Notas iniciais
Quem você, quem você, quem você...

—Existe uma casa em New Orleans, eles a chamam de Sol Nascente. Ela tem sido a ruína de muitos jovens. E Deus, eu sei, eu sou uma.

Cantarolava baixinho Iris, que não dizia nada além dessa canção desde o que aconteceu.

Thomas dirigia rapidamente o veículo antigo em qual todos eles estavam, Iris estava na frente e olhava para a paisagem árida e seca de deserto da estrada. Eles estavam fugindo, não muito longe da Cidade.

Carol, Magnum e Rebeca estavam no banco de trás, Carol no meio. Vidros escuros levantados. O calor era grande, mas o ar-condicionado dava conta. Carol cochichava no ouvido de Rebeca, mas na maioria das vezes era apenas um silêncio enorme interrompido pela canção de Iris.

Eles não estavam mais do que super cansados e tristes. Nada estava dando certo para eles, Magnum começava a considerar parar com aquilo, mas não dava mais, quando ele queria parar, algo acontecia para que ele fosse obrigado a continuar, se não, haveria morte.

Carol só pensava na loucura em que estava se metendo. Ela também não entendia por que continuava com aquilo, quer dizer, ela gostava muito de Magnum e de Rebeca, mas ela não entendia como estava passando tudo aquilo apenas por duas possíveis amizades.

Rebeca se via perdida, ela era sempre otimista sobre tudo, mas naquele momento, ela preferia ter continuado na casa de seu pai, pelo menos ali o único grande inimigo era ter que encarar uma postura de boa moça e ter que aguentar o Sr. Knight.

—Minha mãe era uma costureira, ela costurou minhas calças azuis novas.Meu pai era um apostador. Lá em New Orleans. Continuava Iris a cantar.

—Meu Deus Carol, Rebeca, meu Deus. Eu não sei o que vou fazer agora! Meu pai, meu Deus o que eles vão fazer com ele? Desabafava Magnum.

—Calma, cara, vai dar tudo certo, a gente vai ir para bem longe e ficamos lá para sempre, daí você vai avisar seu pai, todos vamos e nunca mais vamos saber de Lucius. Respondeu Carol, com um olhar confiante para Magnum, pegando em sua mão e o acalmando.

—Negativo. Acha mesmo que eu iria salvar vocês de serem mortos por Lucius como Peter foi sem ganhar nada em troca? Não existe nada de graça. Disse Thomas.

—Como assim? Indagou Rebeca, surpresa.

—Droga! Sabia que não dava pra confiar em você. Exclamou Magnum.

—Preferem que eu deixe vocês aqui e chame o Lukin? Ele ia ficar bem agradecido e podia tira-lo da minha cola. Sugeriu Thomas.

—O que você quer? Indagou Carol.

—Ajuda. São uns 500 homens de Lukin por toda a cidade. Por mais excelente que eu seja, eu odeio admitir que não dá pra fazer isso sozinho. Vocês não são guerreiros, vocês não são nada, mas podem me ajudar, mais como um escudo. Respondeu Thomas.

—Está louco? Não vamos fazer isso, é suicídio, acha que vamos sair vivos de lá? Depois de tudo que passamos? Depois de eu perder o meu melhor amigo? Depois termos sofrido tanto? Perguntou Magnum, sem soltar a mão de Carol.

—Eu entendo a dor da perda, eu faço isso tudo exatamente por ela, perdi minha família toda por causa desse miserável. E ele era meu padrinho. Mas não fico choramingando isso pra todo mundo. Não estou discutindo, estou dando ordens. Ou vocês me ajudam a derrubar Lucius, ou eu entrego vocês para ele agora mesmo. Respondeu Thomas.

—A única coisa que um apostador precisa é de uma mala e um baú. E a única hora que ele se sente satisfeito, é quando está completamente bêbado. Iris cantou mais uma vez.

—Iris, você é de New Orleans? Perguntou Rebeca.

—Óbvio que não, é uma música. Respondeu Thomas, cheio de si.

—Ela disse Iris. Agora Sr. Lautier, você vai nos deixar no porto da cidade baixa, ou vou ter o prazer de promover um encontro entre você e sua família. Disse Iris, finalmente falando algo que não fosse um trecho de Rising Sun desde a morte de Peter.

