Os diários da Lufa-Lufa
2 1. Cecília
Notas iniciais
Na minha primeira noite do meu 3° ano em Hogwarts, eu sonhei com o dia em que eu fui para a maternidade de um hospital pela primeira vez.
Minha mãe, Ariela Patel (trouxa) trabalhava como médica em um hospital numa cidadezinha pequena no Sul. Como não havia muitos médicos por lá, quase toda semana ela fazia plantão. Ou seja, ficava a noite inteira no hospital, as vezes sem ninguém aparecer, e ganhava uns trocadinhos a mais, que no final do mês eram de grande ajuda.
Num desses dias em que minha mãe ficou de plantão, meu pai teve uma emergência no trabalho e não pode busca-la — minha mãe não dirigia nem que sua vida dependesse disso e o transporte público na nossa cidade só começava as 8 h da manhã.
Antes de sair correndo pela porta de casa, meu pai (Álvaro Brown) me deu uma nota de cinquenta e disse para ir buscar minha mãe no hospital de táxi.
E eu fui.
Quando cheguei lá, hesitei antes de entrar. Por mais que seja estranho, eu nunca havia entrado em um hospital antes daquele dia, mesmo minha mãe sendo médica.
Nunca tive uma doença grave para ter que ir me tratar com algum profissional e minha mãe mesma cuidava de mim quando se tratavam de enjoos, dores de cabeça ou gripes simples. Eu também não tinha nenhum parente que pudesse ficar doente ou alguma parenta que pudesse ficar grávida para eu ir visitar, meus pais eram minha única família.
Então eu nunca tinha ido num hospital antes, nunca tinha visto algum real, além dos que eu via em novelas ou seriados que passassem na televisão.
Acho que fiquei com um pouco de medo antes de entrar.
Medo do desconhecido.
Mas eu entrei.
Lembro que fiquei um pouco tonta com o quanto de branco eu vi instantaneamente. Paredes brancas, chão branco, cadeiras brancas, pessoas com uniformes brancos...
Algum tempo depois, refletindo, achei que estavam tentando transmitir alguma paz para os pacientes. Afinal, branco é a cor da paz. Porém, toda aquela “branqueza”, me trazia muitas coisas, e nenhuma delas era paz.
Ainda enquanto observava um pouco chocada aquele local pela primeira vez, uma voz calma acabou com o silêncio do lugar.
–Precisa de ajuda?-me perguntou uma enfermeira.
Ela era bem baixinha, com um cabelo loiro curtinho que batia em seus ombros. Sorria com educação e o tom de suas palavras eram carregadas de polidez.
–Ah, sim, na verdade...poderia me dizer aonde eu posso encontrar Ariela Patel ?
–Se eu não me engano, ela está realizando uma cirurgia agora- me informou.
–Oh...-eu disse- E você saberia me dizer quanto tempo a cirurgia vai durar?
Ela sorriu.
–Saberia. Vem comigo.
Ela foi até o balcão que ficava em frente a porta de entrada e sentou-se em uma cadeira que ficava atrás dele. Apoiei meus braços na bancada e fiquei esperando ela terminar de teclar no computador.
Quando terminou, me disse:
–Sua mãe está realizando uma cirurgia cardiovascular. Ela está na sala há quatro horas.
Acho que arregalei meus olhos com a surpresa.
–Quatro horas?
A enfermeira sorriu levemente.
–Essas coisas levam tempo, querida. Mas, pelas informações de alguns enfermeiros...a cirurgia vai levar provavelmente apenas mais um vinte minutos. Logo sua mãe estará livre.
Suspirei. Teria que ficar naquele mar de branco esperando pela minha mãe mais vinte minutos. E eu nem sequer tinha trago meu celular para ficar ouvindo música.
–Ok... Obrigada.
Quando já estava quase me sentando em uma das cadeiras, pensei em uma coisa.
–Só mais uma pergunta ... como sabe que Ariela é minha mãe?-perguntei para a enfermeira, que ainda estava atrás do balcão.
Ela ergueu a cabeça e sorriu. Dessa vez, ela sorriu abertamente. Um grande sorriso. Como se estivéssemos compartilhando de algo completamente divertido só por ser secreto
–Não é todo dia que nós vemos garotas de onze anos com um olho azul e um verde numa cidadezinha como essa.
