Notas iniciais
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Era noite. O Deserto Alterno estava calmo sob o brilho das estrelas em uma noite sem lua, porém, frio. Estranhamente frio. Montanhas de neve substituíam as antigas dunas de areia que tinham ali. Desde que Duran, o dragão que governava o continente, caiu do controle, toda Alern se descontrolou subitamente, desde o clima até os animais. Contudo, ninguém sabe o porquê, os humanos e os dragões continuaram os mesmos. Alguns teorizam que Duran, ao saber que iria cair do trono, lançou alguma magia de proteção a sua espécie e à espécie que seria capaz de ajudar os dragões. Outros dizem que é porque os dragões e os humanos têm uma alma forte. Mas tudo ainda continua um mistério.

Agora, já fazem 3 anos desde que Duran caiu. Dragões se juntaram aos humanos, como companheiros. Jovens aprendem a treinar dragões desde cedo e a trata-los como amigos, por mais que tudo esteja totalmente estranho, essa nova geração tem futuro.

Duas figuras andavam no meio do deserto, seus dragões de montaria os acompanhavam. Ambos usavam enormes capas negras, que limpavam suas pegadas. Estavam totalmente vestidos com roupas de pelo pesadas, por causa do frio da região, enquanto dois capuzes estavam jogados para trás. Eles estavam carregando algo, era um cilindro, aparentemente pesado, que eles arrastavam.

– Acha que trouxemos o necessário? — Um dos homens falou, uma pequena fumaça branca saiu de sua boca, devido ao frio.

– Se não trouxemos, nós voltamos e atravessamos tudo novamente. — O outro respondeu, rispidamente.

– Essa já é a terceira vez! Por que não podemos ir nos nossos dragões?

– Claro, você quer que eles morram? Dragões precisam fazer mais esforço para voar no frio, pois o ar é rarefeito. Eles se cansariam rápido. Como aqui não tem calor algum, eles morreriam de frio!

– Ah...

Os homens pararam subitamente, olharam para uma única árvore seca no meio desse mar branco.

– É aqui. — Ele disse, tirando seu cajado e batendo-o no chão, um barulho oco pôde ser ouvido. Ele então recitou várias palavras em latim, após terminar, uma luz verde acinzentada formou na neve um símbolo, que parecia uma marca de garras.

Um templo foi surgindo da terra, seus pilares destruídos e imundos em um tom de marrom, vários cogumelos, musgo e lodo nasciam das paredes, uma gosma cobria boa parte do chão e o cheiro vultuoso que o lugar exalava faria qualquer um vomitar.

– Esse lugar me enoja — Um dos dragões murmurou.

Logo, ao adentrarem o templo, o único barulho que se podia escutar, eram os passos, a chama da tocha que um dos dragões acendera e o barulho de metal que o cilindro fazia.

Os dois homens andaram até uma das paredes, onde haviam várias alavancas. Um deles puxou a segunda alavanca, um som de "click" foi ouvido, no mesmo momento, um buraco foi se abrindo no chão, nele, escadas em espiral levavam até onde uma luz verde ao longe brilhava. Os dragões optaram por ficar de fora enquanto os dois homens começaram a descer as escadas.

Parecia que as escadas não tinham fim. O quanto mais desciam, mais o cheiro de enxofre ficava forte e a luz se aproximava. A tocha já estava fraca e falhando, mas isso não era problema, eles já estavam próximo da estranha luz.

Ao pisar no último lance de escadas, foi identificado que a luz era algo parecido com uma fonte e aquilo era o motivo do cheiro forte de enxofre. Ela brilhava em um verde claro e iluminava todo o local em volta, por mais que na sala não havia muito para ser iluminado. Era uma sala retangular, com as paredes de um material parecido com metal, a fonte ficava no centro e em uma as paredes, uma janela de vidro mostrava um gigantesco lugar de terra, totalmente vazio.

Os homens se entreolharam, e abriram o cilindro.

– Sangue de uma criatura pura e inocente... — ele disse, tirando do cilindro um frasco que continha um líquido brilhante, então despejou-a na fonte.

A água borbulhou e mudou de cor instantaneamente para um tom branco.

– ... Pele de uma criatura justa e sincera... — novamente um dos homens disse, tirando uma sacola do cilindro e despejando seu conteúdo na fonte. Eram várias escamas vermelhas.

Novamente a água borbulhou e ficou em um tom de verde.

– ... Presa de uma criatura voraz e astuciosa... — Ele tirou outra sacola e tirou dela uma presa gigante.

A presa ao encostar na água, se dissolveu totalmente.

O homem pareceu indeciso a falar o próximo item da lista. Mas depois de um tempo falou, olhando para o companheiro de jornada.

– ... Após todos os ingredientes, para despertar o adormecido, é preciso que ele escute gritos de dor de uma traição...

– E o que ele quis dizer com isso? — O outro perguntou, olhando para a fonte.

O homem se aproximou e ficou observando a fonte, de olhos vazios e não olhando para o amigo, empurrou-o para dentro da fonte. O homem gritou de dor ao ter seu corpo dissolvido pelo ácido borbulhante.

– Me desculpe por isso. — o outro homem simplesmente disse, olhando a fonte ficar de um tom de podre e borbulhar fortemente.

A sala foi ativada. Em uma das paredes, a mesma marca de garras apareceu, brilhando de verde. Da parede ao contrário da janela, uma contagem regressiva de 5 horas começou. O homem olhou para a janela uma última vez.

– Finalmente está na hora dessa terra ter um novo rei. — Ele disse com um sorriso no rosto, colocando o capuz enquanto subia as escadas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.