Os sete Reinos.

3 CAPÍTULO 03 - XÃO


Uma carruagem real seguia com seu caminho até o palácio, com pequenos arcos com forma de abobadas nas paredes externas onde estava a porta possuía detalhes em vermelho e branco em formas abstratas que representavam a bandeira do País, as laterais possuíam detalhes de peças contorcidas banhadas em ouro e em seu interior era toda forrada com um tecido em tom pastel e nele se encontravam duas mulheres, ao passar por uma rua sem saída onde havia uma multidão a voz ordenou:

–Vá mais devagar.

E assim assentiu o servo, a carruagem passava por uma rua sem saída onde um homem estava em cima de uma caixa pregando sobre os princípios dos seus deuses os quais eram abomináveis que uma mulher estivesse a altura de um homem, a crença local era de que o homem e a mulher tinham suas funções distintas mulheres nasceram pra cuidar da casa , comida, ser servas das mulheres dos imperadores, cuidarem dos maridos e filhos e nunca se equipararem em pé de igualdade aos homens, pois eram mulheres e não homens, já os homens eram responsável pela educação, sustentar o lar, trabalhar, cuidar para que não faltasse nada para a mulher e filhos e governar seja do mais humilde ao maior homem a crença acreditava que os homens eram destinados como a reencarnação dos deuses e como só haviam homens de caráter masculino como deuses as mulheres nada mais eram que reprodutoras e o ventre que geraria uma reencarnação de um Deus.

–Pare aqui ordenou a mesma voz.

–Minha querida você não precisa deste tipo de coisa, a mulher que falava era uma senhora já , em seu rosto possuía as marcas do tempo mais ainda assim era bela seus longos cabelos negros em forma de um coque possuía mechas brancas próximo ao seu olho esquerdo possuía uma pinta e se chamava Zeina.

A carruagem parou, a outra mulher era uma jovem que estava na flor da idade 25 anos era linda possuía as maçãs do rosto um pouco avantajadas seus olhos eram puxados e negros como a noite, seus cabelo estava ornamentado com um penteado que era um coque central e grandes curvas na lateral do coque e possuía presilhas nas cores vermelhas e brancas, esta mulher era a nova Imperatriz.

–Não se preocupe Zeina, agora que meu marido morreu serei mais cautelosa, mas como Imperatriz preciso saber o que meu povo pensa sobre meu reinado. Inclinou o rosto e deu um doce sorriso para a mulher que considerava a pessoa mais fiel e leal ao seu lado.

Se aproximou da Janela abrindo as cortinas e tentou ouvir a pregação do homem.

–Isso é uma Injúria contra os deuses! Está nas escrituras sagradas, Ammit é bem claro quanto ao papel da mulher! é abaixo do seu marido uma mulher jamais poderá ser um homem.

Wu Zetian era a nova imperatriz emergente da província de Xão, seu marido o antigo imperador havia morrido em batalha e como herdeiro deixou duas filhas uma de 4 e outra de 3 anos, então Wu Zetian armou um golpe para se tornar a primeira imperatriz

–Já chega vou acabar com isso , disse Wu Zetian ao abrir a porta da carruagem de forma impaciente, trajava um lindo e volumoso vestido o qual ela enfiou na poça de lama que estava ao pé da carruagem.

–Imperatriz.. Tentou sem sucesso Zeina

Dois guardas que estavam junto do motorista desceram para acompanhar mas com apenas um gesto a Imperatriz ordenou que ficassem

–Eu cuido disso sozinha! E caminhou em passos largos até então o seu rival no caminho ela foi tirando camadas do vestido praguejando quem o havia criado e quem havia criado o código de etiqueta de como as damas devem se vestir em todas as ocasiões, por fim Wu Zetian estava com uma camada mais fina que dava a ela mais flexibilidade e para trás como seu rastro ela deixou as camadas e os sobretudo do seu vestido, Zeina vinha logo atrás recolhendo as peças.

A Multidão então se abriu para a passagem da imperatriz alguns abaixaram a cabeça como reverencia outros encararam aquela pequena mulher e sua enorme beleza por fim Wu Zetian desmanchou o coque bem elaborado e fazendo um coque simples

O homem que estava em cima do palanque improvisado tinha os olhos estreitos mas não era puxado , tinha um corpo que era duas vezes maior que Wu Zetian e uma barba negra volumosa os cabelos raspado e logo a imperatriz percebeu que se trava da ordem de Xiuquan adoradores dos Deuses e principalmente do Deus machista Ammit levavam suas palavras ao pé da letra, beirando ao fanatismo.

O homem desceu do palanque e apontou para a Imperatriz, segurava na outra mão pergaminhos encardidos.

–Ela é a abominação que os Deuses pregam ela vai trazer todos os males de volta por quebrar as leis divinas, ela...

–Ajoelhe-se! Interrompeu Wu Zetian sua voz era fria e rígida sua postura estava ereta e tensa como se estivesse preparada para lutar.

