Os olhos de Cloe

4 Capítulo 3– Vendo papai


Notas iniciais
Desculpem a demora em postar, como voltaram minhas aulas, acredito que irei postar cerca de duas em duas semanas, as vezes, posso demorar um pouco mais, mas não se preocupem xD. Obrigada a todos que estão lendo.

Acordei com o som de “bip-bip-bip” que vinha de um monitor. Estava no Hospital. No quarto poucos raios laranja passavam pela janela, o que indicava ser final da tarde. Tinha um murmúrio do lado de fora, soavam como as vozes de Selly e de meu pai.

Um pânico quis me tomar. Os monitores começava apitar mais rápido e de maneira descompensada, estava apavorada. Tentei me levantar, mas me sentia muito pesada, mal conseguia mover meus braços para me sentar.

Selly aparece na porta, corre até mim. Ela parece apavorada e aliviada, seus olhos estão vermelhos, tinha chorou. Jogou os braços ao meu redor enquanto brigava comigo por estar me movendo sozinha, ao lado dela, meu pesadelo. Papai está aqui e não parece nem um pouco feliz.

Sinceramente, não sei dizer o que me assusta mais, se é “ver” o meu pai ou se é ver a “forma” dele. Ele é semelhante a um homem-cobra com asas, sua metade de cima do corpo é quase normal, alto, com braços enormes, algo pinga de sua boca também, é meio laranja avermelhado, quando pinga no chão queima, entretanto, a fisionomia é semelhante a um humano. Tem uma tatuagem em seu ombro que é cinza, é um dragão que possui várias cabeças com línguas escuras, sons estranhos vem dessa cabeças, é arrepiante. Sua pele é bem escura, se possível, mais escura que o próprio preto, sua cauda é preta com uma listra cinzenta que desce até a ponta pontiaguda de seu rabo, suas asas estão recolhidas, mas também eram pretas e grandes.

Meu coração bate com uma força tão grande que dói. Selly pede por ajuda enquanto meu papai me analisava procurando um por quê de eu estar reagindo assim. Quase podia ver que logo haveria um brilho de entendimento sobre seus olhos, não podia deixá-lo saber que tinha algo diferente em mim. Tentei fingir uma tosse para que eu desviasse meus olhos dos de meu pai, todavia, a tosse tornou-se real.

Um médico acompanhado de uma enfermeira entraram correndo no quarto, ele fez uma verificação rápida em mim, enquanto a enfermeira aplicava a medicação. Não conseguia ignorar a imagem assustadora de Robert.

— Logo você vai se acalmar. O remédio vai ajudar. – Informou o médico.

Com poucos minutos meu corpo foi ficando mole. Quando fiquei mais calma ele explicou que eu havia desmaiado, diz que Selly o informou que eu não estava bem desde o início do dia. Perguntou se fazia tempo que sentia os sintomas e quais eram. Eu não queria conversar, tampouco ter mais atenção em mim sobre o que andava acontecendo então menti, dizendo que tinha sido o segundo dia, que no dia anterior já havia procurado um médico que tinha dito ser estresse.

O que era uma boa desculpa, desde que nos últimos dois meses e meio as gêmeas estavam me usando como cobaia de seus trabalhos.

O médico confirmou isso, informou também que eu estou sofrendo de ansiedade, que tinha acabado de ter um ataque de pânico. Passou alguns medicamentos e me liberou. Selly quis ficar comigo, porém, papai disse que iria cuidar de mim. Não queria ficar com ele, muito menos com aquilo que via. Ele não me escutou. Me colocou no carro e fomos para meu apartamento. Não conversamos durante o percurso. Ele esperou até que a porta do apartamento se fechasse.

— Você devia vir ficar comigo alguns dias. – Ele tentou fazer soar como uma sugestão, mas eu sei que era uma ordem.

— Não posso papai, tenho trabalho. – Falei desejando que o assunto encerra por ali.

— Selly disse que conversaria com seu chefe. Vá fazer suas malas. – Ele se sentou no sofá e ligou a televisão, estava passando um jogo de beisebol.

— Pai, por favor, deixe-me ficar aqui. – Digo sentando ao seu lado.

Ele passou o braço sobre meus ombros e me puxou para que minha cabeça repousasse em seu ombro. Faço o possível para não enrijecer, mas mesmo que fizesse, Robert acharia que era temor por ele. Papai parece não notar que não vejo ele como sempre vi, depois que me deram o remédio foi mais fácil fingir não ver também.

— Querida, eu só quero o seu bem. – sussurrou enquanto me puxava. Sua voz soava mal-humorada e ele falou como se estivesse falando com uma criança.

— Eu sei, mas eu gosto daqui. – respondo remexendo em meus dedos.

Robert deixa a cabeça cair para trás no sofá e parece estar escolhendo as palavras que irá usar comigo. Solta um suspiro um roupa exaspero.

— Fique preocupado quando recebi uma ligação informando sobre o que tinha te acontecido. – Falou passando a mãos sobre o cabelo, agora negros.

— Você veio rápido. – Anuncio num encolher de ombros.

