"Compreender os estudos para linhas temporais não é algo que se aprenda da noite para o dia. Muitos viajantes do tempo experientes cometem erros para os quais acabam custando a vida deles ou de alguém próximo. Outros até de tanto mexer com o tempo de maneira equivocada acaba ficando mais velho que sua idade real. Na pior das hipóteses, se algo der errado duas ou mais linhas do tempo ao se cruzar se fundem e surge o caos temporal. "

—Escobar Stradivarius

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OUTRA LINHA TEMPORAL

~Clareira da Floresta Sombria, Vila Azul — Portugal~

Era fim de tarde num dia qualquer em Vila Azul. Eliana usava suas vestes sombrias e seus cabelos loiros tinham perdido cor e brilho. Parecia ter um tom grisalho. Naquele lugar estavam duas lápides. A de seu pai que morrera quando ela ainda bebê e de sua mãe que havia morrido a pouco mais de dois meses. O ódio, ressentimento e amargura haviam tomado conta de seu coração. Ela havia deixado de ser uma menina alegre e tinha se convertido para algo que acreditava não ter mais volta.

Em redor da lápide onde tinha os dizeres "Aqui repousa Amber Jazmín Lecoq, uma mulher que era mãe e não pode se despedir do filho amado." ela fez brotar lírios brancos, os favoritos de sua mãe. Uma lágrima quente percorria seu rosto tamanha era a desilusão que estava sentindo. Sua mãe era a única pessoa que conseguia manter a mente de Eliana sã.

A marca em seu braço esquerdo (encoberta pelas vestes) queimava como sinal de que era hora de cumprir com o que lhe fora ordenado.

Um portal do tempo surgiu. Era exatamente o que ela aguardava. O retorno deles da Sede dos viajantes do tempo. Ela tinha de ser fria, mas também não queria o matar na frente do irmão menor. Primeiro surgiu Gabriel, um jovem de cabelos castanhos e olhos cor de mel tal qual a mãe. Ele tinha pouco mais que 15 anos e só de olhar dava pra perceber que tinha sido uma criança gordinha. Eli deu uns passos na direção deles e parou diante do menino. Logo atrás dele viu o pai Vasco, claramente muito mais velho do que quando viajou há 14 anos atrás.

—Fadinha? ~Vasco sorria ao ver a sobrinha já adulta, porém diferente do que imaginara. Sabia que era a Lila porque seu filho Tomás havia enviado uma foto dela grávida.~ Vai lá filho! Abraça tua irmã!

O menino tímido correu e abraçou Eliana que correspondeu ao abraço, entretanto mantinha os olhos firmes em Vasco. A marca em seu braço tornou a doer, porém mais forte fazendo com que ela deixasse escapar um leve gemido.

—Que foi mana? Está com o braço machucado? ~Eliana se afastou do garoto colocando levando a outra mão sob o braço onde queimava a marca negra.~

—Não é nada. Apenas uma queimadura.

Mal ela acabou de falar isto e seu marido Tomás apareceu com uma bebê de dois meses nos braços, era a pequena Jazmín. A menina recebeu este nome a avó que havia falecido dias antes do seu nascimento.

—É a minha sobrinha? É tão linda...

Gabriel estava encantado com a bebê de olhos espertos. Vasco também se aproximou para paparicar a neta que estava nos braços de seu filho Tomás. Ele ainda não tinha se dado conta a quem pertencia aquela lápide.

—Gabriel, porquê não vais pra casa com o Tomás e a bebê?

—Sim mana, estou louco pra ver o quão bonita é nossa mãe e conhecer a Alice e a Nanda. Estou tão ansioso!

—Então vai lá. Preciso falar antes com teu pai.

—Vais ficar bem amor? ~a pensar que ela iria prevenir sobre a esposa falecida questionou lhe dando um beijo na testa~

—Sim, vão lá.

Os dois irmãos foram para casa levando a bebê e ficaram na clareira apenas Vasco e sua sobrinha/enteada/nora Eliana Alai.

—Há algo de errado em ti, mas ainda não tenho certeza do que é.

Vasco parecia calmo como sempre fora. Os anos lhe deram o dom da paciência.

—A única coisa de errado aqui é a tua presença, senhor Vasco Potter! ~as palavras de Eliana soavam como uma navalha ao cortar um lençol de seda.~

—Onde está Amber?

—Minha mãe?! E ainda tens a lata de perguntar onde está minha mãe?! ~a esbravejar joga-lhe a verdade na cara de uma só vez.~ MINHA MÃE ESTÁ MORTA E A CULPA É TUA! E SOMENTE TUA!

—Não fadinha... Porquê estás a mentir pra mim desta forma? Não sejas cruel minha fadinha... ~ notava-se pela voz que ele vacilava e não queria acreditar.~ Onde está sua mãe? E que roupas são estas? Esta não é você Eliana...

