Os Treinadores De Dragões
1 Jennifer Knight
Geralmente as histórias começam: “Tudo ia bem, até aquele dia ou até tal coisa” Bom, mas que essa é uma história diferente! Tudo já ia péssimo, desastroso! Até que... Anh, digamos que horrível!
Bom meu nome é Jennifer Knight, tenho 16 anos, cabelos negros, com uma pequena mecha ruiva na minha franja (que por estranho que pareça eu nasci com ela, e nem que eu corte o que minha mãe já tentou milhões de vezes, ela aparece novamente no dia seguinte) olhos castanhos e “Blá-blá-blá”...Enfim, agora que me apresentei, vou contar tudo desde o ínicio. Moro em um sobrado em um daqueles bairros super pequenos em Nova York (se é que me entende).Tenho um pai, Válter, uma mãe, Luce, meu irmão do meio de 11 anos Patrick, meu irmão caçula de 8 anos, Henri, minha irmã mais velha Clarisse e por fim a pequena Julia, com só 2 aninhos...Imagine a bagunça que é a minha casa! Ainda bem que cada um tem seu próprio quarto, senão eu tenho até medo de saber o que aconteceria! Isso é muito tenso:
-Manhê!-Berrou Clarisse certo dia- Eu tenho que fazer as minhas unhas!
Minha mãe suspirou:
-Meu docinho... Você precisa ir para á escola... Todos os seus irmãos estão no carro, só falta você querida! Vamos antes que a Julinha comece a chorar!
Clarisse emburrou, mas concordou e fui até o carro, ela era alta, tinha cabelos loiros, olhos azuis, era toda “cuti-cuti” e sempre, sempre mesmo! Usava roupa rosa, ela mandara seu uniforme escolar para a costureira para bordar lacinhos, bordadinhos rosas e essas coisinhas meigas, como se não bastasse, ela era tão insuportável, que a diretora dera autorização para ela levar nas aulas seu cachorro Poodle, tenho dó daquele cachorro... O coitadinho é irritante, insuportável (e parece uma mistura de filhote de porco com capivara usando um vestido rosa, mas isso não convém ao caso) enfim, seu nome era Lacinho, e antes que você argumente algo, sim, era um cachorro macho, eu nunca concordei com esse nome, mas sempre que argumentava era a mesma desculpa:
-Já disse que é “O Lacinho” “O” é muito macho pra sua informação! –Disse Clarisse no carro empinando seu nariz e tentando passar seu batom de última hora olhando seu reflexo pelo celular, sua maquiagem era tão exagerada que parecia farinha de trigo na cara ou algo assim.
-Lacinho! Uhú Lacinho — Caçoou Henri- Claro, muito macho!
Clarisse deu um olhar tenso pra ele de: “Quando a mamãe não estiver olhando eu vou te estrangular menino”.Henri era uma peste, ele tinha 8 anos e era o “queridinho mais novo da mamãe” assim logo ele fazia de tudo para nos manter em encrenca, quando agente encostava nele, ele se jogava no chão: “Ela me empurrou mamãe! Essa feia e chata me empurrou! Acho que eu vou ter um traumatismo craniano! Meu rins estão torcidos! Eu podia ter morrido!”:
-Crianças...Queridinhas, não briguem! –Disse mamãe numa voz suave e calam, como sempre.
Minha mãe é a melhor do mundo, ela sempre usa o mesmo corte de cabelo: Todo solto e um pequeno rabinho preso atrás, o que me lembra uma princesa, ela era sempre doce e suave, seus olhos cor de mel brilhavam quando falávamos com ela, tinha cabelos castanhos claros, quase loiros e tinha um apelido para cada um de nos: Eu era a “Princesinha”, Clarisse era o “Docinho de Coco”, Henri por incrível que pareça era seu “Favo de Mel”, Patrick era o “Ursinho” –Acho que era porque ele dormia muito- e Julia era a sua “Pequena Estrelinha” de onde surgira tanta criatividade? Não faço a mínima ideia:
-Essa coisa é sua unha? –Perguntou Patrick para Clarisse, os olhos dela se encheram de brilho.
-É a última moda de verão –Respondeu ela com orgulho, estufando o peito- Veja é em forma de zebra e têm pelinhos, você gostou?
-Não, é porque eu achei que era uma ratazana comendo seu dedo — Henri e Patrick caíram na gargalhada, Clarisse levantou sua bolsa cor-de-rosa (esquecendo-se do poodle dentro dela) e bateu nos dois, o poodle começou á latir desesperadamente e saiu voando da bolsa, e começou a entrar debaixo do forro do banco do carro.
