Os espetáculos de uma vida nada normal
4 Era só o que me faltava!
Que droga!
Primeiro eu perco a hora, depois pego um ônibus LO-TA-DO! E agora isso!
Saí de casa atrasada e ainda cheguei na escola bem no meio da segunda aula.
– Calor é a troca de temperatura entre dois corpos de diferentes temperaturas, ou seja... — dizia o professor de física quando eu o interrompi entrando na sala.
– Desculpa — eu sorri, sem graça.
– Como eu ia dizendo... — ele se voltou para a sala e prosseguiu.
Me sentei em meu lugar habitual: canto esquerdo da sala, bem atrás de Clara.
– Toma — sussurrou ela enquanto me entregava um papel. Eu o abri e logo pude ler:
Já fizemos as duplas para o passeio
Eu respondi:
Com quem eu fiquei?
Eu passei o papel para ela, que respondeu:
Bom... Quase todas as meninas queriam ficar com o Leo, então a professora deixou ele escolher, ele escolheu você e como você não tava ela deixou assim mesmo...
Eu olhei para Leo e ele me olhou de volta com o sorriso que diz "acredite, você vai sofrer!" e voltei a olhar para frente, onde Clara batucava a mesa com as unhas.
– Como você deixou?! — sussurrei.
Ela começou a rir. Do nada toda a sala olhava para nós como se fôssemos algum tipo de parasita perigoso que pode comer seu cérebro.
– Vocês duas — o professor apontou para nós — por favor, saiam da sala — ele andou até a porta, a abriu e estendeu a mão para fora.
Fusiladas por seu olhar, nos levantamos e saímos da sala. Lá estávamos nós, sozinhas no meio do corredor quando a inspetora nos chamou.
– O que foi? — perguntou ela com as mãos nos quadris.
– Fomos expulsas da aula — soltou Clara.
– Esperem pela terceira aula sentadas ali — ela apontou para a escada.
Nos dirigimos até lá e ficamos sentadas. Eu ouvi Imagine Dragons durante os vinte minutos restantes enquanto Clara tirava um cochilo. Depois da terceira aula fomos para o intervalo. Eu me sentei na mesa de sempre para ver se conseguia terminar meu livro. Quase todos do colégio sabem que eu gosto de ficar sentada sozinha no intervalo para poder ler em paz, mas repare que eu disse "quase", ou seja, o Leo não estava incluído nisso.
– Ei — ele se sentou na minha frente e acenou na minha cara.
Eu o encarei sem levantar a cabeça. A raiva queimava dentro de mim, eu seria capaz de soca-lo até ele ter um traumatismo craniano e depois esquateja-lo e jogar os restos mortais no mar!
– O quê você tá lendo? — perguntou ele.
– O caçador de pipas — respondi, voltando a olha para o livro.
– Já li, agora estou lendo Inferno, de Dan Brown — ele colocou o livro em cima da mesa. — Nessas férias eu não li muito,então vou ficar aqui e ler com você.
Ele abriu o livro, tirou o marca-página e começou a ler silenciosamente. Eu ergui uma sobrancelha e o encarei.
O quê esse idiota quer comigo? Pensei.
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