–O quê? Perguntou o homem sem entender a primeiro momento

–Sou sua Imperatriz você deve me reverenciar ajoelhe se e eu penso em uma setença de punição reduzida. O homem gargalhou e então esbravejou

–Eu sou homem! Você como mulher que deve se ajoelhar não importa que ornamentos reais você possua você continua sendo uma simples mulher!

Wu Zetian se aproximou mas ainda manteve certa distância, encarou o homem nos olhos por um momento um brutamontes sentiu um arrepio assustador e então, lembrou do seu treinamento estrangulou o pequeno medo que sentia e desferiu um golpe certeiro e forte na perna o qual fez perder o equilíbrio e então outro fazendo seu corpo cambalear para frente e então um empurrão e splash sua boca estava beijando o chão e sua face encharcada pois foi derrubado em cima de uma poça de lama, Wu se aproximou e pisou na cabeça dele contra a poça, seu sapato possuía um salto pontudo que feria o rosto do homem.

–Quanto mais se contorcer pior será para você, disse ao introduzir mais força ao seu pé.

–Moradores da cidade velha! Eu sou Wu Zetian sua imperatriz, quem ousará não me reverenciar? E então a multidão se ajoelhou como respeito a imperatriz.

–Eu não venho declarar guerra a vós meu povo, pois eu sou sua Imperatriz protetora e amiga do seu povo, meu povo! porém eu não tolerarei indivíduos que queiram manchar minha honra e meu nome, sujeitos como esse não querem paz ou amor que sãos as principais palavras dos Deuses, eles disseminam o ódio e distorcem as palavras. Agora estava em cima dele com os dois pés o homem estava imóvel.

–Eu Wu Zetian esposa do seu amador imperador que deu comida e abrigo a quem tinha fome e frio, que prosperou e defendeu nossa cidade das invasões dos bárbaros que sofríamos com frequência, que lutou ao lado do povo e o mesmo o fez mais forte! Agora venho a vocês e peço ajuda e um voto de confiança para mostrar as coisas maravilhosas que a deusa Mafdet me revelou e me mostrou que eu sou a escolhida para governar. Agora a multidão estava de pé os olhos fixados na imperatriz que rodeava o homem no chão.

Wu Zetian se aproximou de uma mulher agarrou suas mãos era uma senhora idosa, de mãos calejadas.

–A senhora que tanto trabalhou e lutou para cuidar de seu marido e seus filhos, a senhora que conciliou mil e uma tarefas e ainda conseguia ficar atraente para os olhos do seu marido, acha que os deuses nos julgam incapaz de governar? Logo nós que conseguimos trabalhar em várias funções e tarefas ao mesmo tempo! Abominação é esse pensamento de um homem que se julga tão bom quanto os deuses. Wu cuspiu na cara do homem que estava deitado no chão.

–Eu Wu Zetian sou MULHER! E SOU CAPAZ DE GUIAR VOCÊS!

O multidão vez um alvoroço todos exaltavam o nome de Wu zetian quando um grito interrompeu.

–ABOMINAÇÃO, ABOMINAÇÃO É TUDO ABOMINAÇÃO, os deuses pedem sua morte aberração! Rugiu o homem que sangrava no rosto ao se levantar, o semblante do seu rosto era monstruoso

–Você é uma puta e merece ser queimada como tal. Disse ao partir em direção a Wu Zetian, agarrou um caixote e jogou na direção da senhora que Wu havia falado, porém Wu deu um chute firme e forte que quebrou a caixa interrompendo que atingisse a senhora.

O brutamontes se pôs diante de Wu, tentou soca lá porém a imperatriz era mais rápida. Zenia que estava na multidão gritou os guardas. O brutamontes simulou um soco porém armou um chute, só que Wu era mais rápida conseguiu bloquear o chute e então deu uma rasteira na perna que equilibrava o homem no chão o fazendo cair mas antes que seu rosto encontrasse o chão, Wu deu um chute certeiro no rosto e para acelerar a queda com o calcanhar puxou a cabeça do brutamontes de encontro ao chão com força, o homem ficou imóvel e logo uma poça de sangue se formou em volta de seu rosto. Wu apontou pra ele e disse:

–Eu serei a Imperatriz! e cuidarei e alimentarei meu povo porém não vou suportar este tipo de comportamento todo aquele que fizer afronta a mim, perecerá pela punição real e qualquer lei, religião ou facção que se opor contra mim eu destruírei!

Wu se aproximou do corpo do homem fez uma reverencia e disse:

–Com sua licença! E se dirigiu a carruagem, os guardas que chegaram no final da luta estavam pasmo, era desconhecido que a imperatriz era uma lutadora tão boa, Zenia carregava nos braços as camada do vestido e saiu atrás de Wu reclamando que uma Imperatriz não se prestaria aquele papel.

Um homem que estava sobre um capuz negro um pouco distante observava toda a situação em seu rosto esboçava um sorriso tão negro quanto seu manto.Ele olhou para uma mulher que também usava um manto negro e disse:

–Avise nossa Rainha, o plano anda de acordo com o que prevíamos. seu sorriso era o mais macabro possível.