Os mortos-vivos

3 Capítulo 3 - O perigo atrás das árvores


O que eu poderia fazer? Eu tinha que pensar rápido eles estavam cada vez mais perto. Olhei para trás, havia uns 11 mortos. Pensei, se eu correr rápido eles não me pegariam e foi o que eu fiz. Corri até uma floresta que parecia mais segura do que a situação que eu passava ali fora. Eu sabia que atrás de cada árvore poderia ter um perigo, mas eu ouviria antes de qualquer coisa chegar perto suficiente para me morder. Tentei andar o mais silenciosamente possível.

Ouvi uns grunhidos se aproximando e um vulto atrás de uma árvore. Paralisei por um momento tentando achar a criatura. Mais um barulho, dessa vez mais perto. Segui o barulho e nada. Fui andando, não queria arriscar sair da floresta e me deparar com uma horda então segui em frente. Com sorte só encontrei mais um morto-vivo. Na verdade metade dele.
Mais uma vez o barulho volta. Caminho na direção dele já preparada para o que estiver me esperando. Tenho quase certeza que vem de trás de uma árvore perto de um riacho. Quando cheguei até a arvore havia um garoto, incrivelmente vivo, com a arma apontada para mim e eu com um machado apontado para ele. Tudo que eu consegui fazer naquele momento foi falar o mais baixo que pude “Não atire”. Ele fez com a cabeça que sim e abaixou a arma.

Deus, como era bom ver alguém vivo depois de todo esse tempo. Ele fez sinal para eu segui-ló. Caminhamos até chegarmos a sua casa. Ele disse:
– É seguro aqui, não se preocupe. Ãm… Qual é seu nome?
– Emilly.
– Você tem um grupo Emilly?
– Tinha.
– Quer dizer que não tem mais?!
– Foi o eu disse.
– Não confia em mim, não é mesmo?
– E deveria? Eu nem te conheço.
– Está certa em não confiar. Tome um pouco d’água. Você deve estar cansada… Então, está sozinha há quanto tempo?
– Não sei ao certo. Dias… Talvez semanas.
– Como uma garota tão jovem conseguiu sobreviver a esse mundo sem ninguém a protegendo?
– Você também não parece ser tão velho. Tem um grupo? E eu posso saber seu nome?
– Tinha, também. Todos se separaram por… Bem é uma história complicada. Agora sou só eu e meu pai. Meu nome é Mike. Meu pai é Jason, ele está no quarto descansando. Eu tinha saído pra tentar caçar alguma coisa, mas não tive muito sorte… Não temos muita comida aqui.
– Eu tenho um pouco de comida. Bem, o suficiente para uma pessoa sobreviver por alguns dias, caso precisem podem pegar um pouco.
Tirei da minha mochila toda a comida que tinha deixado para o caso de não encontrar nada até escurecer.

Aquele lugar parecia seguro, era uma casa boa. Aquele menino parecia um bom garoto e eu estava tão casada, mas tudo estava acontecendo tão rápido.

– Bom Emilly, eu irei caçar. Você pode descansar um pouco temos um quarto sobrando e…

– Eu vou com você. — interrompi a fala dele. — já que não teve muita sorte da primeira vez vai precisar de ajuda.

– Já que você quer assim, vai ser um prazer poder te conhecer melhor.

Andamos por um tempo e conversamos bastante, contei a ele a história de como perdi meu grupo e ele contou a dele. Ele era um garoto alto e magricelo, aparentava ser novo como eu. A sua arma era uma Beretta 92FS com silenciador. Eu só tinha uma faca e um machado. Encontramos uns três errantes enquanto caminhamos. Ouvi um barulho estranho, vinha de trás. Olhei por um tempo e não parecia nada.

– Está tudo bem? — A voz suave, rouca e profunda de Mike dizia baixinho.

– Eu… Nada, está tudo bem.

Continuamos andando e mais uma vez o barulho. Olhei para trás e nada. Aquilo me perturbava, mas não queria parecer assustada. Continuei andando. Agora ouvi perfeitamente alguns grunhidos olhei para trás e havia um morto-vivo vindo em minha direção. Antes que eu pudesse me defender ele já estava em cima de mim. Eu conseguia ver face ensanguentada por cortes profundos e o corpo fétido e sujo em cima do meu. O máximo que consegui fazer naquele momento foi tentar afasta-ló de mim, em vão. Empurrava o seu corpo com toda a força que ainda tinha, mas eu não estava forte suficiente. Seus olhos fitavam os meus. Naquele momento a vida e a morte eram separadas por uma linha tênue.

Seus olhos sem cor e sem vida estavam cada vez mais próximos. Lembrei-me dos filmes de terror que assistia com meu pai quando criança, quando um zumbi aparecia e ele me mandava fechar os olhos. Fechei-os.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.