Notas iniciais
Gente primeiro capitulo da fic :3 espero que gostem

A primeira coisa que senti ao acordar foi uma dor pontuda bem no meio da testa. A segunda foi o frio úmido da grama sob minhas costas. Abri os olhos devagar e encontrei, acima de mim, a copa de uma árvore do Central Park balançando com o vento. Em um dos galhos, um esquilo me encarava como se eu tivesse arruinado o dia dele.


No chão, ao meu lado, havia uma noz caída. Ah. A arma do crime.


Peguei a noz, me levantei e a ergui para o esquilo.


— Acho que isso é seu — disse, tentando não parecer bobo por estar conversando com um roedor.


O esquilo desceu alguns centímetros, estendeu as patinhas e pegou a noz. Tentou abri-la batendo contra o galho, sem muito sucesso.


Suspirei. Eu realmente estava prestes a ajudar um esquilo a abrir uma noz. Era esse o nível de decadência ao qual eu tinha chegado.


— Deixa que eu resolvo isso, campeão.


Tirei o celular do bolso. Com um toque no aplicativo Vingança, o aparelho se distorceu, alongou e se transformou na minha espada de dois gumes, brilhante, com a palavra “εκδίκηση” gravada nas laterais. Era uma arma imponente… mesmo quando usada para abrir uma noz.


Cortei o fruto ao meio, devolvi as duas partes ao esquilo e pressionei o botão na guarda para transformar a espada de novo em celular. O esquilo saiu correndo, satisfeito, e eu fiquei ali, sozinho, sob a árvore, tentando lembrar por que diabos ainda estava em Nova York.


Ah, é. A guerra.


A batalha contra o Olimpo tinha terminado fazia duas semanas. Foi sangrenta, feia e totalmente inútil no fim — principalmente para quem estava do lado perdedor. Eu, no caso.


As coisas caminhavam bem para o exército de Cronos… até os pôneis de festa chegarem. Não sei quem teve a ideia de armar centauros bêbados com lança-confete, mas funcionou. Depois disso, virou um massacre: Hades libertando seus mortos-vivos, Tifão sendo recapturado, e Luke… bom, Luke decidindo que morrer era a melhor solução possível.


Eu fiz o que qualquer semideus sem opção faria: fugi.


Desde então, dormia em becos, telhados, parques… era uma vida glamourosa.


— Mais um dia para sobreviver — murmurei, observando a cidade ganhar vida com os mortais correndo para seus trabalhos.


Um dia encontrei um filho de Hefesto que insistiu para eu ir ao Acampamento Meio-Sangue. Eu ri. Ir morar com pessoas que tentaram me matar? Não, obrigado. Ele foi embora, e nunca mais o vi. Talvez tivesse sido capturado, talvez exilado, talvez morto. Ultimamente, quase ninguém sabia o destino de ninguém.


Ah, sim. Meu nome é Gabriel. Filho de Nêmesis, a deusa da vingança. Sim, eu sei. Bem adequado.


— Ainda vivendo como um mendigo? — perguntou uma voz às minhas costas.


Virei-me e encontrei um carteiro. Um carteiro sorridente demais.


— Quem é você? — perguntei, desconfiado.


Ele arqueou as sobrancelhas, ofendido.


— Não reconhece o deus dos mensageiros?


— Hermes?


— Finalmente — ele disse, abrindo os braços. — Estava começando a achar que a geração de vocês não respeita mais ninguém.


— O que você quer comigo?


— Uma mensagem.


Meu estômago afundou.


— De quem?


— De Zeus.


Pronto. Agora sim, minha vida estava oficialmente arruinada.


— O que ele disse? — perguntei, engolindo seco.


Hermes cruzou os braços.


— Após a guerra, os olimpianos votaram em exilar todos os semideuses que lutaram ao lado de Cronos.


Por um momento, achei que tinha ouvido errado. Exilados. Não presos. Não mortos. Exilados.

Deuses adoravam dar nomes bonitos para punições feias.


— E o que isso significa exatamente? — forcei a voz a sair.


— Significa que eles estão com raiva de você — Hermes disse com naturalidade. — Mas eu não. Eu quero ajudar.


Ele me orientou a procurar outros exilados. “Vocês vão precisar uns dos outros”, foi o que disse antes de desaparecer no ar.


A luz da manhã parecia mais pesada depois disso.


Caminhei sem rumo por ruas movimentadas e becos escuros, tentando entender o que fazer com a informação. Exilado. Caçado. Condenado. O pacote completo.


Eu já estava acostumado a ouvir gritos na cidade, mas aqueles que ecoaram de um beco próximo tinham outro tom: medo de verdade.


Corri até lá e encontrei um garoto, talvez uns doze ou treze anos, sendo encurralado por um gigante de pele acinzentada. Três metros de altura, hálito pior que esgoto… um típico começo de manhã para um semideus.


Transformei o celular na espada e avancei. O gigante estava tão focado no garoto que nem percebeu minha aproximação. Acertei um golpe rápido na coxa dele, o suficiente para chamar atenção.


— Mais um semideus… — rosnou a criatura, girando o corpo inteiro para me encarar. A proximidade com o hálito dele quase me matou antes da batalha começar.


Ele tentou me chutar, mas rolei para o lado. Corri, desviei de dois socos e, quando cheguei perto o bastante, saltei e enfiei a lâmina direto no tórax do gigante. Ele explodiu em poeira dourada.


A espada voltou a ser celular em minha mão. Me virei para o garoto, que respirava rápido demais.


— Você está bem? Qual é seu nome?


Ele engoliu seco antes de responder:


— Davi. Eu sou filho de…


E então ele me olhou como se estivesse prestes a revelar algo importante demais para um beco tão sujo.


Notas finais
Obrigado por lerem :3 o Proximo capitulo não vai demorar...aceito reviews e tals kk
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.