Depois que acaba o ensino médio, é normal e uma ótima ideia fazer um rito de passagem para a vida adulta, algo que você possa fazer com segurança e responsabilidade, mas, claro, com diversão também. E foi isso que Andressa, Andreia e Ivana planejaram.

Uma semana antes, Andressa havia ligado para seus avós, que moravam no interior de São Paulo, Paranapiacaba, um distrito histórico de Santo André. Andreia pegou a tarefa de tentar convencer Ivana de ir, mas ela sempre recusava sem o maior esforço. Quando Andressa disse que lá perto havia uma cachoeira linda, trilhas legais para relaxar, passeios de trem, eventos na cidade, Ivana mudou de ideia, depois de muita insistência.

Andressa havia lhes apresentado o evento anual das bruxas de Paranapiacaba. O evento era repleto de comidas, histórias marcantes do passado que ainda vivem sobre as terras da cidade, as roupas temáticas e os edifícios antigos e ainda preservados. Aquele lugar era como um conto de fadas para Andressa desde criança, e ela está animada para mostrar às amigas, tanto que mal conseguiu dormir na noite anterior.

— Já está chegando? Parece que estamos dirigindo há horas. — Ivana suspira pesado. Suas pernas se agitavam discretamente conforme o carro acelerava cada vez mais. Ficar presa em um carro por quase duas horas seguidas, não era comum para ela. — Se eu passar mal aqui dentro, eu juro que vomito em vocês duas.

Seu corpo estava no carro, mas sua mente vagava por fora dele. A inquietação de seus pés como se quisessem sair correndo dali, o desconforto de seu corpo imovel em uma posição só, o calor insuportável, era demais para ela. E seu corpo não parecia bem com os movimentos quase coordenados a cada minuto que passava, como se rodasse no mesmo lugar, sem sair. Sua garganta fechava e apertava instantaneamente quando o carro passava por uma curva. Um repuxo no estômago a incomodava, mas não muito forte ao ponto de realmente ameaçar colocar tudo para fora. O arrepio passava ligeiramente por seu corpo, mas por questões de segundos.

— Ai, credo, me tira de fora dessa. — Andreia entortava o rosto, franzindo a testa e amassando as linhas grossas que se formavam, parecidas com a sensação de deitar em um colchão de água. Mas ela não desviava os olhos da estrada.

— Qual é, Ivana, você prometeu que iria se esforçar para curtir a viagem! — Andressa permanecia sentada no meio entre os dois bancos da frente do carro. Era notável ao tom de sua voz que havia um certo desconforto. Sua voz parecia distante e cansada, como se não aguentasse mais ter que implorar por algo.

— Eu nunca disse isso.

— Olha, meus avós estão felizes que estamos indo, e faz tempo que eu não os vejo. Todas nós concordamos em ir. Daqui dois dias vai ter o evento anual das bruxas, e é muito legal! Eu sempre vinha visitar meus avós bem na época do festival, e é incrível. Vocês vão gostar, eu prometo.

— Tá bom, eu vou dar uma chance. Mas é sério, eu preciso parar para fazer xixi e pegar um pouco de ar fresco, porque já enjoei de ar condicionado. Está atacando minha rinite. — Ivana abria um leve sorriso de canto, mas bem enganável. Seu corpo repulsa a ideia de que ela voltaria para o interior, longe do conforto da cidade que tanto se acostumou sem escolhas. Ela se mantinha rígida, tentando esconder o desconforto de estar ali, mas se esforçava pela alegria da amiga. Ela desliga o ar quando percebe um arranhar em sua garganta, irritando ao tentar engolir seco.

— Tem uma casa de lanches logo à frente, já já chegamos nela, querem parar lá? — Andreia sugere.

— Não sei não. É confiável? — Andressa arqueava as sobrancelhas desconfiadamente, abrindo rapidamente o telefone para olhar o Google Maps, ali pela região.



— Se é do lado da estrada onde as pessoas param, então sim. -Andreia fala rindo.

— Tá bom, espertalhona. Vamos parar então, porque estou morta de fome. E está calor demais. Vamos respirar ar fresco um pouco.

Mudando um pouco a rota do destino final que as amigas estavam seguindo, elas param na lanchonete, saindo um pouco da estrada e entrando em uma rua de pedras, onde serviam lanches prontos, sorvete e um café preto delicioso, mas com leite gelado se preferirem. Uma boa parada na estrada. Estava com um bom movimento e havia avaliações boas no Google Maps do local, então as meninas se sentiram aliviadas.

