Os cavaleiros das sombras
3 Descobertas
Notas iniciais
Phillip
Não sei qual parte do meu dia foi mais estranha, a gata Monica, o sonho estranho no parque ou acordar e ver Sebastian e Monica me olhando com um estranho olhar interrogativo.
–Oi, Monica. –eu disse para quebrar o silencio.
–Oi, Monica? –repetiu Sebastian.
–Desculpe eu não... nos não... eu ajudei ela com o celular. –expliquei enfim.
–Desculpe Dominick não tem nada haver com você, certo? –disse Monica fuzilando Sebastian com o olhar.
Levantei do chão para ir embora, não me sentia muito bem agora que eu sabia que Monica e Sebastian estavam juntos. Ah e que ela errou meu nome.
Desfiz minhas ilusões de leva la ao baile.
No dia seguinte, fui obrigado a ajudar com a decoração para o baile. Jane era uma das organizadoras e Carl não queria ficar sozinho com garotas maníacas com pistolas de cola quente e estiletes com glitter. Como se ele tivesse a mesma consideração por mim quando acabou com meu circulo limitado de amizades começando a namorar Jane, ou quando eles se agarram na minha frente.
Colar lantejoulas em peixes de papel mache, pintar faixas e carregar caixas não foi tão ruim. Isso ate Sebastian aparecer e ficar me encarando de longe como se quisesse me matar por ter falado com a namorada dele. Cara serio, por que essas garotas não andam com faixas de comprometidas?
De qualquer modo depois de um dia inteiro de olhares assustadores na minha direção, eu resolvi ir ate ele. É eu fiz isso, fui falar com o monstro, eu precisava explicar que tudo foi um mal entendido e que meu nome nem era Dominick.
–Oi! Sebastian! –disse mais alto que o necessário, minhas mãos suavam frio e meu peito estava acelerado, para piorar as pessoas estavam olhando.
–O que quer? –ele perguntou, mas como se não ligasse para a resposta e fosse me matar de qualquer forma.
–Eu queria explicar sobre a Monica sabe, eu mal falei com ela. Só ajudei com o celular, um belo celular que parecia estar dando defeito o que com seu sistema operacional deveria ser ate impossível. –eu disse de uma vez só.
–O que tem isso?
–Bem, eu só não queria que você achasse que eu estava dando em cima da sua namorada. –expliquei.
Sebastian fez careta.
–Ela é minha prima. E pode fazer o que quiser com ela. Não ligo. –ele respondeu com nojo.
–Não? Que ótimo! Então você não vai, mas me matar? –perguntei.
Ele só deu de ombros. Mas ao longo do dia ainda me olhava estranho, como se nunca tivesse me notado antes, ou como no meu sonho onde uma menina transparente falava comigo, era como se eu fosse transparente e de repente não fosse mais e agora era uma aberração.
Fiquei na escola ate mais tarde naquele dia para ajudar com os preparativos do baile de calouros, seria daqui a duas semanas e mesmo com os milhares de trecos enfeitados que fizemos ainda tinha mais milhares para fazer e como eu não tenho vida social resolvi ficar. Seria melhor do que ficar servindo de piada para os amigos do meu avô.
Do nada eu ouvi urros, o som parecia picotar então não pude ter certeza de que estava ouvindo mesmo algum som, mas as luzes piscaram e apagaram, eu vi um lampejo do que parecia uma mistura de porco, boi e tartaruga. Quando eu vi, mesmo que por um segundo apenas, tudo ficou mais claro, a silhueta escura se movendo nas sombras, os passos pesados e os urros.
Eu podia ver tudo com clareza mesmo estando escuro, antes que eu pudesse pensar em dar um bônus de natal bem gordo ao meu oculista tentei fugir e cai de cara no chão e um pé maior que minha cabeça pisou nos meus óculos.
–Estou cego! Um mutante quebrou meus óculos estou cego! Alguém! Socorro! –gritei enquanto corria.
Era doloroso ouvir os sons dos enfeites que eu fiz com tanto custo para o maldito baile sendo destruídos por um mutante que quebrou meus óculos.
Ouvi outros passos, alguém correndo me virei e vi que era Sebastian, brigando com o monstro.
–Sebastian? –perguntei. –Não é uma pessoa é um monstro! –avisei, ele poderia pensar que estava brigando com um zagueiro bombado, provavelmente não seria o primeiro.
–Corre! Sai daqui idiota! –ele gritou de volta.
–Não posso eu ele quebrou meu óculos, não sei onde estou indo. –expliquei.
A coisa estava bem entretida com ele e me ignorou, talvez eu devesse aproveitar e ajudar.
–Se você esta me vendo! E vendo a coisa, no escuro, sua visão esta ótima! –ele disse.
Era verdade, eu estava vendo tão bem quanto quando estava com os óculos. Peguei um pedaço peixe de papel amassado e corri na direção deles. Eu só via contornos então a única coisa que eu sabia era que tinha que bater na coisa grande e deu certo no primeiro golpe, a coisa virou para mim com os punhos preparados e mais rápido que pensei eu abaixei e gritei.
–Agora!
Como se fosse tudo combinado Sebastian puxou uma espada e cravou nas costas da coisa, ela se fez fumaça e sumiu.
–O que esperava quando gritou agora? –ele perguntou.
–Não tenho certeza, pareceu a coisa certa a dizer. O que era aquilo, por que tem uma espada? –perguntei.
–Você realmente não sabe né? –ele perguntou.
–Saber o que?
–Avise ao seu avô que você esta na casa de um amigo. Precisamos ir. -Ele disse.
–Para aonde? –perguntei.
–Ao QG. –disse como se explicasse tudo.
***
Havanna
Brant decidiu que ficar de olho em mim era a melhor forma de me controlar depois que o senhor Strong me encontrou desmaiada no pomar.
