Os quatro de Eden

4 Nós, que não podemos proteger o mundo.


Quatro meses depois

Greg se tornou um bom colega com o passar do tempo, mesmo que fizesse perguntas demais, eu gosto de pensar que nossa amizade consiste em uma troca mútua, comida por distração ou vice-versa.

Por isso estranhei a ausência dele na última semana.

Eu deveria ter imaginado, não é algo incomum ficarmos doente, e menos ainda ninguém fazer qualquer coisa, há sempre temor em sair para a superfície, menos mama, ela vai e volta o tempo inteiro, mas não há chances de ela ajudar o garoto ossudo, mesmo que ele seja apenas uma criança, muitas outras já morreram sem ela ao menos dar um segundo pensamento a isso, ela provavelmente diria o mesmo que da última vez que pedi que interferisse, que não podemos agarrar o mundo nos braços e protege-lo.

Quando eu deixei meu buraco, naquela manhã, pouco depois de mama sair, eu prometi silenciosamente que ia apenas observar o estado do menino, sem intromissões. Eu deveria me conhecer melhor.

O buraco dos Groff era um pouco maior do que o nosso próprio, mas provavelmente todos os habitantes ao mesmo tempo faria o desejo por espaço algo quase improvável. O garoto ossudo estava sozinho, não era algo tão grande assim, as pessoas no esgoto sabiam que melhoras e curas eram quase milagres, ainda assim faziam o melhor para deixar seu familiar o mais confortável possível, mas quando percebiam que a doença era fatal e possivelmente contagiosa, deixavam seus familiares para abraçar a morta a própria sorte.

Greg estava condenado.

E eu simplesmente não podia deixa-lo para morrer.

Mas eu nunca fiz nada disso com qualquer pessoa, além de mama, a muito tempo, quando o formigamento era quase uma cócega.

Eu mal posso me lembrar.

Eu apenas esperava ansiosamente que pessoas não fossem tão diferente de trabalhar com terra.

Eu me aproximei furtivamente, parando somente quando estava perto o suficiente para tocá-lo e longe o suficiente para não revelar meu rosto. Quando minhas mãos tocaram sua fina mão eu deixei o formigamento tomar conta de meu ser, eu deixei a energia ganhar forma e balançar e a direcionei ao garoto, quando acreditei que minha energia diminuiria ela se metamorfoseou, ganhando uma cor dourada, uma sensação avassaladora me envolveu, partindo desde as pontas dos pés á todas as células de meu corpo, era como viver em um inverno rigoroso que fazia os ossos estarem em dor, como as descrições as quais só tive acesso em livros, e de repente ser agraciada por um calor que não só aquece, mas que destrói todas as coisas velhas e fracas ao redor e as transformas em outras, melhores, renascidas.

Como uma fênix, renascendo do fogo.

Em minha boca há esse gosto que não consigo reconhecer.

Mas estou viciada.

Um grito irrompe no ar, meu corpo está sacudindo, tarde demais percebo que é um movimento motivado por uma força exercida em meu braço, aquele que toca o menino, eu me empurro da hipnose.

E quando observo o resultado de meus atos.

Eu desejo que não seja real.

Diante de meus olhos, o menino que eu gostava de me referi como ossudo, é praticamente isso agora, é como se ele tivesse perdido cinco quilos em dez segundo, mas o que me perturbar mais, são seus olhos, pois apesar de seu corpo tremer, percebo que é involuntário.

Não poderia ser Greg, porque ele não está mais lá.

Seus olhos negros estão abertos em horror, o pescoço virado de uma maneira impossível para uma pessoa que estava tão fraco, mas não impossível para uma pessoa que sentisse demasiada dor, ela lutaria contra tudo para encontrar a fonte disto.

Greg está olhando para mim.

Mesmo que na verdade, ele não esteja olhando para mais nada.

E a culpa é minha.

Notas finais
O que acharam? Vamos lá, estou merecendo saber sua opinião, então comente. Afinal, foram dois episódios, saindo do forno. Obrigada por ler até aqui.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.