—QUER SABER ONDE ELA ESTÁ? É AQUI QUE ELA ESTÁ! ~o puxou pelo braço e o levou para frente da lápide.~

Ele logo desatou a chorar sendo obrigado a acreditar no que estava a ver. Uma lápide com o retrato da mulher que amava. A marca negra no braço de Eliana queimava feito brasa, mas não era só isso. Uma voz daquelas de colocar medo em qualquer um ecoava na mente da jovem mandando ela fazer o serviço.

—Sim mestre... Garanto que não fracassarei na missão.

Notando que havia algo de muito podre ali ele questionou.

—Com quem estava falando fadinha?

Pegou o braço a garota a subir a manga do vestido visualizando a marca negra a se mexer em seu braço incrédulo.~

—Com o meu mestre... ~deu um risinho que parecia mais uma mistura de sarcasmo e melancolia. ~ Estava a falar com meu avô. O Lord das Trevas, quem mais seria? Verme infeliz...

Eliana sacou a varinha de dentro da manga do vestido e apontou pra ele. Seu olhar era decidido e parecia ter nojo de estar na presença dele.

—Vai me matar? Por favor fadin...

—AVADA KEDRAVA!

Ela lançou o feitiço sem pensar suas vezes, mas não contava que seu amado estivesse a chegar bem na hora.

—NÃÃÃÃÃOOO!!!! ~correu Tomás em vão a abraçar o corpo do pai desesperado com a cena que acabara de presenciar. Ele havia retornado da casa a poucos segundos.~ Pai... PORQUE FEZ ISSO!??? ELE ERA MEU PAI! MEU!

Tomás chorou por muito tempo com o corpo de seu pai nos braços na esperança de que tudo não passasse de um pesadelo. As feições de Eliana mudaram e seu rosto ganhava um ar sereno, como se não fosse mais a pessoa de momentos atrás. E realmente não era. Eliana sofria de dupla personalidade e a única que sabia disso era sua mãe que sempre fez de tudo para a proteger e tinha a esperança de que um dia ela fosse uma jovem normal.

—Que aconteceu?

Ela deixou a varinha cair no chão quando viu Tomás aos prantos a segurar o corpo de seu pai que estava morto.

—Tio Vasco?

Lágrimas molhavam o rosto dela e quando se aproximou dos dois estava atônita com a situação e se agarrou ao corpo do tio chamando por ele. Tomás a olhava incrédulo.

—LARGA-O! VOCÊ O MATOU! Se não fosse por nossa filha e pelo amor que sinto por ti... Você matou o meu pai Eliana... O meu pai! Como pôde? ~o olhar de Tom pousou no braço de Eliana ao notar a marca negra. Em redor ainda tinha uma certa vermelhidão, o que significava ser recente.~ Seu braço... Estás a ser manipulada por ele!

—Meu... ~olhou o braço. Agora sim acreditava que tinha sido ela a lançar a maldição da morte no próprio tio. ~

Tomás deixou o corpo do pai em cima da lápide da esposa também falecida. Tentava esconder as lágrimas e a puxou pelo braço a levando pra casa. Ao chegar lá, Júnior, o irmão mais velho de Eliana havia acabado de contar a verdade para Gabriel a respeito da mãe ter falecido. O menino estava a chorar e ser consolado pela irmã gêmea Alice e pela caçula da família, a Fernanda.

—Bernardo, onde está a Jazmín?

—No quarto a dormir, mas onde está o tio Vasco?

—Cadê meu pai Tom? Ela já sabe da mamãe?

Tomás precisava dizer, mas não sabia por onde começar. Estavam lá os 3 filhos menores dele e Gabriel era aquele a quem tinha até aquele momento o pai como única família.

—Bernardo, podes traduzir ou contar para a Alice o que vou contar pro Gabi e pra Nanda?

—Onde está meu pai? Porquê não está com você? Quero o conhecer Tom...

—Infelizmente não vais poder conhecer o nosso pai Nanda... Apareceram uns devoradores da morte e...

Aquele dia não podia ser mais triste. Pesava para o Bernardo Junior ter que contar aquilo para a Alice, sua irmã surda tanto tanto pesava para o Tomás contar aquilo pra o Gabriel e a Fernandinha.

Eliana havia subido para o quarto sem crer que tinha sido capaz de matar alguém e que esse alguém era seu próprio tio. Ela chorava encolhida num canto do chão do quarto. O crime ao qual ela mais tinha nojo tinha acabado de cometer. Tomás irrompeu no quarto a tirar as coisas dela do guarda-roupas e colocar numa mala.

— Que está a fazer?

—Por mais que eu te ame, preciso proteger nossa filha de você mesma. Estou a fazer as tuas malas. Você vai sair desta casa ainda hoje!

—Tomás! Por favor, eu não lembro de nada... Não sei que aconteceu...

Implorava aos prantos ajoelhada. Ela a levantou e a sacudiu para a cama. Lopo após apareceu o Junior sem entender o que se passava e triste por causa do Vasco. Ele estava sem entender o porque daquela tensão no quarto até que olhou Tomás furioso a colocar as coisas da irmã na mala enquanto ela chorava.

—O que acontece por aqui? Minha irmã vai viajar?