“Faz sentido” Eu pensei na hora.
Por instinto, coloquei uma mecha no meu cabelo atrás da orelha. Eu nunca sabia muito o que dizer quando alguém falava sobre os meus olhos, mesmo quando eram elogios. A maioria das pessoas não via o fato deu ter olhos de cores diferentes como meu pai. Como um defeito.
–Preciso ir. Adeus.
Então ela foi embora.
E, por alguma razão, eu comecei a segui-la.
Acho que foi porque eu não queria ficar sozinha. Acho que foi porque estar num hospital me deixava assustava. Acho que foi porque eu sabia que em hospitais só coisas ruins aconteciam.
Fui virando corredores e mais corredores atrás dela. Passei por tantas salas que acabei perdendo a conta.
Então, eu cheguei lá.
Na maternidade.
*****
–Cecília... Cecília, acorda!
Abro meus olhos lentamente e depois volto a fechar. Ah, Merlin, eu realmente estou morrendo de sono. Não quero acordar. Por que raios me acordaram? Quem está me acordando?
Eu não estou de férias?
Tento abrir novamente meus olhos. Bem de vagar, é claro. Eu tenho certeza que aquela luz me deixaria cega por alguns segundos se eu acordar de uma vez só.
A primeira coisa que vejo claramente são um par de olhos pretos e um cabelo preto também.
Abby.
–Ah, Abby... Por que você me acordou?-Minha voz soa completamente manhosa. Credo.
Abby revira os olhos.
–Porque já estão servindo o café da manhã há dez minutos e eu acho que se eu não te acordasse você não acordaria sozinha.
Concordo levemente com a cabeça e vou, lentamente, levantando meu tronco até estar sentada na cama. Esfrego meus olhos e bocejo. Eu quero hibernar pelo resto da minha vida.
–Não é serviço da Rose acordar todo mundo?-pergunto, minhas palavras se misturando com outro bocejo. Que sono.
–Acho que não é mais.
Inclino minha cabeça para o lado, pensando.
–Mas achei que vocês tivesse feito um trato ano passado. Você fazia ela passar em Feitiços e ela acordava a gente todo dia durante o 3° ano inteiro. E ela passou em Feitiços.
–É... Mas ela voltou uma megera. Não está cumprindo a parte no acordo e eu não quero arranjar encrenca.
Ela dá um sorrisinho tímido.
–Bem, de todo jeito, obrigada por me acordar, Abby.
Ela vai em direção da porta e para, se apoiando no batente.Me encara,com uma das mãos perto da porta.Vejo que ela já esta com o uniforme completo e com os cabelos arrumados.
–De nada.Vou deixar você se trocar.As outras meninas já foram pro café.
Ela vai embora.
****
A maioria das crianças acha que quando vão para Hogwarts e forem selecionados para uma casa, ganharão uma família. Eu nunca achei isso, pois nasci trouxa, e nunca ouvi sobre Hogwarts até o dia em que foram bater na minha porta me dizendo que eu era bruxa. Mas o triste da história é que você não ganha uma família indo pra Hogwarts.
Quero dizer, uma parte ganha. Quando se é, talvez um Potter ou um Weasley,(Ou até aquelas vadias que todo mundo conhece) as pessoas te adoram. Fazem de tudo para você. Mesmo que você seja um idiota.Mesmo que elas não te conheçam.
Mas ,tem gente como eu, que não é Potter, nem Weasley(nem uma vadia.Obrigado,De nada). Que não é ninguém.
Mesmo sendo da Lufa-Lufa,a casa que eu sei que é a mais acolhedora.
Acaba sentando quase todas as refeições sozinha.
Que é como eu estou agora.Pensando em como eu não estou com nenhuma fome e em como o bolo de chocolate na minha frente parede delicioso.E em como eu quero comer um pedaço enorme dele,cheio de calda.
–CECÍLIA!-alguém grita,atrapalhando meus pensamentos.
Viro a cabeça e lá vem ela.Cabelos ruivos que batem nos ombros com um corte completamente mal-feito e olhinhos verdes cintilantes.
Molly Weasley.
Minha melhor amiga.
Ela se senta ao meu lado,arfando.Eu reviro meus olhos.
