Notas iniciais
OOIE Sim,depois de uma década eu estou aqui,postando de novo. Eu fiquei provavelmente um mês escrevendo esse capítulo,enrolando,e espero que vocês gostem. Enfim,espero que vocês gostem da Mabel e,por favor,comentem dando opiniões. Beijinhos

POV MABEL

A maioria das pessoas tem uma visão horrível sobre orfanatos.E,bem,os públicos realmente atendem a essas expectativas horríveis .Alguns são até piores do que as pessoas falam.São cheio de ratos,móveis apodrecendo e inspetoras mal-humoradas.Vivi em um deles por três meses quando tinha nove anos.Então,sei do que estou falando.

Quando fiz dez anos,uma das inspetoras mal-humoradas apareceu no meu quarto.Mandou eu arrumar as minhas coisas.Coloquei algumas poucas roupas dentro de uma sacola de plástico com as minhas mãos tremendo de nervosismo.

Eu estava sendo expulsa?

O que eu tinha feito de errado?

A diretora do orfanato me levou até a porta da frente quando o relógio bateu seis da tarde naquele mesmo dia.Lá,um homem me esperava.Ele parecia ser jovem,com provavelmente seus vinte anos.Tinha um cabelo ruivo e um sorriso acolhedor quando me viu.

Fiquei aliviada,ele parecia legal.Mas o que estava acontecendo eu ainda não entendia.

Demos um passo para fora do prédio e a diretora entregou minha sacola de plástico para o moço .Me olhou firmemente bem nos olhos.Me surpreendi quando ela me desejou:

–Boa sorte,Mabel.

Mal eu sabia que realmente iria precisar dessa sorte.

O cara pegou minha sacola e fomos andando pelas ruas,conversando sobre qualquer coisa.Eu estava tímida,mas ele era tão falante e engraçado que espantou um pouco minha timidez dos dez anos.

Andamos,andamos,andamos e andamos.Não tive coragem de perguntar para onde estávamos indo,na realidade.Estava com medo da resposta.

Depois de alguns bons minutos de caminhada,cheguei em um prédio alto e azul.Um prédio com um jardim enorme que nós tivemos que atravessar.Um prédio com a placa “Orfanato Particular Rose Vill”.

Eu estava em outro orfanato?

O que estava acontecendo?

–Quem é você?-perguntei finalmente para o moço.

–Meu nome é Tedy-disse.

Ele sorriu.Parecia estar sempre sorrindo.Queria sorrir de volta.Mas estava nervosa de mais.

–O meu é Mabel-disse

–Eu sei-ele respondeu.

Desviei meu olhar de ser rosto e olhei para o prédio.Fiquei observando,absorvendo cada detalhe que me agradasse no local.

Gostava da cor azul no prédio.Gostava das rosas plantadas perto das cercas.Gostava das cercas brancas.Gostava do tapetinho de “Bem-vindo” em frente à porta.

–Por que estou aqui?-perguntei,por fim,ainda observando o local.

–Aqui vai ser a sua nova casa,Mabel-respondeu.

–Por que?-perguntei.

Ele me olha nos olhos.Se abaixou para ficar na minha altura.

–Bem,não posso explicar agora.Mas em breve,você vai entender tudo.

Me deu tchau e foi embora.Não olhou para trás nem uma vez.Mas eu fiquei olhando para ele.E,enquanto eu olhava,senti braços contornando meus ombros.

Me assustei.Devo ter dado um pulinho.

–Hey,calma,garota...Mabel?Seja bem-vinda.

Era uma senhorinha de provavelmente seus setenta anos que me levou para dentro do orfanato.

Eu tinha dez anos e aquele foi,provavelmente,o dia mais louco de toda a minha vida.Eu não entendi nada do que estava acontecendo.Mas fiquei feliz por estar num lugar melhor.Triste pelas outras crianças que continuavam lá,no meu antigo orfanato.

Meu ano no Orfanato Rose Vill foi tranquilo.Era um lugar calmo,divertido e bom de se viver.O meu antigo lar havia virado apenas uma lembrança cada vez mais distante.E mesmo não recebendo uma visita sequer,Rose Vill era meu lar. Eu estava feliz.

Mas coisas estranhas começaram a acontecer.E,mesmo todas as circunstâncias me apontando como culpada das estranhices,ninguém me acusava diretamente.Oras,quem acusar uma menina de dez anos por rachar ao meio a cama da colega de quarto malvada?Ou de começar um pequeno incêncio?Fazerem os papéis com os formulários voarem?

Mas,no fundo,eu sabia que era minha culpa.Só não admitia.Não conseguia achar uma razão que explicasse como eu era capaz de fazer todas aquelas coisas estranhas.

