Os contos de Rang
7 Capítulo 7-1
Já não se via mais sinal daquela cidade fantasma, Rang teve sorte de que o Manto havia sossegado naquele momento,pois Rang ainda não tinha certeza se aquele manto também era a prova de balas.
Depois de andar por alguns quilômetros, Rang se viu em frente a uma floresta, o mais estranho era que não se ouvia mais nada por lá, nada de pássaros cantando, nada de ventos batendo nas folhas(embora isso possa se dar ao fato de que nenhuma das árvores tinha folhas) só haviam pinhas em seus galhos, e elas pareciam tão velhas, que era um milagre as raízes ainda estarem tão firmes.
Rang decidiu entrar, afinal ele não podia perder tempo, mesmo não tendo nenhum tempo limite para achar e derrotar Gector, ele não podia se dar ao luxo de explorar novas redondezas.
A névoa também não ficava muito perto das árvores, era como se ela estivesse passando por cima delas, pelo menos o caminho ficaria bastante visível, mas alguma coisa fazia Rang pensar duas vezes em seguir ou não por elas.
As árvores eram mortas, realmente não se via uma única folha em seus galhos, não era nem outono, e o mais estranho, é que mesmo tendo começado a adentrar a floresta, ele não ouviu sequer um único sinal de vida, tudo que encontrava eram raízes e mais raízes espalhadas pelo chão, até aí, tudo bem, nada aconteceu, mas então, Rang escuta um pequeno barulho de madeira quebrando atrás dele.
Rang se virou imediatamente, agora que tinha sobrevivido a um ataque de formigas gigantes e um atirador undead, sua mente já estava ficando muito mais perceptiva para qualquer barulho fora do comum, e esse foi um deles, porque mesmo Rang tendo pisado várias vezes nos troncos, ele não pisou com força suficiente para fazer barulho, até o porque o barulho foi alto demais para ser apenas de uma pisada.
Rang olhou ao redor, não viu ninguém suspeito, ele poderia estar invisível, Rang decidiu ir mais rápido, para não perder mais tempo naquela floresta morta, mas ele sentiu alguma coisa puxar a sua perna, fazendo ele então tropeçar.
Era uma das raízes de uma árvore, mas não era como se Rang não tivesse prestado atenção e ter tropeçado na raiz, ela estava enrolada em sua perna, Rang usou sua magia de fogo para se soltar, mas apenas piorou as coisas, assim que ela o soltou, se ouviu o que parecia ser um choro, e esse som começou a se expandir, que logo depois veio a se parecer com um grito de fúria, vindo de toda a floresta, as raízes que antes estavam presas ao chão já não estavam tão presas assim, elas se levantavam do chão como se fossem cobras que estavam pulando debaixo da terra para abocanhar as suas presas, Rang nunca ouviu falar de cobras assim, mas ele não tinha muitas referências de animais sem braços e pernas para dar exemplo.
Nos troncos agora estavam expressões, expressões de raiva, pelo menos dez árvores se revelaram, mas era apenas questão de tempo até que todas elas estivessem pulando em cima de Rang, ele tinha que achar um jeito de escapar.
Rang correu, mas as árvores(que estavam se mexendo) infelizmente não eram nem um pouco lentas, ele começou a disparar bolas de fogo nelas, mas elas pareciam não se incomodar com o fogo, não mais, porque seria? Rang se perguntava, aí então, se lembrou, ele tinha acertado a raiz, que é um dos modos que as plantas tende a absorver nutrientes, lógico que também poderia ser o ponto mais sensível delas.
Mas Rang não teria como acertar várias bolas de fogo nas raízes das árvores que estava correndo desenfreadamente atrás dele, ele tinha que pensar em um jeito de acertar todas de uma vez só, foi então que se lembrou que ele não tinha apenas magia de fogo, ele também podia usar magia de gelo.
Rang não havia treinado-a muito, ele achou que se dominasse mais a sua magia de fogo, não precisaria usar as outras, afinal, ele achava o fogo bem mais poderoso e mais rápido de se atacar que o gelo, ele lembrou de Yob lhe dizendo que não importava a força da magia, mas sim a maneira que você a usa, ele usou a névoa de Gector como exemplo, se Gector usasse a névoa como um ataque direto em seu adversário, de nada adiantaria, mas como ele a usou em um ponto específico que pode cobrir uma grande área do reino, várias pessoas agora consideram essa magia poderosa, Rang concentrou em sua mão a sua mana que agora não estava quente,mas sim, gelada, ele conseguiu sentir o frio de sua mão se espalhando no ar, lhe causando calafrios como os que sentia sempre que o inverno chegará, Rang colocou rapidamente essa mão no solo, e libertou toda sua mana nele, que fez com que uma enorme área daquele lugar se congelasse em questão de segundos, as árvores que estavam lhe perseguindo agora estavam sendo congeladas aos poucos, até mesmo as árvores que não se mexiam estavam congelando, agora mais nenhuma árvore se mexia, e o jovem mago se sentou e soltou um ar de alívio pela boca, mas essa sensação durou pouco, quando ele olhou parou de olhar para trás, onde agora estavam as árvores congeladas, ele viu o seu último desafio, aquilo que ele buscou durante toda essa jornada.
A Torre estava a vista, A Torre onde estava Gector.
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