–Molly,você é da Sonserina.Quantas vezes tenho que te dizer que você não pode sentar na mesa da Lufa-Lufa?
–Quantas vocês quiser,eu não vou ouvir mesmo-ela me responde,piscando um dos olhos para mim.
Dou uma risada leve.É bom ter ela por perto.Alivia um pouco o ar de tristeza que me ronda hoje.
–Então,eu acabei de pegar o meu horário e o seu...-ela fala
–Como pegou o meu horário?-a interrompo.
Ela me olha com um olhar divertido.
–Vantagens de ser uma Weasley,Cecília.Achei que você já tivesse se tocado de que elas são várias.
Suspiro.
–Ah,eu já me toquei.
Pego um pouco de suco de uva e tomo um gole.
Molly afasta com o ante-braço alguns talheres e algumas travessas de cima da mesa e coloca dois pergaminhos em cima.
Olho rapidamente à nossa volta e vejo que muitas pessoas já estão olhando e sussurrando.Molly é uma pessoa que,de qualquer forma,atraí atenção.Ruiva de olhos verdes e Weasley,por que não atrairia? Principalmente quando faz coisas que não deveria fazer.As pessoas acham que a vida dela é meio que uma novela.
Penso em quanto tempo vai demorar até Connor chegar e começar a discutir com Molly.Essa cena foi vista muitas vezes no nosso segundo ano.
–Então,voltando ao assunto original.Horário de aulas.Nós temos hoje apenas a terceira aula em comum,que é Defesa Contra As Artes Das Trevas.
Estico meu pescoço e comparo rapidamente nossos horários.É isso mesmo.Só nosso terceiro período é em comum.
–Teddy vai mesmo dar aulas?-perguntei.
–Sim,agora que Victorie já saiu de Hogwarts,nada o impede.
–Vai ser legal ter ele como professor.
Ela suspira e corta um pedaço do bolo de chocolate.
–Para mim,vai ser estranho-ela diz- Sei lá,ele frequenta a casa da minha vó,é como...um primo.Mesmo que seja um primo meio distante.
Ela dá uma mordida no pedaço de bolo de chocolate e eu bebo mais um gole de suco.
–Entendi – falo depois de engolir.
–É,eu só...
–MOLLY WEASLEY!-Alguém grita.
Molly revira os olhos e me olha como se fosse dar risada.Ela come mais um pouco de bolo,como se não ligasse para oque fosse acontecer agora.Bem,não é como se a próxima cena não tivesse acontecido trezentas vezes antes.
Sinto alguém atrás de mim.
–Connor,oi-ela diz,virando-se.
Me viro também.É ele mesmo.O monitor-chefe da Lufa-Lufa,Connor.Cabelo castanho,olhos pretos e um nariz um pouco grande demais.
“Eu sabia que ele não iria demorar a chegar” Penso.
–Quantas vezes eu tenho que te dizer que você NÃO pode sentar na mesa da Lufa-Lufa,hein?
Molly me encara com uma expressão risonha.Ela volta o olhar para Connor.
–Você notou que ele acabou de dizer a mesma coisa que você disse para mim há,sei lá,dois minutos atrás?
Reviro meus olhos e bebo mais um gole do suco de uva.Nossa,está docinho.
–Talvez nós dois dizemos isso porque é verdade!
–E talvez vocês dois devessem se tocar que eu sento na porcaria de mesa que.Eu.Quiser.-ela fala pausadamente.
Connor fica vermelho.Droga,ela está ficando com raiva.Bem,é,como sempre.Molly é uma das poucas pessoas em Hogwarts que não respeita ele nem um pouco e eu acho que isso afeta um pouquinho sua auto-confiança.Mesmo a auto-confiança dele sendo muito forte e muito difícil de ser afetada.
Connor pega no braço de Molly e a levanta com um puxão só.
–Olha aqui,sua pirralha...-ele começa.
–OLHA AQUI,VOCÊ!TÁ ACHANDO QUE EU SOU QUEM?-Ela grita.
Reviro meus olhos.Levo a taça de suco até meus lábios e percebe que acabou.Quero mais,estou com sede.
–Algum problema por aqui?-uma nova voz disse.
