Os barcos de papel
1 Capítulo 1
Meu nome é Quito, venho de família simples, nunca conheci meu pai, minha mãe contava que ele havia saído pra tentar achar um emprego na capital e nunca mais apareceu. Eu sempre o homem de casa, sempre só eu e minha mãe, nunca tive as mordomias ou ostentação de nada, mas isso nunca me impediu de ser feliz. Brincar com pipa, amarelinha, peão, barquinho de papel sempre me fez feliz. Sempre vou até um lago no centro da cidade brincar. Hoje porém encontrei três garotos dois deles irmãos com barcos muito bonitos diferentes do meu que era bem simples. Brincamos bastante e após o convite de um dos meninos fomos até um lago dentre a mata.
O medo dominava minha mente o que pudera acontecer naquela mata, longe da cidade, mas fui e lá estávamos até darmos falta de Josué, e descobrimos que ele estava em uma caverna catado insetos. E nos convidou pra ir até lá.
Ficamos perdidos na caverna e lá passamos por várias situações difíceis.
—Sairíamos de lá um dia? E minha mãe? Ela ficará sozinha, preciso sair daqui!
Ficamos vários dias na caverna, já havia perdidos as esperanças. Um dia porém achamos uma fenda no alto da caverna e percebemos que lá passava um helicóptero, aquilo renovou nossas esperanças, gritamos muito fizemos tudo possível pra sermos percebidos e nada, aquilo acabou com a gente, tentamos nos animar porém as esperanças já se perdiam.
Porém vimos dois homens que entraram na caverna, ficamos muito felizes, cheio de esperanças, mas logo percebemos que não era o resgate, se tratavam de dois ladrões, fiquei muito assustado, pois estavam armados. E depois de pensar um pouco, lembrei que os jornais que havíamos achado mais cedo serviam de cama para os ladrões. Eles haviam conversado muito aqueles dias, queria saber o que se passava na cabeça deles.
Os ladrões saíram e nos amarraram, o choro me tomou e quietinho chorei por medo de nunca mais sair dali. Porém escapamos das cordas e corremos até uma nascente que havíamos bebido água alguns dias antes.
Lá bebemos água e eu muito entusiasmado por escapar dos ladrões, porém sem saber como poderíamos sair dali. A saudade de minha mãe já me fazia sentir muito, lembrei então de como foi o ensino de fazer barquinhos de papel naquele dia ensolarado de verão que brincávamos naquele mesmo lago onde encontrei aqueles amigos que se encontravam presos comigo. E na tentativa de lembrar um pouco de dias melhores fiz um barquinho e o olhei até que de repente, percebi que ele sumiu e parecia ter saído da caverna aquilo me deu muitas esperanças gritei por meus amigos, que foram até lá e expliquei toda a história. Buscamos então os jornais usados para dormir e fizemos barcos com pedidos de socorro, o brilho reluzia em nossos olhos, pulávamos de alegria. O dia anoiteceu e nada, ficávamos pensando se alguém achara os barcos. E sem que nenhum deles percebesse levantei a noite e fui até a fenda olhar se o resgate ou alguém havia achado e entrado para nos resgatar e percebi que os ladrões haviam voltado. Voltei em silêncio e desesperado dormi.
—Porque os ladrões haviam voltado? Eles iriam nos procurar? O resgate um dia nos achará?
E nisso fiquei toda a noite, até que logo de manhã quando voltei a fenda vi que os ladrões estavam sendo presos e que o resgate estava lá. Gritei pelos meus amigos. Ficamos muito felizes. Fomos resgatados.
Quando pude reencontrar minha mãe chorei muito de emoção. Quando voltamos para casa havia um homem com muito dinheiro, que sabendo da minha história e da minha dificuldade havia aparecido para nos ajudar, e nos deu tudo casa nova, e comida, tudo, e sempre foi bom conosco durante anos. Nunca soube que era tal homem e após o homem falecer perguntei para minha mãe quem era tal homem, ela respondeu:
— Esse homem era seu pai.
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