Os olhos de Cloe
1 Prólogo
Notas iniciais
Aiden ainda não entendia como os humanos conseguiam ouvir músicas tão altas, a cada ano, mais altas a música ficava. Ele não odiava isso, entretanto, tão pouco gostava. Às vezes, era agradável, fazia-o sentir-se solto, assim, não notava o sentimento de culpa que o afligia. Não é como se quisesse fazer isso sempre, era uma necessidade. Questão de vida ou morte, literalmente.
Seu orgulho o fizera esconder seus sentimentos, com o passar dos anos deixou de senti-los, a grande maioria pelo menos, ainda era capaz de sentir raiva e outros sentimentos “ruins", mas os “bons”, os quais ele chamava de fraqueza, havia se esquecido deles. O único vestígio do que se poderia chamar de traços de “humanidade” era a culpa que sentia por ter de se alimentar, ele tentava, mas não conseguia ignorar.
Os tempos modernos haviam trazido algumas peculiaridades, além das músicas com altas batidas. O que Aiden mais gostava era a facilidade em obter seu alimento de modo prático, rápido e em praticamente todos os lugares. O valor “nutricional” poderiam ser baixo, mas era o suficiente para uma ou duas semanas. Há alguns anos, não sobrava muita escolha, tendo a necessidade de desvirtuar alguém, o que deve ter acontecido umas três vezes. Ele sempre evitou, porém, nem sempre encontrava “as mulheres da vida” para se saciar, quando ficava um tempo prolongado sem comer, seu demônio tomava o controle. Aiden odiava perder o controle.
Enquanto tomava sua bebida, sentiu um cheiro almiscarado e doce, o tipo que mais o agradava. Um sorriso formou-se no canto de seus lábios. Aiden tinha achado a presa de hoje. Olhou ao redor procurando de onde vinha e encontrou os olhos da moça. Era jovem, talvez tivesse cerca de vinte anos. Tinha olhos castanhos claros, como mel, parecia que havia um pouquinho de azul ali também. Cabelo encaracolado e comprido, caiam-lhe em cachos até a metade das costas dela, pele levemente morena, como se tivesse tomado banho de sol no final da tarde.
Ela estava um pouco alta por causa do álcool de sua bebida, suas pupilas estavam dilatadas, todavia, não chegava ao ponto de embriaguez, ela estava apenas mais solta do que deveria ser normalmente. Isso era bom, iria facilitar. Mas não importava, Aiden não precisa dessas “facilidades” que o álcool proporciona.
Ela estava acompanhada de mais duas amigas, que estavam olhando para ele e conversando, provavelmente falando do quão bonito ele era.
Quando ela notou ser observada, sorriu. Era um sorriso encantador, tímido e delicado.
Aiden chamou o barman e pediu por mais duas bebidas, que logo colocou-as em sua frente, pegou deixando o dinheiro sobre o balcão e foi até a moça. Ela riu e voltou-se para suas companheiras, que eram tão bonitas quanto a morena, estás se levantaram e foram em direção a pista de dança. Seu alvo estava facilitando as coisas para ele.
Aiden não pode evitar que seus lábios puxassem num meio sorriso, ela havia escolhido ser sua presa está noite. E ele percebeu o quanto isso afetou a moça, a respiração dela tornou-se um pouquinho mais rápida e irregular, suas bochechas tomaram um tom levemente rosado. Agora ele, finalmente, estava na frente dela.
— Olá! – Disse Aiden.
Ele olhou-a de cima a baixo, observando suas curvas e gosto por roupas. Era bom. Talvez ela estudasse moda. E suas curvas diziam que ela provavelmente era brasileira, tinha bastante quadril, elas eram as mulheres que mais tinham quadril. Aiden estava com um sorriso presunçoso no rosto.
— Olá! Hm... Quer se sentar? – Falou a moça, desviado um pouco de seus olhos para seus dedos que pareciam em um pequeno duelo com movimentos delicados e envergonhados.
— Obrigado! Estive te observando... Será que gostaria de beber comido? – Mostra os copos. – Qual é o seu nome? Me chamo Aiden. – Falou, sentando o mais próximo da moça, que a mesa entre eles permitia.