A verdade era que isso vinha acontecendo muito, visões e desmaios, sabe. Da ultima vez eu corri ate o rei para dizer sobre a visão, Brant me pegou e eu fiquei de castigo ate o papai voltar, agora quando ele viaja eu fico presa no quarto, ficava ao menos.
Brant estava na sala de reuniões e não me queria lá então tive que seguir Ross pelo QG como uma criancinha enquanto ele me ignorava e ia de um lado para outro entregando relatórios e dando em cima das irmãs Solei. Monica Blovance estava de volta ao QG e como sempre estávamos nos provocando.
–Já pensou em andar por ai com sei lá uma sacola na cabeça? –ela perguntou.
–Já pensou em sei lá, se mandar daqui? Tipo agora? –rebati.
Monica e eu nos detestamos desde pequenas, acho que a única vez que concordamos foi quando nossos pais nos colocaram de castigo por tentar por fogo no cabelo uma da outra e gritamos em uníssono que era injusto. Tínhamos sete anos e não foi a pior coisa que tentamos fazer uma com a outra.
–Tem um mundano aqui! –Jhonny Pushnner gritou entrando. –Sebastian esta de volta com um mundano! –ele gritou.
Jhonny era o nosso garoto jornal, tudo que acontecia ele saia gritando pelo QG para que todos ouvissem.
–Oi mestiça. Ainda esta aqui fora? –perguntou.
Fiz careta e fiquei de pé como todos os outros para seguir Ross até o jardim.
Brant trabalhava na parte burocrática e de combate porque já tinha vinte e cinco, Ross era conselheiro Junior, supervisor dos recrutas e também ia pro campo de batalha. Fora a parte do campo de batalha por ter apenas dezenove ele era praticamente babá dos mais jovens, isso incluía Sebastian Withills, que ninguém nunca pensou que traria um mundano para o QG. Acho que Ross se esqueceu de me mandar pro meu quarto e eu não disse nada e só fiquei no cantinho enquanto ele fazia uma carranca para Sebastian.
Sebastian era o que chamamos de promessa, apesar dos apesares, ele é quase o melhor dos cavaleiros juniores, já tinha até ido em missões sênior. Ele tinha aquela pose imaculada de andar na linha e honrar o código, e eu estava vendo em primeira mão tudo isso ir para o ralo.
–O que é isso? –Ross perguntou controlando a voz.
–Esse é o Frederick né? –perguntou Monica dando um passo a frente, essa garota ama aparecer.
–Phillip. –corrigiu o mundano. –Oi Monica. –ele disse babando em seguida.
Eu sabia quem era esse, era o garoto do Central Park. Dessa vez a camiseta era vermelha com um raio laranja no peito, mas o resto parecia o mesmo.
Fiquei observando enquanto Ross rosnava reclamações para Sebastian, ele rosnava para não gritar. Engraçado como ele sempre gritava comigo.
–Eu conheço as regras, mas é diferente Ross. –diz Sebastian.
–Diferente como? É um mundano! –Ross dizia sem entender.
Não adiantava argumentar lembrando as regras a Sebastian, ele sabia tudo de cor e detrás para frente.
–Deixe eu explicar... O que você esta fazendo aqui embaixo? –Sebastian perguntou mudando totalmente de assunto e fazendo todo mundo olhar para mim.
Até Ross se virou para mim.
–O que esta fazendo aqui em baixo?! –ele gritou, para mim.
Pisquei atordoada.
–Estou aqui desde o café. –murmurei.
–Por que? –Sebastian perguntou.
–Quem se importa com ela? Tem um mundano esquisito aqui. Juro, a Anchard anciã estava aberta para ele ontem. –Monica disse fazendo o assunto voltar a linha inicial.
Depois disso todo mundo ficou quieto e deixou Sebastian explicar a sua tese brilhante. Phillip Chorewood era um mestiço como eu, mestiço humano cavalheiro, mas mestiço. Ross falou com o conselheiro sênior e com Brant e eles decidiram que Phillip ficaria por um tempo. Até o papai voltar e resolver tudo pelo menos. Sempre sobrava tudo para o papai.
Phillip parecia agitado e assustado, mas algo em sua aura, sua energia, me dizia que ele seria um grande amigo. Enquanto os mais velhos discutiam e eu tinha que ficar perto da vista para quando Brant saísse tentei puxar assunto com Phillip e ignorar o olhar de Sebastian.
–Oi. –acenei para ele. –Eu sou Havanna.
–Eu sou Phillip. –ele respondeu. –Posso fazer uma pergunta? –ele pediu se sentando mais perto e falando mais baixo.
–Claro o que quiser. –respondi animada.
–O que é tudo isso? É como The Chronics of war? O livro. –perguntou.
Eu nunca achei que encontraria alguém que tinha lido esses livros, realmente seriamos amigos.
–É, mas sem dragões, pelo menos aqui no QG. Eu adoro esses livros. Na verdade são escritos por cavaleiros das trevas como nos. –eu disse empolgada.
–Não tem essa de nós, você Havanna querida, não é uma de nos. E você Phillip meu docinho, não é muito mais um de nós que ela. –disse Monica cheia de veneno.
Ignorei a para não causar uma má imagem com Phillip.
–Os antigos escrevem historias fictícias sobre os cavaleiros sombrios para mesmo que não acreditando os humanos normais tivessem conhecimento sobre os seres nas sombras, eles não podem vê-lo sabe. Nos intitulamos cavaleiros das sombras porque nos lutamos contra os seres das trevas, e assim como eles somos todos fictícios ao olhar dos leigos humanos comuns. –explico.
Vejo que Phillip bebe minhas palavras, e me sinto mais animada em continuar a contar sobre o meu mundo.
***
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