Os anjos não devem fazer pactos.

4 Capítulo 4- Pensamento de um exeed.


Notas iniciais
POV Lily Um vez por semana chegavam novas caixas de coisas abandonadas vindas de aeroportos, navios ou deixadas em hospitais vinham parar aqui, só esperando para serem reclamadas. Era isso o que tínhamos e eu não podia reclamar, mas ainda achava um crime deixar aquela anja presa aqui e quando vi o quanto ela estava mal... bom, eu pirei, arrastei Gajeel pra perto dela e mandei ele ajuda-la do jeito que pudesse “ Onde já se viu, a culpe é dele afinal!”

POV Lily

Até que enfim eu tinha um pouco de paz, a dias, DIAS eu estava sem dormir por causa da condição daquela anja, afinal eu ainda estava querendo matar Gajeel, ele não tinha o direito de trazer aquela pobre anja pra cá, e com certeza não naquelas condições, e deixa-la quase que abandonada nesse lugar que é basicamente uma caixa de achados e perdidos gigante.

Mas quando ele andou pra lá com um cobertor e um pode de sopa, tenho que disser, um peso imenso foi tirado das minhas costas.

Finalmente sentindo o cansado voei até uma região do galpão que eu particularmente gostava, um conjunto de caixas que tinham chegado a uns dois anos atrás, coisas de uma garota provavelmente, eu nunca prestei muita atenção, eu só ia lá para dormir dentro de uma das caixas que estava cheia da bichinhos de pelúcia, não era muito másculo, mas tenho que dizer que era muito confortável.

Agora me digam vocês, tem noção do quanto é horrível, quando você finalmente esta prestes a dormir depois de um longo tempo acordado, tão calmo, tão sonolento e de repente...

–LILY!!! – alguém grita o seu nome bem auto, e você tenta ignorar, mas...

– LILY, LILY ACORDA!!!- A pessoa vem até você e te sacode até ele você levantar.

Não sei se isso já aconteceu com vocês, mas podem ter certeza de uma coisa... você fica muito, muito puto!

– QUE MERDA GAJEEL, ME DEIXA DORMIR!

Ele ficou me encarando por uns dois segundos depois da minha súbita explosão e depois pra completar, ainda teve a cara de pau de disser.

– Calma cara...

“Calma? Esqueci que não é você que não tem dormido!” nem tive paciência de falar isso, Gajeel ia simplesmente ignorar e continuar falando.

– Enfim preciso que você me explique uma coisa...- “Viu!” eu só assenti, ele não ia me deixar dormir mesmo.-... quero que me explique porque aquela anjinha acabou de me beijar.

– Como é que eu vou saber? – respondi esfregando os olhos – a pobrezinha deve estar delirando...

Acho que consegui ferir um pouco o seu orgulho, isso com certeza já fazia eu me sentir muito melhor!

– Ela disse que você sabia me explicar oque era um acordo...-“ Opa, um acordo? Agora sim estava ficando interessante”

– Mas ela te beijou ou te fez um acordo? – Para a sorte de Gajeel, acho que estava começando a levar tudo aquilo mais a serio.

– "Como é que eu vou saber?" – Ele não tinha criatividade nem pra inventar as próprias frases...

Deixando um pouco isso de lado eu o “examinei”, seu cheiro estava diferente, a aura demoníaca com certeza tinha diminuído, sendo assim só podia ser uma coisa!

– Pelo jeito que você esta, ela com certeza fez um acordo! – claro, Gajeel não entendeu e a muito tempo eu não o via uma cara tão boba quanto aquela, tinha que agradecer Levy por isso depois. -... um acordo é um tipo de pacto entre os anjos, foi da onde surgiu o beijo, e significa “ um contrato entre duas almas.” – fiquei de pé antes de prosseguir me incomodava ter que ficar virando o pescoço pra cima para poder falar com Gajeel. – Enfim se ela fez isso com você, fez pela mesma razão que você cortou as asas dela, ela te deixou, digamos, “um pouco mais humano”.