Respirei fundo.Que não seja o demônio que eu acho que é,que não seja o demônio que eu acho que é, que não seja o demônio que eu acho que é, que não seja o demônio que eu acho que é, que não seja o demônio que eu acho que é.
–Não se meta aonde não te chamaram,Tiago Potter.
Ah,Merlin.É sim o demônio que eu achava que era.
–Oras,Connor,só vim em socorro da minha priminha.Alguma coisa errada com isso?
–Não preciso de ajuda,Tiago-diz,Molly,um tanto irritada.
Me viro,para não estar mais de costas para eles.Tiago me vê e sorri sacana.Ele sabe que o odeio.Ele me manda um cumprimento com a mão, eu mostro o dedo do meio.Ele ri.
–Não é oque parece,Molly.
–Ela não precisa de você aqui dando uma de durão,Potter-responde Connor.
–E quem é você para me dizer oque fazer,mesmo?
Vejo Connor ficar vermelho de vergonha.É claro.Todos estão observando ele e Tiago discutirem e,se ele não responder,ficará com fama de um covarde para o resto da vida escolas.Mas,se ele responder,haverá consequências.Ninguém responde ou enfrenta um Potter ou um Weasley.É tipo uma regra para conseguir viver com um pouco , pelo menos,de paz.
Me levanto.
Sei oque devo fazer.
Tiago não sabe mas eu sempre estou com a minha varinha escondida no cano alto da minha bota.
–Ele é o monitor-chefe da Lufa-Lufa,Potter.Bem mais importante que você!
Enquanto ele me encara com um olhar mortal,começo a puxar bem lentamente minha varinha.
–Um Lufano mais importante que eu?Nunca!Vocês,da Lufa-Lufa,só servem para ficar fazendo nada.Um bando de inúteis.
Puxo mais um pouco da minha varinha.Ela já está quase completamente na minha mão.
–Bem,Tiago,nós Lufanos temos uma regra,sabia?
Ele ri.
–Ah,é,qual?Ser sempre um inútil?
Minha varinha já está na minha mão,pronta para o ataque.Tiago não percebe isso.Ele está claramente muito ocupado tentando me intimidar com o olhar.
Aperto fortemente minha varinha e falo com um tom de voz alto:
–Não,Potter.A regra é:Mecheu com um de nós,mecheu com todos...ESTUPEFAÇA!
No momento em que eu,literalmente,grito o feitiço,uma luz vermelha sai da minha varinha,estendendo-se até Tiago.Como se tivesse sido empurrado por um gigante muito forte,seu corpo vai voando em direção à parede,até que suas costas se encontram com os tijolos,gerando um grande barulho.
Dou um passo para trás,ofegando.Molly corre para ajudar Tiago e nem sequer olhar para mim antes.Eles são primos.O que foi que eu fiz?
Ouço muitas vozes falando ao mesmo tempo e giro meu olhar ao meu redor.Todos estão olhando para o corpo de Tiago no chão.Menos Connor.Ele me olhar.
Tiago está gemendo dedor.Consigo ouvir.Ele está gemendo alto.Eu o machuquei?
O que foi que fiz?
–Cecília-alguém pega firmemente no meu braço.
Olho para a pessoa.Connor.
–Eu...olha,obrigado.Por me defender e tals.Mas,sabe,eu preciso te levar até a professora McGonagall.
Solto todo o ar que estava prendendo quando ouço isso.Eu estava prendendo o ar?
–Mas...
–Você estupurou alguém.Fora do horário de aulas.Não tem desculpa.
O encaro.
–Eu estava te defendendo.Defendendo a nossa casa.
Ele desvia o olhar para o chão.Ele antes me encarava,mas fraquejou.
–Vamos logo,Brown.
*****
–Uma vergonha,senhorita Brown.Uma vergonha.
Eu estou sentada numa cadeira na sala da diretora.Ela me encara com aqueles olhos que fazem qualquer um querer se esconder debaixo da cama.É o que eu quero fazer neste instante.
Onde eu estava com a cabeça quando fui atacar Tiago?
–Uma ação tão despropositada quanto esta,é inaceitável!
Concordo com a cabeça levemente e rapidamente.Ela está certa,eu não devia ter feito aquilo,foi tão idiota...