— Ah sim, obrigada. – Murmurou aceitando a bebida. – Layla. Muito prazer Aiden. – Articulou com um sorriso e meneio da cabeça.
Ela realmente era de outro país, possuía um sotaque um pouco pesado e arrastado. Talvez ela estivesse mais alta com o álcool do que ele havia pensado.
— De onde você é? – Perguntou-a, dando um sorriso que mostrasse seus dentes.
Os olhos de Layla estavam dilatando cada vez mais, logo ele poderia sair com ela. Não teria problemas, mas Aiden também nunca teve problema algum. Ele era um mestiço de duas das raças que eram consideradas as mais sexys, devido aos seus genes, ninguém conseguia ignorar de se atraírem por ele, era como se Aiden fosse um ima e as fêmeas a substância ferromagnética que é atraída pelo ima. Sua raça possuía essa incrível habilidade para com o sexo oposto. Ninguém podia resistir a atração.
— Brasil... – sussurrou ela envergonhada.
Eles conversaram por algum tempo, até que a fome bateu forte no estomago de Aiden, assim convidou-a para ir a um hotel, a jovem não hesitou em aceitar o pedido. Saiu rapidamente para avisar as amigas que iria embora com o belo homem. As amigas deram aquele gritinho que as meninas geralmente dão quando estão juntas e entusiasmadas, os humanos são sempre tão previsíveis.
Ele a levou até seu lamborghini reventon, que estava no estacionamento da boate. A moça suspirou quando viu o carro. O sorriso presunçoso de Aiden voltou em seu rosto. “Lindo e rico” estava estampado na face da jovem, ele piscou para ela, pegando sua mão e levando até os lábios para deixar um beijo antes de abrir a porta para ela.
Layla soltou mais um suspiro, e ele quase não conseguiu segurar o riso que subiu de sua garganta até os lábios. Ela estava em êxtase, quase tendo um orgasmo por conta própria. Uma pontada de culpa quis atacá-lo, mas ele não deu atenção a isso. Não podia, afinal, fazia quase três semanas que não se alimentava, estava faminto e quase sentia-se como uma fêmea no cio, pois todos os seres do sexo feminino o estavam seguindo. Eram seus demônios liberando os feromônios. Ele odiava ser seguido. Se demorasse ainda muitos dias para se alimentar, acabaria desvirtuando alguém, contra sua própria vontade e a da jovem também, o que fariam com que Aiden, realmente se culparia até o seu último dia de vida.
Foram para o seu hotel de costume, ele nem precisava passar na recepção, sempre tinha consigo a chave, no quarto carregou-a como uma princesa em seus braços. Ela não parava de rir e sorrir, e assim, a culpa aos poucos foi sendo substituída por desejo. Beijou-a conseguindo sentir sua energia, era boa, Aiden conseguiria facilmente ficar três semanas sem precisar comer novamente.
Não soube ao certo quantas vezes fizeram sexo, mas foi o suficiente para que os dois apagassem. Olhou para o relógio digital da cômoda ao lado da cama, dizia ser quatro horas. Olhou para a menina em seus braços. Ela iria sentir-se cansada por cerca de uma mês. Também ficaria debilitada e sugestível a doenças com mais facilidade. Talvez fosse pensar que estava anêmica ou com uma gripe forte. O que poderia vir realmente a acontecer. Depois disso ficaria bem. Seria um mês difícil para ela.
— Desculpa por ter feito isto. – Sussurrou ele enquanto depositava um beijo na testa dela.
Ela resmungou alguma coisa, se encolhendo ainda mais em seus braços. Ele sorriu um pouco, acariciou as madeixas dela por alguns minutos até decidir que era hora de ir. Pegou as suas roupas e foi em direção ao quarto de banho, tomou um ducha rápida e colocou suas roupas, saiu do lavabo, começou a apanhar e dobrar as de Layla, colocando-as na cadeira próxima do banheiro. Deixou também, algum dinheiro para que ela pegasse um taxi mais tarde e um bilhete de despedida.
