Os senhores de Zaron
4 Rosas Vermelhas
Narração de Kyle
O retorno para o palácio não foi muito animador, afinal tivemos uma derrota inesperada. Pior que foi a minha culpa porque fiz questão de lutar contra o Mago Sangrento. Como sou filho da elfa que derrotou o mago do passado pensava que eu daria conta do recado, mas infelizmente eu me enganei.
Enganei-me feio.
Tanto eu como Stan estamos montados no Sparky, o cão elfo do meu guerreiro e melhor amigo. Essa é uma cria quase extinta dos elfos por causa do Mago Sangrento do passado. O vilão fez questão de criar uma doença que afetou a raça deixando poucos sobreviventes. No final só sobraram cinco cães, todos eles sendo machos.
Os cães elfos são maiores que cavalos e possuem a mesma imortalidade dos elfos. Eram muito usados como transporte, mas graças à quase extinção da espécie recorremos a outros animais como transporte como cervos e até os cavalos (animal não muito valorizado pelos elfos mais antigos por ser um dos principais animais domésticos dos humanos, mas está sendo muito usado pelos elfos mais jovens).
Chegamos ao palácio. Como sempre Stan foi gentil a me ajudar a descer do Sparky me erguendo (não entendo como os humanos vêem essa ação como atitude homossexual já que para os elfos é muito comum).
Fui logo procurar minha mãe. Sheila Broflovski vive com meu pai, Gerald, o antigo rei dos elfos. Ele reinava dês quando o Mago Sangrento aterrorizava os elfos. Quando Sheila derrotou o mago isso deu muito prestígio para ela e o acesso à presença do rei. Foi assim que o casal criou intimidade e se uniram. Desde do meu nascimento fui criado para ser o próximo rei, já que meu pai estava cansado da política e burocracia. Agora vive em sossego com minha mãe.
Cheguei à mansão dos meus pais e bati a porta. Quando se abriu me deparei com uma elfa que nunca vi na vida. Tinha longos cabelos castanhos encaracolados, usando uma roupa tradicional élfica verde e um corpo modesto (isso me faz pensar como que algumas humanas têm curvas muitas vezes exageradas, enquanto boa parte das elfas ou é cheia ou é magra). A elfa congela (no sentido figurado e não literal) com minha presença. Nem eu mesmo consegui dizer alguma coisa.
Ficamos sem nos falar por algum tempo até que ela falou de forma tímida:
— Vossa Majestade. Entre. Vou avisar a senhora Broflovski da sua presença.
Eu entro no salão de recepção para aguardar a minha mãe. Eu não me lembro dessa elfa aqui, na casa de minha mãe. Pela aparência é uma elfa do campo.
— Filho – vejo a minha mãe. Uma elfa mais de 1000 anos, mas tem uma aparência equivalente a uma humana de 30 anos, cabelos vermelhos e um físico cheio. Para os elfos não é um modelo físico que atrai a maioria dos homens, assim preferindo modelos magras e graciosas como aquela elfa do campo.
— Mãe – eu me curvo em referência. Afinal, mesmo como filho tenho que reconhecer que ela é uma elfa lendária que conseguiu prender o Mago Sangrento.
Ela chega perto até em mim, ajuda-me a levantar e me abraça. Eu retribuo o abraço.
— Como foi a nossa vitória hoje no campo? – diz ela bastante animada.
— Infelizmente a gente perdeu, mãe – falo cabisbaixo.
— Perdeu? Pensava que nenhum humano conseguiria derrotar Stan e Jimmy trabalhando juntos.
— Alguém apareceu que os derrotou e me derrotou.
— Quem é esse humano?
Eu respiro fundo antes de falar.
— É o Mago Sangrento, mãe. De alguma forma os humanos conseguiram o soltar.
— O que? O que? O que? – minha mãe fica com uma cara de descrença – mas como ele conseguiu escapar?
— Eu não sei, mãe. Já mandei alguns guardas para investigar isso.
— Ele não podia escapar. Oh Meu Deus. Quantos será que ele matou?
— Nenhum.
— Nenhum?
— Eu lutei com ele e...