–Não foi uma ação despropositada-falo.
Ah,meu Merlin,o que eu falei?
A diretora me olha de cima a baixo,mesmo eu estando sentada e cruza os braços numa forma de reprovação.
–Então,senhorita Brown,qual foi a razão?
–Foi...ahn..bem...Potter falou mal de Connor-tento me justificar.
Ela levanta uma sobrancelha.
–Tenho certeza que ele poderia ter se defendido muito bem sozinho e sem ter que usar um feitiço estuporante.
Respiro fundo.Devo falar a real razão?
Não quero parecer que estou lamentando.Mas eu não ataquei Potter para defender Connor.Foi para defender outra coisa.
–Potter falou mal da minha casa,Diretora-digo,de uma vez.
Ela suspira.
–Não havia outra maneira de defender tua casa,senhorita?
–Havia,mas,mas...eu estava tão cansada dos mesmos comentários de sempre sobre a Lufa-Lufa.E a maioria deles ditos por Tiago.
–Bem,senhorita,acho que deve defender a sua casa,com certeza absoluta.É uma questão de honra.Mas estuporar um aluno...-ela balança a cabeça.
–O que mais eu poderia fazer?
Ela fica algum tempo sem me responder.E,quando responde,parece estar cansada e um tanto decepcionada.
–Admito que eu não faria diferente,senhorita Brown.
Sorrio.
–Isso significa...?
–Que você ainda vai ficar de castigo.
*****
A minha saia está completamente amassada.Minha capa está um pouco queimada nas bordas e com cheiro defumaça.Meu cabelo está uma zona.
Por esses motivos resolvi ir ao meu quarto antes de entrar na minha primeira aula(que seria Polções e começará em 10 minutos!)
Quando abro a porta do meu quarto,vejo apenas Rose sentada na cama,com os cabelos ruivos presos e um coque alto e lendo um livro realmente muito grosso.
Entro no quarto e fecho a porta.Ela nem levanta os olhos.Ótimo,vamos brincar de nos ignorar.
Vou até minha cama e abro uma das gavetas que fica em baixo da mesma.Pego um novo conjunto de uniforme e vou até o banheiro me trocar.Não tenho a mínima intimadade com qualquer uma das minhas colegas de quarto para me trocar na frente delas,mesmo depois de 3 anos no mesmo dormitório.
Entro no banheiro,me troco e saio.
Quando saio,Rose já não está mais lendo o livro.Ela esta deitada de barriga para cima,encarando o teto.Jogando alguma bolinha pequena para o alto,pegando-a quando cai,e jogando de novo.
Vou até minha cama.Eu tinha balas de abóbora em algum lugar.Onde é que elas estão?
Começo a procurar as minhas balinhas favoritas em todo lugar.
–Fiquei sabendo que você estuporou meu primo mais cedo-ela diz de repente.
Levanto minha cabeça,um pouco surpresa.Ela estava falando comigo?Ela quase nunca falava comigo.Ou com qualquer uma das suas colegas de quarto.
–É,estuporei.
–Por que?-ela pergunta.
Onde.Estão.As.Minhas.Balas?
–Ele falou mal da Lufa-Lufa-respondo.
Ela demora um pouco para responder.
–Ele fala sempre.
–É,eu sei.
–Mas,sabe,ele não é tão ruim assim.
Ergo meu olhar e vejo que ela,na verdade,está sentada em sua cama,com a bolinha minúscula na mão.Levanto uma sombrancelha,encarando-a.
–Não?
–Não-ela confirma-Eu acho que ele faz essas coisas para chamar atenção.
–Esse,definitavamente,não é o jeito certo de chamar atenção.
–Eu sei.
Ela suspira.Eu olho no relógio e vejo que tenho aula de poção em sete minutos.Argh,não vou conseguir achar as balinhas.
–Toma aqui-ela diz e joga alguma coisa para mim.
Meu pacote de balas.
–Por que raios você pegou minhas balasw-pergunto,incrédula.
Ela dá ombros.
Não acredito que ela pegou as minhas balas de abóbora.E ainda me deixou procurando todo esse tempo!
Vou em direção a porta,e,quando estou com a mão na maçaneta,ouço:
–Mas ele ainda é meu primo.
Saio do quarto.
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