Notas iniciais
– Então... Já concertou? – Anna perguntou pela milésima vez
– Ainda não. – respondeu entre os dentes, sem tirar a concentração da prótese danificada de seu dragão.
Nos últimos quatro dias, Anna, Soluço e Banguela haviam passado por muitos desafios juntos. Entre eles, uma devastadora nevasca. Berk já havia sofrido muitas tempestades, mas nenhuma de tamanha agressividade. Agressiva o suficiente para destruir a cauda de Banguela. A sorte era que Soluço havia trazido consigo algumas ferramentas. Anna não aguentava mais esperar. Tudo o que ela queria era chegar à irmã o mais rápido possível. Tinha de haver uma maneira de continuar a jornada...
– Eu já sei! – a jovem princesa anunciou com os olhos brilhando
– Hã... Sabe o que? – o viking quis saber
– A chave que a Elsa me “quase deu”. – Soluço não entendeu muito bem a parte “me quase deu”, mas não questionou, ele simplesmente a deixou falar. – Ela disse que se eu estivesse com problemas eu poderia chamar um tipo de espírito guardião para me ajudar a chegar até ela.
– Uma chave que invoca um espírito guardião? – Soluço torceu o nariz, não acreditando no que ela havia lhe contado. — Anna, você tem certeza de que isso vai dar certo?
– Claro que vai, Soluço. Eu paguei oitenta mil pela chave, tem que funcionar. Vamos.
– Agora não, Anna.
– Mas, Soluço, nós temos que chegar a North em dois dias e...
– Eu não vou deixar o Banguela nesse estado. – dessa vez sua voz saiu firme, mas sem berrar. — Quando eu terminar de concertar a cauda nós vamos. De acordo?
Ela bufou, sentindo-se derrotada: — Tudo bem.
O pensamento de Soluço era óbvio: “um cavaleiro nunca abandona seu dragão, pois um dragão nunca abandonaria seu cavaleiro”.
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Longe North, mais especificamente, em uma floresta nos arredores de Dunbrock, a princesa Merida cavalgava sem direção. A jovem havia fugido de sua família e de seus “pretendentes”, coisa que não fazia seu tipo. Merida nunca teve medo de fazer o que queria. Mais cedo, ela encarou a multidão sem medo e competiu por sua própria mão, mas no momento ela só queria sumir. De repente uma luz azul se formou próximo ás suas mãos, despertando a curiosidade da jovem rebelde.
– Luzes do destino. – a ruiva sussurrou para si mesma, com um sorriso esperançoso. A luz se deslocou rapidamente, como se estivesse fugindo dela. – Vamos atrás dela, Angus. – o cavalo disparou em direção a pequeno luz, que acabou levando-os para uma “ciranda de rochas”, completamente vazio. – Olá? – Merida tentou – Tem alguém por aí?
– Ora, ora. – a ruiva se assustou ao se deparar com a figura de um homem alto de pele acinzentada — Por que tanto espanto, Princesa Merida?
– Como sabe meu nome? – perguntou ela, um tanto confusa
– Entenda, não é apenas o seu nome. Eu sei tudo sobre você. Inclusive sei de uma coisa que pode lhe ajudar.
A maior parte de sua mente era curiosidade, mas havia um pequeno pedaço de desconfiança gritando para sair: — Como eu posso se é confiável? Eu nem sei quem você é.
– Podemos dizer que eu serei um bom amigo, contanto que siga minhas regras. — “Regras?”. A ruiva questionou mentalmente, geralmente ela não se dava bem com as regras, rainha Elinor que a diga. – Diga-me, jovem princesa, já ouviu falar nos “Magos de North”?
– Já, claro. Todo mundo já ouviu essa lenda. – não havia entendido a pergunta, mas respondeu, querendo saber aonde esse história iria chegar.
– Quem foi que te disse que é uma lenda?
– Não. Não é possível. Esses magos são incríveis, incríveis demais para serem reais.
– É uma lástima que não acredite, eu poderia lhe dar tudo o que quisesse. Em todo caso, eu agradeço o elogio.
– Você é um...
– Ah, perdão, mas eu sou incrível demais para ser real.
– Não! Espere! – Você pode me dar qualquer coisa? — Eu quero um feitiço que mude meu destino. Que mude minha mãe.
– Que assim seja.
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