– Aquela nanica fez oque? – ele estava irritado? Achei que isso seria uma coisa boa, mas acho que tratando-se dele nada é muito bom.

– Não é nada de mais, ela reprimiu sua essência demoníaca e selou com um acordo, ou beijo se você preferir...- me pareceu uma boa hora para acrescentar uma coisa. – Mas podia ter sido evitado tudo isso se você não tivesse permitido o beijo, viu, quem manda ser demônio tarado! Agora nem demônio você é mais!

Gajeel começou a esbravejar e se ainda fosse um demônio completo acho que estaria soltando fogo pela boca, e eu fiz a coisa mais honrosa a se fazer nessa situação, sai voando e rindo da cara dele!

Tenho que admitir, aquilo estava ficando muito interessante.

–x-

No dia seguinte mandei Gajeel dar uma volta, imagino que ele precisaria de tempo pra absorver toda aquela informação, sem ter que descontar na anja.

Pensei em distrair Levy um pouco, afinal devia ser muito chato ficar o dia inteiro sem fazer nada, resolvi mexer naquelas caixas perto da onde eu dormia, descobri que eram de uma tal de “Srta. Mc” até agora tudo que eu sabia dessa garota é que ela tinha muitos bichinhos de pelúcia ( os suficiente para encher uma grande caixa de papelão...), mas achei que seria melhor finalmente abrir as outra caixas, a primeira estava cheia roupas, talvez Levy pudesse usa-las depois, a segunda tinha dois grandes embrulhos de presentes que a moça não devia ter aberto, e a terceira estava abarrotada de livros, assim como a quarta, a quinta e a sesta, e na sétima... mais livros, mas também um pouco de material de escritório, então seja quem for essa Srta. Mc, ela gostava muito de ler.

Peguei o máximo de livros que podia carregar e voei até onde Levy estava, jogando tudo em cima de um caixote de madeira.

– Que isso?

Quando ela viu tudo aquilo seus olhos brilharam, pra minha sorte parece que ela também gostava muito de ler, sua mão foi direto para um livro de capa vermelha, ela o abriu e ficou debruçada sobre o caixote lendo, mas alguns minutos depois ela começou a se mover incomodada, e adivinha do que, de tanto ficar em pé!

Admito que fiquei com dó, fui até um outro canto do local e peguei uma cadeira, ela aceitou sem se opor muito e voltou a ler. Eu tinha me decidido que hoje ia me redimir com ela, afinal ainda me sentia um pouco culpado e já que ela tinha que ficar aqui eu não deixaria que ficasse mal “Se Gajeel não vai fazer a parte dele então eu vou!” era isso que eu dizia a mim mesmo.

Mas claro que com aquela leitura intensa dela eu acabei dormindo de novo, e no colo dela ainda por cima “ Eu sou uma vergonha.” Acho que eu poderia ter ficado dormindo por horas, mas alguma coisa me acordou, algo como gotas de chuva “mas eu estou do lado de dentro, como isso é possível?” quando abri os olhos tinha minha resposta, ela estava chorando.

– Oque foi? – A preocupação devia estar estampada na minha testa.

– Oi Lily...- disse fungando. -... desculpe te acordar...

Olhei na “mesa” um envelope aberto, e um papel machado de lagrimas.

– O que é isso, uma carta? – sentei no caixote para poder ler, mas as letras estavam muito borradas, assim que toquei o papel vi que ele estava completamente seco, ou seja, não foi Levy que borrou as letras com o choro.

– Essa carta nunca foi enviada... – eu estava mais admirado em como ela conseguia ler aquilo.- ... não é justo, ela tinha que saber disso!

Os olhos dela voltaram a se encher de lagrimas, eu não sabia mesmo o que fazer, então só continuei o assunto.

– Quem?

Ela me encarou por uns segundos e retomou o folego.

– A mãe dela...- disse fungando novamente. – Isso era uma carta muito importante, era pra ter sido enviada pra mãe dessa menina a dois anos atrás, mas por algum motivo, não foi...

