Os contos secretos
1 OS CONTOS SECRETOS
Egoísmo é como água perdida no deserto, procura um pouco de si e ao mesmo tempo se extravia pela areia.
Sou aquele ponto no meio do nada, num planeta não circunscrito e dominado por uma chuva ácida, sou palavra na escuridão da noite e mínimo fulgor de uma explosão. Tão pequeno, um corte pulsante no pujante nascer de um novo dia, que não traz o meu nome escrito.
Em dias frios, no abrigo dum ilusório ar condicionado, que rebobina tempos de iceberg, repouso a cabeça entre os cadernos e livros amontoados, trazendo minha mão entre os cabelos loiros... Ao olhar-me no espelho sempre quis abrir a minha cabeça, analisá-la, com um teor de loucura e uma morfina para acompanhar.
(in)Felizmente utilizei um busto, pois ele não era meu. O Cesarismo me forçou.
Resumindo, num discurso inglorioso, pus-me a descansar favorecendo um auto-cafuné. Ao menos se esta expressão existisse.
Há um timbre longínquo, vozes incessantes pedem que eu o desligue, inative do meu pensar, porém, numa guerra, retirado a arma sonora, a melodia volta, e os soldados põem-se a dançar.
Dou-me o quebradiço luxo de não me envolver amorosamente, e no egóico prazer de me satisfazer, vicio em combustórios movimentos, enfurecendo minha calamitosa moradia, que carrego comigo pelos vastos campos rasteiros. Onde crescem ervas daninhas que devem ser arrancadas, ou faiscadas. Não te dou a escolha, afinal o culto ao absolutismo não merece aditivos. O Estado sou eu, e demorei muito tempo para perceber que o fracasso também.
Aqui, afirmo que a minha lâmina se chama orgulho, a minha adaga: vaidade, sou a personificação do egoísmo, aquele silencioso e esnobe. O meu maior defeito, que deve ser combatido, pois neste castelo de cartas, a ventania sou eu e o artifício vai de encontro ao outro.
Adaptando um dizer plagiado da minha irmã: Se todos os meus demônios e anjos derem as mãos, quem empunhará as armas?
Bem-vindo ao desafio.
FIM
23/03/15
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