha que fugir. "Por que?". "Não sei, mas fuja!".

A mente da garota era um turbilhão de pensamentos desconexos presa em um corpo quase imóvel, exceto por sua respiração e por sua perna. Os olhos azuis cinzentos encavarem a parede branca. Zoey Müler. Por que?

BAM.

A porta da pequena sala em que a loira se encontrava abriu. Entraram um homem e uma mulher juntos, vestidos de roupa social. A loira não sabia como, mas percebeu que se tratavam de detetives.

— A que se diz Zoey Müler? — disse o homem, com uma expressão severa.

— O que se diz detetive? — respondeu a loira, com a lingua afiada pelo nervosismo.

A mulher, claramente hispânica, atrás do homem gargalhou. O homem, que tinha os cabelos presos, fechou as mãos em punho e virou-se para a mulher, que ainda ria. Se isso tivesse acontecido com a talvez-sim-talvez-não-Zoe, ela teria calado a boca imediatamente. Mas a mulher só continuou rindo e fez sinal para que ele começasse algo.

O homem respirou fundo e encarou a loira.

— Senhorita — começou ele, com uma voz grossa e cheia de autoridade — Sou o Detetive Haid. Dorian Haid.

"Detetives, eu sabia!".

— Aquela senhorita que está se cagando de rir bem ali — disse Haid — É a detetive Sofia Hernandez.

— Oh! Que rude — foi tudo o que a talvez-sim-talvez-não-Zoey conseguiu dizer.

A detetive Hernandez soltou uma risadinha, que conteve por vontade própria e logo tomou postura. Haid, já bastante impaciente, respirou fundo, contou até 10 bem rápido na cabeça, e prosseguiu.

— Bom, vou ser sincero com você, senhorita. A situação não tá nem um pouco boa pra você.

A loira passou os olhos azuis de Haid até Hernandez e engoliu seco.

— Alguns dias atrás — começou Hernandez — O corpo de uma mulher foi encontrado no apartamento dela, dramaticamente mutilado.

A hispanica colocou uma foto na mesa, em frente a loira e prosseguiu.

— Outros nove assassinatos idênticos ocorreram na cidade, todos ligados de alguma maneira por outras pessoas.

— Os nossos sepultos — disse Haid.

— Os nossos suspeitos — confirmou Hernandez — Eles estão sob custódia temporária aqui, todos eles conheciam Zoey Müler.

A loira olhou de um lado para o outro sem entender.

— Sim, e daí? — perguntou ela.

— E daí — disse Haid — Que nenhum deles conhece você.

A loira esbugalhou os olhos e derramou uma lágrima sem emoção.

— Puta que pariu, moça, você realmente não tinha percebido que não era você? Sério mesmo? — perguntou Haid, quase gritando — Mas que merda, vocês nem são parecidas! Não viu a foto da identidade que você roubou?

— Haid, cala a sua boca.

Dorian respirou fundo e saiu de perto das duas mulheres.

Óbvio que a loira sabia que não era ela. Óbvio que tinha visto que ela tinha olhos azuis e a mulher da identidade tinha olhos castanhos. Obvio que havia notado esses pequenos detalhes como o formato do nariz, da boca, do rosto, a cor da pele, a sardas que ela tinha e que a verdadeira Zoey Müler não tinha.

— Claro que eu percebi! — gritou a loira para Haid — Você acha que eu sou estúpida? Que não tenho um pingo de inteligência no meu ser? Pois eu tenho! — o rosto da pequena ficava vermelho, a medida que ela gritava e chorava de raiva — O que eu tinha, detetive, era esperança de você saberem quem eu sou.

Haid virou-se para ela.

— Como sabe que não sabemos?

— Ah, por favor! — disse ela, levantando-se — A detetive Hernadez entregou. Começou a investigação amaciando o terreno, dizendo que já sabia que eu não sou quem vocês pensam que eu sou, se é que vocês pensaram em algum momento que eu era essa tal de Zoey... Acontece, senhor Dorian Hais II, que eu não faço a menor ideia de quem eu sou e, se os médicos não te contaram isso, então vocês têm um seríssimo problema de comunicação!

Ela parou e respirou por alguns instantes. Todos na sala estavam em silêncio.

— Como sabe que meu nome é Dorian Haid II se eu não compartilhei essa informação com você? — perguntou Haid.

Hernandez arregalou os obres castanhos para a loira que abaixou a cabeça.

— Eu ouvi alguém dizendo seu nome do lado de fora... — disse a loira, mexendo os pés em um adorável nervosismo — Aí percebi que era você pelo sotaque francês e, bom... Pelo seu nome, escrito no seu crachá... Eu sei que tá por dentro da blusa, mas eu consegui ler e tal...

— Puta que pariu, Hernandez...

— Oh! Que rude...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.