O lugar tinha um estacionamento enorme, onde trailers e outros carros haviam parado. Um posto de gasolina havia sido construído ao lado recentemente, ao notar a placa recém inaugurada. Não é atoa que aquela casa de lanches, muito mais uma lanchonete, estava bombando pela estrada. O chão era de terra, mas era plano e sem pedras que poderiam furar os pneus do carro, o que ajudou na avaliação do lugar na mente das garotas.

— Ai, que alívio descer um pouco do carro Minhas costas já não aguentavam mais. — Andressa se alongava um pouco do lado do carro, esticando os braços para cima e apoiando as pernas na traseira do carro para alongá-las também, como se ela se preparasse para uma maratona.

— Mas quem dirigiu por uma hora fui eu. — Andreia ria, encarando-a como se ela fosse prestes a correr para uma olimpíada.

— Ué, mas o banco de trás fica muito desconfortável quando se fica mais de uma hora sentada sem se mexer direito.

— Você estava quase pulando em todo mundo de dentro do carro de tanta ansiedade em chegar logo.

— EI, vamos ir comer para voltar para a estrada? Ou querem continuar vendo quem tem mais dor nas costas? — Ivana zombava das duas. Ela vestia seu casaco vermelho de academia, um pouco colado no corpo, mas confortável.

— Ai, vamos logo. Eu vi no Google que aqui tem sorvete, e está um calor do cão, então precisamos comprar sorvete.

Ao entrarem na enorme lanchonete, o ambiente era bem iluminado e com janelas rústicas de abrir feitas de madeira clara, carregando um ar country, no estilo texas. A decoração era na mesma pegada, com o interior inteiro em si feito de madeira, com tons diferenciados, mas ainda com um ar envelhecido no tempo. O piso era revestido com tábuas largas, bem modernas, mas ainda mostrando um lado mais antigo. Nas paredes em frente as mesas e cadeiras de madeira, junto com sofás estofados de couro marrom, havia cabeças de boi penduradas. Crânios de boi e de cabras, na porta de entrada e perto das mesas, dando um ar mais selvagem. O balcão de atendimento era enorme, com prateleiras grandes cheias de vinho, whisky, cachaças e várias outras bebidas alcoólicas, e algumas personalizadas da própria lanchonete.

Após pedirem o prato da casa, uma bela porção de frango empanado e batatinhas fritas com arroz, feijão e salada, as três agradeceram de novo por ter parado naquele lugar, que servia o frango frito melhor que o do KFC.

Elas pediram a conta e a dona da lanchonete deu às meninas suco de laranja por conta da casa, já que estava muito calor e ela havia gostado das meninas, pois elogiaram até as paredes do lugar.

Quando todas foram ao banheiro para finalmente voltar à estrada, Andressa lembrou dos sorvetes quando elas estavam prestes a continuarem o caminho.

— Droga, esquecemos os sorvetes!

— Deixa pra lá, não vou sair mais do carro. — Andreia fala dando a partida.

— Deixa que eu vou lá pegar os sorvetes, é rápido.

Ivana descia do carro com dificuldades, como se fosse descer rolando a qualquer momento de tanto que comeu. O peso era grande em seu estômago, e a digestão de toda aquela comida de roça demoraria bastante.

Quando Ivana voltou para a cabana para pegar os sorvetes, viu policiais altos e intimidadores entrando na lanchonete. Parecia uma regra que os policiais deveriam estar sempre de cara fechada para todo mundo. Era raro encontrar agentes do bem, que irão te tratar como humano independente do que você tenha feito.

Eles observavam todo o lugar, analisando cada detalhe do ambiente. Eles faziam uma vistoria por toda a lanchonete, passando por todas as mesas, encarando até mesmo a alma das pessoas sem disfarçar. Algumas pessoas se sentiam desconfortáveis, se encolhendo nas mesas e parando de conversar assuntos mais íntimos.