O tempo foi passando e meu aniversário de onze anos chegou.Era maio e as crianças tinham planejado uma festinha surpresa para mim.Eu estava correndo,rindo e esquecendo os acidentes estranhos que haviam acontecido.Ninguém estava se lembrando deles.

Quando o bolo estava sendo distribuído,a senhorita Rose foi atender alguém que havia chegado.Nem dei muito atenção.Estava agitada demais para pensar em alguma outra coisa que não fossem os docinhos em cima da mesa ou o pega-pega que estava rolando.

–Mabel,você pode vir aqui rapidinho?

Assenti com a cabeça,sem nem pensar muito no que a diretora iria querer comigo. Só a segui até o meu dormitório enquanto devorava um pedaço de bolo.

Sentei em cima da minha cam,ainda comendo,e ela disse:

–Tem alguém aqui querendo falar com você.

–Quem?-perguntei surpresa.

–Alguém que você já conhece.

Ela abre a porta e sussurra um “pode entrar” baixinho.

A diretora sai de frente da porta e uma pessoa aparece. Ele parecia ser jovem,com provavelmente seus vinte anos.Tinha um cabelo ruivo e um sorriso acolhedor quando me viu.

O moço que me tirou do outro orfanato,que estava novamente na minha frente.

O que ele estava fazendo ali depois de quanto tempo?

Naquele dia,eu descobri que era uma bruxa.

Naquele primeiro de setembro,eu fui para Hogwarts pela primeira vez.

*****

Estou lendo um livro sobre poções quando vejo Scorpius Malfoy se aproximando de mim.Fecho o livro após marcar a página e o coloco ao meu lado.Sei que ele quer falar sobre alguma coisa.Parecia nervoso mais cedo na aula de DCT.

Ele se jogo ao meu lado e sinto o banco tremer levemente.O olho e levanto uma sobrancelha.

–O que está acontecendo,Malfoy?

–Por que tem que estar acontecendo alguma coisa?Não posso simplesmente ficar com uma amiga minha?

Minha sobrancelha ainda está levantada.

–Fala logo.

–Tá.Mas abaixa essa sobrancelha,por favor,está ficando estranho.

Rio levemente e deixo minha expressão normal e o encaro.

Ele suspira antes de começar a falar e,nesse momento,sei que alguma coisa grave aconteceu.

–Bem,foi meu pai.

–O que o Sr. Malfoy fez dessa vez?

–Nada demais.Você sabe como ele tenta se controlar para ser bom comigo.

A história de Draco Malfoy,pai de Scorpius,passa rapidamente pela minha cabeça.

Na época que ele estudou em Hogwarts,era inimigo mortal de Harry Potter,Hermione Granger e Ron Weasley.Era da Sonserina,que nem Scorpius e um completo metido.Durante a guerra contra Voldemort,ele e sua família eram do time do bruxo maléfico. Ele perdeu a guerra e se arrependeu.Nunca mais arranjou encrenca e a família Malfoy passara a ser bem discreta.

–O que aconteceu?-pergunto

–Conhece Beatrice?

Penso um pouco.O nome me parece familiar.

–Huumm...Loira,da Sonserina?-pergunto,com uma hipótese em mente.

–Essa mesma!

–O que tem ela?

–Bem,os pais dela são amigos dos meus.E o senhor Malfoy fica me mandando indiretas,falando como seria bom se tivéssemos algum laço.

–Laço tipo...sentimental?

–Esse mesmo.

–Ah,Deus.

–É.E eu já estou ficando de saco cheio dele perguntando sobre ela,falando sobre ela,comentando sobre a família.

–Imagino.Ela parece ser um saco.

–E é.

–O que sua mãe acha sobre o assunto?

–Minha mãe é a minha mãe:Não fala nada sobre o meu assunto.E isso me irrita completamente também.

Ficamos alguns momentos em silêncio,sem dizer nada.Ele está nervoso e sinto sua respiração pesada ao meu lado.Já eu,nunca tive uma família.Sempre convivi em grupos,mas de amigos,penso em que conselho dar,mas simplesmente não sei.

–Eu tenho uma tática boa-digo,por mim.

–Ah,é,qual?

–Bem,uma que você usa há um bom tempo.Ligue o foda-se para o seu pai.

*****

Os imensos corredores de Hogwarts as vezes me deixavam perdida,mesmo depois de três longos anos estudando naquela escola.Com treze,meus senso de direção é quase zero.

Ando lentamente,já ficando cansada.O dia foi corrido e quero logo chegar no salão comunal da Lufa-Lufa,mas não consigo saber bem em que parte de Hogwarts estou.