— Você lutou com ele. Está louco, meu filho? Por que fez isso?
— Eu queria mostrar para o meu povo que seria capaz de derrotá-lo, mas vejo que não conseguir isso.
— Kyle. Você não sabe como Eric Cartman pode ser perigoso.
— Esse é o nome dele?
— Sim. Ele foi o primeiro rei dos humanos que entrou em confronto com nosso povo. Foram anos de guerra com muitos sacrifícios até finalmente conseguir derrotá-lo e prendê-lo.
— Usando a semente sagrada, mãe?
— Pensava que ele iria morrer de fome, mas de alguma forma conseguia se alimentar. Ele não pode trazer mais desgraça para o nosso povo.
— Sim.
— Agora volte para o palácio e descanse, meu filho.
— Sim, mãe.
— Parece mesmo estando vivo até hoje e conseguindo uma estranha imortalidade. Ele não está o mesmo. Ele está debilitado em sua mente. Essa será nossa vantagem para mais uma vez derrotá-lo.
— Sim. O problema é que não podemos matá-lo, a disputa pacífica entre os dois povos pela primeira vez se voltou contra nós.
— Não, mas podemos envergonhá-lo na frente de seu povo. Assim ele não terá mais poder político e será colocado de lado. Os assassinos podem fazer o trabalho sujo depois.
Narração de Cartman
Incrível como esse castelo pouco mudou com 1000 anos. Tirando os móveis e decoração, praticamente tudo está como eu deixei. Eu sempre gostei de descansar a mente passeando no jardim, só espero que os jardineiros não tenham estragado o esplendor de antes, mas o receio rapidamente esquecido que ainda está deslumbrante. Só ficou um pouco mais adornado com estátuas de mármore. Também reparo que a princesa também está no jardim.
— Princesa?
— Senhor mago. O que devo a honra te encontrar nessa calada da noite?
— Vim aproveitar para apreciar o jardim.
— Que incrível coincidência. Eu também. Posso a honra de te acompanhar?
— Sim, linha lady.
A princesa abraça o meu braço direito. Tenho que admitir que não é uma ação comum que tinha em minha vida. As única mulher que andaram tão perto de mim foram minha mãe e Etta. Eu não era muito popular entre as garotas no meu passado até quando me tornei rei. Como todas as garotas tinham me rejeitado e desprezado no passado, não fiquei com nenhuma. Conheci o corpo de uma mulher com minha companheira. É triste pensar que ela morreu a milênios.
A princesa acompanha meu ritmo de andar e ficamos para apreciar a paisagem. O jardim só tem rosas vermelhas, apesar de serem minhas favoritas, sinto falta da variedade que tinha antes. Gostava de múltiplas cores. Também gostava das rosas negras, mas não tem nenhuma agora.
Junto com a princesa ando no jardim.
— O que está achando no nosso reino? – pergunta ela.
— Ainda não vi tudo. Mas vendo aqui a cidade aumentou bastante. Sobre o castelo quase nada mudou. No desafio de combate eu não sei se vocês estavam com todo o exército, mas no meu tempo era bem mais numeroso.
— Até que são numerosos, o problema que os humanos estão divididos.
— Divididos?
— Sim. Apesar da minha família estar com pose do trono existem muitas provinciais que praticamente tem um sistema de governo independente – ela se separa de mim e anda alguns passos a frente onde para. Eu também paro de andar – mesmo meu irmão não estar conseguindo unir todos novamente. Eles seriam uteis para a batalha contra os elfos.
— No meu tempo os humanos não eram tão unidos assim. Tive muito trabalho para convencê-los todos que os elfos eram o mal do mundo. Realmente pra mim eles são até hoje, porque aqueles filhos da puta são muito hipócritas: convenciam que não era legal matar, mas não sabe que nós humanos precisamos ralar muito para ter nossa própria comida. Diferente deles que tem pacto com os espíritos da floresta que fazem todo trabalho para eles. Não comem carne e condenam todos que comem carne, até os orcs que, segundo relatos e lendas, eram também elfos. Também aqueles miseráveis se vangloriam que são mais sábios, mas esquecem que eles tiveram ajuda dos antigos deuses para terem sua sociedade, enquanto nós humanos foi de tentativas e erros. Pode deixar princesa, eu vou convencer os humanos novamente a lutar contra os elfos.