Eles logo tomaram a atenção até um homem de costas, que estava sentado na bancada com uma cerveja na mão. Ivana mal conseguia ver seu rosto, mas escutava sua voz grave e autoritária. Era assustador o quão sério ele conversava com as pessoas de lá, como se estivsse apresentando um caso de assassinato. Mas as pessoas pareciam entortar pro lado, sussurrando para os outros que aquele cara era um completo maluco paranóico. Todos ao seu redor esboçaram as mesmas expressões faciais, os mesmos sentimentos naquele momento. Eles seguravam o riso para o homem, como quem não caia na conversa dele. As pessoas endureciam as sobrancelhas quase ao mesmo tempo, como se quisessem questionar o homem, mas talvez estariam sendo mais malucos do que ele. Alguns não davam ouvidos ao que ele dizia, então apenas voltavam a comer suas comidas ou beber suas bebidas.

Os policiais se mantinham em alerta com aquela situação. Eles iam até o balcão e pediam duas garrafas de água, mas logo pediam informação com a garçonete.



— Quem ligou para nós? — Um dos policiais fardados falou.

— Foi eu, senhor policial. Este homem está atormentando meus clientes com suas histórias malucas! — A senhora da lanchonete falava irritada, parecendo que surgiam mais cabelos brancos em sua cabeça.

A dona da lanchonete saia pela entrada de madeira que levava até a cozinha. Ela secava as mãos gordurosas e enrugadas com um pano velho e com fiapos soltos. O suor escorria de seus fios brancos bagunçados, e suas bochechas estavam rosadas. Ela suspirou pesado, o que indicava que o calor era insuportável dentro da cozinha.

— Ele está dizendo que veio caçar lobisomens, senhor policial. — Um cara alto e magro dizia rindo, se afastando do local. Seu tom de voz era turvo, cada palavra cambaleava junto com ele para fora da lanchonete. Seus dentes eram podres, alguns cantos sem dente nenhum. Parecia mais um homem bêbado. Ele fedia a estrada suja e a álcool forte, o que não combina nem um pouco com o ambiente.

— Senhor, você terá que ir embora agora. — O policial diz se aproximando do homem sentado, que causava a confusão.

— Tudo bem se vocês não acreditarem em mim. Eu não ligo pra nenhum de vocês aqui. — Sua voz era rouca e transbordava seriedade. Ele caminhava até a porta de saída com a cabeça baixa, arrumando seu enorme chapéu de copa boiadeiro preto e com uma caveira em volta. Ele abria a porta e tirava um maço de cigarro do bolso, acendendo-o do lado de fora. — Mas guardem minhas palavras. Existem monstros que arrancaram a carne de vocês com a facilidade de um bebe que consegue fazer sujeira no chão. Não vão querer dar de cara com essas criaturas, porque aí vocês vão ver o que é loucura de verdade, e aí vamos ver quem vai ousar rir por último.

Aquele homem era completamente assustador. Seus cabelos eram longos e bagunçados com o chapéu, grisalhos, mas ainda com um vestígio de um loiro escuro, finos como os pelos de um gato., mas o homem era cabeludo. Era impossível que pudesse haver um buraco em sua cabeça sem cabelo. Sua barba era perfeitamente alinhada e grande, mas sem exagero. Seu olhar era intimidador e caído, como se estivesse morto por anos, apenas o corpo vagando pelo mundo.

Mas o que dava todo o charme para aquele homem, não era seu olhar ou seu cabelo bem cuidado e longo, mas sim seu chapéu boiadeiro. Ele era preto e de copa bem estruturada. Havia uma faixa decorativa de couro que lembrava uma tira de cinto com furos sobre anéis metálicos, com uma caveira assustadora gritando no centro. As abas são levemente curvadas nas laterais, dando um estilo único nele. Ele não parecia ter mais do que 60 e poucos anos de idade.

Lá fora, ele subia em uma custom harley preta, detalhada com mais caveiras e fogo, bem parecida com a do lendário motoqueiro fantasma. Ele colocava seu capacete preto e logo dava a partida, indo embora pegando a estrada sem nem olhar para trás

O ambiente dentro da lanchonete logo fica pesado quando aquele homem acaba de ir embora. Todos ficaram quietos e o semblante da dona da lanchonete mudou. Seus olhos se apertaram e seu maxilar havia travado completamente. Dava para ver que ela apertava o pano que segurava, mas não sabia se poderia ser raiva, ou pior, medo do que havia escutado.



— Que maluco. — O policial suspirou irritado, indo embora com seu parceiro.