Começo a ficar um pouco nervosa,pois já quase não vejo ninguém pelos corredores.Há alguns minutos,vi um grupo de primeiranistas da Grifinória,mas isso foi há provavelmente há 300 corredores atrás.

–Ei,garota!O que faz acordada a essa hora?-ouço uma voz me perguntar.

Dou um pulo de susto primeiramente.

Torcendo para não ser nenhum funcionário da escola,me viro.Relaxo quando vejo que são um casal de monitores.Provavelmente do 7° ano.Reconheço,depois de um tempo,a menina,sendo a monitora da Lufa-Lufa.Não consigo descrever o quanto fico agradecida.O menino,usava um cachecol da grifinória.

–Relaxe,Crawford,ela é da minha casa-diz Lilyane Skeeter.

Algumas pessoas não gostam muito de Lilyane por causa de sua mãe,Rita Skeeter.Uma mulher idiota há uns anos atrás e não tão mudada mesmo hoje em dia.Mas Lilyane é diferente.Ela é boa.

–Aliás,Mabel,oque você está fazendo aqui?

–Me perdi.-Sinto minhas bochechas ficarem vermelhas ao admitir isso.

–Mas você não está tipo...no 3° ano?-pergunta o garoto grifinório,tal de Crawford.

Encolho meus ombros.

–Não tenho um bom senso de direção.

Enquanto ele darisada,Lilyane vem para perto de mim e passa seu braço direito pelos meus ombros e diz:

–Vem.Vamos te levar para casa,pequena garota perdida.

*****

Quando abro a porta do meu dormitório,encontro outras quatro meninas fazendo coisas diferentes,praticamente se ignorando,como se fossem estranhas.Duas lendo,uma escrevendo e outra comendo.

Ao ouvir o barulho da porta fechando,Abby que estava comendo,diz:

–Aonde você estava?

–Hum,bem,não acho que isso seja da sua conta-respondo rapidamente.

Ela desvia o olhar,como se sentisse vergonha.Rose ri abertamente com a minha frase.Sei que ela não gosta de Abby,mas isso já é um tanto quanto cruel.

–Nossa,Mabel,que grosseria-diz Amália.

Passo a mão na testa e percebo que estou suando um poquinho.Olho para Abby,que ainda está encarando um tanto quanto tristemente o prato de comida.Suspiro.

–Me desculpe,Abby.Eu estou tão cansada.Me perdi.

Ela levanta o olhar e me dirige um sorriso doce.

–Tudo bem.

Sorrio de volta e entro para o meu banho.

*****

–Droga!-Ouço Rose reclamar sozinha,baixinho.

Apenas eu e ela estamos acordada.Enquanto termino minha lição de poções,ela parecia estar procurando por algumas coisa pelo quarto.Até brigara com Abby,que reclamou do barulho que ela fazia.

Rose parecia realmente estressada.

–Que foi,menina?-pergunto,fechando meu livro.

–Eu não consigo achar meu diário-diz.

–Quer ajuda?-ofereço.

Ela assente com a cabeça.

Começamos a procurar no quarto inteiro.De baixo das camas,tentando não acordar as meninas;nos baús,no banheiro,pelo chão.Não conseguíamos achar.Até que Rose se abaixou perto de sua cama e começou a abrir as gavetas.

Quando ela coloca a mão nos puxadores daquela gaveta fico tensa e presumo que ela fica também.Não falamos nada.Apenas com uma troca de olhares,concordamos: “É melhor abrir.”

Me sento ao seu lado e coloco as mãos em cima dos puxadores.

–No três-ela diz.

–Um...dois...três!

No três,puxamos com uma grande força,achando que ela estaria tão emperrada quanto no dia anterior.Mas ela não estava.O que fez eu e Rose cairmos com tudo para trás e tirar a gaveta do encaixamento,provocando um grande barulho.

–Caralho!Vocês não conseguem ficar quietas,não?-diz Cecília,zangada.

A ignoro.Já estou ajoelhada corretamente novamente.Olho para a gaveta.Eu e Rose entreolhamos o olhar.

–O diário voltou-diz Rose.

–Ora,vamos ler então-diz Amália.

Nem tinha percebido,mas havíamos acordado todas as garotas.Amália,Cecília e Abby se levantaram.As duas primeiras sentando na cama de Rose e a última se apoiando na madeira da cama.

Tiro o diário de lá de dentro com todo cuidado e o ofereço a Rose.

–Pode ler?

Ela assente levemente.

E começa a ler.