Julia começou á chorar:
-Que foi minha estrelinha? –Perguntou minha mãe, enquanto Julia berrava.
-Ela bateu no cachorrinho! –Disse ela aos soluços- Clarisse malvada!
O carro começou á parecer um carnaval, Clarisse batia em Henri e Patrick enquanto eles gritavam atormentando-a, Julia berrava, meu pai gritava para todo mundo ficar quieto e minha mãe tentava acalmar Julia. Bem-vindo ao meu mundo! Onde nem para ir á escola você tem sossego!
Acho que eu devia apresentar meu pai.Ele tem cabelos negros, sempre despenteados e com gel, ele claro, era o melhor pai do mundo! Embora ele seja um pouco bravo, creio que seja coisa de qualquer pai.
Enfim finalmente chegamos! Liberdade! Quando a porta se abriu, eu te juro que pulei no chão e comecei a apertar a grama, por pouco não a beijei- uma azar para as formigas, é claro- Mas Henri, aproveitou esse momento de fraqueza e me usou como tapete, antes que eu pudesse arrancar o pescoço dele, Patrick decidiu fazer uma apresentação de samba nas minhas costas, Patrick era uma versão maior que o meu irmão Henri, a diferença: Patrick tinha cabelos negros bagunçados e Henri tinha cabelos negros estilo “tigela”, eles eram rebeldes, nunca dava para mudar de posição. Patrick era magrelo e alto, Henri era magrelo e baixinho... Uma verdadeira miniatura de seu irmão.
Bom, eu me levantei e chutei a canela dos dois, mas pelo meu azar... Minha mãe viu, Henri começou a forçar um choro sem lágrimas:
-MÃÃÃÃE! Ela me chutou! Eu acho que desloquei a perna! Vou ter que andar pelo resto da minha vida de cadeira de rodas!
Minha mãe me encarou e fez um olhar: “Ah... Mas lá em casa, menina!” Julia começou a dar palmas e risadas, ela era bonitinha por fora, já por dentro... Era uma aprendiza de Henri, ela era morena, pois puxou minha avó, tinha cabelos grisalhos:
-Vão! Entrem ou você vão se atrasar! –Disse minha mãe, apontando para o colégio.
Eu estudava junto com meus irmãos no colégio de Lutterwork ’s, ele era enorme, tinha um lustroso gramado, era vermelho e branco (nada chamativo), rodeado de árvores, dentro dele havia uma praça onde os alunos esperavam para as aulas e criavam eventos, ela havia algumas partes com piso branco e outras de grama, com bancos de cimento.
Entramos, Clarisse foi com a sua turminha “Unhas cor-de-rosa” onde nenhuma garota e garoto podiam entrar sem ter as unhas cor-de-rosa... Henri foi com aqueles meninos bobos, Patrick foi avacalhar alguém e eu? Fiquei sentada, observando meu celular, como se fosse a coisa mais interessante do mundo:
-Hi hi –Aquela risadinha tosca da turminha da Clarisse – Sem amigos Jennifer? Por que será?
-Antes nenhum do que amigos falsos... -Encarei Clarisse, que por mais que seja burra entendeu a indireta.
-Vamos meninas! –Disse ela, me lançando um olhar frio, depois de empurrar uma menina ruiva de óculos e sardas na frente dela.
Fui em direção a menina:
-Quer ajuda? –Perguntei.
Ela parou, olhou pra mim e cessou a respiração, como se ela soube-se de algo sobre mim... Aquele olhar dela me deixou nervosa, muito nervosa... Ela finalmente respondeu:
-Por... Por... Favor – Sua voz ficou rouca e sua mão trêmula, o que me deixou ainda mais nervosa.
-Algum problema? –Disse eu abaixando e pegando os livros dela, pareceu mais rude do que eu queria.
-Não, só preocupada com a prova. -Disse ela baixinho.
-Têm prova!? – Espantei-me.
-Oh! Não... Mas sim... Que classe você é? –Disse ela.
-Da sua, acho que já te vi.
Ela suspirou como se estivesse mentindo:
-Não é bem hoje... É a prova bimestral.
-Mas é só daqui a dois meses!-Indaguei sem conseguir compreender.
-Temos que nos prevenir, sim? –Ela me olhou e foi embora.
“Que menina estranha” –Pensei- “O que cargas d’água esta havendo?”
Mas eu tinha mais coisas em que me preocupar, o sinal tocou, os copiadores de lição mais lerdos suspiraram “Não vai dar tempo...” –Diziam- “Me passa na aula”.
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