Quando Ivana pega os sorvetes e volta para o carro, ela fica pensativa e rígida por conta do ocorrido. Suas pernas balançavam discretamente, como se ainda estivessem dentro da lanchonete. Os olhos de Ivana corriam pela estrada, esperando ainda conseguir ver o homem na moto, mesmo de longe e dirigindo rápido. Andreia dava a partida novamente, se dirigindo de volta para a estrada principal.



— Ivana, o que foi? — Ela pegava os sorvetes do colo da amiga.

Ela havia conseguido tirar Ivana do transe em que estava. Ela piscava rapidamente como se estivesse pousado em seu corpo novamente, depois de parecer que estava vagando por seus pensamentos. Andressa estalava os dedos em seu ouvido chamando sua atenção.

— É que aconteceu algo estranho lá dentro da lanchonete.

— Como assim algo estranho? — Andressa perguntou enquanto abria o sorvete.

— Ei, pegaram meu sorvete? — Andreia olha para elas pelo retrovisor do carro.

— Ta aqui, sua gulosa. — Andressa jogava o picolé para ela.

— Tinha um homem estranho lá. Ele disse às pessoas que estava aqui porque estava caçando monstros.

— Que? monstros, é? — Andreia ria, sem tirar os olhos da estrada.

— Meu Deus, ele deveria estar no décimo copo de cerveja para enlouquecer tanto assim.

— Chamaram até a polícia para ele. Ele era assustador, as coisas que ele falou assustou até a dona da lanchonete que havia chamado a polícia.

— Mas aqui pelo interior é normal as pessoas acreditarem ter visto monstros, essas coisas. — Andreia fala.

— Pior que é verdade. Em Paranapiacaba todo mundo lá acredita nesses monstros. Eles contam várias histórias sobre relatos sobrenaturais. E sabe qual a história mais assustadora de lá que assombra os moradores? Os lobisomens.

Havia uma movimentação estranha logo mais a frente na estrada. Carros estavam parados na entrada da mata da floresta ao lado, e alguns parados na estrada, impedindo a passagem de um dos lados da estrada. Carros da polícia se aglomeravam no local, afastando as pessoas de perto, onde havia uma multidão. Uma ambulância rapidamente passou buzinando alto perto do carro de Andreia, que pulava do banco assustada e quase saindo da estrada.

— Porra! Que cara maluco! — Andreia freava o carro perto de dois carros estacionados à frente. Ela batia ferozmente no volante, respirando fundo tentando acalmar os nervos. Ela não estava assustada, e sim com raiva.

— O que foi isso?! — Andressa fala se ajeitando no banco, quase caindo.

— Vocês estão bem? — Andreia fala, se virando para trás e depois para Ivana, que olhava fixamente para frente, com a mão na cabeça, massageando onde bateu. — Ivana, se machucou?

— Eu estou bem, mas…. o que aconteceu ali? — Ela sai do carro, caminhando devagar até uma multidão de pessoas na estrada.

— Ivana, espera! A gente vai com você! Andreia fala saindo do carro às pressas também, andando até Ivana.

—Puta merda, foi um acidente? — Andressa fala preocupada, seguindo as duas.

Elas se aproximaram lentamente da multidão, não dava para ver muita coisa, mas as meninas se enfiaram no meio e logo conseguiram ver o que era que tinha acontecido.

— Ai meu Deus! O que aconteceu com ela?! — Andressa dizia nervosa, com as mãos na boca, assustada.

— Ai meu Deus… T-tem uma criança.. — Andreia dizia se afastando um pouco, ficando ao lado de Andressa, tirando ela dali, vendo que ela estava ficando nervosa, tremendo. — Ivana, vamos sair logo daqui.

— Tá bom…. leva ela pro carro, eu já vou. — Ivana falava sem tirar os olhos do corpo.

no centro daquela multidão, havia o corpo de uma mulher jovem caída no chão, com uma criança no colo. A mulher estava com arranhões enormes pelo corpo e na região do estômago e do peito. Eram arranhões tão grandes que havia partes de dentro dela para fora, como seus órgãos e intestino, ela estava sem as pernas e sem um braço, sua cabeça estava deformada. A criança estava só com a parte de cima, deformadas também, com sangue pelo estômago e suas pernas haviam sido arrancadas. A mulher deveria ser a mãe da criança, que segurava abraçando o filho. Ivana se aproxima de alguns homens que conversavam com a polícia logo a frente, e então ela puxa conversa para saber mais do ocorrido.

— Com licença, o que aconteceu com aquela mulher e a criança?

