Os grandes magos de North - Primeiras lendas
13 Epílogo: Sete anos depois
Notas iniciais
A Lua já estava brilhando alto no céu, mas as crianças não queriam dormir. Um garotinho ruivo de olhos verdes corria feliz pelos corredores do castelo de Arendelle. Um sorriso travesso estava estampado no rosto do pequeno príncipe, como se ele tivesse feito algo de errado. Pensou ter ouvido o som de passos, colocou uma das mãos atrás do ouvido para tentar escutar melhor. Essa não! Ela está vindo pra cá, pensou o pequeno, confirmando sua suspeita. Escondeu-se rapidamente atrás de um móvel de madeira qualquer. Não queria que ninguém o encontrasse, não queria que lhe tirassem a chave... De novo.
– Onde está minha chavinha? – ouviu a voz da dona daqueles passos
– Nunca vão me achar. – sussurrou entre risos
– Ará, Armin! – o pequeno sentiu braços o apertando próximos de seu pescoço, soltou um rápido e agudo grito. A mulher o apertava cada vez mais forte e, num impulso, Armin puxou suas tranças ruivas. – Ai! – ela gritou, massageando a parte de trás de sua cabeça, sem perceber que havia o soltado. — Kristoff, pegue o ladrão!
Armin correu, mas logo acabou batendo na perna de Kristoff. O maior pegou o garotinho pelos pés e o segurou de ponta cabeça. Balançou-o, fazendo uma pequena caixa prateada cair no chão. E “o crime perfeito” virou apenas mais uma tentativa que falhou.
– Isso não vale. Eu ia conseguir. – Armin cruzou os braços e fez bico – Ei, me solta!
O loiro obedeceu, fazendo-o cair de cabeça no escorregadio e duro chão de mármore. Doeu! Ele rastejou lentamente em direção à caixinha, até pegá-la.
– Armin... – a ruiva cruzou os braços enquanto batia o pé repetidas vezes, dando o ar de que estava esperando alguma coisa... – A chave. – o ruivo bufou, mas escondeu a chave em sua roupa, devolvendo apenas a caixa vazia. – Obrigada.
Ela se abaixou e pegou Armin no colo, carregando-o até sua cama.
– Mamãe! – reclamou o menino
– O que houve Armin? – a mulher perguntou, apesar de já saber o que ele diria.
– Não preciso dormir. Já tenho seis anos.
– Com seis anos ainda é criança.
– Mas eu sou um herói.
– Heróis não roubam. – Armin mostrou a língua para a mãe — E heróis também precisam dormir.
– Mas se eu dormir, quem vai salvar o Palácio de North?
Ela não respondeu, apenas soltou um riso fraco e beijou a testa do garotinho.
– Boa noite, filho.
– Boa noite, mamãe.
Armin se deitou para o lado oposto a porta e forçou sons de ronco, esperando que sua mãe saísse de seu quarto. Pegou a chave e a observou admirado. Colocou-a no ar e a girou como se tentasse abrir uma tranca.
– Abra o portão para a neve, Olaf!
Uma forte luz branca iluminou todo o quarto e foi sumindo aos poucos, transformando-se num... Boneco de neve vivo?
– Oi. Eu sou o Olaf. – o boneco de neve se apresentou – Eu gosto de abraços quentinhos.
– Oi Olaf. – cumprimentou sorridente, porém, um pouco confuso. — Eu sou o Armin.
– Oi Armin. – Olaf deu uma volta em torno de si mesmo, como se estivesse procurando algo. — Cadê a Anna?
– Minha mãe?
– Sua mãe? – o boneco de neve ficou tão espantado que até deixou seu nariz de cenoura cair no chão — Eu cheguei atrasado.
– O que foi Olaf? – Armin perguntou curioso enquanto colocava a cenoura de volta no rosto do homenzinho gelado
– Eu tinha que levar a Anna até North quando ela fizesse dezoito anos.
– Me leva! Me leva! – o menininho pediu, pulando agitadamente em sua cama.
– Não dá. Você precisa ter dezoito anos.
– Eu espero! – Armin insistiu — Quando eu fizer dezoito, você me leva?
– Tudo bem, amiguinho, eu levo.
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