Os caminhos do inferno
1 Prólogo
Na noite mais escura do ano, ele invadiu seus aposentos, certo de que mataria o Conde Prenth. Encontrou-o na cama, coberto até o pescoço com finas sedas que não combinavam nem um pouco com seu estilo grosseiro. Sua silhueta parecia menor, mas, presumindo que fosse a falta de luz, continuou. Ao longe, uma coruja piou. Então, o silêncio. O silêncio mortal com o qual ele se acostumara, o silêncio que o acalmava e que ele aprendera a amar. Lentamente, desembainhou a fina adaga incrustada de pedras esverdeadas. Se concentrou e em poucos segundos já ouvia a respiração calma do desgraçado, que dormia profundamente.
Em passos lentos e cuidadosos, se aproximou da cama e, sem se dar o trabalho de remover os lençóis de seda, fez a adaga descer onde o pulmão direito do conde deveria estar.
Esse foi seu maior erro.
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