— Não temos muitas informações, alguns moradores de fazenda local aqui perto encontraram ela e a criança já nesse estado. A estrada não é tão movimentada aqui pelo local até porque essa não é mais a avenida principal, então só encontraram o corpo agora, mas aconteceu ontem a noite.

— Que animal fez isso com ela?

— Existem cachorros que andam pelas estradas e são raivosos, a mulher parecia ser moradora de rua então ela estava a pé com a criança.

— Cachorros? Aquelas não são arranhões de cachorro, muito menos cachorros com raiva, são grandes demais. E do jeito que a mulher e o filho estão, foi um animal bem grande.

— Não existem animais tão grandes ao ponto de devorar um humano por aqui. — O homem ria. — Com certeza foram cachorros que viram que não conseguiriam comer a mulher e a criança inteiros, então só deixou a carcaça.

— Tá mas é que…

— Olha, deixa que os profissionais cuidem disso, ok? Já tem muita gente aqui curiosa xeretando então melhor você pegar a estrada de novo e ir embora, boneca. —- Ele piscava para ela enquanto se afastava e voltava a falar com os policiais.

Ivana voltou irritada para o carro, entrando e batendo a porta do carro com força, ainda encarando a mulher caída.

— Que idiota… -Ivana sussurra.

— O que aconteceu com ela e o bebê? — Andressa perguntou mais calma, mas séria com a situação.

— Estão falando que foram apenas cachorros com raiva, que andam pela estrada.

— O que?! Impossível! Um cachorro não tem força, muito menos tamanho para destruir um ser humano daquele jeito! — Andreia diz virando indignada para Ivana, sem acreditar nessa história.

— É eu sei, mas é o que estão falando.

— Bom, vamos continuar na estrada, já já escurece e se isso aconteceu a noite, então não quero estar aqui para ver o que aparece na estrada. -Andressa diz colocando o cinto de segurança de novo, com o tom mais calmo. — Vamos esquecer o que vimos aqui, melhor para todos, né?

— Concordo, e uma boa notícia é que faltam vinte mínimos para chegarmos na fazenda dos seus avós. — Andreia sorri, descontraindo o clima pesado, que logo volta ao normal com a animação das duas.

Ivana continua olhando para os corpos pelo retrovisor, pensando o que realmente havia acontecido ali, o que atacou aquela mulher e sua criança. Mas ela decide não pensar muito nisso, focando em tentar gostar da viagem de novo, depois de ter aceitado só pela felicidade das amigas.

Quando finalmente chegaram no sítio, a avó de Andressa, Dona Maria Tereza, já as esperava do lado de fora, que abriu um sorriso no rosto quando viu as meninas chegando. Ela era uma avó comum, vestindo um vestido florido bege com flores de várias cores, coque alto com alguns fios bagunçados soltos e um avental velho e com detalhes de flor. Seus olhos eram um mel claro limpo e lindo. E claro que ela ia na direção das meninas saindo do carro com um enorme bolo de cenoura com chocolate para elas.

— Graças a Deus vocês chegaram! Como foi a viagem? Preparei um belo banquete para as três. — Sua voz era doce e rouca, muito gentil.

— Vovó!! Que saudades! -Andressa abraçava ela com força e com um enorme sorriso no rosto.

— Meu amor! Eu também senti sua falta, fazia um tempão. E como está sua mãe? Ainda emburrada?

— A senhora sabe das coisas. — Andressa revirava os olhos, rindo.

— Venham, entrem, arrumei o quarto de vocês.

— Muito obrigada, vovó, só espero que não se incomode mesmo de ficarmos aqui.

— Ora! Claro que não, minha casa é de vocês. — Ela dá um tapa no ombro de Andressa. — E vocês devem ser Andréia e Ivana, né? -Ela diz com um sorriso vindo em nossa direção.

— Muito prazer em conhecê-la, Senhora Tereza. — Andreia a cumprimentou com um abraço.

— Meus amores, podem me chamar só de Mary.

— Muito prazer, Mary. — Ivana abre um sorriso para ela, cumprimentando com um abraço também.

— Deixa eu adivinhar, você é a que não gosta de interior, mesmo nascendo na roça? — Ela ri.

— Eh…. sou eu. — Ivana trava um pouco, rindo de nervoso.

— Tenho certeza que mudará de ideia depois de conhecer tudo por aqui!

— Eh, vamos ver.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.