Muito abatida era pouco pra dizer o qual mal ela paresia, e seja lá o que estava escrito naquele papel devia ser muito importante, tão importante que talvez, só talvez...

– E se nós...- disse tentando desviar o olhar dela da carta.- ... não sei, reenviássemos? Ela tem o destinatário não tem?

Acho que meu pensamento foi quebrado quando minha barriga roncou “ Quanto tempo eu dormi?”

– Ei Lily, oque esse barulho quer disser? -Era engraçado com ela soava infantil com aquelas perguntas. – É que minha barriga ta fazendo um barulho igual a horas...

Da pra se dizer que um gota surgiu na minha cabeça, pensei que Gajeel tivesse resolvido isso ontem...

– Espere aqui que eu já resolvo.

–x-

Voei de volta trazendo uma bandeia com um caneca de sopa, e vocês devem estar se perguntando de onde tínhamos tanta sopa... bom, não eram só roupas e objetos que abandonavam por aqui, também deixavam algumas caixas de comida rápida que acabavam não sendo vendidas e sopa era oque mais tinha, e digamos, que não íamos ser nós a desperdiçar, mesmo que eu preferisse mil vezes um kiwi do que aquela sopa enjoativa.

Quando cheguei lá Levy estava com os olhos baixos, quase dormindo, mas escrevendo alguma coisa.

– Vai passar a limpo, é? – disse sorrindo quando me aproximei.

Ela não respondeu, devia estar quase dormindo mesmo, mas por fim comemos a sopa e ela só de teimosa ficou mais um tempo passando a carta a limpo, quando acabou ela se encolheu no seu canto e dormiu, ao invés de fazer o mesmo eu voltei meus olhos para a carta, curioso para saber o conteúdo, não sei se foi o certo, mas eu li:

“Mamãe,

Sei que deve estar preocupada por eu ter agido meio estranho ultimamente, mas espero que a senhora possa me perdoar. Eu menti pra você mamãe, sinto muito, mas acho que agora é a hora de eu te contar toda a verdade.

Eu me apaixonei por um homem horrível, do tipo que nenhuma mãe ia querer pra sua filha, principalmente porque esse mesmo homem já me fez muito mal antes, mas foi mais forte que eu mamãe, simplesmente não pude evitar.

De noite quando eu saio de digo que vou ao clube do livro, eu minto, eu sempre minto, eu vou encontra-lo, mesmo sabendo que é errado. Ele é perigoso, eu sei disso, sei que ele não anda com as melhores pessoas, sei que devia odiá-lo, mas eu não posso. Ou pelo menos, não posso mais...

Mãe, eu vou emborra hoje, eu e ele, pra bem longe daqui, pra fugir de tudo e de todos, e isso infelizmente inclui você. Eu te amo muito, só quero que saiba disso. Não vou levar nada, apenas o que é realmente meu, a roupa que comprei hoje cedo, o homem que eu amo e o seu neto, você entende não, é? Eu estou gravida.

Espero que me perdoe um dia mamãe, com amor sua filha.”

Não consegui mais ler e não consegui evitar o nó na garganta também, só de pensar que aquela mãe nunca tinha recebido assa carta...

No verso havia uma pequena nota de Levy.

“Desculpe ter demorado tanto, essa carta estava perdida, mas foi encontrada, espero que isso te ajude de alguma forma.”

Só isso, sem nome, sem remetente, apenas oque ela realmente queria disser para aquela pessoa. Sai de lá voando, não conseguindo deixar uma pensamento de lado.

– Srta. Mc, seja lá quem você tiver sido deixou muita coisa mal resolvida, não é?

Notas finais
É isso ai povo, um cap só pro Lily falar!!! Tenho que dizer que estou muito feliz pelos comentários, espero que mandem mais, pois agora a historia esta começando a tomar forma, né? Então, comentem, mandem suas opiniões e me deixem saber que estão ai!!! Kissus de chocolate pra todos!