Os contos de Rang
4 Capítulo 4-1
Rang desejou que fosse qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, menos insetos, infelizmente, a sua sorte era a única coisa que ele não tinha como treinar com os ensinamentos de Yob.
Formigas do tamanho de lobos começaram a aparecer, para quê, Rang não sabia, mas elas estavam com pressa, o que significava que poderiam atropelar umas às outras sem ao menos perceber.
Rang decidiu se esconder atrás de uma pedra com a metade de seu tamanho para evitar as formigas, decidiu usar o seu cobertor/bolsa para esconder ainda mais a sua presença, já que ele era da mesma cor que a pedra.
As formigas não o viram.
Aliviado, Rang ficou vendo para onde elas estavam indo, um fato que deveria ter sido explicado antes, era que a névoa não adentrava na caverna, o que era muito estranho, será que Gector era como se fosse aquele que forçava as vítimas a entrar nas cavernas e assim serem comida das formigas gigantes, era uma idéia boba, mas faz todo sentido de um certo ponto de vista.
Andando por aquele formigueiro, Rang encontrou vários esqueletos pelo caminho, por sorte, nenhuma formiga, embora ele soubesse que era questão de tempo até uma ou duas aparecerem, esses esqueletos carregavam armas e algumas partes de armaduras, Rang ficou tentado a pegar algumas para si, mas lembrou que de nada aquilo lhe servia, um feiticeiro precisava de mobilidade, e uma armadura poderia fazer ele ficar mais lento, mas uma coisa que estava com os cavaleiros era tão útil que o Rang não pensou duas vezes antes de pegar, uma bolsa de verdade.
Quando a pegou, colocou tudo que tinha dentro dela, decidiu ficar com o pouco de ouro que estava lá dentro, cinco moedas de ouro e doze moedas de prata, acho que para os cavaleiros aquilo não era nada, mas para Rang aquela foi a maior quantidade de dinheiro que ele viu na vida, nenhum morador de sua vila tinha mas dos que três moedas de ouro, pelo menos, quando o comércio ainda era comum em nossa região, a névoa nos afetou tanto, que até mesmo moedas acabaram perdendo o seu valor, já que não se havia nada para se comprar com elas.
Rang se aprofundou bastante pelo formigueiro, não encontrou nada de novo pelo caminho, além de ossos de animais e pessoas, peças de armaduras e armas, não havia realmente nada lá, mas para ter certeza disso, Rang pegou o pergaminho que estava com uma parte saindo para fora da bolsa para fácil acesso, o abriu e começou a analisar o mapa, que agora parecia muito mais completo, como Rang já havia se afastado demais da entrada, o mapa começou a se expandir, agora Rang tinha uma idéia perfeita de onde estava e o que estava por vir.
No mapa, também havia aparecido um rabisco meio confuso no início, mas depois de um tempo, Rang começou a pensar no que aquilo poderia ser e teve uma conclusão, se estava realmente em um formigueiro gigante, claro que as formigas teriam uma rainha.
Enquanto andava, Rang pensou em como ele poderia derrotar um inseto gigante, uma formiga até vai, mas uma rainha de um formigueiro, parecia realmente impossível que ele conseguisse, da mesma forma que muitos consideram impossível derrotar os imperadores, Rang estufou o peito com ar e seguiu mais adentro das cavernas.
Assim que chegou em uma grande área do formigueiro, ele cometeu o erro de olhar para cima, e lá estava ela, a rainha das formigas, ela era gigantesca, poderia esmagar até a maior casa de sua vila com apenas uma das suas patas(rang ainda não tinha visto casas maiores que as da sua vila, portanto ele não tinha informações sobre torres nem nada disso).
Rang viu que bem no meio daquele lugar, bem abaixo de sua magestade, tinham itens e mais itens, era a oportunidade perfeita, ela parecia estar dormindo, ele poderia surrupiar as coisas e sair de lá sem fazer com que a rainha desse um alarme para todas as formigas o atacarem.
Rang foi sigiloso, ele estava olhando apenas para o seu caminho, seus passos não ecoavam, sua respiração não era tão alto quanto o barulho que a rainha estava fazendo, algumas pedrinhas caíam do teto, mas nem isso foi o suficiente para que Rang fizesse algum barulho absurdamente alto.
quando ele enfim, chegou no meio da caverna, que agora estava de cara com as costas da rainha formiga, ele visualizou os itens que ali estavam, mais maior parte dele eram inúteis aos seus olhos, facas e garfos e facas de cozinha de prata, partes de armaduras que já foram corroídas devido a falta de cuidados e as mordidas das formigas, Rang esperava que essas mordidas não fossem recentes, a única coisa que Rang viu que ele faria bom uso, era o que estava por baixo de todas aquelas tralhas, um manto negro que era bem melhor do que o que ele tinha, decidiu que iria pegá-lo, mas seria um grande desafio tirar tudo de cima dele e não acordar a rainha gigante que estava bem em cima dele.
Aos poucos, ele conseguiu tirar todo aquela prataria de cima do manto, sem fazer muito barulho, as vezes ele acabava fazendo um pequeno estalo ali e aqui, e sempre que fazia isso olhava para cima nervoso, pedindo para que vossa majestade das formigas não acordasse.
Ele deixou cada um dos itens separados um do outro, até formar um círculo em volta de si mesmo, pegou o manto e tentou colocá-lo em sua bolsa, mas ele era muito grande, decidiu deixar o antigo manto por lá mesmo, afinal, ele não precisava dele.
só que o que Rang não contava, era que o seu novo manto estivesse empoeirado, toda a poeira subiu e só se ouvia o eco que fez com que a rainha despertasse: ATCHIIIM!!!!
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