— Eu estava por perto. Na verdade, estou na cidade há uma semana. – Comentou vagamente.

Meu coração volta a martelar, me afasto dele indo em direção a cozinha para que ele não note. Ele já suspeitava de que algo estava errado.

— Deixe-me ficar até as férias, faltam apenas cinco semanas. Depois fico com o senhor, por favor. – Faço uma pausa. – Quer comer alguma coisa? – Pergunto indo para a cozinha.

A garrafa do suco que joguei fora está manhã estava sobre a pia, peguei o lixo, vários guardanapos, papel toalha e jornais para esconder a garrafa na sacola. Minhas mãos tremiam com medo de que ele descobrisse.

— Vou ficar com você então. – Anuncia. – Não quero querida, comi no hospital mesmo. – Disse ele se deitando no sofá.

Ter ele aqui comigo não era bom, mas seria melhor do que voltar para minha cidade natal.

— Vou poder ir trabalhar, certo? – Pergunto receosa.

— Sim, mas quero que chegue cedo e sempre me avise onde vai e quando volta. – Diz.

Quase solto um suspiro de alívio.

Depois que achei que a garrafa estivesse bem escondida falei que iria levar o lixo lá em baixo e passar na loja de conveniência do outro lado da rua comprar algo para comer, já que seria a única a comer.

Lá em baixo, tiro a garrafa, escondi-a na minha blusa e sai em direção à loja, atrás dela sei que tem uma caçamba de lixo, vou até lá disfarçando e olhando para o prédio para ver se meu pai estava lá assistindo. Ele não estava.

Entrando na loja, dou um “olá” para Marta, é a dona da loja, porém é uma pessoa bem jovem, tanto quanto Sandy é. Para minha surpresa, ela também não estava normal. Sua aparência é como uma Naja. Tem forma humana, mas todo seu corpo lembra uma cobra, pele, olhos, nariz, boca.

A proprietária sempre foi uma boa pessoa, ela amava principalmente as crianças. Vendo-a nesta forma me surpreendeu, cobras eram supostas a serem más, vis. Vi uma pessoa boa em um ser que as histórias usavam como o mal.

Podia entender ver meu pai assim, afinal, ele nunca foi bom para comigo, nem para com ninguém. Buscou sempre o melhor benefício para si próprio. Contudo, Marta, vê-la assim me fazia pensar coisas erradas, como ela fingir gostar de crianças para come-las, mas as crianças amavam ela, se um bebê chorasse e a mãe não conseguisse faze-lo parar, Marta conseguia. As crianças eram supostas a ver o mal, não eram? Porém, elas realmente adoravam-na, isso significava que ela era uma cobra boa?

Meus pensamentos sobre ela estavam em contradição.

Me perguntei também se todas as pessoas passariam a ser diferentes com o tempo ou se tinham algumas especiais. Gostaria de saber se, por acaso, tivesse as especiais, o que minha mente estava escolhendo para as eleger. Teria imaginado que Selly também estaria, não é? Afinal, ele também é uma das minhas melhores amigas. Isso significava que o que eu via era real ou que eu poderia estar ficando mais louca do que imaginei? Estava com medo por minha sanidade mental.

— Hey Cloe, está tudo bem? Faz um tempo que não passava aqui. – Disse ela, sua língua ficou indo e voltando de sua boca.

— Hey... Estou... Andei sem tempo. – Digo, mas não consegui evitar que a frase soasse estranha.

Ela me encarou, o movimento de sua língua formava um silvo longo, baixo e grave. De alguma maneira, o som não me assustava, ele acalmava. Assemelhava-se a cantarolar de uma mãe ninando seu filho. Isso foi o que me assustou, não sentir medo do que deveria parecia errado.

— Sei, você ama ficar em casa sozinha, né? Está fugindo do mundo social Cloe. – Agora ela parecia um pouco triste. Mostrei um fantasma de sorriso a ela e fui para a geladeira. – Ontem achei uma criança perdida. – Anunciou.

— Conseguiu leva-la até seus pais? – Pergunto tentando soar mais normal.

— Sim, eles são daqui do bairro, ela é uma menina muito dócil, você iria gostar dela. – Anuncia contente.

Enquanto me contava sobre isso fui em direção as geladeiras de comidas, peguei alguma coisa sem ver, depois passei na geladeira de bebidas e peguei um pequeno saco de licor, não costumava beber, contudo, acreditava que seria mais fácil dormir se o fizesse. Acreditava que precisava me desligar ainda mais do mundo real, para deixar minha mente descansar, e assim, talvez, voltar ao normal. O álcool também me deixaria feliz, isto me faria provavelmente atuar melhor.

Marta me deu um olhar de reprovação quando viu a bebida, encolhi os ombros dando a ela um sorriso sem jeito.

Paguei e fui comer na guia da rua. Quando faltava pouco para acabar, senti alguém me observar, vinha de meu prédio, olhei para cima na janela de meu apartamento e lá estava ele. “Hora de voltar.” Pensei quando o vi. Me levantei, joguei o que sobrava na lixeirinha da frente da loja e voltei para meu covil.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.