Os grandes magos de North - Primeiras lendas
5 A batalha dos punhos de gelo
Notas iniciais
Soren estava sentado próximo à janela de seu quarto, concentrado em “A batalha dos punhos de gelo”, o livro que Ezylpro havia lhe entregado pouco antes de morrer. Às vezes olhava para o teto, tentando impedir que as lágrimas caíssem. Ele nunca iria se esquecer de vê-lo fraco, deitado em sua cama, quase incapaz de falar. Mesmo estando dominado pela doença, Ezylpro encontrou forças para lhe entregar o livro e dizer “Peço que mantenha o livro em segredo. Nunca o deixe cair em mãos erradas. Soren, eu confio em você, e quero que sempre confie em seus instintos”. Essas foram suas últimas palavras. O velho faleceu logo após que Soren deixou seu quarto. O garoto ficou arrasado. Mais que um professor e um mestre, Ezylpro foi um pai para Soren. Não importava o quanto brigavam seu laço nunca desmanchou.
Duas semanas haviam se passado desde a tragédia. Soren estava lendo e se recuperando, mas uma questão não saia de sua cabeça, “O que tem de tão importante nesse livro?”.
– Soren! – ouviu a voz de sua melhor amiga, Gylfie, lhe chamando.
O garoto fechou o livro e, ainda com ele no colo, desceu escorregando pelo corrimão. Ele não fazia questão de escondê-lo de Gylfie. Ela era a única que sabia sobre o livro, pois era a única em que Soren confiava o suficiente para contar.
– O que houve? – ele perguntou, abaixando a cabeça para olhar diretamente para a amiga.
– Não precisa olhar para o chão, Soren. – a menina revidou
– Não fique triste, Pequena Gilfy. — Soren era alto, pálido, com cabelos entre o loiro e o caramelo e olhos negros. Gylfie era exatamente seu oposto. Baixinha, pele um pouco morena, cabelos castanhos escuros e olhos azuis. Na personalidade os dois também não eram muito compatíveis. Ela sempre usava a razão, enquanto o garoto deixava-se guiar pelos seus instintos, o que deixava a garota um pouco irritada. Mas quem poderia culpá-lo? Soren apenas fazia o que Ezylpro ensinou... Ezylpro. – Mas, o que aconteceu?
– Estão chamando no salão principal. Os Quatro Magos Mestres estão aqui. Provavelmente para... – a garota se calou
Para dar um último “adeus” a Ezylpro, Soren completou mentalmente: — Certo Gilfy. Então... Vamos?
– Vamos.
Soren escondeu o livro debaixo de seu travesseiro e eles caminharam até o salão principal. Para a surpresa de todos (ou de quase todos) ali presentes, não eram Os Quatro Magos Mestres. Era Mama Gothel, que havia sido expulsa, juntamente com Breu, por traição. Soren e Gylfie se olharam, tentando entender o porquê de ela estar de volta.
– Caros aprendizes. – a mulher começou. Soren bufou, eles nunca haviam se dado bem. – Todos já sabem que há exatamente duas semanas todos os Magos sofreram com a grande perda de Ezylpro. — Não importa quem irá falar o assunto sempre será o mesmo. – O que a maioria não sabe é que, no dia de sua morte, o livro de “A batalha dos punhos de gelo” foi perdido.
– A batalha dos punhos de gelo. – Gylfie sussurrou, mas o som foi o suficiente para Soren ouvir.
– O livro que Ezylpro me deu. – o menino confirmou um pouco assustado, lembrando-se da frase do velho, “Nunca o deixe cair em mãos erradas”. Soren sentia que tinha de buscá-lo. Ele agarrou o braço magro e pequeno de sua amiga, apertando-o um pouco.
– Ai, Soren! – Gylfie reclamou, o despertando e chamado atenção para a marca vermelha do braço da menor.
– Hã... Gilfy me desculpe.
– O que houve Soren? – ela questionou
– Eu preciso pegar o livro.
– E eu vou com você.
Saíram devagar, mas se apressaram logo que chegaram aos corredores. Ouviam passos e viam uma sombra, tinham certeza de que estavam sendo seguidos. Aumentaram a velocidade até chegarem ao quarto do garoto. Soren rapidamente retirou o livro debaixo de seu travesseiro.
– Achou mesmo que poderia escapar. – o garoto ouviu uma voz feminina. Virou-se, era Mama Gothel, segurando Gylfie contra a parede. – Então foi para você que Ezylpro deu o livro? Ele sempre teve tendência a gostar dos mais rebeldes.
– Solte-a!
– A decisão é sua: o livro ou sua amiguinha?
– Gilfy...
– Ela é tão pequena e frágil, nem precisarei usar muito do meu poder para acabar com “Gilfy”.
Soren soltou o livro, deixando-o cair no chão.
– Agora, solte-a.
– Como queira. – a mulher o obedeceu, fazendo a jovem cair.
O garoto foi até sua amiga, com preocupação no olhar.
– Está tudo bem?
– Está. Eu não acredito Soren, como pode entregar o livro?
– Aquela é só a capa. Todas as páginas estão aqui, dentro do meu casaco.
– Soren, você enlouqueceu? Mama Gothel não é uma idiota.
– Eu sei que não. – ele disse abrindo a janela e segurando a mão de Gylfie – Mas isso me dará tempo de pular.
O loiro fechou os olhos se deixou cair.
Fale com o autor