—Não foi o que aconteceu da última vez. O fato é que tem uma dívida comigo, vocês iriam me ajudar a derrotar Lukin se eu curasse vocês, foi isso que combinei com o Johnson, eu curei, e agora estou salvando a pele de vocês mais uma vez, então é melhor que façam algo que me agrade agora mesmo. Respondeu em Thomas, em altura a ameaça de Iris.

—Ele tem razão, eu não vou fugir de Lucius Lukin, não depois de ele ter matado a única pessoa que amo que estava viva, não depois de ele me obrigar a ver tudo jogada em um chão frio. Eu vou matar aquele homem e vou cantar “Rising Sun” a música preferida de Peter em cima de seu corpo. Desabafou Iris.

—E vou com você, Iris. Carol, Rebeca, vocês duas estavam investigando sobre Lucius, essa á a chance de derrubarmos ele. Ela está certa, Peter era como se fosse meu irmão, não posso deixar que ele morra desse jeito sem lutar pela justiça sob ele. Soltou Magnum, convocando as garotas a ajudá-los.

—Eu estou com você, Magnum. Tem toda a razão, eu não posso me esconder. Eu vou lutar, eu sempre quis derrubar ele e agora eu vou. Estamos juntos nessa. Disse Carol, apertando forte a mão de Magnum.

Carol olhou para Rebeca e balançou a cabeça para o lado, Rebeca então disse:

—Qual é, me olhando desse jeito que opção eu tenho? Vamos lutar. Eu não gosto de vocês, de alguns na verdade, mas não vim aqui atrás de uma família, vamos derrubar um criminoso, vamos matar ele. Eu só preciso que dêem o melhor de si numa luta, não que sejam simpáticos comigo. Afirmou Rebeca.

—Então, somos uma equipe agora. Somos Os Vigilantes dessa cidade a partir de agora. Só aviso uma coisa para vocês, nem todos sobreviveremos. Só quero deixar bem claro, que pelo menos uma pessoa que está nesse carro não vai estar vivo depois de derrubarmos ele. E estou sendo otimista. Revelou Thomas.

—Bem, se for para apostar em quem vai ficar vivo… Eu acho que a querida Iris Waid! Sério, que mulher. Deixou escapar Rebeca.

—O plano é o seguinte: Existem atualmente 3 complexos, eu destruí o quarto que tinha. Vamos fazer esquemas para destruirmos esses três complexos, o principal é o prédio do Lukin.

—Eu tenho um esquema! Mas está em casa. Daí só vai faltar um complexo e o prédio. Disse Rebeca, se referindo ao plano que tinha feito para atacar o complexo perto da sua casa.

—Sei que nem todos aqui se gostam, mas temos todos algo em comum: Perdemos alguém por causa de Lucius Lukin. Magnum perdeu seu melhor amigo, eu perdi meu irmão por causa das drogas que ele vendia, Iris, perdeu o amor dela e você Thomas, sua família e sei que quer derrubá-lo Rebeca, você foi a primeira a vestir essa roupa e ir atrás de justiça. Disse Carol, com todos, principalmente Magnum a observando.

—Então vamos nos levantar, nos recuperar da perda de Peter Johnson e estourar a cabeça daquele desgraçado! Completou Carol.

—Oh mãe, diga aos seus filhos: Não faça o que eu fiz. Passar suas vidas em pecado e miséria na Casa do Sol Nascente. Continuou Iris a cantar.

—Tem carros vindo! Gritou Thomas.

—Segurem-se! Indicou Magnum.

—Venha aqui, agora, Magnum, segura a minha mão! Gritou Carol, desesperada pela vida de Magnum.

Enquanto o carro arrastava de ponta cabeça pela pista após ser atacado pelos homens de Lucius Lukin, Iris fechou os olhos e cantou a última estrofe da música, que na verdade também era a primeira:

—Há uma casa em New Orleans. Eles a chamam de Sol Nascente, e ela vem sendo a ruína de muitos jovens. E Deus, eu sei, eu sou uma.

FIM DO CAPÍTULO DEZ.