Os contos da pousada Triluna

1 O mistério da vovó Matriarca


Notas iniciais
Aqui estamos humanos lindos... já começamos com um leve mistério e que inicia algo maior ainda, só posso falar isso por enquanto... boa leitura e nos vemos no final do cap novamente

Por onde deveria começar? Bem, acho que seria interessante conhecerem a grande personagem dessa história. Contudo, não pense que ela é a principal, ela é apenas uma peça nesse jogo chamado vida. E seu nome é Amanda Matriarca.

Devo dizer que ela é uma adolescente, assim como muitos de vocês, está com seus 15 anos. Uma bela menina, inteligente e até de certa forma ardilosa, pois é nessa fases que vocês, humanos, começam realmente a conhecer seu poder, os seus sentimentos.

Amanda não seria diferente. Nessa época, tudo pode acontecer rapidamente, aquelas paixões de escola, as intrigas... tudo. Contudo, tudo que vem rapidamente se vai do mesmo modo, deixando-nos lições. Naquele dia, nossa pequena menina descobriu uma.

Ninguém pode existir para sempre. Era esse pensamento que borbulha em sua cabeça, vendo o caixão de sua vó descer para escuridão daquele buraco. Sua mãe, Margarete, chorava enquanto tentava manter sua postura, mas Amanda sabia que ela estava destruída por dentro, seu castelo de vidro estava caindo. E agora? O que terei que fazer? Pois ninguém é para sempre. Um novo sentimento borbulhava em seu peito. Amanda não sabia ainda dizer qual era, ele era diferente, parecia congelar suas veias. Por mais que quisesse se mexer, pular em cima do caixão, abri-lo e gritar para sua avó voltar, ela não conseguia.

Foi nesse dia que Amanda descobriu uma das coisas que o medo é capaz de fazer e agora ela teria que aprender a lidar com ele.

Os dias se passaram e ela ainda, de algum modo, mantinha um certo luto. Eram só ela, sua mãe e sua avó, pois seu pai havia abandonado sua mãe por não ter a aprovação da família quanto à sua união. E agora, eram apenas as duas. Sua mãe malmente conseguia manter um emprego, pois a fama da família Matriarca era de que são loucos, tolos e até que era uma família de bruxas satânicas. Amanda já havia cansado de pedir para sua mãe para irem embora, irem para outra cidade, contudo sua avó não aceitava e dizia que não podia abandonar essas terras, que era ali que se sentia bem e que se forçassem ela ir embora morreria de saudades da cidade.

Amanda sempre a questionou sobre como poderia querer viver em um lugar onde pessoas a odiavam e queriam o seu mal. Ela sempre respondia que tudo era apenas medo do que a família Matriarca era capaz de fazer. Amanda nunca a entendeu nesse ponto. Se as pessoas tinham medo dela, eles deveriam fugir dela, não machucá-la ou menospreza-la. Contudo, o medo, como disse, pode ser um veneno poderoso, que é machucá-la enquanto percorre o s veias dos humanos e Amanda logo aprenderia isso.

Era um domingo à tarde, o sol começava a se pôr, com isso seus raios penetrava através de vitral colorido no quarto de Amanda. Quando era mais nova, ela imaginava que aquilo seria um portal para um mundo diferente, um mundo repleto de fadas, bruxas, dragões e outras criaturas, as quais sua avó contava em suas histórias.

Agora, Amanda olhava para aquilo e sentia um certo vazio em sua peito, como se algo estivesse faltando, uma pequena peça daqueles quebra-cabeças gigantes com mais de mil peças.

Duas leves batidas a tiram de seu transe. Sua mãe abriu a porta do quarto e a fitou.

— Poderia me ajudar em uma coisa? Preciso tirar um caixote de cima do armário da vó, mas ele é muito pesado.

Uma leve camada de poeira cobria os cabelos negros de sua mãe que, mesmo na casa dos cinquentas anos, não trazia nenhum cabelo branco, na verdade muitos achavam que sua mãe era mais nova, pois se traços era fortes e marcantes e mantinham uma jovialidade invejável por muitas.

— Sim, já vou lá. – Respondeu Amanda enquanto sua mãe encostava a porta.

Ela não queria entrar no quarto de sua avó, ela não queria sentir aquilo aumentar, por mais que sabia que uma hora que teria que superar, pois ninguém pode viver para sempre. Ela não queria relembrar de todas as vezes que acordou de noite por via de pesadelos e foi até ao quarto de sua avó pedir para dormir junto e ela dizendo que iria falar com o Sonho e pedir para ir visitar sua neta.

Um sorriso trêmulo brotou em seu rosto enquanto se dirigia ao que era o quarto de sua avó. Alguns sacos repletos com roupas já estavam do lado de fora do quarto, Amanda pulou por eles e olhou para sua mãe, estudando uma forma de tirar o enorme caixote de madeira em cima do armário.