*****

É estranho conversar com alguém como se fossemos estranhos conhecidos.

“Estranhos conhecidos” é um termo que eu inventei quando ainda era uma criança.Serve para descrever a relação de duas pessoas que já passaram por algo intenso juntas,que já se conhecem há um tempo,mas agem como se não tivessem intimidade.

Pode se saber tudo da pessoa.Cor favorita,clássico predileto,data do aniversário,o nome dos avós...parece que se sabe nada sobre aquele ser humano.

Eu venho sendo assim com ele utimamente.As nossas diferenças estão começando a formar um grande abismo entre nós.

Por alguns dias,me apaixonei por ele.Por outros,era sua melhor amiga.Hoje,sou como uma desconhecida.

Dói.

Causa raiva.

Não gosto desses sentimentos...

Oque me cansa é que algumas pessoas estão começando a notar.Godric está bravo conosco,pois diz que não estamos sendo profissionais e estamos deixando Hogwarts de lado para simplesmente brigar pelo que sentimos.

Nunca irei esquecer de Hogwarts.Jamais.Porém,é complicado.Meu cérebro parece se concentrar em um problema só,e é justo o problema que eu não deveria me concentrar.

As vezes,queria ser mais racional.Ser mais como Rowena,que sempre consegue deixar os sentimentos de lado quando necessário.Mas não.Eu simplesmente não consigo ser fria.Essa é quem eu sou.

Falando sobre outro assunto,estou me sentindo muito cansada ultimamente.Já me encapacitei de dar duas aulas nas últimas semanas.Ninguém parece notar,mas estou ficando preocupada.O que será que está acontecendo comigo?

*****

Depois que Rose termina de ler,ninguém fala nada.Uma onda de silêncio cai sobre nós e dura por minutos.Estamos todas confusas.

Nos encaramos depois de um tempo.Cada uma com suas perguntas silenciosas.O que estava acontecendo?Por que estava acontecendo?Aquilo tudo era mesmo verdade.

O diário era tão estranho.

–Todas nós estamos nos fazendo perguntas.Mas tem uma mais importante:Este diário é realmente da fundadora da Lufa-Lufa?-pergunta Amália.

–Não sei.Mas tenho que admitir que parece uma Lufana falando-digo.

–Como assim?-pergunta Abby.

–Não sei explicar.Mas o jeito dela escrever,as palavras...parecem serem escritas por algum lufano ou lufana.

–O jeito de expressar seus pensamentos é mesmo parecido-Abby concorda.-E a capa do diário é amarela.Nossa cor.

Assinto.

Ninguém fala nada por um tempo.Todas estamos pensando.Aquilo era tão impossível de se acontecer que parecia loucura considerar verdade.Mas o meu coração dizia ser verdade.Eu sentia com cada parte do meu corpo.

–Olha,se for verdade...-diz Abby

–...Como isso pode ser verdade?-Interrompe Rose,levantando as sobrancelhas.

–Se!Uma possibilidade.Tentem considerar-diz Abby,sem perder a calma- Por que isto estaria acontecendo conosco?

–Nada faz sentido-diz Cecília.

Nada fazia mesmo.

O silêncio mais uma vez reina sobre nós e fico tentando achar possibilidades que consigam explicar oque estava acontecendo.Como uma maldita gaveta podia se transformar em outra?Como um diário podia aparecer e desaparecer?

Como?

Se nenhuma de nós havia feito nenhum feitiço.

Alguém tinha feito alguma coisa.

Quem?

Com que propósito?

–Haviam registros que Salazar e Helga eram amantes?-perguntou Abby.

–Quem raios fala amantes no século 21?-sussurra Rose baixinho.

Abby a ignora e olha para nós com expectativa.Levanto uma sobrancelha.

–Não que eu saiba.Por que?-pergunto.

–Bem,ela claramente está se referindo a Salazar Sonserina.

–Aonde?-pergunto.

–Aqui,ó-ela vira o diário e aponta para uma frase.

“São quatro casas. São quatro fundadores. Não três casas e três fundadores.

E por mais que eu não goste deles, ser ambicioso não é uma boa coisa?

Oras, todos querem alcançar seus objetivos.

Mas acho que eles... Que ele... Não conseguem perceber que algumas coisas não podem sacrificar. Não percebem que, às vezes, temos que perder por bem comum.

Eles são egoístas demais.

Isso nos torna opostos.”

–Ela claramente está falando de Salazar-concorda Amália.

Todas concordamos junto com ela.

–Gente...se nós estivermos realmente com o diário de Helga Huplepuff...vocês notaram que podemos responder todas as questões sem respostas na história completa de Hogwarts?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.