— Jura? – ela vira para mim.
Eu pego uma rosa do jardim e me aproximo da loira.
— Eu juro, princesa — tenho que admitir que estou mais com intenção de ver como o mundo está hoje do que realmente ajudar. Só o ônus é ajudar vou aproveitar o máximo do bônus que é viajar.
Em meu tempo eu tinha costume de dar uma rosa vermelha para os meus súditos em sinal de juramento.
— Me chame de princesa Kenny – percebo um corar no seu rosto.
— Kenny?
— Sim, meu nome é Kenneth McCormick, mas pode me chamar de Kenny.
— Em minha época o nome Kenneth era um nome masculino.
— Ainda é no nosso tempo. Meu pai me anunciou que me batizou por engano com um nome masculino.
— Bizarro. Curioso que meu melhor amigo no passado também se chamava Kenneth.
— Jura?
— Sim. Era um soldado muito valente. Tinha um costume de usar um casaco com capuz laranja o tempo todo, só deixando os olhos amostra. Infelizmente ele morreu em um confronto com os elfos nas presas de um cão elfo. Eu fiz o possível para eliminar essas malditas crias.
— De cão elfo só vi um em toda minha vida. Acho que você teve sucesso. Ele quase mordeu a Rainbow Dash.
— Rainbow Dash?
— Sim. Meu unicórnio.
— Os unicórnios são animais muito raros, como conseguiu um deles?
— Quando era pequena me perdi na floresta. Quando iria ser atacada por um lobo feio um filho de unicórnio e me salvou. Dês daquele dia somos amigos.
— História interessante.
— Espero que possamos conversar com mais frequência Eric.
Espanto-me um pouco. Afinal era muito raro alguém me chamar do meu primeiro nome. Normalmente me chamavam de Cartman ou de Rei ou algum adjetivo de autoridade.
— Eu disse alguma coisa que te ofendeu? – pergunta a princesa.
— Não. Só não era muito comum eu escutar meu primeiro nome. Mesmo antes de ser rei as pessoas que me conheciam, exceto minha mãe e meu amigo, sempre me chamavam pelo meu sobrenome. Passei muito tempo preso ao ponto de até me esquecer do meu próprio nome.
— Não se preocupe Eric. Está livre agora – ela se aproxima.
— Eu farei o que tiver ao meu alcance para retribuir o resgate.
— Não se preocupe disso agora – ela coloca o indicador – o importante é sua segurança agora – ela tira a máscara e acaricia meu rosto com a outra mão (ela colocou a rosa nos cabelos dourados).
Acho que nunca vi um sorriso tão bonito como o dela. Se bem que nunca ouvir um sorriso de uma dama para minha pessoa. Sinto aquele sentimento perdido quando tinha Etta no meu lado. A única mulher que me viu como homem, me amou quando não era ninguém e continuou quando me tornou um mago poderoso e um rei.
Narração da Kenny
Eric Cartman realmente é alguém muito bonito. E pensar que é nele que é a chave para finalmente ter minha liberdade sexual. Então porque não começar com um beijo? Para que enrolar? O problema que eu nunca beijei alguém. Maldita falta de experiência. Eu me aproximo devagar. Sorte minha que ele também está se deixando levar pelo momento e está se aproximando. Finalmente vou deixar de ser B.V.
— Eí. Vocês dois. Parem de fazer putaria no meu jardim – disse uma voz de um velho que faz nós dois se afastar. Eu conheço a voz: é dono do jardineiro, um senhor idoso. Pobre homem. Está se enxergando mal e nem me conhece que sou a princesa.
— Vai se fuder, seu velho.
— Seu garoto malcriado.
Engraçado que o velho não sabe que está discutindo com o lendário mago. Foi interessante descobrir que Eric tem seus momentos não cavalheiros e consegue se abrir ao ponto de não se importar com quem está sua volta, porém infelizmente ainda continuo B.V.
CONTINUA
Fale com o autor