—Ela vai sair desta casa.

—Tuntum... Eu te imploro...

—ACHAS POUCO TERES MATADO O MEU PAI?

Após isso foi tudo muito rápido. Gabriel estava no corredor entre os quartos e ouviu tudo. Ele adentrou o quarto incrédulo para a surpresa dos presentes.

—O quê? Ela matou o meu pai?

Gabriel sacou a varinha em busca de vingança, entretanto foi contido pelo irmão Tomás. Seu outro irmão Júnior se colocou diante da Eliana a abraçando-a para que o Gabriel não fizesse justiça com as próprias mãos.

Um silêncio se instaurou naquele quarto.

Estava tudo a se tornar cada vez mais terrível quando viram o corpo de Bernardo Junior cair lentamente indo ao chão com o peito ensanguentado e uma adaga cravada. Eliana parecia apática. Como s não fosse mais ela outra vez. A marca em seu braço tornou a mexer e arder. Ela olhava o marido e o irmão como se não sentisse nada.

—DESGRAÇADA!

Berrou Gabriel ao ver a forma fria como Eliana matou o próprio irmão. Tomás não estava a crer que havia se casado com uma assassina fria. Ele não segurava mais Gabriel e nem sequer tinha forças pra isso. Mal eles sabiam que Eliana estava a ter um conflito interno. Suas duas personalidades estavam tentando tomar o controle de sua mente. A ver os olhares de Gabriel e Tomas,voltou seu campo de visão ao Bernardo Junior caído no chão em sangue e falecendo.

—Perdão... Perdão...

Ela correu saindo correndo dali indo de encontro com a Alice no corredor. Atrás de si vinha Gabriel furioso e ao ver as duas parou de varinha apontada para a Eliana. A esta altura a Eliana já tinha pedido ajuda para a doce Alice que se interpôs na frente dele impedindo que ele atacasse a irmã. O menino tentou soltar-se e para conseguir teve de dizer que ela ´que era a assassina do pai e que havia acabado de matar o outro irmão na frente dele e do Tomás. Sem acreditar, ela foi para o quarto confirmou tudo. Infelizmente este foi o tempo suficiente para que Eliana fugisse dali indo para junto de seu mestre e deixando para trás sua família destruída.

(...)

Quatro meses depois os membros daquela casa recebera uma visita inesperada. A campainha tocou e quando a pequena Fernanda abriu era seu pai. Vivo e saudável.

—Tomás!

Ela gritava o nome do irmão emocionada, pois o pai, ela apenas conhecia por fotografias.

—Não vais me dar um abraço princesa?

Fernanda deu-lhe um forte abraço, mas foi puxada pelo Tomás.

—Minha querida ele não é nosso pai. É apenas alguém parecido. Agora quero que suba para o quarto que terei uma conversa com este senhor.

A menina subiu obediente mas antes deu e Vasco outro abraço. Ao chegar lá no quarto da Jazmín onde a Alice dormia numa poltrona, acordou a irmã e contou o que se passava.

—Quem é você e o que faz aqui? O meu pai está morto! Eu o vi morrer!

Questionou Tomás ao apontar a varinha para o pai.

—E eu sei de tudo isso Tomás. Eu me vi morrer. Quer dizer, eu vi o Vasco de outra linha do tempo morrer. Não foi algo bonito de se ver. Vim para os ajudar e para ajudar a fadinha.

Tomás baixou a guarda e o abraçou acreditado em cada palavra.

—Por favor... Vá embora Vasco... Se houver uma solução, nós vamos encontrar. Não quero que seus filhos na tua linha do tempo passe pelo mesmo que estou a passar. Não quero que fiquem órfãos. Eu te imploro, vá embora e não volte mais.

Eles foram surpreendidos por Alice a correr para os braços de Vasco toda encantada. E momentos depois ouviram o choro d'um bebê, um barulho estranho e em seguida o choro parou.

Eliana havia entrado no quarto e lançado um "petrificus totalus" em Fernanda para que ela não gritasse. Ela pegou a filha nos braços, de um beijo na testa da menina e deixou uma rosa negra junto a menina quando a colocou no berço. Eliana não era a mesma de meses atrás. Suas rupas estavam rasgadas e ela tinha um aspecto sujo.

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LINHA TEMPORAL ATUAL

Era a primeira noite da Lila a dormir na casa que Tomás havia comprado para eles morarem com a Jaz como uma família de verdade. Custou muito, mas Amber viu que nada se podia fazer e que quanto mais proibisse pior seria a situação, no fim acabou aceitando.

A noite estava chuvosa e trovejava. Eliana Alai vinha dando mostras de poderes herdados pela mãe, pois desde criança os únicos poderes mágicos que haviam despontado eram apenas os do lado paterno. Todos da casa dormiam, mas Lila estava inquieta em seus sonhos. Era como se estivesse a assistir a um filme de terror. Era a primeira vez que tinha esse tipo de sonho com tanta intensidade. Tudo parecia tão real que acordou aos gritos e a chorar desesperada porquê acreditava ser uma assassina.