Os contos de Rang
1 Capítulo 1-1
Em uma pequena aldeia que é escondida pelo denso e traiçoeiro nevoeiro esvoaçante das montanhas de Nilgon, vemos um jovem sentado em uma cerca feita de tábuas velhas, onde ele está tentando ver um pouco mais do horizonte, mas sem sucesso.
Este jovem se chama Rang Brown, com apenas vinte anos de idade, ele se sentia preso a sua pacata e entediante vida na vila de Borgualone, era uma vila simples demais, quase não tinha muito o que descrever sobre aquele lugar, que mais era apenas um grupo de tijolos impilhados que os moradores chamavam de casa, o gado não era muito, bois e vacas que estavam quase morrendo de sede e fome, porcos que quase não gostavam de ficar de pé, e galinhas que nem gostavam de andar para fora do galinheiro, enfim, era um lugar miserável onde até mesmo os animais que deveriam ser nossa renda de alimentos tinham perdido a esperança.
Isso tudo era por culpa do Rei Alstron, ele perdeu tudo para um ser maligno que usava magia negra, mas o pior de tudo, era que o rei colocou todo o seu reino como aposta em um jogo, um jogo que obviamente perdeu.
Mas a situação só ficava cada vez pior, principalmente para os pobres cidadãos que viviam pelo reino de Alstron, por anos, as terras do reino eram verdes e agradáveis, agora, aos poucos, vão ficando secas e sem vida, era como se toda energia vital do reino estivesse sendo sugada para o ser maligno que agora estava sentado em seu trono, Notz.
Quando Notz assumiu o poder, ele colocou seus quatro maiores guerreiros para comandar os pontos cardiais do reino, A vila de Rang ficava ao sul, o que era o pior lugar para se viver, seu primeiro general, Gector, a névoa era a sua magia, além de deixá-los sempre cegos por causa da névoa, eles não podiam ver e saber se tinha alguém se aproximando, o que apenas tornava fácil lobos e Kobolds das florestas próximas os atacarem a qualquer momento, seja de dia ou de noite.
Rang já estava farto disso, ele teve que aguentar esse pesadelo por sete anos, então desde lá, ele começou a ler livros de magia, que por sinal tinham aos montes, as pessoas simplesmente não queriam mais saber de aprender magia, para elas isso era perda de tempo, consumia muito de seu tempo, tempo que eles queriam usar para caçar comida e cuidar de si mesmos, como Rang não tinha nada a perder, ele se concentrou em aprender o máximo que pode, para então sair em uma jornada para derrotar o rei tirano Notz, mas ele sabia que primeiro, teria que passar por todos os outros generais ao seu comando, e o primeiro de todos era Gector também conhecido como o feiticeiro da morte.
Mesmo com esse nome, Rang não se apavorou, afinal, ele não ligava para esses títulos idiotas, por anos ele treinou os feitiços básicos, como bolas de fogo, congelar coisas e até mesmo criar raízes que pudessem prender seus inimigos, ele já tentou treinar seus feitiços os usando contra lobos que atacam a vila e até com bonecos feitos de palha, teve sucesso algumas vezes, mas ainda não era forte o suficiente, como maior parte dos livros de feitiçaria que tinham em sua aldeia eram os mesmos, ele não tinha acesso a feitiços mais fortes, portanto ele teria que não apenas depender do poder em si, mas também de astúcia e lábia para conseguir chegar longe em sua jornada para salvar não apenas a sua vila, mas todo o reino de Alstron.
Sendo hoje, o último dia que passaria em Borgualone, ele foi para sua pequena cabana feita de tijolos empilhados e uma coberta de palha por cima, tudo que ele tinha eram livros que os aldeões jogaram fora, um coco que usou como tigela por muitos anos e as suas roupas, que eram nada mais que trapos velhos que os moradores da vila também jogaram fora, Rang nunca teve país, ele cresceu em um orfanato que já não existe mais, foi incendiado porque algumas crianças estavam brincando com as velas, todas elas morreram, o único sobrevivente foi o próprio Rang, que teve que viver sozinho porque ninguém realmente o queria, ele teve que caçar a sua própria comida e pegar sua própria água desde que tinha sete anos, pode-se dizer que ninguém naquela aldeia era mais miserável do que Rang, que diferente dos outros que tinham família, um teto resistente e uma lareira, Rang tinha apenas sobras e lixo.
Rang decidiu pegar apenas o que ele achava importante, dois livros que ele recém tinha conseguido, que não teve tempo de ler, a sua tigela e um trapo velho que ao mesmo tempo que era o seu manto e sua mala para carregar seus livros por aí, também era o seu cobertor.
Assim, ele foi partindo em uma jornada, ninguém estava por perto para desejá-lo sorte ou qualquer outra coisa parecia, ele estava sozinho nisso até o final, não havia retorno, até porque ele preferiria morrer do que desistir, voltar para uma vida miserável era o mesmo que aceitar que nada poderia ser feito, que todas as esperanças já não existiam naquelas terras, que era o fim, e o mal venceu, olhando apenas para frente, Rang seguiu viagem, apenas tentando pensar em quais perigos iria enfrentar daqui para frente.
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