Os grandes magos de North - Primeiras lendas
10 Finalmente
Notas iniciais
Gylfie estava sentada na varanda às duas horas da manhã, quebrando as regras do Palácio de North pela primeira vez. Observava o céu. Ligava estrela por estrela com os dedos para descobrir as constelações.
– Gilfy? – Ouviu a voz vinda por trás e sentiu uma mão em seu obro. Virou-se para ver quem era e se sentiu mais completa. Era o rosto de sua pessoa favorita, de seu melhor amigo.
– Soren. – um sorriso sincero se formou nos lábios da morena
– Por que está acordada à uma hora dessas? – o garoto questionou, mas sem parecer surpreso com a atitude inesperada da amiga.
– Eu sei que já passou do toque de recolher, mas estrelas são tão bonitas. – disse suspirando, inclinado a cabeça e olhando para o céu — Eu queria poder voar alto, alto o bastante para estar perto delas.
– Você sabe que só os maiores magos podem voar. – Soren lembrou, sentando-se ao seu lado. Esticou seu braço e segurou a mão de Gylfie. A menor sentiu suas bochechas corarem, seu coração estava acelerado. — É bom te ver saindo da pose de menina racional.
– Pessoas racionais não podem sonhar?
– Talvez você nem seja tão racional quanto pensa. – o rapaz disse, colocando uma mecha de cabelo escuro da menor para trás da orelha. Um arrepio percorreu sua espinha, sentindo os dedos gelados tocarem seu rosto.
– Qualquer pessoa que foge com um desconhecido em busca de um palácio não é muito racional. – percebendo que o rapaz estava olhando fixamente para seu rosto – O que houve?
– Nada, é que eu adoro ver você sonhando, Gilfy, me lembra de quando nós éramos crianças. Seus olhos brilham, assim como as estrelas.
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Sentiu fortes palmadas em seu rosto no início, mas logo não sentia mais nada além de um leve formigamento, já que suas bochechas ficaram dormentes. Abriu os olhos rapidamente. Tudo não passou de um sonho.
– Finalmente!- Merida bufou, balançando os braços.
– Bom dia, Merida. – Gylfie cumprimentou num tom um pouco irônico, mas ainda mostrando grande cansaço em sua voz. Soltou um lento bocejo e continuou. — O que aconteceu?
– Você acabou adormecendo. – a ruiva falou em um tom rude, fazendo parecer que a menor havia feito algo de errado. — Esqueceu que não podemos dormir?
– Já faz dois dias, se não dormimos vamos enlouquecer. – explicou, sentando-se. Olhou para o lado e apertou de leve os olhos. Avistou o terceiro membro do “grupo fugitivo” conversando com um rapaz loiro e muito, muito alto, talvez até mais do que Kloud. — Quem é aquele com o Jackson?
– É um nome estranho. – Merida deu um soco de leve em sua própria testa, tentando se lembrar. — Acho que Christopher ou algo do tipo. E parece que ele está querendo nos ajudar.
A menor arqueou a sobrancelha.
– Não era você que não confiava em ninguém?
– Acho que depois do K eu percebi que confiar não era uma ideia tão ruim. Em um momento de desespero... Sabe o que eu quero dizer, não é?
– Garotas, eu tenho uma boa notícia! – Jackson anunciou, correndo em direção as duas, sorrindo como um louco. Logo chegou a elas e, apoiando as mãos nos joelhos com a respiração um tanto ofegante, completou. — Já temos um lugar pra ficar.
– E para nos esconder. – a ruiva acrescentou
– É pra isso aí também, mas tanto faz.
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– Obrigado. – Soren agradeceu, pegando o livro das mãos de Elsa.
O rapaz estava há dias deitado naquela mesma posição, ainda sem conseguir sentir suas pernas, e isso já estava o enlouquecendo. Passava todo seu tempo pensando em como estaria o livro e, às vezes, se desesperava, pensando que teria quebrado que promessa que fez a Ezylpro. Seus únicos momentos de felicidade eram pouco antes de dormir, quando se lembrava de sua amiga. Curiosamente, ele não estava preocupado com a garota, algo dentro de si dizia que Gylfie estava bem, e Soren preferia acreditar nesse lado.
– Por nada, eu acho que você deveria se ocupar um pouco. – disse a albina
O jovem olhou para a capa e leu o título em voz alta:
– “O assassino de reis”, escrito por Lianou. É bom?
– É ótimo. Quando acabar eu te entrego a parte dois.
– São dois volumes?
– Nem eu sei quantos são. Eu estou terminando a quarta parte e aguardando a quinta, embora o autor esteja tendo alguns problemas com certos críticos.
– Então são quatro, talvez cinco, volumes? – o loiro colocou as mãos na cabeça, fingindo estar desesperado. — Nossa, parece que vou me ocupar por um bom tempo.
Elsa riu baixinho.
De repente, sentiu um forte vento e logo em seguida ouviu um alto estrondo. A albina saiu da casinha de gelo e rodou em torno de si mesma, procurando por algo (ou alguém).
– ELSA! – ouviu uma voz conhecida
Apertou seus olhos na direção da voz, tentando ver alguma coisa além de neve. Avistou uma garota ruiva com o rosto cheio de sardas. Elsa abriu um grande e caloroso sorriso.
– ANNA!
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