Saiu do quarto e foi até a recepção para pagar a conta. Pediu para que alguém fosse olhar a moça daqui a aproximadamente três horas, dizendo que ela não parecia se sentir muito bem quando chegaram. A recepcionista murmurou um “okay”, enquanto o comia com os olhos. Ela estava com ciúmes de Layla. Caso seu demônio não estivesse satisfeito iria inquirir que Aiden copulasse com ela também, esta fome o assustava.
Indo-se do hotel viu que a cidade já estava com um movimento intenso. Era isso que ele amava sobre Manhattan. A cidade nunca parava. Gostava disso, de ter sempre algo para fazer. Foi até seu carro e dirigiu em direção a sua casa. Mas logo mudou de ideia, não faltava muito até dar o horário de entrada no trabalho, então, foi direto para o trabalho. Aiden era o CEO de uma companhia de Manhattan. Havia trabalhado com seu irmão nela durante anos e anos. Era uma empresa do setor de finanças, e ultimamente pensava fazer algo comercial também, já era tempo de expandir. Sua fama não era “grande” apenas aqui no mundo humano, na outra dimensão ele também era um chefe, participava da equipe dos anciões, eram quase dois mil seres diferentes que participavam, cada um representando sua espécie. Aiden gostava de poder sentir o poder nas mãos. Era um homem ganancioso.
Como estava de bom animo, decidiu que hoje seria o dia de sua brincadeira de chefe-empregado. Ligou para sua secretária avisando que iria fazer isso, e suspendesse tudo que ele tivesse que fazer durante as próximas duas semanas, ou então que passasse ao seu irmão o que ele teria que fazer.
Victor, seu irmão, iria ficar bem irritado pela quantidade de reuniões as quais teria que participar, mas Aiden não se importava. Ele amava realizar esta brincadeira, achava divertida e boa para selecionar as pessoas que trabalhavam para ele.
A brincadeira era simples, ele fingia ser um trabalhador em algum andar, via como as pessoas trabalhavam, como tratavam as diferenças das pessoas, seus erros e fraquezas. Quando alguém fazia um trabalho do qual se agradava, promovia está pessoa. Também é uma brincadeira boa para manter uma vigília sobre os empregados, descobrir sobre as fofocas que circulavam, e principalmente, observar se alguém estava abusando do poder que Aiden havia fornecido. Seu ego não aceitava que mais alguém tentasse se aproveitar do poder. Certa vez se travestiu, despedindo pela primeira vez alguém que considerava um bom profissional. O chefe daquele andar o havia xingado de vários nomes logo em seu “primeiro” dia de trabalho, lembrou Aiden com tristeza.
O bom da brincadeira era que ninguém, fora sua secretária, havia visto seu rosto, então, nunca nenhum de seus empregados iriam descobrir que ele era o chefe. Todos conheciam apenas o seu irmão. E mesmo que soubessem, não teria problemas em mudar de forma, só que isto gastava energia, ele não queria ter de se alimentar tão cedo.
Dar está “atenção” em como seus empregados tratavam os outros empregados, e eliminando aqueles que maltratavam seus pequenos trabalhadores fez a empresa ser considerada um dos melhores lugares para se trabalhar. E ele gostava de estar sempre no topo.
Parou rapidamente no meio do caminho para comprar alguma roupa, ele precisava de um traje que combinasse com o estilo “desleixado” para a brincadeira. Iria tentar dar algumas provocadas no Lucca, chefe do setor da quarto andar. Ainde não gostava muito do cara, e ultimamente haviam rumos de que ele era perverso com os empregados, então queria provocá-lo e ver se ele saía dos “padrões”. Aiden só o havia promovido por causa de seu irmão, este disse que ele estava realizando um bom trabalho, entretanto, desde que viu o homem pela primeira vez, não gostou dele.
Sorriu com a ideia de Lucca o xingando e expulsando da empresa. Ele amava pegar as pessoas com a boca na botija. Depois também, poderia esfregar as besteiras que o chefe do quarto andar estava fazendo na fuça de seu irmão. Seria uma semana divertida.
Fale com o autor