Amanda só o vira uma vez. Foi em seu aniversário de 10 anos. Ela nunca esqueceria aquele dia, foi um momento raro, onde ela conseguiu ver sua família inteira junta. Seu pai, sua mãe, seus primos e até mesmo seus meios-irmãos por parte de pai. Seu vestido de festa havia rasgado ao se enroscar no canto da mesa e não teria como arruma-lo. Ela não tinha outra coisa para usar naquele momento, sua mãe estava desempregada, a pensão junto com a aposentadoria de sua avó malmente conseguiam manter a comida na mesa, quem diria ter roupas para festas. Sua mãe estava brava, não sabia o que fazer, revirava as roupas de Amanda atrás de algo que não estivesse tão gasto ou rasgado por tanto uso.

Aquela lembrança era como um entorpecente nas veias de Amanda. Ela lembrava tão nitidamente, era como se vivesse aquele momento novamente. Sua avó chamando-a para seu quarto, abrindo o caixote e revelando um pequeno vestido branco com detalhes em tons de verde, até parecia que ele tinha saído de uma história de fadas. Foi assim que sua avó a chamou quando vestiu aquele vestido: "Você é a fada mais linda que já vi, acho que conheço algumas que sentiram inveja". Aquelas palavras ressoaram pela cabeça de Amanda e de alguma forma até traziam uma sensação de conforto para ela, por mais que sua avó não estivesse ali fisicamente, ela estava espiritualmente.

— Segura daquele lado – Falou sua mãe, tirando Amanda de suas lembranças.

— Aqui? – Perguntou Amanda, subindo em uma cadeira e segurando em uma alça de ferro escuro.

—Isso. No três, levantamos e jogamos em cima da cama. – Confirmou sua mãe.

E assim elas fizeram, contaram até três e ergueram o caixote que parecia não querer sair de seu lugar. Amanda até pensou que se jogassem em cima da cama a quebrariam, contudo aguentou o impacto do caixote sendo arremessado.

— Obrigado filha. – Disse sua mãe descendo a escada e indo abrir o caixote.

— O que tem ai? – Perguntou Amanda olhando ansiosa sua mãe abrir aquilo.

— Coisas que sua avó trouxe de sua terra natal e das viagens que ela fazia. – Era evidente a tristeza na voz da mãe de Amanda ela também sempre teve curiosidade de saber o que sua mãe guardava ali. – Afinal, estou tão curiosa quanto você.

— Da onde a vovó veio? – Amanda só sabia que sua avó tinha vindo de um lugar muito longe da ali, que só o visitava as vezes e ia sozinha.

— Eu não sei, tanto sua avó quanto seu avô sempre me diziam que só poderiam me contar quando eu visse as coisas que ele viam. Nunca entendi isso. – Falou sua mãe, tirando algumas coisas de dentro do caixote.

— Só isso, por que eles não falavam? – Amanda desceu da escada e acompanhou sua mãe na retirada das coisas.

— Eu não sei ao certo, mas tem algo haver pelo desgosto das pessoas dessa cidade com nossa família. – O tom de voz Margarete ficou mais frio, ela assim como Amanda também não gostava do modo como as pessoas da cidades tratavam sua família. – Não podemos culpa-los, eles sempre pareciam saber de algo muito maior que nós.

— Como assim? – Indagou Amanda curiosa, fazia tempo que não conversava com sua mãe, mais especificamente desde a morte de sua avó, elas malmente trocavam uma palavra.

— Eu não sei, filha. É como se algo me dissesse isso. – Sua mãe parou e olhou e se lembrou do que ouviu uma vezes da avó de Amanda. – O medo assusta as pessoas, mas preserva o que deve ser escondido.

— Isso não faz sentido para mim. – Disse Amanda tão confusa. Era isso que assustava tanto as outras famílias da cidade, quem gostaria de morar ao lado de uma pessoa que não fala de onde vem ou se prendem a mistérios, isso de certa forma pode ser assustador, pois você nunca saberá do que ela é capaz, era isso que Amanda achou ao ouvir aquilo de sua mãe. – O que é isso? – Amanda retirou do caixote o que parecia ser uma caderno velho com folhas amassadas e capa de couro marrom.

— Parece ser um diário, filha. – Disse sua mãe.

— Quem diria que a vovó gostava de escrever. — Não havia tantas coisas escritas. – Posso ficar com isso para mim?

— Por quê?

— Quero ter algo para lembrar da vovó. – Amanda parecia na defensiva, mas era verdade ela queria algo a mais para se lembrar de sua avó e também tentar descobrir mais sobre ela.

— Pode pegar. – Falou sua mãe com um leve sorriso.

— Obrigado mãe – Respondeu Amanda indo em direção a porta. – Vou lá guarda isso então.

— Está bem e obrigado pela ajuda, filha.

Notas finais
Bem pessoal antes quero deixar o grande merito para minha best Mandy por ser a melhor Beta de todas.
Gostaram?
deixa ai nos comentarios a parte que mais gostou, sugestões, criticas e o que você que a avó de Amanda esconde tanto?

Obrigado Humanos e até o proximo capitulo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.